Tudo, nos atuais exames do 4º ano, comprova que os seus verdadeiros objetivos nada têm a ver com os objetivos normais, usuais, de um exame.
Os objetivos nominais de um exame são avaliar os alunos e atribuir-lhes uma nota que terá relevância no seu currículo académico.
Para estes exames do 4º ano, esses são objetivos muito secundários. Num sistema no qual a escolaridade acaba no 9º ano e no qual o abandono escolar é reduzidíssimo, ou nulo, até ao 6º ano, não há qualquer relevância em atribuir uma nota rigorosa no 4º ano.
Os requintes com que estes exames foram feitos - a deslocação dos alunos para escolas diferentes; a entrega dos enunciados por soldados da GNR; a "assinatura" (crianças de 10 anos não sabem o que é uma assinatura, apenas sabem escrever o seu nome) a declarar por sua "honra" que não têm telemóveis consigo; a vigiância dos exames por professores de um nível de ensino distinto; etc -, tudo isto indica que estamos perante uma gigantesca encenação, uma gigantesca peça de teatro, que pretende recriar os exames da 4ª classe no tempo de Salazar, com o objetivo de criar nas crianças e nos seus pais sentimentos de ansiedade, temor e stress, e de transmitir a ideia de que o sistema educativo é agora muito exigente.
Isto é, além de uma palhaçada, muito mau, primeiro porque o objetivo da educação não deve ser o de criar sentimentos de ansiedade e stress, os quais não fazem bem a ninguém, e segundo porque é feito com gasto de dinheiros públicos (e privados - muitos pais têm que se sacrificar para fcar com crianças em casa nestes dias) totalmente injustificável.
Em suma, mais uma Cratice de mau gosto.













