Generalidades

Retrato de Luís Lavoura

Eu não sou, nunca fui e nunca tenciono ser cliente, detentor de obrigações, nem acionista do BCP e do BES.

Fui cliente da CGD mas, finalmente, recentemente deixei de ser. Fui cliente do Totta mas, felizmente, há já uns bons anos que deixei de ser. Ainda sou, infelizmente, cliente do BPI, mas só por mais uns poucos meses.

Todos esses bancos, do regime, me causam bastante repulsa. E pergunto: se outras pessoas também não gostam das notícias que sobre eles aparecem, porque não deixam de ser clientes?

Retrato de Luís Lavoura

Há uns meses, fui assistir ao jogo Portugal-Israel para as eliminatórias do Campeonato do Mundo. Quando Portugal estava a ganhar por 1-0, o guarda-redes Rui Patrício recebeu a bola de um defesa e, apertado por um atacante israelita na sua proximidade, chutou a bola para a frente. A bola foi parar diretamente aos pés de um outro israelita que, com Rui Patrício fora da baliza, não teve dificuldade em marcar golo.

Esse gesto desastrado de Rui Patrício deveria ter-lhe custado a baliza de Portugal. Infelizmente, não custou. Ontem, no jogo contra a Alemanha, logo ao princípio do jogo Rui Patrício recebeu a bola de um defesa e, apertado por um atacante alemão, mais uma vez, em vez de chutar para fora - que é aquilo que qualquer defesa ou guarda-redes deve fazer quando está apertado - chutou para a frente. Sami Khedira recebeu a bola e só não marcou golo porque a pontaria lhe falhou por pouco.

Esperemos que Paulo Bento agora aprenda a lição e mude de guarda-redes. E que instrua o novo guarda-redes nesta lição básica: nunca se chuta nem se defende uma bola para a frente.

Retrato de Luís Lavoura

Muito instrutiva, a entrevista que Elisa Ferreira (eurodeputada eleita pelo PS) deu este sábado à Antena 1.

Ela disse, entre outras coisas, que Portugal tem que perceber que é um "acionista", de pleno direito, da União Europeia. Não é um "aluno" dela, mas sim um acionista com tantos direitos como os outros. E, tal como os restantes acionistas da União defendem os respetivos interesses, também Portugal tem que, sem rebuço, defender os seus.

Se Portugal quisesse deixar de ser um (bom) aluno da Europa, então uma das primeiras coisas que deveria fazer seria abandonar o sistema da hora de inverno - hora de verão e passar a ter sempre a mesma hora. Portugal passaria a usar sempre a hora que atualmente usa no verão, que era a hora que sempre teve antes do 25 de abril e antes de os governos de Cavaco Silva (que foi tão péssimo primeiro-ministro como é péssimo presidente da república) terem adotado essa postura de Portugal como "o bom aluno da Europa".

Portugal deveria declarar a sua independência, o seu opting out, das políticas europeias (estúpidas, aliás, mesmo para a Europa do norte, pois não há qualquer prova de que a mudança de hora contribua para poupar energia) que não lhe convêem. E deveria, para começar, recusar-se a alterar a sua hora do verão para a de inverno.

Retrato de Luís Lavoura

O racismo português, que não é explícito mas está implícito, fixou-se agora na ideia de que os pretos não podem ser ricos. Este racismo, institucionalizado numa versão política, aplica-se agora à Guiné Equatorial tal como se vem aplicando a Angola: os pretos donos desses países não têm o direito de ser ricos - e de, naturalmente, utilizarem a sua riqueza para fazerem negócios, por exemplo comprando empresas portuguesas. É inadmissível, injusto e vil que um preto seja rico e que ande a comprar as nossas empresas de brancos. Esse pretos, evidentemente, só são ricos porque andam a esmifrar o seu povo em negócios vis e sujos, enquanto que o dinheiro dos brancos é limpo e diáfano como um véu de noiva (a qual noiva raramente hoje em dia é virgem, desmentindo o hímen a brancura do véu). Não podemos portanto permitir que esses pretos sujos e mafiosos comprem as nossas empresas, lavando dessa forma o dinheiro que angariaram de forma torpe.

Este racismo estende-se por todo o espetro político, da direita à esquerda.

Retrato de Luís Lavoura

As ilhas Selvagens são muito importantes para Portugal porque permitem aumentar consideravelmente a Zona Económica Exclusiva marítima de Portugal, em detrimento da espanhola. É verdade que Portugal tem poucos recursos (isto é: barcos de pesca) para explorar essa zona exclusiva, enquanto que a Espanha tem bastantes mais recursos para o fazer; mas, para Portugal, importa manter aberta a possibilidade de, no futuro, fazer uso dela.

As Selvagens situam-se a 250 km a sul da Madeira, 180 km a norte das Canárias. Devido à sua existência, Portugal retira às Canárias boa parte daquilo que seria a área marítima delas. Como é evidente, a Espanha não gosta nada desse facto.

A Espanha defende que as Selvagens não são verdadeiras ilhas, elas não passam de "rochedos" inabitáveis, e que portanto elas, mesmo pertencendo a Portugal, deveriam estar dentro da Zona Económica Exclusiva de Espanha. Portugal defende o oposto: as Selvagens são verdadeiras ilhas, em princípio habitáveis, e portanto têm direito à sua própria Zona Económica Exclusiva. Parece que a questão está ainda em debate junto das instâncias internacionais, a aguardar decisão.

Objetivamente, Espanha tem razão. As Selvagens são desérticas, chove muito pouco e o pouco que chove infiltra-se pelas rochas basálticas, não gerando nascentes. Por isso, as Selvagens não podem sustentar agricultura nem qualquer atividade económica viável (excetuando caçadas anuais às crias de aves marinhas, que hoje são proibidas mas no passado se praticaram). De facto, nunca foram permanentemente e autonomamente habitadas. Por isso, devem ser classificadas como "rochedos" e não como ilhas.

Retrato de Luís Lavoura

Um excelente post do Luís Menezes Leitão, a dizer precisamente o que precisava de ser dito:

"A onda de protestos que atingiu o Brasil justifica que se pondere a insensatez de os países se candidatarem a organizar eventos desportivos de grande dimensão, com um peso gigantesco no seu orçamento. Em Portugal ainda hoje estamos a pagar a loucura de construir dez estádios totalmente inúteis para organizar o Euro 2004. Só de pensar na falta que faz esse dinheiro neste momento de crise deveria motivar declarações públicas de arrependimento por parte de todos os responsáveis pela candidatura. Mas na altura ninguém se apercebeu do disparate que constituía a organização desse evento. Pelos vistos os brasileiros aperceberam-se a tempo do que lhes vais custar a organização do Mundial de 2014, já para não falar das Olimpíadas de 2016.

Este tipo de eventos deveria ser sustentado exclusivamente com financiamento privado. Os Estados não devem dar apoio a estas actividades, ainda para mais quando as mesmas são altamente lucrativas. Há situações de necessidade e injustiças sociais a resolver que merecem muito mais a aplicação do dinheiro dos contribuintes."

(Negritos meus.)

Retrato de Luís Lavoura

É sempre triste quando morre um blogger que líamos com gosto e admiração.

Aconteceu hoje. Faleceu João Pinto e Castro, do Jugular.

Aos familiares e amigos, e aos companheiros de blogue, apresento as minhas condolências.

Retrato de Luís Lavoura

A presidente do FMI, senhora Lagarde, com imenso sentido de oportunidade, veio dizer que os bancos em países do Sul da Europa ainda se encontram numa situação frágil e que é expetável que alguns deles venham a desaparecer.

Eu diria que a senhora Lagarde faria bem em olhar para a sua própria casa em vez de dar sentenças sobre as dos outros. Deveria, em primeiro lugar, tratar das contas que tem com a justiça francesa, para o que talvez não fosse má ideia demitir-se do cargo que ocupa. Deveria, em segundo lugar, lembrar-se de pelo menos um grande banco franco-belga, que recentemente só não desapareceu porque o governo gaulês lá enfiou imenso dinheiro dos contribuintes. (Isto para não falar de casos mais antigos e nem sempre muito transparentes, como o do Crédit Lyonnais e o do BNP-Paribas.)

Retrato de Igor Caldeira

Estranhos factos: entre 1995 e 2007 a desigualdade económica, atravessando mais e uma década de governos de Esquerda e de Direita, manteve-se inalterada. 

Só com a crise económica é que nos fomos tornando num país mais igualitário.
Índice de Gini, 1995-2011

 

Em 2005 os 20% mais ricos ganhavam 7 vezes mais que os 20% mais pobres. Em 2011, ganhavam apenas 5,7 vezes mais. De uma diferença de 2 (EU 5, PT 7) passámos a apenas 0,6 (5,1; 5,7). Parece que a crise tem doído mais a quem mais ganha. Quem diria?

Desigualdade na distribuição do rendimento (S80/S20)

Retrato de David Cruz

A Union of European Football Associations (UEFA) anunciou que o campeonato da Europa de futebol de 2020 vai ser realizado em várias cidades europeias, quebrando a tradição de concentrar o evento em um ou dois países. Pretende-se, deste modo, evitar as organizações dispendiosas que recorrem à construção de equipamentos desportivos com dimensão desproporcionada da realidade desportiva das cidades anfitriãs. Evitam-se, assim, potenciais elefantes brancos como os estádios do Euro 2004. Recorde-se que os estádios municipais do Algarve, Leiria, Coimbra e Aveiro estão ao abandono ou em subutilização, sendo a sua manutenção um fardo para as autarquias/contribuintes.