Liberdades Individuais

Artigos sobre o ponto de vista liberal relativamente às liberdades individuais.
Retrato de Luís Lavoura

O governo anunciou ter elaborado uma "proposta de Lei [que] visa simplificar o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil para as pessoas a quem clinicamente tenha sido diagnosticada uma mudança da identidade de género (transexualidade)", proposta essa que deverá ser apresentada, para eventual consagração em lei, à Assembleia da República.

A mim parece-me óbvio que todas as pessoas devem gozar da liberdade de, quando adultas, mudarem o seu nome próprio, e também de mudarem os seus apelidos. Essa liberdade não deve estar reservada apenas aos transexuais e não deve carecer de qualquer tipo de autorização judicial, notarial ou conservatorial, nem sequer médica. Se às pessoas - sejam elas transexuais ou não - lhes apetece mudar o seu nome próprio, ou os seus apelidos, por qualquer motivo, que as deixem mudar - não deve ser necessária a autorização de ninguém para esse efeito, nem ninguém tem nada que andar a averiguar por que motivos as pessoas querem mudar o nome.

Faço notar que é normal as pessoas mudarem o nome quando se convertem a uma religião, e desde sempre foi normal nalgumas culturas (a chinesa, segundo já ouvi dizer) as pessoas mudarem de nome uma ou mais vezes ao longo da vida. Há também línguas (o inglês, por exemplo) em que certos nomes próprios tanto podem ser aplicados a um homem como a uma mulher. Não há razão para que o mesmo não possa ocorrer em Portugal.

Há, é claro, que assegurar a segurança jurídica dos procedimentos - ou seja, que o nome da pessoa muda mas que todas as autoridades sabem bem que a pessoa é a mesma. Mas, espero eu, essa segurança permanecerá acautelada.

A proposta de lei do governo é portanto muito benvinda, mas (1) não se deve restringir aos transexuais, e (2) não se deve restringir aos nomes próprios, deve abranger também os apelidos.

Retrato de Luís Lavoura

Felizmente existe em Portugal uma Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) que não vai (facilmente) em cantigas de embalar. Depois de há três dias a CNPD ter proibido (aplauso!) a Google de andar a filmar ruas portuguesas com pessoas e automóveis incluídos, agora a CNPD impediu (aplauso reiterado) o município da Amadora de instalar um sistema de videovigilância indiscriminada do espaço público.

 

Entretanto, o ministério da Administração Interna do atual governo socialista (o tal que, de acordo com Fernanda Câncio, é bom que chegue em matéria de liberdades de costumes) já veio dizer que "é favorável aos projectos de videovigilância como instrumentos de prevenção da criminalidade e apoio à investigação criminal e por está (sic) disponível para a apoiar (sic) o novo projecto que venha a ser apresentado"

Retrato de Luís Lavoura

Na sequência do referendo que impôs a liberdade de abortar até às dez semanas da gravidez, a esquerda parlamentar decidiu tratar o aborto, não apenas como uma liberdade mas como um direito subsidiado e, de facto, favorecido - o aborto é integralmente pago pelos contribuintes (*) e, ainda por cima, às mulheres que abortam é concedido um mês de "férias" para recuperarem do alegado trauma sofrido.

 

Talvez não seja surpreendente que, postas perante tão favoráveis condições, algumas mulheres tenham decidido escolher o aborto como forma regular de planeamento familiar. Verifica-se que, em menos de dois anos de aplicação da lei, houve mulheres que já abortaram por duas e, até, três vezes, e há uma percentagem elevada de mulheres que decidem prescindir da consulta de planeamento familiar que lhes é oferecida na sequência do aborto.

 

Parece claro que a esquerda parlamentar exagerou. Não é de mais lembrar que a gravidez não é uma doença, as mulheres engravidam (salvo os casos de violação) porque aceitam incorrer nesse risco. É imoral que os contribuintes sejam forçados a pagar o "tratamento" de uma condição que não é patológica e que, de facto, é da responsabilidade de quem a sofre.

 

Parece-me normal, aceitável e, de facto, desejável que uma próxima maioria parlamentar de direita venha a corrigir o erro da esquerda. O aborto deve continuar a ser livre, mas não deve ser um direito pago pelos contribuintes. Quem quer abortar uma, duas, três ou mais vezes deve ser totalmente livre de o fazer, e não deve ser objeto de quaisquer reparos - mas deve fazê-lo à sua custa. O aborto deve passar a ser da total responsabilidade financeira de quem o solicita (e não deve dar direito a "férias" pagas, a não ser no caso de abortos cirúrgicos e, mesmo nesses, apenas as que forem medicamente justificadas). Isso não violará o mandato dos eleitores e eliminará os casos de abuso que se têm verificado.

 

(*) Os partidários da liberalização do aborto propagandearam a ideia de que os abortos viriam a custar uma ninharia ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) - a maioria dos abortos seria realizada por métodos químicos e não custaria mais do que meia dúzia de euros. Verifica-se hoje que a situação é completamente diversa - a maior parte dos abortos realizados pelo SNS são cirúrgicos e custa ao erário público cerca de 500 euros. Um preço nada baixo, e em linha com o que um aborto custa e sempre custou na medicina privada.

Retrato de Igor Caldeira
Eu sou feminista. Não considero que o feminismo seja necessariamente uma colecção de disparates pós-modernos de linguagem PC. O feminismo pertence a uma tradição radical, de Esquerda, de libertação do indivíduo. O feminismo pertence a uma tradição anti-clerical, de crítica às sociedades patriarcais que dominam os países de religião abraâmica (e não só, mas fiquemo-nos por aqui).

Não posso por isso senão ficar boquiaberto quando vejo que, nesta Europa que conhece hoje o seu mais feliz período de liberdade (e por isso, talvez o seu último antes de regressar às trevas religiosas) a Esquerda, ao mesmo tempo que critica a desigualdade salarial entre homens e mulheres (17,6%, um crime; questiono-me se é nas mesmas profissões), acha aceitável a assunção pública da inferioridade moral das mulheres.
[O que digo sobre o texto de Mariana Canotilho aplica-se também a Daniel Oliveira.]

Pergunto-me: se fosse a Igreja Católica a decidir que todas as mulheres deviam cobrir-se da cabeça aos pés, será que a Esquerda reagiria da mesma forma?
Pois, a resposta é simples, não é?
No entanto, criticar uma "tradição" muçulmana (que, na verdade, nem é assim tão tradicional quanto isso) é sinal de intolerância.

A questão impõe-se: mas a enxurrada de proibições é solução ou agrava o problema (isolando, por motivos vários que não vou aqui desenvolver, as mulheres afectadas)? Desconfiemos das respostas simples. O mero véu é para mim nojento. Sim, dá-me nojo ver uma mulher com um véu religioso. Mas não apresenta, normalmente, perigo. Já os véus que cobrem toda a face, e pior ainda, a burqa, colocam reais problemas de segurança.

Há outras questões paralelas que poderíamos colocar. Ao fim e ao cabo, o Ocidente, essa organização de malfeitores, não vai à Arábia Saudita dizer como eles se devem comportar. Os ocidentais sabem que quando vão a esses países têm de tomar especiais cuidados - e de respeitar minimamente a cultura local.
Curiosamente, pedir aos imigrantes muçulmanos que respeitem a nossa cultura, isso, é inaceitável.

Parece que a Esquerda parece defender o denominador mínimo comum, não apenas na economia, mas também na cultura: quanto mais rasteiro, melhor. Respeitem-se os intolerantes, ataquem-se os progressistas.

Como liberal social, considerando-me uma pessoa de centro (eventualmente centro-esquerda?) não posso deixar de lamentar a degenerescência do espaço socialista. Já há muito que perdeu o internacionalismo. De há uns anos para cá, está a perder o feminismo. É caso para perguntar What's Left?

Nota final: pergunta Mariana Canotilho onde andam os liberais quando precisam deles. Os liberais andam tão confusos quanto todos os outros grupos políticos. A minha experiência de debate político sobre este tema ao nível internacional (aliás, o que a seguir descrevo é produto de um debate bastante recente onde pude constatar isto mesmo) diz-me que as diferenças resultam mais da pluralidade de histórias e culturas europeias que das ideologias. Os liberais escandinavos são tão relativistas e tão multiculturalistas quantos os socialistas e os conservadores escandinavos. O seu passado pacífico fá-los pensar que a religião não é uma coisa assim tão nociva. Pelo contrário, os liberais do Benelux, países que conhecem o catolicismo de perto, bem como as lutas religiosas entre várias seitas, são bastante mais universalistas, condição que partilham com os socialistas (não tanto os conservadores, pelo menos nos Países Baixos; na Bélgica já não há conservadores, por isso é difícil dizer).
Não é por acaso, Mariana, que em França ou em Espanha as pessoas querem impedir o véu; não é por acaso que no Reino Unido ou na Noruega haja raparigas de ascendência muçulmana que são mortas em crimes de honra e toda a gente ache normal. É que nós, aqui nos países de tradição católica, passámos séculos a
morrer na cruz. Passámos séculos a lutar contra a opressão religiosa. Não estamos dispostos, agora que amordaçámos o Vaticano, a deixar que meia dúzia de imigrantes nos tirem aquilo que nos custou tanto a ganhar.

Retrato de Miguel Duarte

A Praça do Aeroporto, as Avenida Gago Coutinho e dos EUA, Entrecampos, Avenida da República, Praça de Saladanha, Avenida Fontes Pereira de Melo, Rua Latino Coelho e Avenida Luís Bívar, em Lisboa, serão percorridas a uma velocidade 30 quilómetros/hora, mas só pelas viaturas do Papa e seus acompanhantes. Para a população em geral o trânsito estará fechado nos dois sentidos entre as 10h15 e as 12h15.

À passagem do Papa irão encerrar momentâneamente alguns trechos do metropolitano. No primeiro dia da visita a linha azul do metropolitano lisboeta não terá qualquer circulação, até às 21h30, entre as estações Baixa/Chiado e Santa Apolópnia.

Fonte: Público

Retrato de Luís Lavoura

Uma pessoa minha conhecida é proprietária de um lugar de garagem numa garagem subterrânea coletiva situada na avenida dos Estados Unidos da América, em Lisboa. Recentemente foi informada de que todo o primeiro andar dessa garagem coletiva, com cerca de 100 lugares de estacionamento, foi "confiscado" aos seus legítimos proprietários, todos eles cidadãos privados (incluindo algumas pequenas empresas), por ocasião da visita papal. Assim: o estacionamento de quaisquer viaturas naquela garagem vai ficar interdito entre os dias 10 e 13 de Maio, sendo que quaisquer viaturas que lá sejam encontradas serão rebocadas e a polícia estará à porta desta propriedade privada para nela não deixar entrar ninguém. Os proprietários privados da garagem vão assim ficar interditados do usufruto da sua propriedade.

Não sei que raio de lei justifica isto, se é que se deram ao trabalho de recorrer a alguma lei. Para mim isto é um roubo porcamente justificado. A garagem em questão é propriedade inteiramente privada, os proprietários pagam IMI, taxa de esgotos e tutti quanti. Não há qualquer justificação para a Câmara de Lisboa, ou o Estado, irem usar aquela garagem como se de bem público se tratara. Isto é um confisco à mão armada.

Retrato de Miguel Duarte

O Google começou ontem a revelar publicamente o número de pedidos que recebe dos vários governos mundiais para eliminar informação online ou entregar dados que tenha nos seus sistemas. Ora, ficámos a saber que Portugal não solicitou que nenhum dado fosse removido do Google, mas, que nos últimos 6 meses de 2009 fez 45 pedidos de informação de terceiros ao Google. O Google não revela que pedidos são esses, mas podem ser por exemplo acesso aos emails arquivados no Gmail por um determinado indivíduo.

O que me parece lamentável é que efectivamente é uma novidade, pelo menos para mim, que órgãos do Estado em Portugal estejam a aceder a dados pessoas de cidadãos no Google (e presumo outros serviços), e não seja público se tal está a ser feito apenas com ordens judiciais e qual a extensão desses pedidos. Pode por exemplo um juiz solicitar todos os emails de José Sócrates numa eventual conta de Gmail que este tenha ou tem que se limitar a determinadas datas ou temas?

Retrato de Luís Lavoura

No tempo da Outra Senhora só havia duas profissões liberais - médicina e advocacia - cuja deontologia se considerava necessitar a existência de uma Ordem protegida por lei.

Hoje as profissões liberais multiplicaram-se e tornou-se uma questão de prestígio cada uma delas ter a sua Ordem. Além da Ordem dos Médicos há hoje a Ordem dos Médicos Dentistas e a Ordem dos Psicólogos, e já vem a caminho a Ordem dos Dietistas e Nutricionistas. Mas mesmo entre as profissões não liberais multiplicam-se as Ordens, todas elas protegidas pelo Estado, como por exemplo a Ordem dos Biólogos e a Ordem dos Engenheiros. A todo o momento ouvimos falar de mais um grupo profissional (por exemplo, os professores) que quer passar a ter a sua Ordem. É uma questão de prestígio, de status - mas ambém é uma questão monetária.

Revolta-me a existência de todos estes órgãos que, supostamente, exercem funções reguladoras que deviam pertencer ao Estado mas que as exercem, quando as exercem, de forma corporativa. Se não considero correto que o Estado participe no jogo económico, também não considero correto que o Estado se demita das suas funções reguladoras e judiciais. E temo que estas Ordens todas só sirvam, na prática, para extorquir dinheiro aos profissionais e para limitar o acesso à profissão, isto é, para eliminar o constitucionalmente consagrado direito ao trabalho.

Retrato de Miguel Duarte

Gostei do artigo que li no Delito de Opinião sobre a questão da desobediência civil, no contexto das revelações do SOL. Com destaque para a seguinte citação que penso resumir tudo:

A desobediência civil, como nos ensinaram Gandhi e Martin Luther King, pode ser um imperativo cívico.

Efectivamente, mesmo em democracia existem alturas em que o valor da verdade e a sua importância para a continuação da própria democracia é superior ao respeito estrito da lei. Lei que inclusivamente muitas vezes é criada precisamente para que a verdade inconveniente não venha ao de cima.

Mal estava a nossa democracia se uma simples lei fosse suficiente para calar os jornalistas relativamente a temas graves que implicam o Primeiro Ministro e outros membros do governo.

A manutenção da liberdade de expressão, mesmo em democracia, tem os seus custos. E as próprias democracias oferecem diversos graus de liberdade de expressão. Cabe-nos a nós como cidadãos, diáriamente, lutar para que não existam recuos na nossa liberdade. Caso tal não fosse feito, o resvalar para o autoritarismo não demoraria muito tempo.

Retrato de Luís Lavoura

O grande tema de discussão desta semana são os alegados ataques do governo à liberdade de expressão e os protestos contra esses ataques que desde alguns setores se levantam, passando (esses protestos) por uma manifestação convocada via internet (parece que voltámos aos tempos do PREC, em que se realizavam manifestações e greves sem responsável visível) e por uma petição eletrónica.

Sobre este assunto cada autor deste blogue terá a sua posição, como sempre. A minha é a seguinte.

1) As empresas têm o direito de vender e comprar entre si empresas da área da comunicação social. Em particular, a Prisa tem o direito de vender a TVI a outra empresa qualquer, e essa outra empresa, qualquer que ela seja, tem o direito de comprar a TVI. Nada há de ilegal nisso.

2) Qualquer empresa da área da comunicação social tem, ou pelo menos deveria, na minha ótica, ter, o direito de mandar nela, em particular, de contratar ou despedir jornalistas, de interferir nas opções editoriais, de escolher uma linha política para o órgão de comunicação social detido, etc. Em particular, a Prisa, dona da TVI, tem, ou, pelo menos na minha ótica, deveria ter, todo o direito de interferir na linha editorial da TVI, despedir ou "pôr na prateleira" jornalistas, etc. Nada há (ou, pelo menos, não deveria haver) de ilegal nisso.

3) Os acionistas de uma qualquer empresa têm o direito de pressionar a administração dessa empresa no sentido de ela atuar de determinada maneira que seja do seu agrado. Em particular, se o Estado é acionista da PT, então o Estado tem o direito de pressionar a administração da PT para que ela compre a TVI, despeça um seu colaborador, ou seja o que fôr. Se o Estado fizer isso, não é bonito, nem eu estou de acordo que faça, mas não é ilegal.

4) A liberdade de expressão é um conceito genérico que se aplica aos cidadãos de um país como um todo e aos meios de expressão disponíveis como um todo. Não se pode dizer que a liberdade de expressão está sob ataque lá porque um cidadão particular não é autorizado a exprimir a sua opinião num órgão particular. Se, por exemplo, um jornal rejeitar a publicação de um artigo de opinião que eu lhe submeta, isso não significa que a liberdade de expressão tenha deixado de existir. Se uma televisão não gostar das opiniões expendidas por uma determinada jornalista e por isso decidir "cortar-lhe o pio", isso também não significa que tenha deixado de existir liberdade de expressão no país. Em particular, eu posso tentar publicar o meu artigo num outro jornal, a jornalista silenciada pode tentar ir trabalhar para outra televisão, etc.

Vistos os pontos acima, parece-me claro que, em tudo o que é sugerido e alegado, nada de ilegal se passou. Não só não há qualquer ilegalidade que deva ser perseguida pelas autoridades judiciais competentes, como também não há qualquer atentado ao Estado de Direito ou, sequer, à liberdade de expressão. Aliás, parece-me perfeitamente ridículo sugerir tal coisa quando, olhando diariamente para uma banca de jornais, constato que boa parte dos títulos de primeira página são a dizer mal do governo.

Uma coisa diferente será fazer um julgamento político daquilo que o governo terá, alegadamente, feito. Se o governo, ou alguém por ele, tentou interferir na linha editorial de algum órgão de informação, isso é condenável e merece ser investigado e denunciado. Essa investigação não pode ser judicial, uma vez que, como referido acima, nada de criminoso ou ilegal teve lugar. Essa condenação deverá ser de caráter político.

A terminar, deixo ainda três considerações.

(1) O momento atual é tudo menos adequado para se andar a criar instabilidade política, a sugerir ou pedir a demissão do governo, etc. Os mercados financeiros estão de olho em Portugal e na necessidade que este tem de, para efetuar as reformas necessárias nas suas finanças públicas, ter um governo forte. Não é este o momento mais adequado para andar a fazer chicana política sobre o governo.

(2) Há em Portugal locais onde, comprovadamente, a liberdade de expressão está permanentemente sob ameaça, e quem abre a boca corre alguns riscos. O principal desses locais é, sem dúvida nenhuma, atualmente, a Região Autónoma da Madeira. O PSD deveria olhar para os seus telhados de vidro antes de começar a lançar pedras aos do PS.

(3) Aquilo que há a pedir não é que o governo deixe de interferir nas empresas das quais é acionista, uma vez que, evidentemente, ele tem todo o direito de o fazer. O que há a pedir é que o Estado deixe de participar no universo empresarial. Isso é que é essencial: que o Estado deixe de ter participações acionistas, golden shares e empresas estatais. Infelizmente, pouca gente pede essa solução de fundo para estes problemas todos.