Política Europeia

A falência do estado social de modelo Europeu é a principal causa da xenofobia.

Os cidadãos dos vários estados Europeus têm associado à sua cidadania uma série de direitos positivos. Privilégios de ser um cidadão de determinado país europeu. Estes privilégios são, por definição, racionados entre os cidadãos. Quanto maior o “bolo” e menor a base de distribuição, maiores os privilégios distribuídos em média a cada indivíduo.

Um imigrante quando acede à cidadania entra nesta base de privilegiados. Quando isto acontece entra no sistema social em que, por definição, uns são contribuintes líquidos e outros são beneficiários líquidos do sistema social. Se a sua contribuição para o “bolo” é menor do que os privilégios que retira significa que os privilégios dos antigos cidadãos são diminuídos.

Quando, como hoje, existe um racionamento cada vez maior destes privilégios alguns tentam mudar o sistema outros tentam aumentar o bolo e outros tentam controlar a base.
A forma mais populista é controlar a base. Prometer que o sistema está correcto, que o problema são os que querem entrar nele e não “merecem”. Um alvo fácil é os imigrantes. Nem sequer votam…

Temos portanto três vias:

1. Via socialista - Aumentar o bolo – leia-se aumentar a carga fiscal
2. Via nacionalista – Limitar o número de cidadãos por quem são distribuídos os privilégios – incitar à Xenofobia
3. Via liberal – Mudar o sistema, reduzindo os privilégios /direitos positivos

Deveria ser escusado de dizer mas a via socialista é uma adiar do problema, com a agravante de poder transformar uma “constipação” em uma “pneumonia”. Portugal e França já não estão no nível da constipação…

Imigrantes valem 7% da riqueza de Portugal

Os imigrantes que trabalham em Portugal produzem «o equivalente a uma Portugal Telecom por ano: ou seja, 11 mil milhões de euros», refere o Diário Económico na edição de quinta-feira.

«Embora com uma margem de erro razoável, posso dizer que 7% do PIB são contribuição dos imigrantes», avança Eduardo de Sousa Ferreira, professor catedrático do ISEG. «Só existem dados concretos até 2005 que apontavam para um contributo de 5% a 6%, mas a partir daí pode considerar-se os 7%, até porque os imigrantes ocupam agora funções mais qualificadas», avança o especialista, lamentando, porém, a escassez de informação que existe nesta área e a dificuldade de contabilizar um fenómeno onde existem tantos ilegais.
Parte deste contributo resulta da maior criação de riqueza por parte dos imigrantes. Os residentes estrangeiros – que ascendiam a 430 mil, em 2005, embora se espere que cheguem aos 500 mil este ano –, «têm uma taxa de actividade mais elevada do que a restante população activa portuguesa, em parte devido à sua estrutura etária», explica Maria Lucinda Fonseca, investigadora do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa. «Os imigrantes representam actualmente cerca de 9% a 10% da população activa nacional apesar de serem menos de 5% da população portuguesa», especifica a investigadora.

Apesar de contribuírem sempre para o Estado português, nomeadamente em termos de Segurança Social e de impostos, mesmo quando não estão numa situação totalmente legal, os imigrantes «acabam por não ser os que mais beneficiam», nota o jornal. Os dados mais recentes datam de 2004 e revelam que os imigrantes são 6,7% do total de contribuintes para a Segurança Social e as suas contribuições são 3% do total. Mas quando se fala de pensionistas, apenas 2,5% dos pensionistas são imigrantes, sendo que este valor considera elementos da comunidade europeia e não tanto imigrantes da Europa de Leste, africanos ou brasileiros, que são a maioria.

Artigo

Só hoje tive oportunidade de ler o comunicado do PCP (Partido Comunista Português) sobre Cuba.
Não resisto a citar excertos desse comunicado:

"Novas ameaças contra Cuba
Segunda, 12 Março 2007
A Comissão Política do PCP «alerta para a gravidade das intenções declaradas pela actual presidência alemã da União Europeia de proceder à aprovação de uma “Estratégia a médio e longo prazo para Cuba” que prevê, além de sanções políticas e diplomáticas contra Cuba, um capítulo secreto de acções hostis, à semelhança do chamado “Plano Bush para o derrubamento do regime Cubano”.
(...)
A ser aprovada, esta nova escalada económica, política e diplomática contra Cuba significaria um inaceitável endurecimento face à “posição comum da União Europeia relativa a Cuba” aprovada em 1996 e já de si um acto de descarada ingerência e discriminação contra este País. Tal “estratégia” visaria obstaculizar as relações que, apesar da “posição comum”, vários estados europeus, incluindo Portugal, mantêm com o Estado Cubano e constituiria um profundo desrespeito pelas relações de amizade, respeito mútuo e solidariedade que unem os povos de vários países da Europa e o povo de Cuba, como é o caso do povo português.
(...)
O PCP reafirma a solidariedade e a amizade dos comunistas portugueses para com os comunistas e o povo de Cuba, a sua revolução socialista e apela aos amigos de Cuba, aos democratas e ao povo português que façam ouvir a sua voz contra as novas tentativas de isolamento de Cuba e do seu povo."

in http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=27623&Itemid=245

Considero que a luta do PCP contra a ditadura de Salazar e do Estado Novo deve ser enaltecida e recordada. Contudo, discordo da sua visão de querer implementar um regimo comunista que a história já provou ser sempre um sistema anti-liberal, vejamos os casos soviético, cubano, coreano e chinês. No fundo ditaduras centradas num homem ou num aparelho do partido únicos são a mesma coisa - limitadores da liberdade. Mas para o PCP uma coisa é a vontade do povo outra são as ditaduras de direita.

E é precisamente o que se passa com alguns "de esquerda", tanto a nível nacional como internacional.
Tantas virtudes que Cuba e o Fidel devem ter... Esquecem-se que se por acaso abrissem a boca com uma opinião um "pooouuquinho diferente do camarada comandante", se calhar, mas só se calhar já teriam ido desta para melhor.

Numa democracia é que permitido a que esses iluminados do PCP e eu próprio(por estar a escrever estas linhas) é que não somos molestados na prisão.
Se eles e eu estivessemos numa qualquer ditadura (seja de esquerda ou de direita) então já estaríamos a pensar no "risco de perder a liberdade".

(Não se esqueçam que os documentários do passado bem como nas entrevistas ao povo português, Salazar e o Estado Novo era o melhor dos líderes e sistemas...tal qual Fidel...quando acabar o regime é que iremos ver entrevistas não condicionadas)

E nada de confusões: críticar comunistas não me faz pró-bush!!!

Retrato de Filipe Melo Sousa

Tenho dado com a campanha de marketing que a Macedónia anda a divulgar em várias frentes. Foi uma página inteira da revista The Economist, é na versão online do jornal Le Monde, e presumo que um pouco por toda a parte. A Macedónia publicida descomplexadamente:

- Os seus baixos salários brutos
- Os seus baixos impostos
- A sua vocação europeia
- A sua vontade de ser membro da NATO

Será que o ministro da economia da Macedónia também levou tareia dos sindicatos e da comunicação social por chamar investimento para o seu país?

Durão Barroso, juntamente com Prodi, condenou execução de dois antigos colaboradores de Saddam Hussein, sublinhando a oposição da União Europeia à pena de morte.

Num mundo onde ainda 109 países praticam este tipo de justiça a União Europeia deve e tem que continuar a ser um símbolo de civilização e progresso, a todos os níveis. Por aqui passa naturalmente a negação a todos os tipos de tortura e morte sobre seres humanos, qualquer que seja o motivo.

Como referiu, e muito bem, Prodi: "A Itália é contra a pena de morte. Tudo o resto é supérfulo". E tudo está dito.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Uma nova família política nasceu. Estão representados no parlamento europeu, unidos à volta da Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen. O Grupo chama-se Identidade, Tradição e Soberania. É composto por 20 deputados provenientes de 7 diferentes estados-membros. A constituição de um grupo no parlamento europeu tem como requisitos um número mínimo de deputados, assim como o facto de os seus membros provirem de vários estados membros, perfazendo pelo menos 20% da população da UE. Com a Entrada da Roménia e da Bulgária, estes obstáculos ficaram finalmente ultrapassados, e os fachos puderam finalmente realizar o seu sonho. O Grupo é constituído da seguinte maneira, com o respectivo número de deputados:

(1) Austria: o Antigo FPÖ fundado pelo Haider
(3) Bélgica: o Bloco Flamengo
(1) Bulgária: National Union Attack
(6) França: Frente Nacional, do Le Pen
(2) Itália: Alternativa Sociale (da Alessandra Mussolini)
(5) Roménia :Greater Romania Party
(1) Inglaterra: formerly UKIP (Ashley Mote)

Total: 20 Eurodeputados. Estão a ver na imagem os roxos na extrema-direita? É onde se sentam estes senhores. Á direita do grupo nacionalista Europa das Nações, com 44 deputados, que por sua vez estão sentados à direita do PPE, com 277, que por sua vez estão sentados à direita dos neoliberais Independência e Democracia, com 23, que por sua vez estão sentados à direita dos liberais da ALDE, com 106 deputados, que por sua vez estão sentados à direita de uma data de gente de esquerda que agora não me apetece referir.

Espera-se que com a entrada da Turquia este grupo fique bastante alargado. A Turquia terá direito a uns 90 Eurodeputados, dos quais serão de esperar uns 60 eleitos pelo Justice and Development Party. Os "lampadinhas" devem estar radiantes para se juntar aos seus novos amigos.

Retrato de Luís Lavoura

Foi anunciado que no segundo semestre de 2007 terá lugar em Lisboa uma grande cimeira entre a União Europeia e os países africanos. Foi já avançado que um dos grandes temas dessa cimeira será a emigração da África para a Europa.

A Europa marca a cimeira e marca desde já, para essa cimeira, a agenda que lhe interessa: aquilo que lhe interessa debater com África é a emigração. Esse tema deverá, naturalmente, ser debatido nos termos dos europeus, ou seja: o que é que se deverá fazer para que pare de vez essa maldita emigração da África para a Europa.

Aquilo que deveria ser debatido, na ótica de África, seria completamente diferente: dever-se-ia debater a abertura do mercado europeu aos produtos africanos, e o fim dos subsídios europeus a alguns produtos europeus que fazem dessa forma concorrência desleal a produtos africanos análogos. Mas esse tema não interessa à Europa, que nada tem a oferecer a África nessa matéria. Logo, esse tema estará ausente da cimeira.

Oxalá os africanos acordem, se consigam unir sob a liderança de alguns dos seus países, e possam, no segundo semestre de 2007, encostar a Europa às cordas obrigando-a a discutir na cimeira os temas que a ela, África, interessam.

Para quem ainda não reparou, não foram os EUA que evitaram ou ilibaram Pinochet do julgamento.
Para quem ainda não reparou, os julgamentos de Milosevic e de Saddam não foram feitos pelos EUA.
Para quem ainda não reparou, não há nenhuma nação europeia com vontade de ser a tal "potência democrática" ou dar origem em conjunto com outras de ser a dita-cuja. A Europa possui um património intelectual e de inestimável valor, mas treme de medo a cada ameaça e desde as guerras mundiais que anda a pedir ao Tio Sam dinheiro e ajuda militar sempre que a Alemanha e/ou a Rússia "levantam a crina". Quando os EUA tomam decisões controversas e difíceis aí os europeus julgam-se os donos da verdade e toca a atacar o Tio Sam. Se um dia acontecer aquilo que se tem tentado evitar e as agressões por parte do expansionismo islâmico começaram a ocorrer, volta a Europa a gritar´"ó tio, ó tio". E aí eu vou querer saber o que têm a dizer os antiamericanos arautos dos direitos humanos... Se calhar vão culpar os EUA da situação enquanto os respectivos estados não têm outro remédio se não pedir ajuda.
Desculpem-me, mas há comentários e certo tipo de análises com os quais eu não posso estar de acordo. Há certos discursos provenientes de uma certa esquerda que eu me limito a rir, pois quem os profere é igual a si próprio. Num espaço no qual me encontro inserido, denominado de liberal, não posso limitar-me a rir. Quando muito posso é ir pregar para outra freguesia, se for caso disso...

Retrato de Miguel Duarte

Só por curiosidade, devido a um dos meus posts anteriores, descobri que no World Factbook da CIA, a União Europeia já é considerada algo muito próximo de um país:

The evolution of the European Union (EU) from a regional economic agreement among six neighboring states in 1951 to today's supranational organization of 25 countries across the European continent stands as an unprecedented phenomenon in the annals of history. Dynastic unions for territorial consolidation were long the norm in Europe. On a few occasions even country-level unions were arranged - the Polish-Lithuanian Commonwealth and the Austro-Hungarian Empire were examples - but for such a large number of nation-states to cede some of their sovereignty to an overarching entity is truly unique. Although the EU is not a federation in the strict sense, it is far more than a free-trade association such as ASEAN, NAFTA, or Mercosur, and it has many of the attributes associated with independent nations: its own flag, anthem, founding date, and currency, as well as an incipient common foreign and security policy in its dealings with other nations. In the future, many of these nation-like characteristics are likely to be expanded. Thus, inclusion of basic intelligence on the EU has been deemed appropriate as a new, separate entity in The World Factbook. However, because of the EU's special status, this description is placed after the regular country entries.

Com direito a uma entrada própria, a par dos outros outros países.