Generalidades

Retrato de Luís Lavoura

A história é conhecida. Quando o Império Persa invadiu a Grécia (Antiga) com um enorme exército, a cidade de Esparta, situada no Sul da Grécia, reuniu 300 valentes guerreiros (boa parte dos quais, diga-se de passagem e está documentado, eram homossexuais e se dedicavam a fazer amor entre si, o que poderosamente contribuía para a coesão e espírito de corpo do exército espartano) e enviou-os para Norte, ao encontro dos persas, como a sua contribuição para a defesa grega. O exército espartano tinha diferentes opções para o local onde defrontaria e tentaria retardar o avanço persa. Uma opção racional seria bem lá no Norte, perto da Macedónia, no local onde começava o mundo grego. Outra opção racional seria às portas de Atenas, a cidade que verdadeiramente importava defender dos persas. Mas ambas essas opções, embora racionais em termos de defesa nacional, eram perdedoras - em qualquer desses locais, em campo aberto, a pequena força espartana seria facilmente liquidada pelos persas. O exército espartano postou-se portanto no desfiladeiro das Termópilas, um local inóspito e sem qualquer espécie de interesse sob o ponto de vista nacional, mas que tinha a fundamental vantagem de ser defensável. Foi aí que os 300 espartanos aguardaram os persas e lhes deram combate, que só com enorme dificuldade, e com grande demora, os persas conseguiram vencer. O tempo que os persas demoraram a ultrapassar as Termópilas foi fundamental para que Atenas pudesse preparar convenientemente a sua defesa, e acabar por vencer a guerra.

Devemos tirar daqui uma lição, a que alguém chamou o Princípio das Termópilas. Essa lição é a de que não devemos adoptar posições extremas, posições de princípio, e defendê-las quando é óbvio que elas são indefensáveis e que serão, inevitavelmente, derrotadas. Devemos ser pragmáticos e adoptar posições intermédias que, embora sem ter nenhuma lógica inerente a sustentá-las, possam ser defensáveis. O objetivo é vencer a guerra, não é defender as posições em princípio mais coerentes.

Retrato de João Cardiga

Uma aceitação de Deus, de uma religião deferente, crente num Deus alheio aos valores humanos constituem alguns dos principais obstáculos para o desenvolvimento de hoje. Um catolicismo assim é uma religião inumana.

Retrato de João Cardiga

...mas não para para falar da Igreja mas sim de mérito. Mais concretamente, principalmente depois de ter lido a crónica de Vasco Pulido Valente, da nossa capacidade de reconhecer e respeitar o mérito das pessoas.

Saramago tinha tudo para ser um "icon" "consensual" da nossa sociedade, afinal teu uma carreira de sucesso pessoal que tanto agrada a quem costuma estar à direita do espetro politico, como é um pensador polémista, caracteristica que agrada quem costuma estar à esquerda do espetro politico.

Ora acontece precisamente o contrário, em vez de lhe reconhecer os méritos do seu trabalho apontamos-lhe os defeitos, minimizamos as suas acções e tentamos tudo por tudo reduzir-lhe o seu pensamento a uma "palermice" ou algo idêntico.

Ora o "escritor mediocre" a que Vasco Pulido Valente se refere é apenas o maior caso de sucesso literário português contemporâneo.

Não acho este episódio uma questão de somenos na sociedade portuguesa. Esta capacidade de reconhecimento de mérito em outrém é algo de fundamental para que uma sociedade progrida, pois é uma das maiores motivações (o reconhecimento da importância do seu trabalho) para fazermos mais e melhor.

E esta julgo ser uma questão muito importante, principalmente para os liberais, e sobre o qual deveriamos reflectir mais aprofundadamente.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem o Sindicato dos Magistrados veio a público denunciar as falhas de segurança existentes nas novas aplicações informáticas para uso judicial, e pedir a suspensão imediata da sua utilização.

Este país está cheio de corporações. Trata-se de um país essencialmente retrógrado, conservador, avesso ao progresso e à mudança. Os portugueses, mesmo que saibam que estão a chafurdar na merda, não querem mudar. São radicalmente conservadores e acreditam que, qualquer que seja a mudança, há o grave risco de ser para pior. Mais vale continuarmos com a merda cujo mau cheiro já conhecemos. As corporações são, por excelência, conservadoras.

Os sindicatos são, tal como as Ordens profissionais, corporações (aliás, muitas vezes confundem-se - as Ordens atuam como se fossem sindicatos e os sindicatos como se fossem Ordens). Querem conservar o que está, as moscas que já se conhece. Portanto, querem suspender o progresso. Se há um progresso e se esse progresso exibe algum defeito ou problema, a solução não passa por corrigir ou diminuir esse defeito ou problema, não passa por colaborar na supressão desse defeito ou problema. Não: a solução é suspender o progresso. É essa a solução que as corporações sempre preconizam: suspender a mudança, suspender o progresso - se possível, até que ele seja esquecido.

A reação corporativa do sindicato dos magistrados é em tudo semelhante à reação corporativa do sindicato dos professores. Também eles, perante os defeitos da avaliação, só sabem sugerir uma solução: suspendê-la.

Retrato de João Cardiga

Cada vez que olho para um orçamento penso: "para é que aquilo serve?" Não estou a defender que se acabe com o Orçamento, apenas que a informação que esteja contida no mesmo seja util!

Eu não sou especialista de contabilidade pública, mas julgo que enquanto cidadão deveria ter acesso a informação de uma forma minimamente entendível e mais pormenorizada! Ok, eu consigo saber quanto cada Ministério gasta, mas pouco mais do que isso. A minha cabeça sai sempre a latejar, pois para encontrar uma simples informação tenho de percorrer "mil e uma" páginas só para voltar atrás para encontrar informação que está noutra página.

Já perdi qualquer esperança de encontrar algumas informações , como por exemplo quanto é que custam as escolas, propriamente ditas, e quanto é que é o valor de cada serviço do Ministério sito na 5 de Outubro. É que este tipo de informação é vital para podermos analisar minimamente a situação actual do Estado. Por exemplo a banal separação de custos de pessoal entre directos e indirectos é uma informação impossível de obter. Dificilmente alguém poderá tornar um serviço eficiente se não tiver este tipo de informação.

Outra informação que já desisti (e presumo que ninguém em Portugal conseguirá responder) é o que estamos a pagar na Divida Pública. Não me refiro aos títulos mas sim quais os investimentos que estamos a pagar. E dado a gravidade deste problema em Portugal esta informação é vital para sabermos que divida deveremos abater e que divida deveremos manter. Mais, poderiamos mesmo ter politicas de receitas fiscais mais justas. No entanto tal ainda é completamente impossível.

Eu fico contente por já viver numa epoca em que tenho realmente o direito de aceder ao OE, no entanto julgo que é também meu direito que a informação contida nesse documento seja transparente e entendível, ou dito de outra forma, que seja util. Só assim é que a democracia poderá dar um salto qualitativo!

Retrato de Luís Lavoura

Convem escaparmos do país político e das suas tricas e pensarmos no país real, o qual nas últimas semanas praticamente desapareceu dos noticiários. E um fenómeno que não tem sido focado, mas que anda a preocupar muito boa gente, incluindo em particular a mim, é a seca.

Tivemos um fim de Agosto e um Setembro não só muito quentes mas também completamente secos. Sobretudo na metade norte do país, não choveu uma gota de água. Isto não seria muito preocupante se se seguisse a um ano de chuva normal. Mas infelizmente não é isso que se passa: o último ano meteorológico foi bastante seco. As terras, que já estavam muito secas antes de Agosto, estão agora num estado lastimável.

Tenho em propriedades na Bairrada (uma zona do país normalmente assaz chuvosa) carvalhos já com três anos de idade e em excelente estado vegetativo que estão agora a secar, um após o outro, apesar de já terem sistemas radiculares bem desenvolvidos, devido à completa falta de chuva. Dá dó ver árvores assim, tão bonitas que elas eram, a morrer ingloriamente nesta idade (é normal muitas árvores secarem no ano seguinte a serem plantadas, mas certamente que não três anos depois).

Dizem que domingo vai chover. Oxalá isso aconteça, e oxalá a chuva se prolongue farta. É que, com as terras secas como estão, vão ser precisos muitos dias de chuva. Ou então, o pior espera-nos.

Retrato de Miguel Duarte

É muito inspirador o exemplo de William Kamkwamba que em África, sem ter formação formal, sem acesso à Internet, com apenas 14/15 anos, apenas lendo livros e com ferro velho, conseguiu electrificar e abastecer com água a sua quinta e depois numerosas outras casas.

Até onde poderia ir um indivíduo assim se tivesse tido mais recursos para estudar e trabalhar?

Retrato de Luís Lavoura

Na nossa Constituição está estipulado que o Presidente da República não pode ter menos de 35 anos de idade.

Eu considero este limite infeliz e errado. Muitos excelentes governantes, em particular na Europa de Leste, têm bem menos de 35 anos de idade. E a função do Presidente da República, num regime semi-presidencial, é ser governante.

Considero, em contrapartida, que deveria estar consitucionalmente estipulado um limite máximo para a idade do Presidente da República e do Primeiro-Ministro (pelo menos). Eles não deveriam poder, em caso algum, ter mais de 65 anos de idade (ou, enfim, façamos 67, para abarcar a nova idade da reforma...).

A repetida experiência mostra que, a partir dos 70 anos de idade, as pessoas já não estão com o seu juízo todo e cometem, inadvertidamente e sem deles ter consciência, erros. Erros crassos.

E isso tem-se visto repetidamente na política. O presidente Ronald Reagan dos EUA tinha apenas uma noção muito vaga e imprecisa da política que os seus assessores em nome dele desenvolviam. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi de Itália diz asneiras umas atrás das outras, em perfeita inconsciência e sempre com um alegre sorriso alarve. A candidata Manuela Ferreira Leite não conjuga o verbo com o sujeito numa frase; também não conjuga impostos com iates. O presidente Cavaco Silva também já vai apresentando os claros sintomas mentais da sua proveta idade.

É urgentemente necessário introduzir na Constituição um limite máximo para a idade dos detentores de cargos políticos.

Retrato de João Mendes

Encontro MLS no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian

19 de Setembro, 2009 15:00

Centro de Arte Moderna José Azeredo Perdigão (Gulbenkian)
Rua Dr. Nicolau de Bettencourt 1050-078 Lisboa

Na reunião, além de aproveitar para nos conhecermos, aqueles que não se conhecem, vamos tratar de vários projectos para o MLS, incluindo:
- a criação de um pequeno filme que explique o que é o liberalismo,
- a criação de uma mini-plataforma política para Lisboa, para estas eleições autárquicas,
- a elaboração de um breve relatório de tomada de posição política sobre o TGV, por parte do MLS,
- possíveis alterações ao "site" do MLS, promoção da criação de conteúdos dinâmicos para o MLS
- outros projectos e ideias.

Todos são bem vindos, e a ideia é começar a fazer encontros deste tipo de forma continuada, em princípio semanalmente, para discutir questões tanto relativas ao MLS como ao liberalismo em geral. Os formatos vão variar e os locais também.

No caso concreto, vamo-nos concentrar no Centro de Arte Moderna e depois podemos ir discutindo as várias questões na Gulbenkian, no jardim, ou no café, conforme preferência de quem vá à reunião.

Mais:
http://lisboa.liberal-social.org/calendar/11399798/

Retrato de João Cardiga

O Carlos Santos d'O Valor de Ideias decidiu distinguir este espaço como o prémio "Comprometidos y Más 2009" o qual agradeço e que me deixou muito contente.

Julgo que é sempre bom receber este tipo de prémios pois é um reconhecimento de quem o entrega do trabalho que todos nós vamos fazendo por aqui. Para mais quando é entregue por uma pessoa que tenho em alta consideração e cujo o trabalho no seu blogue é excelente.

No entanto e quebrando um pouco a tradição não irei dar, para já, a continuidade a esta cadeia de nomeações, apelando antes deixem sugestões de blogues nos comentários.

Queria também pedir desculpas por este tardio agradecimento, mas tenho andado um pouco afastado destas lides bloguisticas!