Política Europeia

Retrato de Luís Lavoura

Dá-me um prazer irreprimível pensar que François Fillon poderá mesmo candidatar-se à presidência da Comissão Europeia e que, apesar dos seus denodados esforços para mostrar serviço e sorrir a todos os eurodeputados, Durão Barroso poderá perder o seu emprego - o que não o levará certamente a cair na miséria. Um castigo bem merecido também para quem o apoiou, sobretudo para quem o apoiou basicamente apenas por ele ter passaporte do país que tem.

Retrato de Luís Lavoura

O novo Parlamento Europeu escolheu hoje o seu presidente. Para não variar, um entendimento de bastidores entre os Partidos Popular e Socialista levou à escolha de um popular para presidente durante os próximos dois anos, a que se seguirá um socialista durante os dois anos seguintes.

A política no Parlamento Europeu - e na Europa em geral - continuará portanto a ser não-ideológica e não-confrontacional, antes marcada por consensos, negociações de bastidores e, consequentemente, elitismos insuscetíveis de ratificação pelo voto popular.

Assim não está bem. Não é com este tipo de atuação política que se pode alguma vez esperar que a abstenção eleitoral vá diminuir.

Retrato de Igor Caldeira

Não tinha muitas dúvidas quanto ao meu voto nas Europeias, embora ainda balançasse entre o PS e o PSD. O início da campanha tornou-se contudo esclarecedor.

Primeiro foram os cartazes do PSD: "Pelo interesse nacional, eu assino por baixo" não podia ser pior lema.
E depois veio a estocada final. A crítica bacoca aos comícios conjuntos do PS e do PSOE veio denunciar a deriva ideológica do PSD, partido que sempre foi profundamente europeísta. Um certo anti-espanholismo marialva e a incapacidade de perceber a importância simbólica de os diversos partidos assumirem as suas afinidades além-fronteiras vieram fazer exactamente o contrário daquilo que eu esperaria que um partido sério, de centro e pró-europeu fizesse.

Em vez de pedagogia, o PSD decidiu fazer demagogia. E, tal como o restaurador Olex nos ensinou, o que é natural e fica bem é cada um a fazer o que faz bem - e o PSD não chega aos calcanhares do CDS na peixeirada, na mão na anca, na conversa a puxar para o chinelo. Paulo Rangel meteu a pata na poça e em vez de competir com o PS, decidiu discutir votos com o seu companheiro de Direita - companheiro, refira-se também, de grupo parlamentar europeu.

Será que é por ter vergonha de admitir que votar no PSD é o mesmo, em termos europeus, que votar no CDS, que decidiram atacar o referido comício? Quão constrangedor seria se o líder do Partido Popular espanhol viesse a Portugal apoiar o PSD num evento à tarde, e à noite fosse fazer o mesmo para o CDS.

E aqui é que está a questão: no Parlamento Europeu não se representa interesses nacionais (isso é tarefa do Conselho) mas as orientações ideológicas dos cidadãos. E era ensinar aos eleitores este facto, singular na História da Humanidade, de ter 500 milhões de indivíduos pertencentes a povos, línguas, religiões, culturas distintas, com Histórias de inimizades plurisseculares, representados democraticamente num único órgão que um partido europeísta deveria fazer.

O PSD pode com isto caçar uns votos da Direita trauliteira. Mas perde os votos do Centro europeísta. Óptimo. Esperemos que a breve trecho um novo partido lhes ocupe o lugar.

Retrato de Miguel Duarte

Nota: Alexander Alvaro é descendente de Portugueses.

Retrato de Miguel Duarte

Graham Watson apresenta-nos a sua visão sobre o Liberalismo Social, aborda a sua ambição de ser presidente do Parlamento Europeu e fala-nos sobre política europeia.

Retrato de Igor Caldeira

Por toda a Europa, as eleições Europeias sofrem de elevados níveis de abstenção. Por outro lado, os temas verdadeiramente relevantes para estas eleições são normalmente relegados para segundo plano, sendo as campanhas dominadas por temas nacionais e assumindo o voto uma dimensão plebiscitária de aprovação ou punição dos governos nacionais. A questão coloca-se: qual a relação entre os cidadãos europeus e a única instituição transnacional de representação democrática?

Na contagem decrescente para as Eleições Europeias, o CaféBabel Lisboa encontra-se a organizar um debate sobre o Parlamento Europeu e a cidadania europeia, com o intuito de esclarecer / reflectir sobre esta temática. Terá lugar na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, no dia 13 de Maio, quarta-feira, às 18h30.

Acompanhando o politólogo ANDRÉ FREIRE, o representante do Parlamento Europeu PAULO SANDE e o fundador da Nova Democracia MANUEL MONTEIRO estará o fundador do MLS, MAURITS VAN DER HOOFD, pelo lançamento da campanha em favor do D66 junto da comunidade holandesa a residir em Portugal.

O CaféBabel é um magazine online (www.cafebabel.com) dedicado ao Jornalismo participativo na perspectiva europeia, tem milhares de leitores e visitantes por todo o mundo e o seu website é traduzido em sete línguas.

A equipa de Lisboa acaba de vencer a edição portuguesa de 2009 do Prémio Carlos Magno para a Juventude, atribuído pelo Parlamento Europeu. Dentro de um mês irá representar Portugal na segunda fase do concurso, à escala europeia.

Retrato de Miguel Duarte

Muito interessante este artigo do partido transnacional Newropeans sobre as regras "democráticas" na União Europeia.

Sendo que existe uma posição deste partido com a qual concordo integralmente: deveriam existir regras homogéneas na corrida para as eleições europeias (ex: idade mínima dos candidatos, tipos de listas, método de apuramento dos votos) e deveria existir claramente a possibilidade de uma única organização concorrer em todos os países da União Europeia sem ter que estar a registar partidos nacionais em cada um dos países.

Retrato de Miguel Duarte

Ora aqui vamos nós mais uma vez. Eu estava bastante curioso sobre esta sondagem no que toca aos novos partidos, que financeiramente têm, como se tem visto, feito um investimento considerável em propaganda, pelo menos na área da grande Lisboa.

Os resultados são interessantes, não tanto pelo PS e PSD, mas pelo contínuo erodir do PCP, pelo desaparecimento do PP (será que daqui a 4 anos ainda elege alguém?) e por um crescimento preocupante do BE, que a bem dizer, é cada vez mais a "esquerda" portuguesa.

Claramente, os portugueses continuam a confundir europeias com parlamentares, mas a culpa é dos políticos que não puxam o debate para os temas europeus mas se continuam a concentrar na política nacional. E da imprensa, que deveria ter um papel mais educativo a este nível, mas infelizmente não tem.

Quanto aos pequenos partidos, apesar de os resultados não terem sido anunciados percentualmente, tendo em conta o número da amostra, 1244 inquéritos válidos, e dos dados da RTP, mais as respectivas ponderações, são (sendo que estes valores, dada a dimensão da amostra, são obviamente meramente indicativos):

- PCTP/MRPP - 1,2%
- MEP - 0,16%
- MPT/Libertas - 0,16%
- PH - 0,16%
- PNR - 0,16%
- PPM - 0,16%

Do MMS, nem sequer há sinal, apesar do elevado investimento financeiro e os valores do MEP são também frustrantes, ainda por cima tendo em conta a cabeça de lista e também o elevado investimento financeiro.