Neste meu segundo LLM, em International Business Law (com especialização em Concorrência), na Católica, há vários alunos estrangeiros, sendo que o LLM é leccionado, e tem o programa em, inglês. Quando começaram estes programas, vozes levantaram-se contra os mesmos, dizendo que era o cúmulo ter programas destes que não fossem primariamente em português. Pela minha parte, só muitíssimo favorável a este tipo de iniciativas.
Atrair alunos estrangeiros e criar uma universidade de prestígio a nível global parece-me ser um objectivo mais que razoável num mundo globalizado. Fazer parcerias com as melhores universidades a nível mundial, no sentido de permitir intercâmbios vários, é também algo que, para mim, não podia deixar de acontecer no mundo em que vivemos.
Não só não podia deixar de acontecer, no entanto, como também é desejável que aconteça. O intercâmbio de ideias é um motor de progresso, não só para cada aluno individualmente considerado, como para a Humanidade como um todo. As universidades devem ser pólos importantes para esse intercâmbio de ideias, e é isto que se atinge criando universidades com cadeiras em inglês, lingua franca global, quer se queira quer não, e atraindo alunos das mais diversas origens, bem como criando oportunidades aos alunos nacionais de partirem, também eles, para outras paragens.
A minha experiência pessoal não contém uma experiência de Programa Erasmus, mas fiz um LLM em Londres devido a um acordo que a Católica celebrou com o King's College. Foi uma excelente experiência para mim, muito proveitosa em vários aspectos, tanto académicos como não. De volta a Portugal, encontrar-me numa sala com alunos (e professores!) que vêm da Eslóvenia, da Roménia, dos EUA, do Brasil, da Geórgia, e poder discutir com eles os mais variados temas, ter uma perspectiva diferente, aprender sobre culturas e ideias diferentes, tudo isto é ouro sobre azul para mim. Mas não só para mim, para todos os que tenham a hipótese de o fazer.
Não é com medo de perder a nossa "identidade nacional", definida a priori por algumas pessoas que acham que sabem qual ela é, que vamos longe. Atraindo estrangeiros, ainda para mais qualificados, para cá, e deixando portugueses irem para fora, assim propiciamos um intercâmbio frutuoso entre culturas e ideias e formas diferentes de estar na vida, e alteramos ideias e aprendemos com os outros, e eles aprendem connosco.
Até porque a pior coisa que se pode fazer à identidade e à cultura portuguesas, quaisquer que elas sejam, é fechá-las numa caixa a sete chaves, condenando-as a definhar. A cultura e a troca de ideias viva, deixar os indivíduos escolher, por si, aquilo que pensam, sem lhes ser imposta uma "cultura" por cima, que tem de ser "protegida", isso é a melhor forma de mantermos vivas a nossa identidade e culturas. Quaiquer que elas sejam.