Generalidades

Retrato de Luís Lavoura

A administração da Caixa Geral de Depósitos fez bem em demitir-se. Pois que, quem aceita um emprego em que, como paga, o forçam a desvendar, a todo o público português, os seus rendimentos e as suas posses? Isso, que é geralmente considerado, em Portugal, uma parte importante da "vida privada": os rendimentos e posses de um cidadão. Pois bem, em Portugal parece achar-se exigível a um cidadão que aceita um emprego como gestor de uma empresa pública, que desnude a sua "vida privada" à frente de todos.

Pois os gestores da CGD fizeram muito bem e recusaram-se a exibir a toda a população as suas posses. Ninguém tem nada a ver com isso, acham eles e acham muito bem. Ou bem que vivemos num regime à norueguesa, onde todos os rendimentos de todos estão à vista na internet, ou bem que vivemos num regime onde toda a vida económica de uma pessoa é "privada". Para todos.

Retrato de Luís Lavoura

O prémio Nobel da Literatura, tal como outros prémios Nobel, já estava largamente desacreditado. Agora, com a concessão do prémio Nobel da Literatura a um compositor de canções, o descrédito tornou-se total.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem, três portugueses ganharam medalhas nos campeonatos europeus de atletismo: Sara Moreira (ouro na meia maratona), Patrícia Mamona (ouro no triplo salto) e Tsanko Arnaudov (bronze no lançamento de peso). Num dia em que só se fala de futebolistas cobertos de glória, quero deixar esta nota para estes outros três gloriosos deportistas em quem ninguém parece reparar.

Retrato de Luís Lavoura

Que parvoíce populista é esta?:

O presidente da Assembleia da República Eduardo Ferro Rodrigues, o primeiro-ministro António Costa e o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa combinaram repartir entre si a representação institucional nos três primeiros jogos da seleção de futebol no Euro 2016 em França.

Por que raio têm os jogos da seleção nacional de futebol que ser acompanhados por políticos? Os jogadores jogarão melhor perante eles? Quem paga estas viagens dos governantes a França? Que precisão têm eles de lá ir?

Retrato de Luís Lavoura

De acordo com esta notícia, na China está-se a perfurar rochas com um quilómetro de espessura, que estão sob um mar com dois quilómetros de profundidade, com o fito de extrair ouro. Não petróleo, mas ouro.

Para mim isto é ridículo. Dedicar um tal esforço para extrair algo cuja utilidade industrial é muito marginal. O ouro para muito pouco serve. Para que se gasta tanto dinheiro e esforço a extraí-lo?

Isto não faz qualquer sentido. O ouro é uma "relíquia bárbara", como muito bem afirmou John Maynard Keynes.

Retrato de Luís Lavoura

Sem dúvida que a corrupção que (alegadamente) existirá na FIFA é condenável.

Porém, nem toda a corrupção é forçosamente negativa. Se um xeque árabe corrompe um membro da FIFA, creio que o resultado final para o mundo é positivo: o membro da FIFA provavelmente dará um uso mais produtivo ao dinheiro do que o daria o xeque árabe. Mais vale que o dinheiro esteja na posse do membro da FIFA corrompido do que na posse do xeque árabe corruptor.

Também não podemos ignorar que muita da raiva contra a corrupção na FIFA surge apenas porque os prejudicados por essa corrupção foram os Estados Unidos da América e o Reino Unido. A FIFA escolheu o Qatar e a Rússia, em vez dos EUA e RU,  para hospedarem campeonatos do mundo de futebol. É normal que os EUA e o RU fiquem furiosos e despeitados pela escolha. O RU, em particular, muito gostaria de rentabilizar estruturas que já tem montadas para hospedar um campeonato do mundo. Seria a rentabilização de um investimento que o RU já fez. Assim, não rentabilizará. O que prejudica financeiramente, e muito, o RU. É normal que o RU fique furioso com a FIFA.

Mas a FIFA tem razão: o futebol deve ser um desporto mundial. De todos. Também da Rússia e dos países árabes. Esses países também têm o direito de presenciar futebol nos seus territórios. Cabe à FIFA, em nome dos interesses do futebol, globalizar esse desporto. Não canalizá-lo sempre para os mesmos países.

Argumentam que a Rússia não é um país muito democrático. Pois não. Mas, desde quando é que os campeonatos do mundo de futebol só podem ser organizados em países muito democráticos? Será que o futebol deve estar restrito a países democráticos? Será que os jogadores ingleses ou alemães não podem jogar na Rússia por esta não ser democrática? Mas não é verdade que todos os anos equipas europeias jogam em solo russo nas competições europeias?

Dizem que no Qatar faz demasiado calor no verão. Pois faz. Mas no inverno faz lá muito bom tempo, enquanto que na Alemanha não se pode jogar futebol porque os campos estão cobertos de neve. A solução é simples: ponham nesse ano o campeonato do mundo a realizar-se no Qatar no inverno. Os jogadores europeus certamente se deleitarão com a agradável temperatura de 20 graus que faz no Qatar no inverno. As condições para jogar futebol são ideais no Qatar nessa época do ano.

Retrato de Luís Lavoura

Com o século 19 formou-se a ideia de que os Estados deveriam coresponder a Nações, entidades etnicamente homogéneas. Formaram-se assim a Alemanha, a Itália, a Grécia e, mais tarde, outros Estados nacionais, como a Hungria, a Polónia e Israel.

Porém, um Estado europeu que não é Nação sobreviveu a estas ideias revolucionárias: a Suíça. Na Suíça há diversas nações, muito distintas tanto na sua língua (três línguas principais, uma delas dividida em diversos dialetos e pronúncias, mais uma língua secundária), como na sua religião (duas religiões principais, fora os ateus) e em múltiplas formas de encarar a vida.

Apesar deste facto, na Suíça as pessoas entendem-se e conseguem governar o seu país. No governo federal todos os principais quatro partidos se encontram representados. As pessoas falam línguas diferentes, mas entendem-se; em Portugal, um Estado-Nação paradigmático, pelo contrário, as pessoas falam todas a mesma língua mas não são capazes de chegar a acordo sobre como governar o seu país.

Será o Estado-Nação a boa solução? Quiçá não.

Retrato de Luís Lavoura

Em toda a minha carreira escolar e universitária, houve duas vezes em que não fui o melhor aluno ou estudante da turma (fui o segundo melhor). A primeira foi na escola primária, em que a melhor aluna da turma se chamava Manuela Escarameia. A segunda foi no terceiro ciclo (entre os 7º e 9º anos de escolaridade), em que o melhor aluno da turma era o Eduardo Stock da Cunha (que era conhecido pelos colegas apenas por "o Stock"). Não tenho portanto dúvidas de que se trata de facto de uma pessoa de grande mérito.

Retrato de Luís Lavoura

Eu não sou, nunca fui e nunca tenciono ser cliente, detentor de obrigações, nem acionista do BCP e do BES.

Fui cliente da CGD mas, finalmente, recentemente deixei de ser. Fui cliente do Totta mas, felizmente, há já uns bons anos que deixei de ser. Ainda sou, infelizmente, cliente do BPI, mas só por mais uns poucos meses.

Todos esses bancos, do regime, me causam bastante repulsa. E pergunto: se outras pessoas também não gostam das notícias que sobre eles aparecem, porque não deixam de ser clientes?

Retrato de Luís Lavoura

Há uns meses, fui assistir ao jogo Portugal-Israel para as eliminatórias do Campeonato do Mundo. Quando Portugal estava a ganhar por 1-0, o guarda-redes Rui Patrício recebeu a bola de um defesa e, apertado por um atacante israelita na sua proximidade, chutou a bola para a frente. A bola foi parar diretamente aos pés de um outro israelita que, com Rui Patrício fora da baliza, não teve dificuldade em marcar golo.

Esse gesto desastrado de Rui Patrício deveria ter-lhe custado a baliza de Portugal. Infelizmente, não custou. Ontem, no jogo contra a Alemanha, logo ao princípio do jogo Rui Patrício recebeu a bola de um defesa e, apertado por um atacante alemão, mais uma vez, em vez de chutar para fora - que é aquilo que qualquer defesa ou guarda-redes deve fazer quando está apertado - chutou para a frente. Sami Khedira recebeu a bola e só não marcou golo porque a pontaria lhe falhou por pouco.

Esperemos que Paulo Bento agora aprenda a lição e mude de guarda-redes. E que instrua o novo guarda-redes nesta lição básica: nunca se chuta nem se defende uma bola para a frente.