Liberdades Individuais

Artigos sobre o ponto de vista liberal relativamente às liberdades individuais.

Em 2007, um grupo restrito de países (mais ricos) iniciaram um processo de elaboração de tratados para criar um novo padrão global para os direitos de propriedade intelectual, que foi designado por ACTA - Anti-Counterfeiting Trade Agreement. Poder-se-ia subentender Acordo de Comercio Anti-Contrafação, no seguimento da legislação já existente nos USA sobre patentes e propriedade intelectual que tratam a pirataria digital como contrafação.

Ora, uma breve consulta ao termo, p.ex. no site dictionary.reference.com, Contrafação é: “made in imitation so as to be passed off fraudulently or deceptively as genuine; not genuine; forged: counterfeit dollar bills”, ou seja, uma imitação fraudulenta ou a iludir a genuína; e ainda, a moeda falsa. Logo, não é o caso! É, na minha opinião, uma estratégia de marketing político brilhante, referente a uma Reprodução, uma “imitação fiel, cópia”; “repetição”. Ahh! E o acordo não cobre a fraude de moeda!

Mas qual surpresa, se seguirmos o rasto ao dinheiro verificamos que tal acordo foi redigido por um comité composto por grandes empresas da indústria do entretenimento e farmacêuticas, que têm visto os seus lucros ameaçados com o surgimento de novos modelos de negócio e da cultura de partilha. Claro que à parte ficam os verdadeiros produtores desses conteúdos – artistas, músicos, engenheiros de software, cientistas.

O ACTA tem forte semelhanças com o PIPA e o SOPA, uma vez que força os ISP’s (Internet Server Providers) – Fornecedores de Acesso à Internet - a realizar o trabalho sujo de censurar conteúdos, na medida que, grosso modo, ficam legalmente responsáveis pelos seus clientes, e uma vez que vão passar a controlar e monitorizar cada bit de informação sua. Sim, o ACTA dá-lhes esse poder!

O mais grave ainda, são os “artigos 5 º e 6 º do tratado pois remetem para a criação de um comité, que pode realizar alterações após o acordo, ficando apenas sujeito à aprovação das partes”, e a “revisão pública ou a revisão judicial não será necessária para criar alterações, bastando para tal que os representantes da indústria procederem às alterações” (fonte: adaptado da wikipédia).

Do lado da contrafação propriamente dita, isto é, na verdadeira aceção da palavra, um país pobre que resolva produzir o genérico para conter um surto mas, ao fazê-lo, viola um direito de patente, terá a vida mais dificultada pela empresa detentora que recusou a venda da cura a um preço razoável.

Contudo, e embora vários países tenham assinado o acordo secretamente, inclusive Portugal, ainda não é vinculante, pois ainda terá de ser ratificado pelo Parlamento Europeu em junho próximo. Assim, ainda temos tempo para combater um conjunto de problemas que a todos diz respeito – nomeadamente a liberdade de informação -, mas que foi negociado longe do escrutínio público e judicial. A informação vigente neste acordo é muito extensa e para compreender com maior profundidade o problema, deixo um link com 5 razões que me parecem razoáveis para rejeitar este acordo – ver http://www.ibtimes.com/articles/286925/20120124/acta-sopa-reasons-scarier-threat-internet-freedom.htm. Boa leitura.

Retrato de Luís Lavoura

O PSD decidiu, a muito custo, legalizar a utilização de barrigas de aluguer em Portugal. A legalização será muito restritiva: "apenas em situação de último recurso e [só] para casais". "A porta continuará fechada para mães solteiras", especifica o jornalista, a quem a utilização de barrigas de aluguer por pais solteiros nem deve passar pela cabeça. (Significativamente, o projeto de lei do Bloco de Esquerda sobre o assunto tem por título "Garante o acesso de todas as mulheres à Procriação Medicamente Assistida", o que constitui uma deliciosa peça de prosa sexista, quase inacreditável nesse partido.) Ademais, o PSD tem o cuidado de garantir que "é proibido qualquer pagamento à mulher que suporte a gravidez por outrém, além dos actos médicos", o que cria mais um ramo para a economia paralela, ou negra, sem faturas nem recibos, em que o dinheiro será pago às mães de substituição por debaixo da mesa, por forma a não ser contabilizado no PIB nem pagar IRS. Magnífico, senhores!!!

O caminho para a liberdade é longo e doloroso. Portugueses que queiram recorrer à procriação medicamente assistida terão que continuar a deslocar-se a Espanha, como Cristiano Ronaldo fez (felicito-o!), ou quiçá à Turquia ou à Índia, onde, felizmente, reina a liberdade neste campo. Aqui temos paladinos da moral e da ética que querem o povo preso aos bons costumes da moral conservadora.

Retrato de Luís Lavoura

Alguns deputados da Assembleia da República pretendem, de alguma forma, liberalizar a utilização de "barrigas de aluguer".
A grande preocupação de muitos desses e dos outros deputados, porém, é garantir que o dinheiro, esse porcalhão, não suje um negócio que deve sempre ser feito com os mais altruístas intentos e com um cheiro a santidade. Ou seja, garantir que a "barriga de aluguer" não seja paga, mas sempre cedida a título gracioso.
É para mim assustador ver esta mentalidade religiosa que tudo invade, inclusivé os partidos em princípio mais ateus. O dinheiro é considerado fonte de impureza, o lucro é condenado, a transação e o negócio são vilipendiados.
É, em minha opinião, ridículo pretender que uma mulher, salvo casos muito excecionais e raros, ceda nove meses da sua vida, incluindo inúmeros inconvenientes e restrições, para gerar um filho para outrem, sem que seja por esse serviço (bem) recompensada financeiramente. É normal, expetável e desejável que as barrigas de aluguer sejam pagas. Não deve haver qualquer restrição a tal pagamento, que deve ser livremente negociado entre quem pretende o serviço e quem o deseja fornecer.

Retrato de Luís Lavoura

... o governo pretende facilitar a instalação de vigilância dos espaços públicos por câmaras de vídeo, retirando do caminho a Comissão Nacional de Proteção de Dados, que se tem vindo, em geral, a opôr às pretensões desmesuradas de comerciantes e autarquias. Veja-se este linque:

"o Ministério da Administração Interna aprovou hoje em conselho de ministros a mudança da lei que regula a videovigilância. A ideia é simplificar o processo, para permitir que mais projectos sejam propostos e aprovados.

[...] A marcar a mudança, o Governo abandona o termo "videovigilância" e passa a adoptar a designação "vídeo-protecção".

Nas alterações previstas, destaque para uma mudança no papel que a Comissão Nacional de Protecção de Dados tem nestes processos, com a proposta de lei hoje aprovada a determinar que os seus pareceres de autorização se limitem a aspectos meramente técnicos.

O Ministério de Miguel Macedo quer que a Comissão deixe de opinar sobre a necessidade e a oportunidade da instalação destes sistemas, se bem que continuará a ter funções de fiscalização do seu funcionamento."

Retrato de Igor Caldeira

Eu pensava que, uma vez no poder, a Direita ia começar por atacar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Parecia-me óbvio, tratando-se de uma lei aprovada no parlamento e em relação à qual, estou certo, a maioria dos portugueses está contra (o que em nada diminui a sua legitimidade, dado que eu, antes de ser um democrata, sou liberal).


Parecia óbvio, também, por que me pareceria descabido a Direita atacar uma questão tão dolorosa que acabou com uma vitória tão esmagadora de um dos lados. Enfim, politicamente não seria propriamente brilhante desenterrar este cadáver, passe a expressão tétrica. Há coisas bem mais relevantes e politicamente bem mais lucrativas do que atacar o aborto.

 

Hélas, começo a achar que Passos Coelho não só não é tão liberal quanto gosta de se fazer, como é tão inapto quanto muitos nos queriam fazer crer. Ou o senhor é louco ou tem conselheiros políticos loucos. Ou estúpidos. Ou seja o que for. 

 

Porque seja como for, eu que vacilava entre o PS e o PSD, acabei de decidir o meu voto. Gastei demasiado tempo dos meus últimos anos a lutar por esta causa para permitir que agora um chanfrado qualquer venha impôr este retrocesso (e outros, está visto, bem mais fáceis de atingir) gigantesco ao país.

 

Não, não é desta que teremos um Primeiro Ministro liberal.

 

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, quer rever a lei do aborto e admite um novo referendo sobre a matéria.

Retrato de Miguel Duarte

Nem deve ser.

Já por várias vezes expliquei a inúmeras pessoas que a União de Facto dá menos direitos que o casamento, sendo que é bom que assim seja, que é para as pessoas terem várias opções de escolha no que toca aos seus direitos e deveres ao nível das suas relações amorosas. Inclusivamente, considero que deveria existir mais liberdade contratual a este nível e não menos.

Um "direito" do casamento não previsto na União de Facto é a herança, o que teve um impacto significativo nas possibilidades de uma mulher engravidar, do seu companheiro recentemente falecido, por via de inseminação artificial. Tudo estava acordado, mas, o seu companheiro faleceu antes da inseminação. Dado que os herdeiros do património eram os seus sogros e não a companheira, e como estes não desejavam ter um neto de um filho morto, a mulher viu-se impedida de concluir o processo de inseminação.

Considero a situação infeliz, pois inclino-me a pensar que a vontade do falecido teria sido que o processo de inseminação continuasse, contudo, penso que deste caso se deve tirar a ilação que tem que se clarificar junto das pessoas os aspectos legais das várias opções de vida em conjunto. Felizmente, o órgão que recusou a inseminação (o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida), após este caso, está precisamente a pensar propor a alteração do consentimento escrito dado no processo de inseminação para incluir estas situações no futuro.

Retrato de Luís Lavoura

Segundo informação ontem no telejornal da RTP2, o Conselho Nacional para a Procriação Medicamente Assistida, uma entidade cuja existência eu desconhecia mas que, ao que percebi, representa os médicos que trabalham nesse setor, propõe (novidade, novidade!) a permissão de "barrigas de aluguer" em Portugal. O que seria uma boa notícia, claro, se não fossem as severas limitações que o tal Conselho pretende impôr (porque esta gente, se há coisa de que gosta, é de proibir, limitar e impôr; eles é que mandam, eles é que são os donos da ética, e toda a sociedade tem que marchar ao compasso dos seus ditames). Primeiro, as "barrigas de aluguer" serão só para casais (ou uniões de facto) de homem e mulher nos quais, comprovadamente (não sei muito bem como se comprova que o truca-truca foi devidamente efetuado, mas passemos esse ponto em claro), o método "natural" (neste ponto, o médico entrevistado fez um sorriso maroto perante a câmara) de procriação não tenha resultado. Ou seja, nada de homossexuais (Elton John), estrelas de cinema (Nicole Kidman) ou do futebol (Cristiano Ronaldo) a gozar, em Portugal, dessas amplas liberdades; em Portugal só se aceita Procriação Medicamente Assistida para bons casais (ou, enfim, por especial favor, só porque já não se pode ignorá-las, uniões de facto) que tenham previamente fornicado como Deus manda. Segundo, a barriga de aluguer tem que ser gratuita, tem que ser uma dádiva generosa e graciosa de uma mulher altruísta (e que não tenha mais nada que fazer), não pode ser paga. Isto porque, como é sabido desde a escolástica medieval, o dinheiro suja, emporcalha tudo aquilo em que toca, e esta coisa das barrigas de aluguer deve ter um cheiro a santidade, pelo que não pode ser aceite (pelos donos da ética) em troca de um qualquer pagamento.

 

O conservadorismo beato português continua total. Mudar um pouco sim, mas para que tudo fique na mesma. Este país nunca mais anda para a frente.

Retrato de Miguel Duarte

A Wikileaks e vários outros sites como o Facebook e o Twitter deram um contributo relevante para a queda de um tirano.

Vale a pena ler este artigo no Ars Techinca.

Sendo que para mim este telegrama é um caso típico de um documento que pouca gente julgaria relevante divulgar, mas que acabou por ser mais uma acha na fogueira que acabou por explodir.

Retrato de Miguel Duarte

WikileaksContra os ataques à liberdade de expressão por parte dos países ocidentais, no que toca ao Wikileaks, só há uma solução, comprovar que com a Internet os cibernaturas é que mandam e ninguém tem o direito de restringir a liberdade de expressão.

Em nome dessa liberdade de expressão deixo aqui o link para a bomba atómica da Wikileaks, a torrent Wikileaks Insurance. O ficheiro está encripatado e contém toda a informação dos "cabos" dos EUA que a Wikileaks tem em sua posse, mesmo informação que não quer que venha a público. Se o fundador da Wikileaks for efectivamente preso, ou morto, a chave para desencriptar esta informação irá ser tornada pública.

Para poder fazer download do ficheiro, pode usar um programa como o BitTorrent, o µTorrent ou o Vuze.

Informo também que o site da Wikileaks tem o seguinte IP http://213.251.145.96/ e que o Cablegate continua online e a ser actualizado. O nome de domínio existe por mera facilidade. Podem colocar todos os domínios que quiserem em baixo, pois desde que existe um computador ligado à Internet com o site, este permancerá acessível.