Política Europeia

Retrato de Luís Lavoura

Parece que no Reino Unido o Partido Liberal Democrata está com umas certas dificuldades em manter-se obediente fiel à União Europeia.

Europa, a quantas contradições obrigas!

Retrato de Miguel Duarte

As medidas restritivas das liberdades individuais que são muitas vezes tomadas em nome de papões como o terrorismo e a pedofilia acabam por ser muitas vezes um passo para uma sociedade mais controlada pelo governo e onde existe menos liberdade de expressão e de movimentos.

Ora, a Finlândia acabou de dar o exemplo dos perigos deste tipo de medidas e de como não se pode confiar no Estado (ou qualquer outra entidade) no que toca a censurar quem quer que seja.

Na Finlândia existe uma lista de sites proibidos, que presumo, seja censurada pelos ISP's locais. Essa lista era suposto conter apenas sites pedófilos, mas, após uma investigação de um cidadão, foi descoberto que continha sites perfeitamente legais, como sites com pornografia entre pessoas do mesmo sexo, sites de pornografia entre pessoas com idade avançada ou sites com pornografia na forma de ilustração (desenhos).

O que aconteceu após essa lista ser publicada na Internet? Foi colocada também ela na lista negra de sites proibidos. Sendo que o autor da lista soube entretanto que a polícia o quer questionar.

Retrato de Luís Lavoura

Segundo a BBC, os políticos europeus concedem agora que não souberam prever atempadamente os problemas que seriam causados pela sua política de obrigar à utilização de biocombustíveis na Europa. Nomeadamente, não souberam prever o consequente aumento do preço da alimentação - algo que é certamente bem mais importante do que os carburantes para os veículos - nem a destruição das florestas tropicais que seria levada a cabo para a plantação de palmeiras.

O comissário (esta designação faz-me sempre lembrar os comissários políticos de Estaline) europeu Stavros Dimas até sugeriu que talvez fosse melhor abandonar os objetivos europeus para os biocarburantes. É pena que só agora tenha chegado a tal conclusão. E é pena que não vá agir de acordo com a conclusão a que chegou.

Não faltaram avisos, atempadamente feitos aos espertalhões e burocratas que governam a UE, de que os biocarburantes não seriam solução para nada. Mas eles não os quiseram ouvir. Agora, vamos todos pagar pelo disparate.

Retrato de Luís Lavoura

Encontrei recentemente um americano de origem belga - isto é, um belga que vive e trabalha nos EUA há já muitas décadas. Perguntei-lhe, provocativamente e a propósito da crise governativa na Bélgica, se ele acha que a Bélgica é um país viável. E acrescentei que, se calhar, a Bélgica até funciona melhor sem governo do que com um governo. Ele assentiu. Disse que a Bélgica é governada em grande medida por uma burocracia, à qual o governo não faz falta. E acrescentou que aquela caraterística de que muitos europeus se queixam, de que União Europeia é toda governada por uma burocracia sedeada em Bruxelas, provem precisamente do facto de a Bélgica ser governada da mesmíssima forma.

Retrato de Miguel Duarte

A partir de amanhã irá ser possível ir-se de Lisboa a Tallinn sem ter que se apresentar qualquer passaporte ou parar em nenhuma fronteira! Depois venha-me dizer que a UE não é um espaço de liberdade.

Mapa dos Estados Schengen

Retrato de Luís Lavoura

... e é muito bem feita, para a castigar dos asneiras que fez no passado.

A União Europeia está à rasca, sobretudo, porque os seus países membros têm opiniões totalmente divergentes sobre o assunto. Enquanto que a França e o Reino Unido militam pela independência do Kosovo, a Alemanha e a Espanha hesitam e têm fortes dúvidas, e países como a Grécia e Chipre rejeitam essa independência. A Política Externa Comum é uma impossibilidade prática. Não existe. Não pode existir. Não existirá tão cedo.

A União Europeia está à rasca porque tem tropas no Kosovo e não tem perspetivas de, tão cedo, as poder tirar de lá. Os albaneses são um povo tramado que, basicamente, não se governa nem se deixa governar. O Kosovo não tem quaisquer infra-estruturas económicas, nem tem uma população preparada, em termos tecnológicos, para criar estruturas económicas modernas. Nestas condições, será necessariamente um país que ganhará a sua vida à custa de atividades menos recomendáveis. Sem permanente controle por parte de alguém, aquilo é um cancro que enviará metástases para toda a Europa. Dantes, era a Sérvia quem policiava esse cancro. Agora, terá que ser a União Europeia. A suas expensas. E por decénios.

A União Europeia está à rasca porque obedeceu às ordens dos EUA, do infeliz presidente Clinton, o tal que passava as suas tardes na Casa Branca a fazer sexo oral e com charutos com uma assistente lá da Casa. O presidente Clinton precisava de uma oportunidade para mostrar ao mundo, e não apenas à assistente, que era um homem com tomates, e então resolveu bombardear a Sérvia, um país da Europa civilizada, só para lhes mostrar que era ele quem mandava. A União Europeia, em vez de censurar o caubói, lambeu-lhe as botas e colaborou no bombardeamento e nas suas consequências. Agora ficou com o bebé nos braços - bem feita!

O Kosovo terá que ser independente, por força da sua demografia galopante - os albaneses têm lá uma taxa de fertilidade duas vezes superior à dos eslavos. Nem aliás a Sérvia terá, de facto, muita vontade de governar e policiar aquele vespeiro. Mas a União Europeia não tinha nada que se ter metido no assunto, nas asneiradas do malfadado presidente Clinton. Meteu-se. Agora, que se lixe.

Retrato de Miguel Duarte

Este é o dilema que tem condicionado o debate político europeu pelo menos nos últimos 10 anos. Uma questão que tem dificultado as políticas elaboradas quer pela União Europeia quer pelos países mesmbros, como o alargamento, mobilidade dos trabalhadores, serviços fronteiriços ou luta contra o desemprego.

Neste debate participa Annemie Neyts, líder do Partido Liberal Europeu (ELDR).

Adenda:

Link para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=VUJUoFMqk_I

Retrato de Igor Caldeira

Um apoio para a iniciativa por um referendo europeu: o texto de Miguel Pacheco no Diário Económico:

não seria de todo descabido abrir o precedente jurídico de um referendo simultâneo à escala europeia. Com todos os problemas, desafios e vantagens que ele carrega. Desde logo, esse plebiscito global permitiria criar um efeito mobilizador à escala comunitária, minimizando os feudalismos - e sectarismos - nacionais contra a Europa. Ao mesmo tempo ajudaria a criar a ideia de que somos afinal todos europeus e iguais, passando um atestado de legitimidade às instituições europeias.
Claro que o peso de cada país teria que ser, naturalmente, corrigido na sua proporcionalidade para evitar desequilíbrios. Mas só assim as reticências holandesas e francesas passariam a ser uma gota de água neste oceano maior, onde a grande maioria aprova a ideia de uma construção europeia. 50 anos depois de Roma, seria um atestado de competência a este projecto. Claro que há riscos. E uma boa dose de idealismo nesta solução. Mas sonhar nunca fez mal a ninguém.

Haja mais opiniões neste sentido!