Ambiente

Retrato de Miguel Duarte

Para os adeptos de casa barata na periferia + automóvel, que trabalham em Lisboa, eis umas contas de merceeiro, que talvez lhes iluminem um pouco o caminho. Obviamente isto é um cenário simplificado, mas melhorem os vossos cenários e provem-me o contrário. Para ajudar, coloco o ficheiro Excel onde estão feitas as contas todas em anexo (assim podem verificá-las e melhorá-las).

Nestas questões, melhor que o senso comum, a alternativa é mesmo racionalizar. E por favor, não se esqueçam, que ao viverem em Lisboa, além de poupar dinheiro, ganham qualidade de vida. Género, menos horas no trânsito e maior proximidade de uma série de coisas. Além de que, como serão menos sedentários, não irão precisar de ir ao Health Club (outra poupança).

Os cenários foram feitos para o valor anual da casa + custos com o automóvel e para o valor global a 30 anos da coisa. Considerei que o valor da casa deve ser amortizado em 30 anos, que é um valor típico de um empréstimo. Ao longo de 30 anos, considerei que serão adquiridos 3 automóveis de 15.000 €, o que me parece um valor bastante conservador. Tal como penso que fui conservador no que toca ao combustível (aceito experiências reais para ser mais preciso nos valores).

Quando falo em 2 pessoas, estou a considerar que ambos têm carro, o que não é nada fora do normal em Portugal para os casais mais jovens da classe média. Os valores para duas pessoas são sempre por pessoa (logo o custo da casa é dividido por 2). Ou seja, um casal irá no seu conjunto poupar o dobro do indicado.

Valores anuais para os cenários:

Carro 1.500 € (15.000 € / amortizado em 10 anos)
Seguro Automóvel 350 € (o custo aproximado do meu seguro actual)
Selo de Carro 32 € (1.200 cm3)
Combustível + Estacionamento Massamá e Pragal 2.160 €
Combustível + Estacionamento Carnaxide 1.560 €
Oficina 400 € (ao princípio será menos, nos últimos anos mais)
Portagem Ponte 113 € (estou a contar com 70% de desconto, para quem passa todos os dias na ponte)
Metro+Carris 325 €

Custo da Habitação na Casa SAPO (tentei apanhar os mais baratos para cada caso):

T2 75 m2 Massamá - Sintra 100.000 €
T2 80 m2 Pragal - Margem Sul 80.000 €
T2 80 m2 Carnaxide - Oeiras 150.000 €
T2 85 m2 Lumiar - Lisboa 130.000 €

T2 em Massamá - Casa + Carro

1 Pessoa - 7.775 € (anual) 233.251 € (30 anos)
2 Pessoas (por pessoa) - 6.108 € (anual) 183.251 € (30 anos)

T2 no Pragal - Casa + Carro

1 Pessoa - 7.221 € (anual) 216.626 € (30 anos)
2 Pessoas (por pessoa) - 5.888 € (anual) 176.626 € (30 anos)

T2 em Carnaxide - Casa + Carro

1 Pessoa - 8.842 € (anual) 265.251 € (30 anos)
2 Pessoas (por pessoa) - 6.342 € (anual) 190.251 € (30 anos)

T2 no Lumiar - Casa + Metro + Carris

1 Pessoa - 4.658 € (anual) 139.738 € (30 anos)
2 Pessoas (por pessoa) - 2.491 € (anual) 74.738 € (30 anos)

Poupança de Viver em Lisboa

Poupança Anual de Residir em Lisboa
Massamá Pragal Carnaxide
1 Pessoa 3.117 € 2.563 € 4.184 €
2 Pessoas (por pessoa) 3.617 € 3.396 € 3.850 €
Poupança a 30 Anos de Residir em Lisboa
Massamá Pragal Carnaxide
1 Pessoa 93.513 € 76.888 € 125.513 €
2 Pessoas (por pessoa) 108.513 € 101.888 € 115.513 €

Nota: Se brincarem com os cenários, no Excel, irão ver que mesmo que comprem uma casa em Lisboa por valores acima dos 220.000 €, compensa, face a comprar uma casa em Massamá por 100.000 €. Aliás, se forem casados, podem ir bem mais longe. Para quem vive em Massamá, o custo de se ter um automóvel ao longo de 30 anos, irá rondar a preços actuais os 130.000 €! E não contei com a previsível subida do preço do crude nos próximos anos.

Nota2: De notar que também não contei com custos de condomínio e impostos, sendo que assumi que não irão ser muito diferentes de local para local para casas equivalentes.

Já há algum tempo que se ouve falar na produção de biocombustíveis no Brasil para reduzir o aquecimento global.
Mas nada podia estar mais errado.

O objectivo de se produzir biocombustíveis é reduzir as emissões de dióxido de carbono, mas o que irá acontecer é que o nível de dióxido de carbono na atmosfera será muito maior se forem produzidos biocombustíveis no Brasil.
Efectivamente os biocombustíveis substituem os derivados do petróleo, reduzindo a extracção do mesmo.

Mas muito mais importante do que produzir biocombustíveis é aumentar a superfície de floresta, ou pelo menos reduzir a desflorestação.
Como todos sabemos no Brasil a Amazónia está a ser desvastada por causa das plantações agrícolas. E a produção de biocombustíveis aumentará ainda mais a desflorestação.

O benefício causado pelos biocombustíveis nunca ultrapassará o prejuízo causado pela desflorestação da amazónia para produzir os mesmo.

Africa deveria ser o palco central da produção dos biocombustíveis.

Naturalmente que para Lula da Silva são os grandes poderes económicos estrangeiros que não querem que o Brasil se desenvolva.

Mas não é nada de surpreender, porque a esquerda brasileira acha que tudo o que corre mal no brasil é culpa do capital estrangeiro.

Retrato de Miguel Duarte

O parqueamento urbano, para automóveis, é uma aberração, principalmente quando é gratuito.

Porquê?

Bem, criar parques para estacionar tem custos, mesmo quando feito por entidades privadas, como centros comerciais. Esses custos, caso não sejam passados directamente para o consumidor, sob a forma de custos de estacionamento, são passados indirectamente para todos os utilizadores das áreas comerciais, via preços superiores nos bens que adquirem.

O mesmo se passa com os apartamentos que têm estacionamento incluído no preço. Suponho que ninguém é inocente ao ponto de pensar que esse estacionamento não tem um preço. Ou seja, mesmo quem não usa carro tem que pagar umas dezenas de milhares de euros a mais, por um lugar de estacionamento de que não necessita, no apartamento que vai adquirir.

Para piorar a situação, estacionamento de superfície a mais nas nossas cidades, mata efectivamente as cidades e o ambiente urbano. Eu diria, que o estacionamento de superfície é precisamente um dos factores que está a matar o nosso comércio "tradicional". As pessoas gostam de passear em sítio calmos e arranjados, com passeios largos, não em passeios apertados, que foram cortados de boa parte da sua largura, para criar lugares de estacionamento extra. Ou seja, rouba-se espaço de circulação às pessoas, para criar espaço para colocar carros, em que cada espaço de estacionamento ocupa o espaço de circulação de muitas pessoas.

Mas, é necessário espaço de estacionamento, dizem vocês?

Eu respondo, sim, é preciso, mas, quem o deseje deve pagar por ele. Em vez de EMEL e companhia, deveriam leiloar-se os estacionamentos de superfície, que deveriam ser reduzidos em número, a concessionários que explorariam os mesmos aos preços que entendessem (que se aproximariam dos preços que se pagam nos parques subterrâneos). O cidadão que não usa automóvel não tem nada que andar a subsidiar a utilização do automóvel por outros. Obviamente, também deveriam ser criadas alternativas em silos e em garagens, para criar estacionamento adicional, mas, tudo pago ao preço justo, ou seja, ao valor necessário para cobrir os investimentos feitos por privados nessas infraestruturas.

Então e nas periferias junto às interfaces de transportes públicos, o parqueamento não deveria ser gratuito? Não. Mais uma vez, por cada lugar de estacionamento gratuito junto a uma estação de comboio, isso significa que algum inocente, que vai de bicicleta para a estação, tem que pagar mais uns cêntimos pelo bilhete, para cobrir o custo do indivíduo que optou por levar a sua viatura para a estação (ou então, pior ainda, todos temos que pagar mais impostos para subsidiar o investimento do Estado em estacionamento gratuito). Pior, criar estacionamentos gratuitos nas interfaces de transportes públicos, é distorcer o mercado da habitação, tornando mais barato adquirir-se casas na periferias e mais caro adquirir casas no centro, onde ter-se um automóvel é desnecessário. É um daqueles exemplos onde a intervenção "bem intencionada" do Estado, acaba por criar mais problemas do que aqueles que resolve e fazer com que todos os cidadãos vivam pior.

O estacionamento gratuito é uma medida extremamente anti-ecológica que promove o desperdício e a irracionalidade ao nível do transporte e da compra de habitação. Pior, o estacionamento gratuito é uma injustiça para com os cidadãos que não usam automóvel, onerando-os injustamente com custos que deveriam ser imputados apenas aos que usam automóvel. No fundo, o estacionamento gratuito, não passa de mais um imposto injusto.

Retrato de Luís Lavoura

Desde a célebre campanha "As gravuras não sabem nadar", e desde a decisão do primeiro governo de António Guterres de abandonar a sua construção, a barragem de Foz Côa tornou-se um tabu no debate político e energético nacional.

Isto é lamentável, porque sempre houve excelentes razões para a construção dessa barragem, e essas razões são cada vez mais atuais e cada vez mais excelentes.

De facto, quando as energias fósseis, nomeadamente o petróleo e o gás natural, se tornam cada vez mais escassas e cada vez mais caras, aumentam as razões para se recorrer à energia hídrica.

Mas há mais: o surto do aproveitamento de energias renováveis, nomeadamente a eólica, implica uma necessidade cada vez maior de armazenar energia. O vento sopra quando lhe apetece, e não quando nós precisamos de eletricidade; é pois necessário sermos capazes de armazenar a eletricidade entre os períodos em que o vento sopra com força e os períodos em que nós precisamos dela.

Ora, só há atualmente duas formas de armazenar eletricidade. Uma dessas formas, assaz futurista, consiste em utilizar a eletricidade para comprimir ar em minas subterrâneas. A outra forma, muito mais corrente, consiste em utilizar a eletricidade para bombear água para dentro de barragens.

E é para isso que uma barragem com grande capacidade de armazenamento, e situada a montante de um grande conjunto de barragens, como a de Foz Côa, serviria na perfeição.

Ao abandonar-se a barragem de Foz Côa, o governo decidiu gastar dinheiro a construir muitas outras barragens muito menos úteis, e com impactes nada despiciendos. Nomeadamente, as barragens da foz do Sabor e da foz do Tua. Em particular, a barragem do Sabor terá impactes a nível da conservação da natureza, em particular da flora, de grande magnitude e completamente irreversíveis, como todos reconhecem.

Temos portanto, efetivamente, que se decidiu preservar as gravuras do Côa no seu local original à custa da destruição de um troço irrecuperável de flora no vale do Sabor, e à custa da eficaz gestão da energia eólica.

Entretanto, depois daquela campanha terrivelmente demagógica das gravuras que não sabem nadar - o que é uma falsidade, pois que as gravuras poderiam ter sido conservadas ex-situ num museu, ou mesmo debaixo da água - há tantas gravuras rupestres debaixo de tantas barragens em Portugal, nos vales do Douro e do Tejo - a barragem de Foz Côa tornou-se num tabu. Ninguém ousa falar dela, ninguém ousa dizer que o assunto deveria ser reconsiderado, que a decisão do governo Guterres foi um erro, que a barragem de Foz Côa deveria mesmo ser construída.

Eu ouso.

Retrato de Igor Caldeira
Vi ontem a segunda parte da reportagem transmitida na SIC Notícias A Vida Fora de Controlo. A primeira parte foi dedicada aos transgénicos e à manipulação dos genes de animais.

Pude anteontem ver como, numa experiência independente (numa universidade), com duas populações de peixes da mesma espécie, metade geneticamente manipulada e metade não, ao fim de quarenta gerações (poucos anos no caso) a população não alterada foi extinta pelo ciclo de vida mais curto (os outros viviam menos e reproduziam-se mais) e grande violência dos peixes geneticamente manipulados.
Pude ver como o açafrão, condimento utilizado há incontáveis séculos na Índia com fins terapêuticos foi patenteado.
Pude ver como a pele de uma vaca foi-lhe retirada e enxertada num porco.

Eu não me considero uma pessoa passadista e muito menos conservadora. Mas (aliás, precisamente por isso - mas o assunto é excessivamente sério para ir por aí, de modo que prossigo metendo o galhardete entre parêntesis) tenho a certeza que tem de haver limites, tem de haver um ponto em que dizemos que temos de parar. E quando, como um dos entrevistados disse, os cientistas se arrogam o direito de obrigar a vida a vergar-se à tecnologia, e não a pôr a técnica ao serviço da vida, então aí eu digo que chegámos aos pilares de Hércules.
E pensar - que aberrações maiores que submeter animais ao sofrimento atroz de lhe ser tirada a pele ainda vivos, ou de lhe ser colocada uma pele estranha apenas para ver se um porco poderia produzir pele de vaca; que submeter milhares de animais a vidas miseráveis afectados por doenças terríveis produzidas pelas experiências mais desvairadas; que pretender roubar à Humanidade a posse do património biológico das plantas com as quais os nossos antepassados se alimentaram; que maiores loucuras, portanto, poderiam haver que estas? Será impossível haver pior que isto? De todo, não.
A segunda parte da reportagem era sobre as pesquisas em termos de genética humana. Ao abrigo de um programa respeitante à diversidade do património genético humano, as farmacêuticas conseguiram recolher amostras de sangue de centenas de povos ameaçados de extinção. Não é preciso ser-se doutorados em Biologia para perceber o que irá acontecer, mas um MBA talvez desse jeito. Este projecto ficou conhecido como projecto vampiro, e não é por acaso. A troco de nada, as farmacêuticas vão processar o ADN destas pessoas, patentear as descobertas e enlatá-las para posterior venda.
E agora sim, chegámos ao limite do absurdo. Certo?
Errado. Eu recordo-me de já ter ouvido falar disto, mas nunca percebi o objectivo e os moldes (e será que eu queria realmente perceber?). O governo islandês resolveu permitir que os médicos vendam as fichas clínicas dos seus doentes (sem consentimento ou tampouco conhecimento dos mesmos) para pesquisas cujos resultados serão posteriormente vendidos a farmacêuticas e seguradoras. Para já, envolvida no projecto está a suíça Hoffman-LaRoche. Portanto é escusado questionarmo-nos se este é o grau mínimo da decência - é sempre possível descer mais. Aqui não estamos sequer já a falar do património da Humanidade, conceito demasiado abstracto para as pessoas que achem que tudo se vende, tudo se compra e (se puder ser assim ainda melhor) tudo se rouba. Estamos a falar de um governo (qualquer governo) pretender ser dono dos genes de alguém, delegar essa posse a terceiros que em vez de me tratarem, ou a coberto dessa desculpa, vão vender os meus genes a quartos que por sua vez vão utilizar esses dados para benefício próprio (as farmacêuticas) - e eventualmente até contra mim ou os meus familiares (as seguradoras por exemplo). Se nem sequer dono do meu corpo sou, então que sou eu?

Há, enfim uma última questão e esta é desesperante. A reportagem terminava com um biólogo céptico (um dos poucos biólogos cépticos) relativamente a todas as aberrações que estão a ser realizadas. Referia ele que a única coisa que as empresas nunca discutiam, nunca rebatiam era a sua afirmação de que 95% dos especialistas nestas áreas estão directa ou indirectamente dependentes das empresas que são as principais interessadas (de resto, as únicas beneficiárias) na criação de OGM ou na manipulação genética do ser humano. Se as empresas não contestam é porque a realidade é ainda mais feia que a apresentada pelo iólogo em causa. E o problema maior é que se a totalidade dos especialistas estiver na dependência da indústria, então não há possibilidade de contraditório nem de discussão séria. Quaisquer dados que venham a surgir serão sempre inevitavelmente falseados. Ora, não há liberdade de escolha se não houver informação credível e não há informação credível se não houver liberdade intelectual, se a ciência estiver inteiramente dominada por interesses bastante particulares. Que poder tem o consumidor perante tal situação? Nenhum.

No fim, não é só o equilíbrio natural que é posto em causa; a própria democracia fica ameaçada de extinção.

Retrato de Igor Caldeira
Eis agora uma especialista a confirmar a introdução de alterações revolucionárias na forma de as empresas encararem os seus produtos e os seus processos:
Penso que está a emergir uma tendência de desmaterialização e de descarbonização. Temos uma economia muito baseada em coisas materiais e em energia. A questão é como desenvolver uma economia baseada noutros recursos. É preciso pensar em termos de economia de funcionalidades, o que significa vender mais serviços que produtos. Um exemplo disto é a Interface, líder mundial na produção e venda de alcatifas, que hoje em dia, aluga alcatifas em vez de as vender, ou a Michelin que tem um serviço de aluguer de pneus e não de venda. Isto significa que as empresas estão a procurar vender serviços de qualidade a médio-longo prazo em vez de vender produtos. Depois também podem fazer uma melhor manutenção, e no final é mais fácil tratar da reutilização e da reciclagem do produto. Todos estes processos de desmaterialização, descarbonização, economia de funcionalidades e a análise do ciclo de vida do produto devem aumentar, porque vemos que há tanta procura de materiais e energia com o aumento da população mundial, que vamos ter de pensar em implementar novos modos de vida e não apenas pequenas transformações. Teremos de transformar a economia mundial.
Bénédicte Faivre-Tavignot, em entrevista à Sair da Casca
Retrato de Miguel Duarte

Ser ambientalista da forma tradicional é completamente inútil, parece que quando estamos a tentar ajudar o planeta de alguma forma, estamos a piorar a situação, alguns exemplos:

  • Ir de carro ao supermercado é mais amigo do ambiente que ir a pé;
  • Consumir carne biológica é mais poluente que carne não biológica;
  • As fraldas descartáveis são mais amigas do ambiente que as fraldas tradicionais;
  • É preferível a um camponês andar de Land Rover que andar de comboio, no que toca ao ambiente;
  • Os sacos de plástico são mais ecológicos que os sacos de papel;
  • Duas embalagens de legumes importados (ex: do Brasil), consumiram tanto carbono no seu transporte como o poupado por uma lâmpada económica durante o ano inteiro;
  • O metano produzido pelas árvores ultrapassa os benefícios destas em termos do carbono que consomem.

Só vejo duas soluções:

  • Reduzir o número de pessoas na face do planeta. Ou seja, todo o planeta tem que entrar no ciclo que temos actualmente nos países desenvolvidos de natalidade reduzida. Não é bom para as reformas, mas isso terá que ser resolvido de outra forma;
  • Viva a economia de mercado! Parece que esta é mesmo racional, mesmo no que toca ao ambiente. ;) É que os custos energéticos estão reflectidos nos custos de produção e transporte dos produtos. Por exemplo, leite biológico é mais caro que leite não biológico porque as vacas do primeiro produzem menos leite, logo ao serem menos produtivas o gasto de carbono por litro produzido é maior. O que distorce as coisas são os governos com subsídios às indústrias na área de energia, quer via guerras como a do Iraque, quer via incentivos ao uso em massa de energia "limpas", que afinal não são assim tão limpas assim (ex: a quantidade de energia necessária para produzir um painel solar ou um gerador eólico é enorme).
Retrato de Igor Caldeira

Ano após ano, tenho dificuldade em chegar a Agosto sem um sentimento de injustiça tremendo, relacionado com as portagens na Ponte 25 de Abril. Durante onze meses a fio, os habitantes da margem sul do Tejo são forçados a pagar uma taxa para irem trabalhar a Lisboa. Não é que me incomode a taxa em si - ela é defensável sob pelo menos duas perspetivas, ambas válidas. Refiro-me ao princípio do utilizador-pagador e à limitação à entrada de veículos na cidade. Nada contra.

Ética, económica e ambientalmente indefensável é a borla que se continua a dar no mês de Agosto. Se durante onze meses colocamos uma taxa sobre o trabalho dos habitantes da margem sul, por que motivo se concede uma borla ao lazer dos habitantes da margem norte? Não quero avançar com moralismos idiotas - o trabalho é importante, o lazer também. Mas ao passo que o trabalho é obrigatório, o lazer não. Isto tem uma implicação imediata que é a de sermos forçados a reconhecer que o estatuto de um e de outro não são iguais. Não precisamos contudo de dar nenhum tipo de privilégio a quem trabalha nem prejudicar quem busca umas horas de sol. Basta não atribuírmos a quem trabalha o ónus de pagar o lazer alheio.

Numa perspectiva económica, é indefensável que os veraneantes que vão para as praias da Caparica não paguem o seu serviço (utilização da ponte) como pagam o seu serviço (relembro, utilização da ponte) os trabalhadores que vão para Lisboa.
Numa perspectiva ambiental, é igualmente indefensável que não se tente limitar a utilização excessiva do automóvel - fonte de distúrbios no trânsito e na vida das populações da península de Setúbal, tal como o é para a população da cidade de Lisboa no resto do ano - nem se promova os transportes públicos por parte de quem vai de Lisboa para o sul.
Não há nada, nenhum argumento racionalmente aceitável que justifique esta situação. A única coisa que existe é conformismo com uma benesse salazarenta e, possivelmente, alguma cobardia política.
A solução? Faça-se uma estimativa a partir das receitas médias anuais das portagens da ponte 25 de Abril e do tráfego registado no mês de Agosto. Diminua-se o valor da portagem na medida em que aumentem as receitas relativas ao mês em causa. É simples, é justo e creio que ninguém de bom senso poderá opôr-se.

Bem dizia Pedro Arroja que as verdades são muitas vezes ditas por cavaleiros solitários, contra a esmagadora maioria da opinião. Na verdade, a medida ambientalista mais eficaz é mesmo a preconizada pelo director do Museu da Ciência (Londres); o controlo de natalidade. Milhões de preservativos e milhões de pílulas, distribuídas em massa, impedindo que os países em crescimento continuem a necessitar de poluir massivamente os seus “eco-sistemas.”
Claro, dificilmente a verdade é ouvida…

Retrato de Luís Lavoura

Os autocarros da Carris fazem uma média horária de cerca de 14 quilómetros por hora, o que é baixíssimo.

Ao contrário de muitas pessoas, que se recusam terminantemente a viajar de autocarro, eu faço-o com alguma frequência. Tenho portanto bastante experiência pessoal sobre por que é que os autocarros circulam tão devagar.

Contrariamente àquilo que muitos dizem, os autocarros não são vagarosos devido ao excesso de tráfego automóvel nem devido ao estacionamento indevido. Eles são muito vagarosos mesmo em zonas onde ninguém está mal estacionado nem há muito trânsito.

A razão principal para a lentidão dos autocarros prende-se, de acordo com a minha experiência, com o excesso de paragens de autocarro. Em zonas movimentadas (de comércio, etc), os autocarros têm uma paragem, frequentemente, de 100 em 100 metros. Pura e simplesmente, os veículos, que até são potentes, nunca podem acelerar, porque estão permanentemente à espera da próxima paragem.

Os autocarros têm muitas paragens porque estão pensados para uma população idosa e, também, excessivamente comodista. Entende-se que as pessoas não devem ter que andar até à paragem de autocarro. A paragem tem sempre que ficar muito perto. Por isso, colocam-se muitas paragens. O autocarro, mal arranca de uma paragem, já está a travar para a seguinte, que fica 100 metros mais adiante.

Uma outra razão para a lentidão dos autocarros é o excesso de semáforos. Em Lisboa entende-se que todas as ruas têm igual prioridade, e que se pode sempre virar à esquerda em qualquer cruzamento, logo, todos os cruzamentos precisam de ser semaforizados. O resultado é que as grandes avenidas têm semáforos de 100 em 100 metros. Todas as ruas que entroncam numa avenida são protegidas por semáforos.

Seria importante, em termos ambientais, reduzir drasticamente o número de semáforos. As pessoas devem ser lives de avançar... por sua conta e risco, ou seja, exigindo-se-lhes prudência. A permissão de virar à esquerda precisa de ser muito limitada. As ruas secundárias devem ser entendidas como sendo de trânsito meramente local, logo, os carros que delas vêem não devem estar protegidos por semáforos.