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Retrato de Luís Lavoura

... as verdades como punhos que são ditas neste post.

Retrato de Luís Lavoura

Saíram ontem as listas de colocação de professores nas escolas públicas.

É importante notar que estas colocações saíram a 6 de Julho, isto é, dois meses antes do começo do ano letivo. Isto rompe com a prática tradicional portuguesa de efetuar a colocação de professores uma semana ou duas antes do começo das aulas. Trata-se de um progresso gigantesco no caminho da civilização e da decência mínimas. Os professores têm agora tempo para visitar com calma as escolas onde foram colocados, tomar conhecimento dos seus problemas e caraterísticas, e, não menos importante, planear as suas vidas pessoais, saber se e onde arrendarão casa para viver durante os próximos quatro anos, ou se e como se deslocarão diariamente para o seu novo posto de trabalho, etc.

Vale a pena lembrar que, num passado pouco longínquo, houve um concurso de colocação de professores, efetuado como de costume muito pouco tempo antes do começo das aulas, que levantou imensos problemas devido a o Ministério ter utilizado um software novo, não testado e que funcionava mal. Deve-se contrastar esse infausto incidente com a limpeza da atual colocação, realizada a dois meses do início do ano letivo. Assim é que se fazem as coisas.

Para os alunos e os seus pais, e também para os bons professores, aqueles que se empenham no seu ensino, é muito importante e positivo que a colocação tenha sido feita por um período de quatro anos. Os professores são supostos desenvolver projetos nas escolas, conhecer a escola e o seu meio, empenhar-se a fundo numa determinada realidade social e educativa. E isso só é possível quando eles não estão permanentemente de passagem por uma qualquer escola, sempre a pensar em encontrar um lugar diferente e melhor - para a sua vida pessoal - no ano que vem. Os sindicatos não gostam da colocação por quatro anos porque, como é típico de organizações corporativas, eles defendem os maus profissionais e não os bons - defendem aqueles professores que todos os anos queriam mudar de escola até chegarem àquela que mais lhes convinha à sua vida familiar. Um bom profissional ajusta a sua vida familiar ao emprego que consegue encontrar, e não o contrário.

Retrato de Luís Lavoura

Diversos governos autonómicos espanhóis estão a retirar o financiamento que concediam a escolas, geridas pela Opus Dei, que praticam a segregação por sexos (escolas só para rapazes ou só para raparigas). Não se trata de casos isolados, dado que existem dezenas de escolas desse tipo em toda a Espanha.

Não concordo, em princípio, com a retirada do financiamento estatal por este motivo. Considero que a segregação por sexos constitui uma experiência pedagógica válida. As escolas devem ser avaliadas por aquilo que ensinam aos seus alunos e pelos resultados que esses alunos alcançam, e não pelo facto de a escola praticar uma experiência pedagógica menos condizente com a ideologia atual, como seja a segregação dos sexos.

Considero no entanto que o Estado tem, em princípio, o direito de retirar o seu financiamento a escolas que considera não satisfazerem padrões de ensino adequados. Caso contrário, poderíamos acabar por ter o Estado a financiar escolas religiosas onde não fossem ensinadas as ciências naturais com o devido rigor.

No entanto, não considero que, como alguns liberais clássicos afirmam, os pais cujos filhos frequentam uma escola segregada o façam necessariamente em virtude de uma escolha livre. Isto acontece porque, num sistema de mercado, a liberdade de escolha nunca é infinita. O facto de numa localidade haver uma escola só para rapazes, digamos, obriga a que, na mesma localidade ou noutra localidade próxima, exista uma escola só para raparigas; e a existência destas duas escolas já instaladas pode condicionar - num meio pequeno - o mercado de ensino de tal forma que dificilmente uma nova escola, sem segregação dos sexos, se possa vir a instalar. Torna-se então falso que os pais cujos filhos estão numa das escolas segregadas o façam por uma opção livre - fazem-no porque, no contexto de uma comodidade razoável, não têm outra opção ao seu dispôr. E pode ser função do Estado garantir que existe, de facto, uma pluralidade de opções, no sentido de que haja uma liberdade efetiva.

A situação em Espanha, em que o Estado tradicionalmente delegou na Igreja, incluindo as suas facções conservadoras como a Opus Dei, grande parte das funções na Educação e também na Saúde, é lamentável e pode violar efetivametne a liberdade dos cidadãos de escolherem os serviços que preferem nesses setores.

Retrato de Luís Lavoura

A direita portuguesa, que em matérias económicas exibe por vezes (mas nem sempre, e com recaídas regulares no dirigismo estatal) alguns louváveis laivos de liberalismo, permanece infelizmente, quando se abordam outros temas, dramaticamente ultramontana, irredutível na irracionalidade com que rejeita mesmo as noções mais consensuais entre gente moderna e civilizada.

Vem isto a propósito da contestação que a direita, incluindo, lamentavelmente, gente ligada ao PSD, está a mover aos projetos de lei sobre educação sexual que estão em vias de ser aprovados na Assembleia da República. Diz essa gente que o Estado não deve inculcar nos jovens noções morais que possam ser contestadas por parte da população portuguesa. Sendo que a população portuguesa é muito vasta e inclui, indubitavelmente, alguns fundamentalistas religiosos das três religiões monoteístas, que considerarão que a mulher é inevitavelmente inferior ao homem, que a submissão sexual da mulher ao homem deve ser a regra, e que a homossexualidade é um pecado ou, enfim, uma doença, não duvido que haja nos projetos de lei sobre educação sexual, de facto, algumas noções morais que desagradam a essas franjas da população. O que me custa a ver é pessoas educadas a aliarem-se, implicitamente, a essas franjas mais radicais e ultramontanas da população.

Fui ler o projeto de lei da Juventude Socialista, e aquilo que lá encontrei, em matéria de orientações morais que devem enformar a educação sexual, foi basicamente isto:

1) Uma associação contínua da sexualidade aos afetos, expressa por exemplo em frases como "a valorização da sexualidade e afectividade entre as pessoas no desenvolvimento individual" ou "a melhoria dos relacionamentos afectivo-sexuais dos jovens".

2) A igualdade entre os parceiros sexuais, expressa em frases como "a promoção da igualdade de género".

3) O respeito pelas pessoas independentemente da sua orientação sexual, expressa em frases como "o respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais".

Vendo estes três conceitos morais, que são, tanto quanto consigo descortinar, os únicos que estão contidos no projeto de lei da JS, não percebo quais deles, concretamente, a direita considera que não devam ser ensinados aos jovens, por estarem em desacordo com os pontos de vista de alguns portugueses.

É claro que algumas pessoas pensam que a sexualidade não deve estar associada aos afetos, mas será esta a visão que os direitistas pretendem proteger? Será que eles acham mesmo que se deve ensinar aos jovens a sexualidade como uma atividade meramente mecânica, desligada de quaisquer sentimentos ou afetos? Permito-me duvidar - eu diria antes que muitos setores da direita acharão precisamente o contrário.

É claro que algumas pessoas que contestam a igualdade de género. Há, por exemplo, alguns portugueses que são muçulmanos ou judeus conservadores e provavelmente contestarão tal conceito moral. Mas será qua a direita portuguesa se quer associar a tais setores? Serão esses os conceitos morais que a direita rejeita ver ensinados aos jovens?

É também evidente que há muitos portugueses que não praticam, no dia-a-dia, o respeito mais elementar pelos outros em geral, pelos homossexuais em particular. Mas será que a direita portuguesa considera, mesmo, que não se deve ensinar os jovens a respeitar todos os outros seres humanos, incluindo aqueles que "pecam" ou que sofrem da "doença" da homossexualidade? Será que a negação do respeito - aquele mínimo que qualquer ser humano merece - se encontra entre os valores morais de algumas pessoas que o PSD e o CDS entendem dever ser protegidos?

Em vez de se refugiarem em condenações abstratas dos projetos de lei, eu convido os direitistas a dizerem-nos, especificamente, quais os conceitos morais que querem ver abolidos da educação sexual. Tenham a coragem de ser concretos!

Retrato de Luís Lavoura

Andam agora muitos políticos e comentadores muito excitados porque foram detetados vários erros de português numa aplicação informática recôndita do computador Magalhães.

Esse é sem dúvida um problema mas, em minha opinião, é um problema de remota relevância. O meu filho mais velho recebeu o seu Magalhães (que eu fui obrigado a comparticipar financeiramente) há já um mês e ainda não descobriu essa aplicação informática com erros - mas, o que é muito mais grave, ainda não descobriu para que serve, de todo em todo, aquele mono (a não ser para fazer desenhos e pinturas no écran). A professora não o usa para nada, nem instrui os alunos sobre nada que fazer com ele - a informática não faz parte da matéria do ensino primário. Para que serve, então, o Magalhães? Para que obrigaram encarregados de educação a comprar um material que não é necessário para a educação das crianças, não é nela utilizado nem tem, de facto, qualquer utilidade aparente - a não ser para as poucas famílias portuguesas que têm internet em casa?

É esse, em minha opinião, o problema real - problema que os políticos e comentadores não vêem, uma vez que todos eles têm internet em casa e pensam ser óbvio que todos os outros também têm ou deviam ter (e que têm dinheiro para a pagar).

Vocês podem não saber mas eu jogo melhor futebol que o Cristiano Ronaldo.
Sou mesmo o maior.

A única coisa que estraga tudo e me impede de ser famoso é a bola de futebol. Não presta. Aliás, são todas más.

Acham estranho o meu argumento ?
Mas há tantos professores que utilizam este argumento todos os dias:
"Os alunos são burros", "Os alunos são mal educados".

Concerteza que há de ser verdade. Há alunos com todo o tipo de problemas e as idades da adolescência e juventude acarretam por si um conjunto de problemas.

Mas se uma pessoa não gosta de ensinar os alunos como eles são, é porque essa pessoa não gosta de ensinar.

Retrato de Luís Lavoura

É vergonhosa a posição adoptada pelo PSD e pelo CDS, ao pretenderem interromper o processo de avaliação dos professores dos ensinos primário e secundário (os professores universitários, recordemo-lo, sempre foram avaliados, e a maioria deles nunca alcançará o topo da carreira) mediante uma lei da Assembleia da República.

Esses dois partidos, que sabem o que está em causa, que podem um dia vir a ter responsabilidades de poder, e que deveriam, enquanto partidos de direita, defender uma sociedade meritocrática e não igualitária, resolveram oportunisticamente cavalgar os protestos - legítimos e naturais - de uma classe profissional que vê serem eliminados alguns dos seus privilégios, para fazerem chicana política contra o governo.

O CDS e o PSD sabem o que está em causa. Se o processo de avaliação fosse agora suspenso, durante os próximos anos nenhum governo teria a coragem de o re-encetar, mesmo que em moldes diferentes. Os professores do ensino primário e secundário continuariam ad aeternam a ser promovidos automaticamente em função da antiguidade, sem distinção entre os melhores e os piores, com prejuízo para a qualidade do ensino e para as finanças do país. Será esse o tipo de sociedade, com igulitarização pelo nível mais baixo, que o PSD e o CDS defendem?

O processo de avaliação que está a ser levado a cabo tem muitos defeitos, incompreensíveis e inadmissíveis, que exibem uma tremenda incompetência e amadorismo da parte de quem o concebeu. O processo é altamente burocrático. Não se compreende que colegas de uma mesma escola se avaliem uns aos outros - a avaliação deveria sempre ser feita por professores externos à escola - nem que professores de uma disciplina avaliem professores de outra disciplina totalmente diferente. Esses erros gritantes têm que ser corrigidos. Mas, politicamente, é insustentável que, para que se corrijam esses erros, o processo de avaliação seja todo ele suspenso - o que na prática quereria dizer, eliminado.

No meu tempo de estudante do ensino secundário fui presidente de uma associação de estudantes.
Lembro-me de na altura ter comparecido a reuniões distritais de associações de estudantes, as quais descobri, alguns anos depois, serem promovidas pelo PCP através do seu exército juvenil, a JCP.
Naquela altura eu próprio fui o principal rosto na minha cidade de uma manifestação estudantil, consertada a nível nacional.
Nessa manifestação consegui no meu concelho e conseguimos a nível nacional números bastante mais modestos de adesão do que aqueles que se têm registado actualmente.
Na minha modesta opinião isto tem um explicação, nós não tínhamos os professores a ajudarem na mobilização. Nós éramos instrumentos do PCP mas os professores mantinham-se independentes e assumiam, naturalmente, uma posição de isenção em relação à luta estudantil.
Hoje a estratégia é diferente e a meu ver muito mais inteligente. Hoje os grupos extremistas de esquerda optaram por fazer um dois em um: apostar nos professores e através deles utilizarem os alunos para alcançar algo pelo qual lutam desde sempre, a demissão do ministro (a) da educação seja ele (a) qual for.

Retrato de Luís Lavoura

Eu não duvido que algumas das queixas que os professores fazem em relação ao modelo de avaliação tenham muita razão de ser. Parece-me inadequado pôr-se professores de uma mesma escola a avaliarem-se uns aos outros. Parece-me irracional pôr professores de uma disciplina a avaliar professores de uma outra disciplina. E provavelmente o trabalho de avaliação envolve de facto muita papelada e burocracia - esse é um problema de quase todas as avaliações.

Mas os professores perdem boa parte da sua razão e tornam-se vagamente asquerosos quando têm a liderá-los um comunista da estirpe do Mário Nogueira, que ameaça com greves e mais não sei quê, qual Lenine em 1917.

Enquanto não o puserem de fora da posição de poder que ele atualmente detem no movimento de professores, esse movimento está, para mim, ferido de total incredibilidade.

Retrato de Luís Lavoura

Aqui há uns meses os sindicatos de professores protestavam por haver dezenas de milhares de candidatos à profissão que a ela não conseguiam aceder. Agora protestam porque os professores estão descontentes e se sentem mal na sua profissão.

Há aqui alguma contradição. Se a profissão de professor é assim tão desagradável, não deveria haver dezenas de milhares de pessoas ansiosas por aceder a ela. Se os professores estão descontentes com a sua profissão, deveriam despedir-se (e talvez tentar arranjar emprego numa escola privada), dando o lugar a um desses muitos candidatos frustrados.

Eu diria que, por mais insatisfeitos que os professores estejam, eles se devem sentir contentes por ter um emprego. E devem sentir-se contentes por terem um emprego no setor estatal, no qual, apesar de tudo, as condições de liberdade e de auto-governo são bem superiores às do setor privado.

Eu não duvido que eles, de facto, se sintam bem contentes por esses factos.