A emigração de professores, apropriadamente aconselhada pelo primeiro-ministro, levanta contudo o relevante problema de os professores serem pessoas com um alto nível de educação, geralmente universitária, a qual educação custou muito dinheiro ao país, dinheiro que será desperdiçado a favor de outros países aquando da emigração.
Ou seja, a emigração de professores não é equivalente à emigração de trolhas (*), típica do Portugal de outros tempos. Os trolhas são pessoas nas quais o país pouco investiu e que levam para fora de Portugal pouco saber e pequena especialização. A emigração de professores é algo de totalmente diferente.
Podemos enfrentar este problema dizendo que a educação superior deveria ser custeada por quem a adquire, isto é, que os estudos universitários deveriam ser unicamente pagos pelo estudante, seja diretamente, seja através de empréstimos. Sou, no entanto, contrário a essa solução.
Este problema já foi, de alguma forma, resolvido pelos clubes de futebol. Os jogadores são livres de se transferir de um clube para outro, porém, os clubes vêem-se na necessidade de recuperar os custos que investiram na formação de jovens jogadores. (Os quais custos não são nada baixos - um primo meu, adolescente, está na Academia do Sporting, e não duvido que o dinheiro que o Sporting está a investir nele - incluindo alojamento, alimentação, transporte para a escola, etc, fora os treinos de futebol propriamente ditos - não é nada pouco.) Para recuperar esses custos, os clubes acordaram num complexo sistema de "passes" e de transferências regulamentadas, que fazem com que o jogador, sendo embora livre de mudar de clube, não o possa fazer sem que uma indemnização seja paga ao clube anterior.
P.S. A emigração de professores não é, evidentemente, um fenómeno novo. Um primo da minha mulher é professor de educação física. Formou-se em Portugal mas dá aulas num colégio inglês na Tailândia, e diz que está satisfeitíssimo com esse seu emprego. Arranjou-o, segundo creio, através de um vulgar anúncio num jornal.
(*) "Trolha" é a designação nortenha de um servente (ajudante) de pedreiro.
















