Ambiente

Retrato de Miguel Duarte

De um artigo da BBC News:

Eleven nations have bottom-trawling fleets, with Spain's being the biggest. Studies have indicated that none would be commercially viable without government subsidies.

In 2004, a report compiled for the World Conservation Union (IUCN) and other environmental groups concluded that bottom-trawling was "...highly destructive to the biodiversity associated with seamounts and deep-sea coral ecosystems and... likely to pose significant risks to this biodiversity, including the risk of species extinction."

No site da Greenpeace:

A pesca de arrasto no fundo dos oceanos representa apenas 1% do volume de pesca global por ano. Da União Européia vêm cerca de 60% dos aproximadamente 300 barcos que praticam a pesca de arrasto em todo o mundo. A Espanha tem a maior frota.

Ou seja, a acreditar nos estudos referidos pela BBC, o nosso dinheiro anda a ser usado para subsidiar a pesca de arrasto, pesca essa que não existiria sem subsídios e que existindo destrói os oceanos, tornando o futuro dessa própria pesca duvidoso.

Que tal acabar totalmente com os subsídios às pescas na UE? Se não fôr em nome de uma economia de mercado sã, pelo menos, em nome do ambiente!

Retrato de Miguel Duarte

A África do Sul tornou-se hoje o primeiro país africano a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, numa votação esmagadora no parlamento de 230 votos contra 41.

Curiosamente, a decisão baseou-se na constituição do país, que tal como a portuguesa não autoriza a discriminação com base na orientação sexual.

Retrato de Luís Lavoura

A revista suplemento de economia do PÚBLICO, "Dia D", que sai a acompanhar o jornal às sextas-feiras, é muito fraquinha. Sobre cada tema versado, recolhem depoimentos e opiniões, frequentemente contraditórios, de meia-dúzia de pessoas, e escarrapacham-nos na revista sem qualquer sentido crítico.

No exemplar da passada sexta-feira falaram sobre a construção civil. Um ilustre entrevistado, falando sobre a construção de novas habitações, afirmou à "Dia D" que o país deveria continuar a investir nesse setor, uma vez que se tratava do "único setor no qual não temos que competir com os chineses".

Temos aqui um modelo económico para o futuro de Portugal: uma aldeia onde cada habitante ganha a vida lavando a roupa dos outros habitantes. Um país no qual cada cidadão ganha a vida construindo casas para os outros cidadãos.

E assim se evita ter que concorrer com os malditos chineses.

Retrato de Miguel Duarte

Em Itália está neste momento em desenvolvimento uma tecnologia de geração de energia eléctrica a partir do vento, que a ser bem sucedida, pode ser revolucionária. Apenas uma central, de grandes dimensões, desta nova tecnolocia poderá vir a gerar 5 Gigawatts de energia, o que é superior a muitas centrais nucleares que andam por aí. Apenas 7 centrais destas seriam suficientes para cobrir todas as necessidades eléctricas do nosso país.

O próprio custo da energia é extremamente barato, pois segundo as estimativas andará à volta de 1.5 € por megawatt/hora, quando o custo de mercado andava em 2005, pelos 43 € por megawatt/hora.

Se esta promessa se revelar verdade dentro de alguns anos, ficará provado que a aposta da Europa nas energias alternativas foi uma boa aposta.

Fonte: Wired News

Retrato de Miguel Duarte

Muito interessante esta entrevista sobre a Eutanásia dada à Sic, com a excepção da infeliz situação em que se encontra a entrevistada:

Gostava de um dia não acordar

Lê-se e não se acredita. Hoje, pelo menos no Público.

Parece foi aprovado o «Programa Nacional de Alterações Climáticas» que entre outras pérolas, nos brinda com várias medidas sábias. Informa-nos o Público que:

«O Governo pretende reduzir a circulação semanal de táxis nas cidades de sete para seis dias, com o objectivo de fazer baixar as emissões de dióxido de carbono.»

«o presidente da Antral "está contra"». Diz que «Não há nenhuma indústria neste país que seja obrigada a parar». Por acaso até há, mas não devia.

«também a redução da velocidade média nas auto-estradas de 120 para 118 quilómetros por hora». Risível, no mínimo.

Mas vamos à fonte. O PNAC 2006 diz:

O Conselho de Ministros determina que «para cada medida apresentada no PNAC, o ministério proponente apresente, até 15 de Setembro de 2006, um plano de actuação» (fonte: PNAC 2006)

Nesse mesmo documento, há várias medidas relacionadas sobretudo com:
Produção eólica, eficiência energética na produção de electricidade, nos edifícios, nos tranportes (incluindo o abate de veículos em fim de vida). A água quente solar, a extensão do metro de Lisboa, do sul do Tejo, do Porto, e o metro ligeiro do Mondego. Ampliação da frota a gás natural (Carris e STCP) e mais umas directivas (UE) sobre controlo ambiental, embalagens e aterros.

Mas algures no meio, aparece-nos:

«MRt9- Redução das Velocidades Praticadas em auto-estradas (AE) interurbanas -- Redução da velocidade média de circulação em AE para 118 km/h.»

Atenção, velocidade média, não limite de velocidade. Gostava de saber como é que os sapientes governantes pensam reduzir a velocidade média nas auto-estradas. Não vão concerteza alterar os traçados, não vão colocar lombas, não vão instalar limitadores de velocidade nos "veículos automóveis". Será que vão ceder ao facilitismo proibicionista de lançar um decreto que simplesmente proíba algo? Será que teremos tamanha ingenuidade neste governo? No tempo do senhor Lopes, apostaria que sim, neste espero para ver. Apesar de tudo, tenho ainda alguma fé no pragmatismo que julgo existir neste executivo. Vamos ver.

Nem de propósito, a medida seguinte é:

Directiva de Biocombustíveis - Introdução de biocombustíveis no modo rodoviário - 2010: 5,75%

Ou seja, introduzir até 2010 o biodiesel (ou o bioetanol, mas suspeito que quase só o primeiro) em 5,75%, nos combustíveis de venda normal. Mais tímido que isto, não sei como. Esta timidez contrasta com o arrojo da anterior.

Isto era na parte das medidas "normais" que se revelaram insuficientes. Tem lá um gráfico que mostra porquê, mas estou sem tempo para o deixar aqui.

Na parte das políticas e medidas adicionais, vêm algumas que não deveriam ser adicionais (mais eficiência energética, cogeração, incentivos e penalizações fiscais, redução da utilização do fuelóleo nas centrais termoeléctricas, etc) a par do outro desconchavo citado na imprensa:

«Redução dos dias de serviço dos táxis. Máximo de seis dias de serviço por semana, até 2010.» E nas observações diz: «Cerca de dois terços dos táxis já opera menos que sete dias semanais». Lê-se e não se acredita.

Ou, seja, proíbe-se os poucos que o fazem de o fazer. Consequências? As pessoas transportar-se-ão de outro modo qualquer. E como o próprio governo prevê aumentar a eficiência energética, bem como reduzir a poluição dos táxis, o mais provável é que o meio escolhido pelas pessoas para se deslocarem no dia em que for proibido os taxis trabalharem, seja mais poluente e ineficiente.

Não é de mim, pois não?

Retrato de Luís Lavoura

Ontem, na Serra de Sintra, uma pernada de uma árvore partiu-se, desabando sobre uma família que fazia um piquenique à sua sombra, matando dois dos membros dessa família. O presidente da junta de freguesia da zona disse que vai investigar a quem pertence a árvore em causa, com o fim de apurar responsabilidades.

No nosso país ninguém paga nada pelos benefícios das árvores, mas quaisquer malefícios que elas causem são, malevolamente, imputados aos seus proprietários. A família instalou-se a fazer o seu piquenique num terreno privado, aproveitando-se da sombra das árvores desse terreno, e não pagou nada por essa sombra. Também não teve, certamente, o cuidado de verificar se as árvores não teriam ramos apodrecidos e prontos a quebrar, como é natural que, por vezes, tenham. Se, no entanto, a árvore cai e causa prejuízos, então o dono da árvore é instado a pagar por esses prejuízos.

Não se trata de exemplo único, mas sim da Lei portuguesa. Os automobilistas estacionam de bom grado os seus carros à sombra de árvores. Não pagam nada aos proprietários das árvores pela sombra que estas fornecem aos seus carros. Mas, se a árvore desabar sobre o automóvel, o automobilista tem o direito de ser ressarcido pelo proprietário da árvore.

Há mais, há pior. Se uma Câmara Municipal decide declarar uma determinada zona florestal como passível de construção, os proprietários dessa zona florestal arriscam-se a arcar com importantes prejuízos. Porque, se alguem instalar a sua moradia no meio dessa zona florestal, os seus vizinhos arcarão com restrições às suas propriedades, nomeadamente, passarão a ter que limpar, à sua custa, os matos, com o fim de proteger de incêndios a nova moradia. A moradia usufrui da sombra e do bom odor da floresta circundante, mas os proprietários dessa floresta é que arcam com os custos da limpeza, a qual só beneficia o proprietário da moradia.

A lei portuguesa é sistematicamente anti-árvore.

Primeiro que tudo assumo a minha falta de conhecimentos sobre os detalhes e a história do conflito que existe no médio Oriente. Este post não procura identificar culpados, procura identificar a dificuldade na mediação do conflito.

Enquanto uns e outros esgrimam argumentos sobre quem tem a culpa, que parte é o vilão que parte é a vítima, sendo que os papeis são invertidos de acordo com a preferência quase clubística do comentador em questão, podemos pensar de uma forma diferente. Como é que os países que não estão directamente envolvidos podem contribuir para a resolução do conflito.

Os vários movimentos para a paz criados não são de facto contributos para a paz. Escolhem lados e reclamam a desistência de um dos lados. Por pouco que entendo do conflito essas posições, por mais "bonitas" que sejam já que todos queremos paz no mundo, apenas contribuem para a guerra. A única solução possível é o compromisso entre as partes e esse compromisso não passa pela desistência de um dos lados. A solução que passa pela desistência de um dos lados tem um nome : Guerra. Além de não contribuir afasta os países que não estão envolvidos do papel que podem ter, o de mediadores independentes.

Como é que os países que estão fora se podem colocar efectivamente e de forma eficaz no papel de mediadores? Aqui entram conceitos básicos e independentes do conhecimento è priori da situação. O que é que um mediador deve fazer em qualquer conflito?

1. Colocar-se na posição credível de mediador
1.a. Deve ser independente
1.b. Não deve ter agenda própria no conflto em questão
1.c. Deve ter poder de facto, nem que seja de influência nas duas partes

2. Identificar quais é que são as partes envolvidas

3. Identificar quais são os objectivos de cada parte
3.1. Aquilo que cada parte não está disposta a ceder
3.2. Aquilo que cada parte está mais diposta a ceder

4. Estabelecer bases de entendimento com base em objectivos base compatíveis, encentando-se

Por aqui percebe-se a dificuldade de mediação.
1. Se a independência pode ser mais ou menos discutível, ninguem discute o facto de que todos os países com influência têm interesses/agendas próprias no conflito em questão. A mistura entre interesses geo-políticos e económicos produzem uma mistura explosiva.

2. As partes envolvidas são por um lado mais que os estados da região e por outro lado, identificar as lealdades e dependências de cada uma das organizações em relação a estados e a privados é uma missão quase impossível que produz recorrentemente resultados difíceis de provar e sempre controversos.

3. Se em geral partes individuais em uma negociação oferecem muita resistência em expôr ao mediador as informações chave, que são os pontos 3.1. e 3.2., neste caso em concreto as dificuldades são imensas, prinicpalmente porque as vontades são muito dinâmicas, já que os povos que representam alteram as suas posições à medida que eventos decorrem. Neste sentido medidas que permitam a criação de um "status quo" são essenciais. Medidas de curto prazo como o cessar fogo são essenciais, mas não suficientes. A estabilização de poderes, de representantes nas negociações é fundamental para o sucesso das negociações no médio longo prazo (mudam-se os tempos, (mudam os líderes)mudam-se as vontades).

4. Com todos os problemas nos pontos acima, existem boas e más notícias. As boas é que já se chegou a este ponto no passado. As más é que tudo mudou entretanto, desde partes/representantes envolvidas/os a objectivos.

Os Portugueses não são Libaneses, Israelitas, Sírios ou Palestinos. Os portugueses ou Europeus têm de escolher. Ou se colcoam contra um lado ou se afastam de todos os lados e contribuem para uma resolução pacífica do conflito.

Retirado do Diário Digital, sobre a alteração da agenda dos nossos ilustres deputados de forma a poderem assistir ao jogo do mundial que ocorrerá no que seria a hora do plenário: (http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=0&id_news=230010)

"
«Não prejudicamos os trabalhos da Assembleia da República ao transferir o plenário para de manhã e realizando as comissões depois do jogo, cumpriremos toda a nossa agenda de trabalhos», disse o vice-presidente da bancada parlamentar socialista José Junqueiro."

Que é como quem diz: Vamos trabalhar menos 2 horas e produzir o mesmo...

Os nossos deputados a darem o exemplo ao país de como é fácil aumentar a produtividade. Ao mesmo tempo expõe a falta de produtividade que têm no dia a dia...

Agenda de curto prazo:

Informar os indivíduos:

1. Agrupar as contribiuções empregado/empresa e voltar a separar a por destinos (Pensões de reforma / safety net)*

2. Publicitar a aplicação actual das contribuições ( reformas / Pensões mínimas /S. desembrego / s. invalidez / Maternidade / .../ Custos de funcionamento/ fundo de estabilidade)

Agenda de médio longo prazo

1. ELiminar contribuição SS com destino a pensão de reforma

1.a De forma exequível com: (i) recálculo de reformas atribuídas (ii) injecção de fundos no fundo de estabilidade via privatizações (o 2 em 1).

* Retirado de uma discussão MLS sobre a SS e aparentemente apoiado pelo João Miranda (http://ablasfemia.blogspot.com/2006/05/mais-ideias-para-reformar-segurana.html)

PS: Além de aprender a escrever tambem tenho de aprender a fazer links...