Generalidades

Retrato de Luís Lavoura

A chanceler alemã e o seu marido todos os anos assistem ao festival de ópera de Bayreuth. Pagam os seus bilhetes do seu próprio bolso, tal como qualquer cidadão. Apesar de, naturalmente, tanto a organização do festival como muitas empresas privadas alemãs terem todo o prazer em lhes oferecerem bilhetes.

Não se entende por que raio algumas figuras do Estado português não fazem o mesmo quando querem assistir a jogos de futebol da seleção nacional. É claro que tanto a Federação Portuguesa de Futebol como muitas empresas privadas, por exemplo a GALP, têm todo o prazer em lhes oferecer bilhetes para o jogo, e até a viagem e os hotéis. Mas: não há necessidade. Só mesmo um político palerma é que se expõe a críticas por receber de oferta bilhetes para um espetáculo de futebol. E, se o político é tão palerma que o tenha feito, então esse político deve ser posto fora do governo.

Não se trata de uma questão de corrupção ou (im)probidade, trata-se de uma questão de idiotice.

Retrato de Luís Lavoura

Vi ontem a final da Taça de Portugal de futebol feminino. Vi-a na televisão; em vários anos transatos fui ao estádio.

Parece-me que houve nos últimos poucos anos uma evolução muito grande, para melhor, do futebol feminino em Portugal.

O jogo foi disputado entre dois dos principais clubes portugueses, o Sporting e o Sporting de Braga. Em anos passados somente pequenos clubes locais (Futebol Benfica, Primeiro de Dezembro, Clube de Albergaria, Valadares-Gaia) tinham futebol feminino; parece que agora alguns grandes clubes também já o têm. Com esses grandes clubes vêem recursos financeiros e organizacionais maiores.

As atletas tinham todas na casa dos vinte anos de idade. Em anos passados era vulgar ver mulheres na casa dos trinta ou até quarenta anos a jogar; agora, só as há na casa dos vinte, naturalmente mais pujantes - sinal de que a modalidade se está a apurar, só atletas na força da idade conseguem singrar nela.

As atletas ostentavam, de facto, uma invejável força física - fartaram-se de correr durante os 120 minutos (com prolongamento) do jogo. Mais um sinal de pujança e, além disso, de uma preparação física apurada. Em anos passados era normal as equipas na final da Taça treinarem apenas duas ou três vezes por semana; não acredito que as que ontem jogaram treinassem tão pouco.

Muitas das atletas já tinham jogado em clubes estrangeiros, inclusivé de nomeada. E havia atletas estrangeiras. Sinal de que o futebol feminino já tem alguma profissionalização em Portugal.

Enfim, por um conjunto de sinais percebi, mesmo sem ser acompanhante da modalidade (só vejo as finais da Taça), que ela tem evoluído fortemente em Portugal. Já não é só um entretenimento de amadoras. Agora é uma coisa a sério.

Retrato de Luís Lavoura

A administração da Caixa Geral de Depósitos fez bem em demitir-se. Pois que, quem aceita um emprego em que, como paga, o forçam a desvendar, a todo o público português, os seus rendimentos e as suas posses? Isso, que é geralmente considerado, em Portugal, uma parte importante da "vida privada": os rendimentos e posses de um cidadão. Pois bem, em Portugal parece achar-se exigível a um cidadão que aceita um emprego como gestor de uma empresa pública, que desnude a sua "vida privada" à frente de todos.

Pois os gestores da CGD fizeram muito bem e recusaram-se a exibir a toda a população as suas posses. Ninguém tem nada a ver com isso, acham eles e acham muito bem. Ou bem que vivemos num regime à norueguesa, onde todos os rendimentos de todos estão à vista na internet, ou bem que vivemos num regime onde toda a vida económica de uma pessoa é "privada". Para todos.

Retrato de Luís Lavoura

O prémio Nobel da Literatura, tal como outros prémios Nobel, já estava largamente desacreditado. Agora, com a concessão do prémio Nobel da Literatura a um compositor de canções, o descrédito tornou-se total.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem, três portugueses ganharam medalhas nos campeonatos europeus de atletismo: Sara Moreira (ouro na meia maratona), Patrícia Mamona (ouro no triplo salto) e Tsanko Arnaudov (bronze no lançamento de peso). Num dia em que só se fala de futebolistas cobertos de glória, quero deixar esta nota para estes outros três gloriosos deportistas em quem ninguém parece reparar.

Retrato de Luís Lavoura

Que parvoíce populista é esta?:

O presidente da Assembleia da República Eduardo Ferro Rodrigues, o primeiro-ministro António Costa e o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa combinaram repartir entre si a representação institucional nos três primeiros jogos da seleção de futebol no Euro 2016 em França.

Por que raio têm os jogos da seleção nacional de futebol que ser acompanhados por políticos? Os jogadores jogarão melhor perante eles? Quem paga estas viagens dos governantes a França? Que precisão têm eles de lá ir?

Retrato de Luís Lavoura

De acordo com esta notícia, na China está-se a perfurar rochas com um quilómetro de espessura, que estão sob um mar com dois quilómetros de profundidade, com o fito de extrair ouro. Não petróleo, mas ouro.

Para mim isto é ridículo. Dedicar um tal esforço para extrair algo cuja utilidade industrial é muito marginal. O ouro para muito pouco serve. Para que se gasta tanto dinheiro e esforço a extraí-lo?

Isto não faz qualquer sentido. O ouro é uma "relíquia bárbara", como muito bem afirmou John Maynard Keynes.

Retrato de Luís Lavoura

Sem dúvida que a corrupção que (alegadamente) existirá na FIFA é condenável.

Porém, nem toda a corrupção é forçosamente negativa. Se um xeque árabe corrompe um membro da FIFA, creio que o resultado final para o mundo é positivo: o membro da FIFA provavelmente dará um uso mais produtivo ao dinheiro do que o daria o xeque árabe. Mais vale que o dinheiro esteja na posse do membro da FIFA corrompido do que na posse do xeque árabe corruptor.

Também não podemos ignorar que muita da raiva contra a corrupção na FIFA surge apenas porque os prejudicados por essa corrupção foram os Estados Unidos da América e o Reino Unido. A FIFA escolheu o Qatar e a Rússia, em vez dos EUA e RU,  para hospedarem campeonatos do mundo de futebol. É normal que os EUA e o RU fiquem furiosos e despeitados pela escolha. O RU, em particular, muito gostaria de rentabilizar estruturas que já tem montadas para hospedar um campeonato do mundo. Seria a rentabilização de um investimento que o RU já fez. Assim, não rentabilizará. O que prejudica financeiramente, e muito, o RU. É normal que o RU fique furioso com a FIFA.

Mas a FIFA tem razão: o futebol deve ser um desporto mundial. De todos. Também da Rússia e dos países árabes. Esses países também têm o direito de presenciar futebol nos seus territórios. Cabe à FIFA, em nome dos interesses do futebol, globalizar esse desporto. Não canalizá-lo sempre para os mesmos países.

Argumentam que a Rússia não é um país muito democrático. Pois não. Mas, desde quando é que os campeonatos do mundo de futebol só podem ser organizados em países muito democráticos? Será que o futebol deve estar restrito a países democráticos? Será que os jogadores ingleses ou alemães não podem jogar na Rússia por esta não ser democrática? Mas não é verdade que todos os anos equipas europeias jogam em solo russo nas competições europeias?

Dizem que no Qatar faz demasiado calor no verão. Pois faz. Mas no inverno faz lá muito bom tempo, enquanto que na Alemanha não se pode jogar futebol porque os campos estão cobertos de neve. A solução é simples: ponham nesse ano o campeonato do mundo a realizar-se no Qatar no inverno. Os jogadores europeus certamente se deleitarão com a agradável temperatura de 20 graus que faz no Qatar no inverno. As condições para jogar futebol são ideais no Qatar nessa época do ano.

Retrato de Luís Lavoura

Com o século 19 formou-se a ideia de que os Estados deveriam coresponder a Nações, entidades etnicamente homogéneas. Formaram-se assim a Alemanha, a Itália, a Grécia e, mais tarde, outros Estados nacionais, como a Hungria, a Polónia e Israel.

Porém, um Estado europeu que não é Nação sobreviveu a estas ideias revolucionárias: a Suíça. Na Suíça há diversas nações, muito distintas tanto na sua língua (três línguas principais, uma delas dividida em diversos dialetos e pronúncias, mais uma língua secundária), como na sua religião (duas religiões principais, fora os ateus) e em múltiplas formas de encarar a vida.

Apesar deste facto, na Suíça as pessoas entendem-se e conseguem governar o seu país. No governo federal todos os principais quatro partidos se encontram representados. As pessoas falam línguas diferentes, mas entendem-se; em Portugal, um Estado-Nação paradigmático, pelo contrário, as pessoas falam todas a mesma língua mas não são capazes de chegar a acordo sobre como governar o seu país.

Será o Estado-Nação a boa solução? Quiçá não.

Retrato de Luís Lavoura

Em toda a minha carreira escolar e universitária, houve duas vezes em que não fui o melhor aluno ou estudante da turma (fui o segundo melhor). A primeira foi na escola primária, em que a melhor aluna da turma se chamava Manuela Escarameia. A segunda foi no terceiro ciclo (entre os 7º e 9º anos de escolaridade), em que o melhor aluno da turma era o Eduardo Stock da Cunha (que era conhecido pelos colegas apenas por "o Stock"). Não tenho portanto dúvidas de que se trata de facto de uma pessoa de grande mérito.