Economia

Retrato de artur baptista

Pelas primeiras noticias sobre as grandes medidas estratégicas para Portugal nos proximos 3 anos o que já se percebe é que mais uma vez se aposta tudo numa lógica de curto-prazo, em que o que se pede é a quem trabalha por conta de outrem pague o enorme voracidade do Estado.

Sinceramente penso que desta forma vamos continuar a nossa caminhada para o empobrecimento geral da Sociedade portuguesa, entrando a fundo no circulo vicioso da necessidade constante do Governo de "ajudar" e não de dinamizar.

Gostava de ver uma efectiva redução dos custos do Estado através de mudanças estruturais, de redução da dimensão e voltar a entregar os designios à propria Sociedade.

Qual é o efeito em termos de eficácia económica privatizar partes de algumas empresas publicas, ficando o Estado a controlar os seus designios? Provávelmente para que entidades bancárias do tipo BES ficarem com mais poder?

Se as entidades bancárias que tem aversão ao risco tiverem no Estado o lugar mais seguro para aplicar o seu dinheiro, acham que vão emprestar a pequenas PME (opting out)?

A palavra que mais li até agora é - limitar. Mas com um defice (após todas as contabilidades criativas, tipo PPP) de 90 % do PIB chega?

 

A ver com atenção os proximos capitulos.

Retrato de artur baptista

Para um País que tem poucos recursos base, o Investimento Directo Estrangeiro faz parte do necessário desenvolvimento e que qualquer Governo deve dar a maior atenção.

Tal como todos os mercados, o "mercado" do IDE é também ele marcado pela Concorrencia. Neste particular, entre os diversos paises terá de existir um esforça para que cada um apresente as Vantagens Competitivas que sejam suficientemente grandes para que as empresas escolham "comprar" determinada região para investir.

O que se assiste neste momento, e eu falo do meu caso pessoal que trabalho numa multinacional mas que posso sugerir que podera ser uma tendencia, é a uma desistencia das empresas estrangeiras em investir em Portugal.

Retrato de Miguel Duarte

Sou um participante no esquema de microcrédito do kiva.org, um site que me permite emprestar pequenos montantes de dinheiro a negócios espalhados pelo mundo. Acredito que emprestar dinheiro para pequenos negócios é uma forma muito mais salutar de ajudar o próximo que a caridade, permitindo a quem o recebe tornar-se independente e, no meu caso específico dado que apenas empresto a mulheres, contribuir para uma maior igualdade.

Recentemente no blogue do kiva foi publicado um pequeno artigo sobre o impacto da religião na pobreza, por um membro da equipa que está em viagem pela Indonésia (uma das muitas regiões onde opera). Segundo o mesmo, na Indonésia, existe uma aldeia essencialmente cristã que parece muito menos pobre que as aldeias circundantes. Aparentemente a razão de tal acontecer, é que as aldeias circundantes, sendo Hindus, gastam uma proporção muito maior dos seus rendimentos em templos, oferendas e festas religiosas.

A pergunta colocada pelo autor do artigo é para mim muito relevante:

one must question whether the money spent on daily offerings and ceremonies would be better spent on food, education or housing needs

Curiosamente, o mesmo poderia aplicar-se em Portugal ao famoso dízimo de muitas igrejas evangélicas, que certamente apenas contribui para fazer mais pobre quem já é pobre. No fundo, este tipo de acções é apenas mais um facto que torna mais pobre quem já é pobre, tornando-os ainda mais dependentes da caridade religiosa em vez dos seus próprios recursos.

Retrato de João Cardiga

Julgo que é publico a minha posição sobre as Golden Shares, e que já causou uma mini-polémica aqui no blogue.

Continuo a ter a opinião de que as Golden Share estatais foram talvez o instrumento mais eficiente que foi criado para o Estado poder atingir alguns dos seus objectivos.

Mas esta é a minha opinião quando debato este tema em teoria. No entanto como não tenho apetência para ser avestruz a minha opinião é que a sua eficiência resume-se aí. Isto é quando este instrumento sai da teoria e passa para a realidade portuguesa toda a sua eficiência vai pelo cano abaixo. Se duvidas restassem este ultimo mês demonstrou claramente que tal instrumento é na realidade ineficaz.

Ou seja, julgo que já existirão poucas pessoas com capacidade para o defender, pelo que o mais certo é que, mais dia menos dia, elas deixem de existir.

No entanto a simples extinção de uma Golden Share poderá trazer outros problemas tão ou mais graves que os existentes.

Julgo que, agora que já ultrapassámos o tempo de discutir a existência das Golden Shares, começa a ser tempo de abrir a discussão de o que fazer para preparar a extinção das mesmas.

Pessoalmente dou o pontapé de arranque nessa discussão defendendo que antes dessa extinção julgo que é vital existirem reestruturações nas empresas onde as mesmas existem, com especial enfase na PT, para que exista uma separação clara entre empresas com actividade apenas em Monopolio Natural e empresas com actividades apenas em mercados concorrenciais.

As segundas deverão ser obviamente privadas.

Já as primeiras o meu ponto de partida teorico é que deverão ser, numa primeira fase empresas de capitais publicos. Para além de outros motivos, não me parece que o Estado português esteja preparado para efectuar bons contratos de concessão nesta altura, o que em ultima análise poder-se-ia traduzir por exemplo num encargo mais elevado para os contribuintes.

O que acham?

Retrato de Miguel Duarte

Via um comentário no jugular:

O crescimento não vem de reformas, vem do trabalho, do investimento, da tecnologia e da inovação. Ponham em cima da mesa um caso de crescimento com base em reformas estruturais e, quando virem que não conseguem, chegarão à mesma conclusão que aqui se expõe.

Pedro Lains

A primeira frase está certa no que toca ao que gera o crescimento, mas para que haja confiança para investir e inovar ou vontade de trabalhar é necessário que coisas como o sistema judicial funcionem e que o Estado não afogue qualquer desejo de empreendorismo em burocracia e impostos. Um dos maiores problemas de Portugal, e basta falar com qualquer empresário para o perceber, é que matamos o empreendorismo.

O Euro poderia ter sido e pode ser bom para Portugal, mas para que o seja temos que nos deixarmos de saudosismos relativamente a podermos desvalorizar a nossa moeda (quem quer verdadeiramente concorrer pelo custo?), e pensarmos no que podemos fazer para que bons investimentos e bons empregos surjam em Portugal. Para que tal aconteça, o Euro, até é uma vantagem.

Retrato de Miguel Duarte

A Blockbuster em Portugal acabou de declarar falência. Um fim previsível, mas incompreensível, pois era a única empresa deste sector que, dada a sua experiência nos EUA, poderia ter tido a mínima hipótese de dar a volta à sua situação disponibilizando serviços de vídeo-a-pedido.

Os clubes de vídeo são um negócio com fim marcado. Os consumidores pretendem ver filmes e séries no seu computador/televisão e sem sair de casa para os alugar. Pretendem também ter acesso aos filmes no momento em que estão no cinema ou pouco depois disso e a preços acessíveis.

Tudo isso se tornou possível com a tecnologia actual. O custo de distribuição de um filme é muito mais baixo, a Internet propicia uma forma de distribuição instantânea. No entanto, com a excepção de alguns clubes de vídeo-a-pedido, dos distribuidores de televisão por cabo, com uma selecção extremamente limitada e preços elevados para o que o mercado está disposto a oferecer (em massa), não existem soluções para os consumidores.

A pirataria não existe porque os consumidores queiram ser ladrões, a pirataria existe porque a tecnologia coloca nas mãos dos consumidores os vídeos e séries que estes desejam a um preço acessível (mas com trabalho) e com o conforto/conveniência que desejam. Caberia ao mercado satisfazer as necessidades dos consumidores, oferendo-lhes o produto que desejam, a um preço acessível e com elevada qualidade. Optaram ou não foram capazes de o fazer, o resultado está à vista.

No futuro irão surgir alternativas comerciais que irão satisfazer os consumidores, a receita não é difícil, infelizmente não serão as actuais empresas a satisfazê-las. Provavelmente será o Netflix em versão europeia ou outra empresa semelhante.

Retrato de Miguel Duarte

Na mesma linha da entrada do Luís Lavoura, estou mesmo cansado dos políticos deste país, tal como penso estarão todas as pessoas minimamente responsáveis e conhecedoras da situação financeira do país.

Não quero votar PS nas próximas eleições, mas, infelizmente, a oposição parlamentar também não me está a dar absolutamente nenhuma razão para votar na mesma.

Portugal neste momento tem que cortar drasticamente na despesa pública e privada, sob risco (se já não for uma certeza), de virmos ter que abandonar a zona Euro, com um impacto fortíssimo que isso teria para o nosso conforto económico.

O papel da oposição no meio deste caos (principalmente partidos de "direita" como o PSD e CDS-PP) deveria ser apenas um: exigir cortes orçamentais profundos, até porque, politicamente falando, se herdarem o governo deste país nos próximos anos, não se vão querer certamente confrontar com um país com défices públicos de 10%.

Portugal tem um problema de excesso de consumo para a produção que tem, à semelhança dos EUA. Temos vivido à custa dos outros, endividando-nos todos os anos mais um pouco. Mas não somos os EUA, a China não deve estar interessada em emprestar-nos mais dinheiro, e para nós a festa acabou (tal como irá inevitavelmente terminar para os EUA).

Soluções? Drásticas:

- Corte profundo na despesa pública;
- Subida radical dos impostos, por forma a equilibrar o orçamento, reduzir o défice e reduzir importações (que tem a vantagem de se poderem reduzir no futuro, ao contrário da redução salarial proposta pelo FT, que seria muito mais difícil de recuperar). Parece-me que a subida do IVA e outros impostos sobre o consumo serão inevitáveis, tal como deveria ser criado um novo imposto sobre o consumo de energia eléctrica não renovável (importações!);
- Aumentar as taxas de juro dos famosos Certificados de Aforro, por forma a incentivar os portugueses a poupar e permitir ao próprio Estado poupar (com taxas de 3% ou 4% muitos portugueses estarão certamente interessados em emprestar dinheiro ao Estado). Porque motivo o Estado irá pedir dinheiro ao estrangeiro, se pode ser financiado, pelo menos parcialmente, pelos portugueses, retirando dinheiro do consumo e transferindo-o para melhores tempos?

PS Explicativo: Estas medidas são bastante iliberais, mas derivado a estarmos na zona Euro não vejo outra solução. Se o Escudo ainda existisse o mesmo estaria em queda livre e as taxas de juro baixas nunca teriam ocorrido. A nível político a solução seria por isso mais fácil. Mas termos uma moeda forte tem as suas vantagens e a suas desvantagens. Estamos agora a sofrer as desvantagens e temos que arranjar formas de lidar com elas.

Retrato de Luís Lavoura

Aquilo que ontem se passou foi muito grave.

O Estado português vai, de 15 em 15 dias, à banca internacional, de mão estendida, pedir dinheiro, isto é, vender obrigações do tesouro. Ontem, quando mais uma vez o fez, os juros pedidos pela banca internacional para emprestar dinheiro ao Estado português foram tão elevados - superiores a 4% ao ano - que o Estado português decidiu desistir a meio da sua venda de obrigações, tendo vendido obrigações no valor de 300 milhões de euros em vez dos 500 milhões que tinha planeado.

Isto quer dizer que já hoje a capacidade do Estado português se financiar internacionalmente está severamente diminuída pelos juros altos que os credores estão a pedir, resultado da falta de credibilidade financeira do Estado português.

E enquanto esta coisa de extrema gravidade se passa, os deputados de todos os partidos da oposição, sem uma única honrosa exceção que seja, continuam a congeminar formas de o Estado português ir ter que dispender ainda mais dinheiro para alimentar o soba da Madeira. Metem-me nojo, todos eles!

Retrato de Luís Lavoura

Parece que o governo prevê que o défice das contas do Estado de 2009 seja de 8,7% do PIB, e aponta no Orçamento de 2010 para um défice de 8,3% do PIB.

A previsão para 2010 é horrivelmente, inaceitavelmente alta. 8,3% do PIB é uma monstruosidade. Há o risco de que o governo, pura e simplesmente, não consiga extrair isso dos mercados financeiros - ou seja, de que não haja suficientes pessoas dispostas a emprestar ao Estado português o dinheiro de que ele necessitará. Há também o risco de que os bancos privados portugueses sejam penalizados e não consigam obter do estrangeiro o dinheiro que os privados portugueses necessitam de pedir emprestado.

O Orçamento de 2010, se prevê um défice de 8,3%, é uma tragédia inaceitável.

Retrato de Luís Lavoura

Falando ontem sobre os estímulos governamentais à economia, Ernâni Lopes aconselhou o governo a pensar sete vezes antes de embarcar numa qualquer grande obra - do tipo autoestrada, TGV ou aeroporto - mas elogiou a execução de pequenas obras, espalhadas pelo país, nomeadamente a renovação de escolas. A mim parece-me claro que Ernâni Lopes tem 100% de razão. Todas as grandes obras - novo aeroporto de Lisboa, TGV (seja lá o que isso fôr), novas estradas e autoestradas - devem, no momento atual, ser congeladas. Obras como a renovação de escolas e hospitais, pelo contrário, podem avançar.

Para além dos motivos financeiros, no entanto, eu gostaria de chamar à atenção também os motivos energéticos e ambientais. Não podemos ter ilusões - o preço da energia vai subir, inexoravelmente, ao longo dos próximos anos. Subir, e subir muito. O petróleo escasseia (já teremos provavelmente atingido o pico da sua produção, estaremos já eventualmente na fase descendente) e os povos asiáticos entram, poderosamente, na competição pelo existente. Portugal é um país altamente dependente do exterior em matéria energética. A energia vai-nos custar os olhos da cara - já custa, aliás. Não tenhamos ilusões. Ora, as grandes obras têm uma coisa em comum - servem para meios de transporte que gastam muita energia. E que, portanto, vão ser cada vez mais difíceis e caros de utilizar. Tendencialmente, haverá cada vez menos gente a andar de avião e de automóvel, porque o carburante para esses veículos será cada vez mais proibitivamente caro. Esta tendência, aliás, já hoje se vai observando. Portanto, a prazo, as grandes obras - as novas autoestradas, aeroporto, linhas férreas - correm o sério risco - eu diria mesmo que é uma certeza - de não servirem para nada. De se transformarem, todas elas, em elefantes brancos. (Os quais o país, aliás, não terá dinheiro para manter em funcionamento.)

Nos edifícios temos o problema contrário. Portugal gasta brutalidades de energia devido à má conceção dos seus edifícios. Isso é observável, em particular, em escolas e hospitais. Edifícios pessimamente isolados, mal orientados, com vidraças em excesso, etc. O Estado, tal como os particulares, tem que investir para combater este problema - para renovar os edifícios de tal forma a que estes se tornem mais confortáveis gastando menos energia. O investimento em escolas, se fôr bem feito, pode ser um bom investimento - ou seja, pode ser gastar dinheiro hoje para o poupar amanhã.

É tudo questão de o investimento ser bem feito, em edifícios bem concebidos. Será?