Ambiente

Retrato de Luís Lavoura

Com o avistamento de um animal (originalmente proveniente de Espanha) tão perto da costa quanto Vila Nova de Milfontes, confirma-se que o lince ibérico regressou a Portugal.

Com a confirmação da presença de um urso a apenas 50 km de Bragança, podemos estar certos de que em breve também o urso regresserá ao nosso território.

Fruto do cultivo cada vez menos intenso de vastos espaços rurais, e da desertificação humana, a natureza avança sem parar, aqui como na generalidade da Europa.

Retrato de Luís Lavoura

As previsões para a próxima semana apontam, no Norte e Centro do país, para tempo quente constante e com vento de leste.

Palpita-me que vai ser uma semana de muito intensos e enormes fogos florestais, os quais costumam explodir quando as condições meteorológicas são essas.

Retrato de João Mendes

O Luís Humberto Teixeira é um tipo porreiro, animado e inteligente. A sua sagacidade é notória e transparece na sua escrita, que flui a bom ritmo, tornando difícil largar o seu livro Verdes Anos - História do Ecologismo em Portugal (1947-2011).

Descobri que o livro existia pelo Facebook, quando o Luís Humberto me convidou para a sua apresentação ao público. Apesar de não ter conseguido ir, pedi descaradamente uma cópia ao próprio autor, que teve a gentileza de me arranjar uma cópia não apenas deste livro, mas também do seu Reciclemos o sistema eleitoral! (2003).

Tenho muitos livros que quero ler, mas fiz deste uma prioridade. O tema interessava-me e o livro não desapontou. Aliás, vai para além do que o título deixa transparecer. Dada a preocupação do Luís Humberto de enquadrar devidamente os temas que discute, com a confiança apenas possível a quem os domina, este livro fornece não apenas uma visão da História das ideologias verdes em Portugal, mas também uma base teórica para pensar sobre sistemas políticos e sociais e a forma como se influenciam.

O livro está bem organizado, pressuposto importante para uma fácil e boa compreensão do que é discutido. Primeiro, o Luís Humberto apresenta-nos uma sumária descrição das ideologias verdes, explicando as diferenças entre o ecologismo e o ambientalismo. Depois, viajamos pela Europa e pelas bem diferentes experiências verdes pelo continente. Apenas então, já com uma boa bagagem sobre as ideologias e o que se passa a nível europeu, passamos para Portugal.

Já em Portugal, o Luís Humberto fala-nos da Liga para a Protecção da Natureza e das suas actividades durante e após o Estado Novo. Fala-nos, com a maior das desenvolturas, entre outras coisas, sobre o período pós-revolucionário e dos anos 80, sobre as várias organizações não governamentais que foram surgindo, sobre o início d'«Os Verdes» e sobre a CDU, sobre o MPT e até, brevemente, sobre o PAN. Com base em entrevistas e em estudo de documentação vária, conta-nos várias perspectivas sobre o que se foi passando - e depois vai mais além.

No seu livro, o Luís Humberto não se preocupa apenas em enumerar factos que lhe foram sendo contados pelos vários intervenientes directos que entrevistou. Preocupa-se ainda em explicar o que aconteceu de um ponto de vista teórico, de enquadrar aquilo que aconteceu em Portugal nas teorias que se foram desenvolvendo com base em outras experiências. E é desta parte que eu penso ser possível retirar princípios abstractos que ajudam a pensar a forma como ideologias e formas de pensar e de agir se disseminam e procuram alargar a sua área de influência.

Diz o autor que o seu estudo surgiu devido a uma lacuna que encontrou - não havia estudos aprofundados sobre este tema em Portugal, e as referências a nível internacional eram essencialmente inexistentes. Foi para suprir esta falha que o estudo foi efectuado e, depois, que surgiu este livro. Da perspectiva de alguém de fora da área, considerei este livro uma mais-valia. Aprendi com ele não apenas um conjunto de factos sobre o ecologismo em Portugal, mas também uma proposta de enquadramento destes factos - com a qual, aliás, me identifiquei, e considerei persuasiva.

Este livro é, assim, um produto completo, o qual se lê e com o qual se aprende sem se notar. Não me sinto capaz de avaliar se supriu a lacuna que o Luís Humberto queria suprir - outros opinarão sobre isso. Mas pessoalmente, ajudou-me a assentar ideias sobre um conjunto alargado de temas, com o bónus de ter aprendido sobre ecologismo e a sua História em Portugal e noutros países europeus pelo meio. Portanto, para mim, foi uma boa leitura. E penso que será uma boa leitura para outros que tenham interesse sobre estes temas.

[Também no Cousas Liberaes.]

Retrato de Luís Lavoura

Foi salvo erro em 2004 que houve um primeiro grande incêndio na área de sobreiral da serra do Caldeirão, dessa vez na vertente norte. Agora ardeu a vertente sul.

Mas, da experiência de 2004, já se sabia que aquele sobreiral podia dar enormes fogos. Já se devia estar de sobreaviso que isto poderia acontecer, mais ano, menos ano.

Entretanto, boa parte dos sobreiros ardidos em 2004 sobreviveram e voltaram a rebentar. O fogo nem sempre mata os sobreiros.

Em todo o caso, esses dois grandes fogos na serra do Caldeirão mostram que o sobreiral, sem gado que coma o mato que cresce por baixo, ou sem máquinas que o limpem regularmente, está, a prazo, condenado. Deixar os sobreiros ao abandono, esperando que, sem cuidados, de nove em nove anos produzam cortiça, não dá. É preciso limpar o mato que cresce por baixo. Ou com tratores, ou com ovelhas e cabras. E o gasóleo para os tratores está muito caro.

Sendo que qualquer das opções é economicamente insustentável, o Estado tem que escolher se prefere continuar a gastar dinheiro no combate aos fogos, como tem feito até agora, ou prefere gastá-lo a subsidiar a limpeza da floresta. De uma forma ou de outra, o Estado terá que gastar dinheiro. Eu preferiria que o gastasse com cabreiros. Até porque já estou a ficar farto da corporação dos bombeiros e do seu cabecilha Jaime Soares (ex-autarca PSD da câmara de Penela), que cada vez me faz mais lembrar o Madaíl do futebol.

Retrato de Luís Lavoura

Segundo me disse ontem um madeirense (que reside no Continente, mas que teve a sua casa na Camacha por pouco queimada num dos incêndios que lavram na ilha), estes incêndios são em parte consequência de o Governo Regional ter retirado o subsídio que dava à manutenção de rebanhos de cabras. Sem subsídio, os cabreiros deixaram de ter como sustentar os animais, que abateram. Sem cabras, a vegetação na Madeira cresce descontrolada, criando pasto para as chamas no verão.

A vegetação, no nosso clima mediterrânico, tem sempre que ser eliminada. Ou por cabras, ou por homens com o auxílio de cortadores movidos a gasolina, ou pelo fogo no verão.

Retrato de Luís Lavoura

Uma das razões pela qual a alimentação à base de carne é ineficiente é que ela exige o consumo de uma quantidade desproporcionadamente grande de água. A criação de animais exige - dependendo da espécie - o consumo de muita água.

Isto está-se a tornar particularmente evidente na presente seca, em que os castigados em primeiro lugar têm sido os criadores de gado, que ficam sem alimento para os seus animais.

No Portugal tradicional a criação de bovinos era residual. O meu avô tinha duas vacas, mas não eram para alimentação, eram animais de tiro - serviam para puxar um carro de bois, que era o transporte da época. Nesse tempo, para alimentação humana, criavam-se porcos (poucos!), cabras, coelhos, galinhas e patos - vacas, não.

Com os subsídios da CEE, que distorceram completamente a racionalidade na agricultura e na pecuária, Portugal converteu-se à criação de vacas. Passou-se até a criar vacas nos campos secos do Alentejo. O resultado vê-se nestes anos de seca.

Retrato de Luís Lavoura

Os deputados da Assembleia da República rejeitaram, mais uma vez, que se forneça água da torneira, em jarros, aos deputados que participam em reuniões das comissões parlamentares. Argumentam que daria muito trabalho lavar, limpar e encher os jarros, e que tal trabalho só poderia ser realizado nas casas de banho, com evidente prejuízo para a funcionalidade do trabalho e para a privacidade de quem utiliza esses espaços.

Compreendo estes argumentos, que contêm alguma verdade.

Proponho então duas soluções alternativas, ambas elas mais baratas que a solução atual, ambas elas (sobretudo a segunda) com muito menor impacto ambiental, e que ambas elas garantem aos deputados o prazer selecto de uma água mineral em vez da vulgar água da torneira.

(1) Substituam as garrafinhas de plástico por garrafas de vidro, retornáveis e de maior capacidade (meio litro ou um litro). As garrafas retornáveis não provocam resíduos e, geralmente, são mais baratas (por unidade de água) do que as de plástico. Diversas marcas de boa água mineral portuguesa fornecem água engarrafada em vidro retornável. O trabalho a colocar e recolher as garrafas seria mais ou menos o mesmo que atualmente.

(2) Adoptem dispensadores de água de 15 litros, que são fornecidos por diversas empresas, e que têm a vantagem de poderem fornecer água tanto à temperatura ambiente como arrefecida (esta última é muito eficiente a despertar as pessoas e a evitar o torpor causado por longas sessões parlamentares). Essa solução não exige praticamente trabalho nenhum da parte dos funcionários parlamentares (quem coloca os dispensadores são os próprios funcionários da empresa que os fornece, e quem vai buscar a água aos dispensadores são os próprios deputados), é muito barata, e permite evitar tanto os resíduos como os desperdícios de água.

Retrato de Luís Lavoura

Um interessante post do sempre aconselhável blogue de Jeff Rubin.

Retrato de Miguel Duarte

Na Holanda existe uma inovação que promote revolucionar o mundo da construção. Foi criada uma máquina que permite construir 400m2 diários de estrada/passeio com blocos. Os blocos são uma alternativa ao betume, mais amiga do ambiente (ajudam por exemplo a evitar cheias pois são permeáveis) e mais durável, além de mais estética.