Ambiente

Várias são as mentiras que tenho ouvido dizer contra o ambientalismo, mas quem se quiser dizer detentor da verdade deve tomar especiais precauções.

De facto durante algumas décadas, houve efectivamente "dúvidas" sobre se o Homem é o responsável pelo aquecimento global.
Mas hoje já não existem dúvidas.
Até a ONU já veio confirmar que efectivamente se trata de mão humana.

Mas apercebam-se bem do absurdo do suposto argumento que frequentemente se ouve: "nada está provado, portanto as actividades poluentes podem continuar". Permite-se então continuar com algo que é perigoso pedindo provas sobre provas algo que é perigoso até ser tarde demais ?
Deixavam alguém brincar com granadas perto de vocês por não estar provado que essas granadas iam explodir?
Eu sei, é um argumento extremista. Mas o paralelismo está lá.

Os argumentos da Melanie demonstram uma total ignorância do ciclo de carbono e perceber o ciclo de carbono é o primeiro passo para se estudar o aquecimento global:
O carbono fixa-se nas plantas, animais e humanos (sim, somos formas de vida baseadas em carbono) mas também se fixa no ar em dióxido de carbono ou metano (outro inimigo do ambiente). Fixa-se ainda no subsolo no petróleo.
Realmente os animais e os humanos expiram dióxido de carbono, mas não o acrescentam à superfície. Apenas o mantêm. Já as plantas (ao contrário do que a Melanie diz), recolhem dióxido de carbono, absorvem o carbono e libertam oxigénio. Lembram-se da fotossíntese das aulas da primária ???
O problema está no carbono que é adicionado ao ciclo da superfície. Ao retirarmos petróleo do subsolo e queimá-lo estamos a adicionar carbono ao ciclo. Para piorar a situação a vegetação terrestre e sub-aquática diminui radicalmente, retendo menos carbono.

Outra demonstração de ignorância da Melanie é dizer que já houve tempos mais quentes. A verdade é que não. Pode se ter registado mais calor num sítio ou noutro, mas o que interessa é a temperatura média. Essa nunca foi maior.
Desafio qualquer pessoa a provar o contrário. A sério, vá lá. Uma provazinha, um estudozinho.

Se a ideia for pegar em 2 teorias e apontar para o meio (o famoso num), convém que as duas sejam igualmente credíveis. Pessoalmente eu prefiro formar as minhas próprias opiniões.

Agora a teoria da Era Glaciar.Temos que ter cuidado com as manipulações de retórica.
Podemos de facto dizer que quando saimos de uma era glaciar começamos a entrar noutra. Mas apenas no mesmo sentido em que dizemos: Quando nascemos começamos a morrer, ou começamos a envelhecer.
Não se pode daí concluir que depois de uma era glaciar a temperatura começa a descer. Há uma altura em que a temperatura sobe e outra que desce (ou até várias intercaladas).
E a ideia de que o aquecimento global nos impede de uma era glaciar é errada. Uma das possibilidades que Al Gore demonstra é que o aquecimento global pode causar uma era glaciar na Europa.

Antes que alguém se lembre, aproveito já para contrapor aquele argumento de que "temos estado a poluir ao longo de décadas, não vai ser em poucos anos que vamos remediar o problema".
O que acontece é que temos vindo a piorar a situação ao longo dessas décadas em níveis que não eram perigosos. Agora entrámos no nível "amarelo". Em breve poderemos entrar no nível "vermelho". Tudo o que nós precisamos é de descer abaixo desse nível amarelo. Não é necessário recuperar décadas, mas apenas os últimos 8 anos, ou talvez 3, ou pelo menos não piorar. E isso consegue-se através de um desenvolvimento da flora e contenção do uso de derivados do petróleo. Era muito, mesmo muito, fácil se todos os paises colaborassem.

Tenho ainda visto várias tentativas de descridibilização do Al Gore . Como sabem o Al Gore é um dos candidatos a prémio Nobel da Paz - aquele que eu considero ser o maior prémio da humanidade.

Se existir alguém com credibilidade perto da do Al Gore a dizer o contrário, força. Chegue-se à frente.

Se os ambientalistas são movidos por lobbies e fundos por baixo da mesa é curioso perceber como é que têm mais resultados que a indústria dos combustíveis e dos transportes.
Coitadinhos dos industriais dos combustíveis e dos transportes que não têm dinheiro para se opor a estes investigadores tiranos e apresentar argumentos válidos.

MAs uma coisa eu sei. Mesmo assim uma grande verdade.
Os primeiros a sofrer vão ser os mais carenciados: os pobres, as pessoas dos países do terceiro mundo e os idosos.
Talvez depois se consiga fazer alguma coisa para salvar os outros.

Retrato de Miguel Duarte

Aquecimento GlobalA questão do aquecimento global tem sido dada a muito polémica e como é habitual nestas coisas temos campos que se extremam. Às vezes até nem são os mais representativos da generalidade daquilo que pensa quem se ocupa desta matéria, mas acabam sempre por ser aqueles que têm direito a mais tempo de antena.

Podemos assim dividir:

- Aqueles que vêm um cenário catastrófico à sua frente, como o Al Gore com o seu “An Inconvenient Truh” (mas que é um óptimo filme de propaganda política para um potencial candidato presidencial);
- Aqueles que negam os primeiros, de que é exemplo este post de Melanie Phillips no Insurgente.

Como em quase tudo, quem radicaliza acaba por perder a razão. No entanto, lendo as entrelinhas conseguimos aperceber-nos da verdade:

- O clima está a mudar, mas ainda não sabemos bem porquê (desconfiamos que por nossa culpa);
- Existe modelos climáticos catastrofistas, mas que como todos os modelos, têm limitações;
- Temos que nos preparar para anos mais quentes, mas, não é a primeira vez que tal acontece na história do planeta;
- Nós, mas principalmente as próximas gerações, vão sofrer muito com isso.

O problema em tudo isto é que, psicologicamente, a grande maioria dos seres humanos prefere certezas (o seu bem estar actual), a incertezas (o clima alterar-se radicalmente durante este século), que nem vão afectá-los grandemente e quem nem sabem se é verdadeiramente culpa sua. Com a agravante que gerir a incerteza exigiria um esforço coordenado global, quase impossível de realizar.

Mesmo que a Europa corte 50% das suas emissões de carbono até 2020, teria que todo o resto do mundo fazer também esforços muito agressivos para se reduzir as emissões, com elevados custos económicos para todos e sem certezas quanto aos resultados finais.

Tomar medidas desde género, é quase impossível em Democracia (onde os políticos têm que agradar a todos e por isso adoram tomar medidas de cosmética), mas também em ditaduras com a China, que para se manterem no poder têm que manter a sua população satisfeita, algo que implica crescimento económico, pois neste último país ainda nem as necessidades básicas de toda a população estão satisfeitas.

O que vai então acontecer?

Nos próximos séculos, a terra, como um organismo vivo que é vai continuar viva. Apenas vai activar, um dos seus mecanismos de auto-regulação, que passa por alterar as condições climáticas, algo que até aconteceria inevitavelmente mesmo que nós não estivéssemos por cá. A vida para alguns dos seus seres vivos que nela habitam, seres humanos incluídos, vai-se tornar mais difícil, tal como para um vírus ou bactéria se torna mais difícil a vida no corpo de uma pessoa. E a evolução, tal como os mercados, seguirá o seu caminho, os mais aptos sobreviverão, os menos aptos desaparecerão. Penso que ainda não é desta que a espécie humana desaparecerá, mas, obviamente, teremos que nos adaptar, enquanto espécie e enquanto sociedade.

Tudo isto é na minha opinião inevitável e possivelmente, a melhor coisa que teríamos a fazer neste momento é pensarmos como nos vamos adaptar e a desenvolver as tecnologias que o vão permitir fazer.

Por exemplo, Portugal obviamente, com a inevitável subida do nível das águas que se aproxima (é irrelevante quem, ou o que o provoca), deveria preparar-se para defender a sua costa naquilo que pode ser defendida, algo que os últimos dias provaram, ainda não sabemos fazer. Caso não o façamos, ou mesmo que o façamos, irão evidentemente existir durante as próximas décadas fortes alterações na nossa economia e na localização dos nossos maiores núcleos urbanos, já para não dizer que muita gente terá que imigrar mais para o interior do continente (Espanha, aqui vamos nós) ou mesmo para climas mais moderados no norte da Europa, dado que o nosso sul poderá vir a desertificar.

Retrato de Luís Lavoura

O mar esta noite voltou a bater forte e a causar mais, e mais profundos, estragos na Costa da Caparica. A muralha e o fosso que separam o parque de campismo do Clube de Campismo de Lisboa (CCL) do mar foram galgados; a muralha foi fendida em quatro pontos diferentes, o fosso e parte do parque de campismo ficaram cobertos de água.

Como sempre, a solução que nos propõem para este problema é: as máquinas do Instituto da Água - pagas pelo dinheiro de todos nós - devem continuar a trabalhar, noite e dia sem parar, meses a fio sem parar, para repôr areia na praia, para repôr pedras no muro. É um trabalho contínuo: o Homem constrói e a Natureza destrói, sem parar.

Só que, como a Natureza é movida a energia solar, enquanto que o Homem é movido a gasóleo, a Natureza tem uma vantagem decisiva. A longo prazo, inevitavelmente, a Natureza ganhará a partida.

Cabe perguntar por que é que o Clube de Campismo de Lisboa ainda ali tem o parque. E por que é que nós devemos andar a contribuir, com o nosso dinheiro, para manter um parque de campismo que não utilizamos, nem temos nenhum interesse especial em ali ter. Ao fim e ao cabo, os campistas do CCL andam a ser subsidiados, e ricamente subsidiados, pela população de todo o país.

Cabe ao CCL arranjar uma solução para o seu problema, e arranjá-la sem subsídios do Estado. O CCL deve pôr-se dali para fora, sem esperar que o Instituto da Água continue a trabalhar, noite e dia, para o salvar. O CCL deve descobrir um terreno vago, comprá-lo, e mover para lá o seu parque de campismo.

Nós não temos que continuar a financiar o CCL.

Retrato de Luís Lavoura

Segundo notícia no PÚBLICO de hoje, não muito bem especificada, o governo prepara-se para proibir a exportação de resíduos industriais perigosos para tratamento noutros países, nomeadamente em Espanha, mal os novos Centros Integrados de Tratamento em Portugal estejam prontos.

Isto configurará, a meu ver, e de forma evidente, uma proibição ao livre funcionamento do mercado, neste caso com a agravante de se tratar do mercado comunitário. Em vez de permitir a livre concorrência entre si de diversas formas de tratamento dos resíduos, com diversos preços, e em diferentes países da União, o Estado português fornece aos Centros de Tratamento situados em Portugal o monopólio do tratamento de resíduos produzidos em Portugal.

Já hoje grande parte dos resíduos industriais perigosos produzidos em Portugal são exportados para tratamento noutros países, principalmente em Espanha. Não faz sentido que esta exportação, perfeitamente legítima, deixe de ser uma opção à disposição da indústria quando os Centros de Tratamento portugueses estiverem prontos.

Como é evidente, esta limitação à livre concorrência entre si de diversas opções e locais de tratamento repercutir-se-á, inevitavelmente, num aumento do preço que as indústrias terão que pagar pelo tratamento dos seus resíduos.

Retrato de Miguel Duarte

Que tal ter energia solar durante os próximos 25 anos ao custo actual da energia eléctrica, ficando protegido do provável aumento da electricidade devido ao aumento dos custos do petróleo?

A Citizenre acaba de propor isso mesmo nos EUA.

Retrato de Luís Lavoura

O Estado deseja, em nome da conservação da natureza, proteger o montado de sobro e azinho - de sobreiros e/ou azinheiras. O Estado entende que esse montado está em risco. Muitos proprietários, supostamente, desejam abater o montado para converter a terra a usos mais rentáveis a curto prazo.

Consequentemente, o Estado interveio, proibindo por lei o corte de sobreiros ou de azinheiras - salvo, evidentemente, para dar lugar a projetos "de interesse nacional", devidamente afirmados como tal por portaria governamental.

A intervenção do Estado conduz a efeitos perversos. Para além de favorecer a corrupção e o tráfico de influências, através dos quais o promotor de um qualquer projeto procura que ele seja declarado como sendo "de interesse nacional" para o poder levar avante, a intervenção do Estado veio efetivamente desvalorizar o montado. Um proprietário de terras que pretenda plantar montado fica desencorajado de o fazer, pois sabe que, se mais tarde pretender cortar as árvores que plantou, não o poderá fazer. Mais: não conseguirá vender a terra que plantou com sobreiros e/ou azinheiras, uma vez que niguém quererá comprar uma propriedade sabendo que não pode cortar e vender as árvores que nela estão.

O Estado, de facto, desincentiva os proprietários de terras de platarem sobreiros e/ou azinheiras. Hoje em dia, virtualmente ninguém no Alentejo planta azinheiras - uma vez que elas não têm qualquer valor económico, dado que é proibido cortá-las. Quanto aos sobreiros, são plantados em grande escala para aproveitamento da cortiça, mas apenas nas regiões tradicionais - Alentejo e Ribatejo - onde há quem pratique o corte da cortiça. Noutras regiões do país nas quais os sobreiros se dão bem - o sobreiro dá-se otimamente em praticamente todo Portugal - ninguém os planta, uma vez que é impossível rentabilizá-los, dado não haver corte de cortiça nem pastoreio em montado que possa ser rentável em propriedades de minifúndio.

Conclusão: a intervenção estatal alcança resultados opostos àqueles que supostamente pretende. Desvaloriza o montado e desincentiva os proprietários fundiários de o plantar.

Declaração de interesses: sou proprietário de terras na Bairrada que gostaria de arborizar com sobreiros - que se dão maravilhosamente, aliás crescem espontâneamente em grande número, nessa região - e azinheiras.

Retrato de Luís Lavoura

Diariamente, dia após dia, o Estado português gasta mais e mais dinheiro a atirar mais e mais areia para as dunas de São João da Caparica, areia que o mar rapidamente volta a levar.

Trata-se de um trabalho de Sísifo. Que, natualmente, se está a mostar inglório.

O Estado deveria rapidamente abandonar estes esforços vãos, e muito caros para todos nós, de preservar umas praias. Não é função do Estado estar a apoiar os cidadãos que desejam ir à praia, e estar a procurar salvar negócios privados como sejam apoios de praia, parques de campismo ou parques de estacionamento. Quem constrói o seu negócio sobre a areia deve estar preparado para o ver ruir a qualquer momento - já a Bíblia diz isso.

Dói-me, sinceramente, ver todos aqueles camiões, dia após dia, a despejar areia para aquelas dunas. Estou a ver ali o dinheiro dos meus impostos a esvair-se numa teimosia vã e sem sentido.

Acabem com isso!

Retrato de Luís Lavoura

Parece que o governo tenciona mesmo ir por diante com a ideia perversamente estúpida de proibir a circulação de táxis em Lisboa um dia por semana, a pretexto de combater o aquecimento global.

Sejamos claros: o principal motivo pelo qual Portugal, e muitos outros países, falham o cumprimento das metas do protocolo de Quioto, é o aumento descontrolado do tráfego automóvel. E é efetivamente difícil suster esse aumento.

Mas as dificuldades não se resolvem tomando como alvo os táxis. Os táxis nas cidades perfazem apenas uma minúscula parcela do total de carburantes gastos. Além disso, os táxis são um serviço público importante. Em muitos aspetos, eles até poupam carburante: uma pessoa que tenha que fazer uma deslocação ocasional pode tomar um táxi, em vez de trazer o automóvel para a cidade e andar com ele o dia todo.

O governo, com esta medida estúpida, não vai alcançar nada, e vai prejudicar sobretudo aqueles que não têm automóvel próprio. Como de costume, aliás. Os governos de Portugal, fracos e pusilânimes, fogem sempre de afrontar quem tem poder. Fogem sempre de afrontar os automobilistas. E atacam sem piedade quem tem menos poder, os peões, naturalmente pessoas mais pobres, logo menos vocais.

Retrato de Luís Lavoura

O Instituto da Água vai já hoje começar a transportar areia para as "praias" de São João da Caparica, num esforço para reparar os estragos feitos pelas últimas marés, que levaram toda a areia dessas "praias".

Esta é uma notícia significativa. Usualmente, as recargas de areia nas praias fazem-se na Primavera, quando o mau tempo invernoso já acabou de vez e se prepara a estação balnear. Este ano e neste local, a recarga faz-se ainda antes do Inverno, porque a situação já atingiu nesta altura um ponto de grande gravidade.

Em minha opinião, trata-se de uma medida errada.

Em primeiro lugar, o Estado não pode ser assim como que uma Companhia de Seguros Universal, que fornece - de borla - seguros contra Inclemências e Elementos da Natureza a todos os que deles necessitem. O Estado não tem nenhuma obrigação de andar a gastar o dinheiro de todos nós para proteger os bens de uns quantos que, por imprudência ou azar, estão em risco de os perder devido a alterações naturais. Cada qual que gaste o seu dinheiro para proteger os seus bens.

Em segundo lugar, não há no local grandes bens a proteger. Por detrás das praias de São João da Caparica estende-se, na sua maior parte, um bosque ainda bastante extenso (largo), e só depois dele está a estrada e alguns prédios. Os bens a proteger nessa zona são apenas alguns apoios de praia - que os seus donos poderiam, e fariam bem em, desmontar e retirar do local, em vez de esperarem que o Estado os fosse salvar. Numa outra zona da costa, por detrás de um paredão fica o "parque de campismo" do INATEL - que não é de facto um parque de campismo, mas sim um contínuo denso de segundas habitações feitas em lona, ou de rulotes, que lá permanecem todo o ano. Mais uma vez, trata-se de bens móveis, que os seus proprietários fariam bem em retirar de lá. O "parque de campismo" do INATEL deveria de facto ser imediatamente encerrado, dado que não se justifica que o Estado mantenha uma estrutura que tão caro lhe custa em termos de manutenção, sob a forma de permanente reconstrução das praias e do paredão que o protegem.

A operação do Instituto da Água configura pois um repetitivo desperdício de dinheiros públicos, no esforço inglório de manter umas praias e um parque de campismo que estão condenados, e que só sobrevivem graças a este contínuo lançamento de dinheiro ao mar.

Compreende-se que a praia de São João da Caparica tem um importante valor para muita gente - incluindo eu mesmo - que a utiliza no Verão e que muito gosta dela. Mas será que o Estado deve pagar para essa gente ir à praia? Será que o Estado deve gastar dinheiro para que alguns cidadãos possam ter uma praia ao pé de casa? Não creio!