Muita gente anda entusiasmada por o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, ter dito que a austeridade não basta e que é preciso crescimento económico para que as crises de dívida possam ser resolvidas na Europa.
O problema, porém, é que não é nada óbvio como é que se poderá gerar esse crescimento económico.
A receita liberal para o crescimento, assente em privatizações, abertura dos mercados, etc, pode gerar crescimento mas dificilmente o fará a curto prazo ou de imediato. Não é por um mercado ser liberalizado que, de um dia para o outro, aparecem nele muitas empresas pujantes. Não é por uma empresa ser privatizada que, de um dia para o outro, ela começa a fazer mais negócio e a empregar mais pessoas.
A receita keynesiana para o crescimento gera um crescimento falso, não genuíno, assente em obras públicas desnecessárias e insustentáveis, que custam balúrdios a manter em funcionamento. A título de exemplo temos a Via do Infante, na qual o tráfego diminuiu para metade desde que passaram a ser pagas portagens - sinal seguro de que não há, pura e simplesmente, dinheiro na economia para manter aquela autoestrada. Ou temos aquela marina na Madeira na qual nenhum iate aporta - sinal evidente de que a obra pública é, pura e simplesmente, desnecessária.
A Europa é um continente velho e revelho, com uma população em envelhecimento acelerado, que estaria em contração se não fosse a imigração. E a Europa não quer deixar de o ser - quaisquer propostas para abrir a Europa a mais imigração esbarram numa forte resistência popular. Uma população em regressão dificilmente gera a imensa procura que leva a que projetos de investimento possam ter altas perspetivas de lucro e, portanto, ir em frente.
Além disso, os custos da energia (e de muitas matérias primas) estão em alta constante. Sem energia barata é difícil gerar as altas taxas de lucro dos investimentos que permitem o crescimento.
Mario Monti tem razão, o crescimento é indispensável. O problema é que ninguém sabe bem como alcançá-lo na Europa.
















