Generalidades

Retrato de Luís Lavoura

Nesta história do bail out do Banco Privado Português (BPP), há uma coisa que me faz confusão. Como raio é que cinco bancos privados (Millenium, Espírito Santo, BPI, Santander Totta, e Caixas de Crédito Agrícola) aceitam meter o seu capital (garantido pelo Estado, é certo, mas em todo o caso seu, isto é, capital que teriam o direito de usar para outros efeitos - mais a mais no tempo presente, em que o capital é escasso) para salvar uma coisa na qual, patentemente, não acreditam? Por que é que fazem isto? São obrigados pelo Estado? Creio que não. Então, para que se metem em tal negociata?

O BPP está, muito provavelmente, cheio de ativos falhos de liquidez e de valor. Ou seja, ativos não vendáveis ou, em todo o caso, só vendáveis por um preço muito inferior ao nominal. E, com as atuais perspetivas económicas, esses ativos não se valorizarão tão cedo - se é que alguma vez se valorizarão, no caso de alguns deles. Portanto, a esperança de os cinco bancos privados rentabilizarem o dinheiro que investem na salvação do BPP é escassa. Recuperarão o dinheiro, sim, devido à garantia do Estado - mas não mais do que isso.

Então, se é um mau investimento, para que entram nele?

A única explicação que encontro para esta atuação é: esses cinco bancos privados estão a fazer um favor político ao Estado, favor do qual esperam obter recompensas políticas no futuro. São, ao fim e ao cabo, uns lambe-botas do poder.

Este caso ilustra bem a falência do liberalismo em Portugal. Não pode haver liberalismo num país onde as próprias empresas privadas não encontram melhor aplicação para o seu dinheiro do que pôr-se lamber as botas ao poder político.

Retrato de Luís Lavoura

... e o Estado ainda vem criar mais problemas aos cidadãos consumidores. Foram ontem apreendidos no aeroporto da Madeira 50 quilos de cocaína, provenientes da América do Sul, e que, segundo a polícia, se destinariam a abastecer o mercado local madeirense.

Consequência: o preço da cocaína vai subir na Madeira.

O Estado não poderia adiar estas operações, agora que estamos em tempos de crise, poupando o seu (isto é, dos contribuintes) dinheiro, e também o dinheiro dos consumidores?

Retrato de Luís Lavoura

Os jornalistas (de opinião) são indivíduos que são pagos para emitir opiniões e que têm que, com regularidade cronológica, emiti-las. Têm todas as semanas, ou todos os dias, uma coluna de opinião para preencher. É normal que uma só cabeça não dê conta de tal recado. Inevitavelmente, então, os jornalistas (de opinião) emitem opiniões a mais e demasiado ardorosas sobre demasiados assuntos. (Acontece o mesmo a alguns bloggers.)

Vem isto a propósito de opiniões de rejeição vigorosa que foram e estão neste momento a ser emitidas a propósito de declarações de Manuela Ferreira Leite (MFL) e do general na reforma Loureiro dos Santos (LS).

MFL disse aquilo que é, para todos, óbvio - que as grandes obras públicas, a construção de grandes estradas e vias férreas, empregam em grande parte trabalhadores estrangeiros e, como tal, minoram sobretudo o desemprego na Ucrânia ou em Cabo Verde mas só escassamente afetam o desemprego em Portugal. Afirmar isto não é nenhuma forma de xenofobia, nem desconsideração para com os caboverdianos e ucranianos que cá estão e trabalham. Não se está a afirmar que esses estrangeiros são malvindos, que eles não trabalham arduamente ou que não contribuem para Portugal. Está-se apenas a afirmar que o Estado português não deve andar a, propositadamente, gastar o dinheiro dos portugueses para dar trabalho sobretudo a estrangeiros. Parece-me óbvio.

LS fez um aviso. LS avisou que os militares estão muito descontentes com a situação da sua carreira e que alguns deles, menos prudentes, podem ser tentados a fazer um golpe de Estado para resolver tais problemas. LS tem sem dúvida bons contactos no interior das Forças Armadas, tomou consciência de tal perigo e, apropriadamente, lançou um aviso. Avisou o Estado de que havia o perigo de alguma ação disparatada por parte de militares, e avisou os militares mais nervosos para não fazerem disparates. LS não promoveu nenhum putsch, limitou-se a avisar. E quem te avisa teu amigo é, diz o povo.

Mas os políticos portugueses, e os jornalistas (de opinião) ainda não perceberam perfeitamente as consequências da profissionalização das Forças Armadas, que no passado tão ardentemente defenderam. Os militares já não o são por amor à Pátria - eles estão ali numa profissão que escolheram para ganhar a vida e, como qualquer profissional, esperam não ter sido defraudados nessa escolha. Se o país quer ter militares profissionais, tem que estar disposto a pagá-los.

Retrato de Luís Lavoura

Ano após ano, Portugal prossegue no erro de atrasar os seus relógios no fim de Outubro, fazendo com que se perca preciosa luz solar no início da manhã e obrigando as pessoas a trabalhar às escuras ao fim da tarde.

Hoje, quando me levantei às sete e meia, já o sol ia alto. Não precisava dele para nada para tomar banho, me vestir e tomar o pequeno-almoço. Em compensação, a partir das cinco e meia da tarde serei obrigado a trabalhar às escuras, coisa que prejudica gravemente a minha visão.

Dizem que isto é para acompanharmos a Europa. Mas é falso: se não mudássemos a hora, estaríamos agora com a mesma hora que toda a Europa Central, o que seria benéfico para a nossa economia. Trabalharíamos agora no mesmo horário que espanhóis e alemães. Com o disparate da mudança da hora, passamos todo o ano - nem ao menos o Inverno se safa - a trabalhar uma hora mais tarde do que todos os outros.

É tempo e mais que tempo de se parar com este disparate e voltarmos a usar a mesma hora todo o ano - a hora de Verão - ou então, eventualmente, adiantarmos no Verão ainda mais uma hora, por forma a estarmos todo o ano à mesma hora que a Europa Central.

Assim, a trabalharmos às escuras ao fim da tarde e a desperdiçarmos o bom sol da manhã, é que não vamos a lado nenhum.

Retrato de Luís Lavoura

... ou de cavalo para burro.

Penso que a crise na qual a economia "ocidental" se encontra mergulhada tem o potencial para atingir Portugal de forma dramática, dado o altíssimo nível de endividamento do país - cujo deficit da balança de transações correntes anda perto dos 10% do PIB, ou seja, um décimo daquilo que Portugal consome é "emprestado" pelo estrangeiro.

A banca portuguesa arrisca-se a não encontrar quem queira continuar a emprestar-lhe dinheiro, e nesse caso os índices de consumo e de investimento em Portugal cairão dramaticamente.

Nesta conjuntura, parece-me que os portugueses têm que começar a pensar seriamente se não deveriam aceitar descer de cavalo para burro.

A perspetiva que adianto é que o lugar natural para Portugal é numa aliança económica com a América Latina, e não numa aliança económica com a Europa. Sei que esta perspetiva é, do ponto de vista cultural, repugnante para a maioria dos portugueses, mas talvez venhamos a ser forçados a aceitá-la.

Na América Latina Portugal faz figura de país desenvolvido, produtor de muitos bens facilmente exportáveis para países desse continente. A América Latina tem, como espaço de integração económica de Portugal, muitas vantagens relevantes em relação à Europa:

1) Permite fáceis intercâmbios de imigração/emigração, dada a similaridade dos idiomas.

2) Pode fornecer-nos a mão-de-obra que crescentemente escasseará na nossa economia, dado o envelhecimento da nossa população.

3) É um continente com uma economia próspera, portanto com mercados expansivos, ao contrário dos mercados europeus, que não têm perspetivas de crescimento sustentado.

4) É auto-suficiente em termos energéticos e em termos da maior parte das matérias primas, ao contrário da Europa.

5) Tem uma importante relação económica e demográfica com a China.

Todos estes pontos seriam ainda aumentados se a este espaço de integração económica fosse acrescentado Angola.

Retrato de Luís Lavoura

O ideólogo socialista Vital Moreira sugere no seu blogue "a possibilidade de [o Estado] bonificar transitoriamente os juros [dos empréstimos para compra de habitação] das famílias em maiores dificuldades".

Trata-se de uma proposta que beneficiaria os irresponsáveis, premiando a sua irresponsabilidade:

1) Beneficiaria aqueles que, livremente, decidiram comprar uma casa, em detrimento daqueles que, mais prudentes, decidiram morar em casa arrendada.

2) Beneficiaria aqueles que, livremente, decidiram ir viver numa casa própria, em detrimento daqueles que, mais solidários, decidiram ficar a viver na casa dos pais, acompanhando-os e apoiando-os na velhice.

3) Beneficiaria aqueles que, livremente, decidiram contrair um empréstimo com taxa de juro variável, em detrimento daqueles que, mais precavidos, optaram por um empréstimo com taxa de juro fixa.

4) Beneficiaria aqueles que compraram uma casa grande e cara e que, por isso, ficaram com uma dívida avultada, em detrimento daqueles que, mais comedidos, compraram uma casa mais pequenita.

5) Beneficiaria aqueles que compraram casa numa rua boa e cara em detrimento daqueles que, mais modestos, aceitaram ir morar para um bairro mais baratinho.

A proposta de Vital Moreira incorre além disso no risco de, a médio prazo, se tornar num encargo financeiro insustentável para os contribuintes:

1) As bonificações "temporárias" teriam tendência em prolongar-se pelos anos fora, tornando-se semi-definitivas.

2) Não há quaisquer indicações de que as taxas de juro possam vir a descer de forma duradoura. A inflação pode manter-se alta, dado o fim do "efeito China" que a suprimiu durante muitos anos, e dado o previsível aumento gradual do preço da energia. Portugal encontra-se fortissimamente endividado ao estrangeiro e os bancos estrangeiros poderão ter uma relutância crescente em emprestar aos bancos portugueses, forçando os bancos portugueses a cobrar spreads mais elevados aos seus clientes. A crise financeira pode prosseguir, suprimindo todos os empréstimos bancários em geral e forçando a subida da taxa Euribor.

Em suma, a proposta de Vital Moreira é uma proposta socialista típica. Parece muito boazinha, bem intencionada e talvez até prudente, mas corre o risco de descambar num encargo permanenete para os contribuintes, além de premiar os comportamentos mais estouvados e incentivar a irresponsabilidade.

Retrato de Luís Lavoura

Foi ontem a enterrar, na sua aldeia natal de Barrô, concelho de Águeda, o engenheiro Adolfo Roque, fundador e, até há três anos atrás, diretor-geral da Revigrés, uma das mais bem sucedidas empresas portuguesas.

Faço-lhe aqui esta referência não só pelo seu merecimento, mas também por ele ter sido conhecido da minha família, uma vez que o meu pai era também natural da freguesia de Barrô.

A Revigrés, empresa que produz produtos cerâmicos em grés, fica situada no Vale do Grou, ao pé da antiga Estrada Nacional 1, a cerca de 2 km da casa do seu fundador. É uma empresa que, tendo começado como tantas outras na região, modesta, se expandiu fortemente, com produtos de bom design e qualidade, tendo hoje fábricas vastas e modernas.

Depois de um período de alguma estagnação há uns anos atrás, quando o engenheiro Adolfo Roque ainda a dirigia, mas já idoso e sem o mesmo brilhantismo de outrora, a Revigrés está agora, sob nova direção, com enorme sucesso, a exportar cerca de 90% da sua produção para países como Angola, Rússia, EUA e Japão.

Adepto fervoroso do Futebol Clube do Porto, Adolfo Roque patrocinou durante muitos anos a sua equipa de futebol, através da compra de publicidade nas camisolas.

A Revigrés dá emprego a centena de trabalhadores, com empregos de qualidade e pagando salários superiores à média. Dois primos meus são operários nela.

Fica aqui a minha homenagem a um dos tantos self-made men da região de Águeda, empresário progressista, que tornaram esse concelho num dos mais prósperos do país.

Retrato de Luís Lavoura

É normal que, num país que exibe um crescimento do PIB de 30% ao ano, o povo vote a favor do governo.

Mas, mesmo com esta explicação, considero sinistro o resultado das eleições angolanas.

O governo angolano vai poder governar num estado de virtual ditadura, com o parlamento cheio de yes-(wo)men sem qualquer valor acrescentado.

É dramático que numas eleições livres (se bem que não verdadeiramente justas, uma vez que a comunicação social estatizada esteve totalmente do lado do MPLA) um povo possa dar a um partido um resultado digno de uma ditadura.

Retrato de Luís Lavoura

Nos EUA chama-se-lhe pork-barrel: a prática de o Estado central gastar dinheiro com obras inúteis em regiões específicas, com o mero objetivo de satisfazer interesses mesquinhos ou eleitoralistas de populações ou autarcas locais. Pois bem, esta prática condenável estende-se a Portugal, desta vez de uma forma grosseira: 620 milhões de euros só para, alegadamente, "compensar" a região da Ota por nela não se ir construir um aeroporto. Eu pergunto,

1) Que raio de direito tem a região da Ota a ser "compensada", se ninguém a prejudicou de nenhuma forma? Os autarcas alegarão que a região foi prejudicada com impedimentos à construção que vigoraram. Mas, o impedimento da construção deve ser, e em princípio é, uma condição geral do país - não se pode construir sem autorização do Estado. Nenhum proprietário tem o direito de ser recompensado por o Estado não o deixar urbanizar os seus terrenos. Nenhuma autarquia tem, a priori, o direito de permitir a urbanização daquilo que lhe apetece. Nem a autorização de urbanização é uma forma legítima de uma autarquia enriquecer.

2) Qual a utilidade exata dos investimentos a realizar na região da Ota? Um novo hospital, diz-se - mas haverá utentes para ele? Não será esse hospital redundante, como no célebre caso dos três hospitais em Torres Novas, Abrantes e Tomar? E centros de saúde, muto bem... mas haverá médicos para os ocupar? E estradas, das quais a região já tem grande abundância, e num tempo em que, devido ao aumento do preço dos carburantes, cada vez se conduz menos... E "ligações ao TGV", uma coisa que ainda não existe nem se sabe se alguma vez virá a existir, e que, pelo andar da carruagem, ainda virá a ser um combóio regional e não um combóio de alta velocidade...

Eu acho isto uma vergonha. É delapidação pura e simples do erário público. É roubar os contribuintes para fazer o favor a alguns autarcas. É a desvergonha, a degenerescência do poder Socialista. No qual eu não irei votar nas próximas eleições, pois não estou para patuar com estas práticas.

P.S. Se, como eu prevejo, daqui a alguns anos se decidir, e muito bem, afinal não construir aeroporto nenhum em Alcochete, porque esse aeroporto se irá tornar desnecessário pela diminuição do tráfego aéreo, quantas centenas de milhões de euros irão os socialistas decidir gastar/delapidar na região de Alcochete, para a "recompensar"?

Retrato de Luís Lavoura

Os bancos cobram aos seus clientes as mais variadas e inesperadas comissões. E muitas vezes cobram-nas sem que o cliente seja previamente avisado, pelo funcionário do banco, que, ao fazer uma determinada operação, lhe será cobrada uma comissão. O que é inaceitável, mas compreensível: os próprios funcionários do banco, coitados, não devem saber que comissões o seu patrão cobra - elas são tantas e tão variadas!

De entre todas as comissões que os bancos cobram, o governo resolveu selecionar uma e proibi-la por lei. É muito difícil perceber por que motivo proibiu essa comissão e não outras, a não ser por motivos puramente populistas. Aparentemente, para o atual governo como para todos os anteriores, o crédito à compra de casa própria é uma atividade especialmente meritória, que deve ser acarinhada, protegida e incentivada pelo Estado.

É claro que os bancos, deprivados destas comissões que atualmente cobram, terão que arranjar outras fontes de rendimento. Poderão por exemplo diminuir os juros que oferecem aos seus depositantes a prazo, prejudicando a poupança. Não fará mal: a poupança é uma atividade menos meritória do que o crédito.