A prova de aferição de matemática que este ano os alunos do segundo ano (antiga segunda classe - tipicamente, meninos de oito anos de idade) tiveram que resolver continha algumas questões que são tudo menos matemática.
Numa questão exibia-se algumas figuras geométricas alinhadas: primeiro um círculo, depois um quadrado, depois outro círculo, depois outro quadrado, e finalmente mais um círculo. Perguntava-se aos alunos qual deveria ser a sétima figura geométrica a aparecer nesta sucessão. Ora bem, em matemática não se raciocina por analogia. Em matemática os raciocínios são rigorosos. Em matemática uma sucessão de objetos é definida por uma regra de construção, não por um exemplo visual. Nesta medida, a pergunta colocada aos alunos não tem resposta no âmbito da matemática.
Uma outra pergunta era similar. Mostrava-se duas mesas, cada uma com alguns sólidos geométricos sobre ela. Numa mesa estava um cubo, um paralelepípedo e uma pirâmide; na outra estava um cone, uma bola e um cilindro. Mostrava-se em seguida um prisma triangular e perguntava-se aos alunos sobre qual mesa ele deveria ser colocado. Ora, mais uma vez, esta pergunta não tem resposta no âmbito da matemática. Os alunos são livres de colocar o prisma triangular sobre a mesa que quiserem, uma vez que não é fornecida qualquer regra que indique por que critério se colocam os sólidos numa ou noutra mesa. (A inferência que se pretendia que os alunos fizessem é que numa das mesas estavam sólidos com todas as faces planas, na outra estavam sólidos com pelo menos uma superfície curva. Porém, a inferência não tem lugar na matemática!)
Fiquei muito, terrivelmente apreensivo com esse teste. O teste está mal feito e não é rigoroso. Aquilo que se está a avaliar nas crianças não são conhecimentos objetivos de matemática, mas sim a capacidade de efetuar raciocínios ardilosos e não rigorosos. Isto não é matemática e isto não é teste que se faça - muito menos a crianças de oito anos, que têm o direito de ser tratadas de forma honesta e sem truques.
















