Uma vez visitei um dos famosos palácios da Boémia (na República Checa). Foi em 1991 e a Checoslováquia (de então) estava ansiosa por adquirir moeda forte. A maior parte dos visitantes do palácio eram alemães, mas muitos checos também o visitavam. O truque que os gestores do palácio arranjaram para extrair moeda forte aos turistas foi o seguinte: todas as visitas ao palácio eram guiadas (por guias do próprio palácio), mas quem quisesse um guia falando checo pagava (bastante, cerca de cinco vezes) menos do que quem quisesse um guia a falar uma qualquer língua estrangeira (isto é, alemão ou inglês).
Penso que em Portugal poderíamos e deveríamos fazer a mesma coisa em variados monumentos nacionais, museus, etc. Que diabo, não há razão para que os autótones estejam a subsidiar um serviço aos turistas.
Vem isto a propósito das festas de fim-de-ano na Madeira. A Madeira é uma ilha, só se pode lá chegar por mar ou ar. É portanto relativamente fácil controlar quem lá entra e, se conveniente fôr, impôr uma taxa. Os turistas (incluindo portugueses do Continente) vão passar o fim-de-ano à Madeira com o fito, entre outras coisas, de observar o belo fogo-de-artifício. Seria em minha opinião adequado, e legítimo, e tecnicamente fácil obrigar qualquer não-madeirense que fosse passar o fim-do-ano (e apenas o fim-do-ano) à Madeira o pagamento de uma taxa destinada a pagar o espetáculo.
(Por exemplo, a taxa poderia ser cobrada aos paquetes que aportassem à ilha e aos aviões que aterrassem na ilha em função da sua lotação; os madeirenses poderiam depois pedir a devolução da taxa paga.)
É injusto e desnecessário que sejam os contribuintes portugueses a subsidiar o turismo madeirense. Os turistas servem para deixar cá dinheiro, não para nós termos que lhes pagar.