Política Internacional

Retrato de Luís Lavoura

Finalmente, a paz voltou à Síria!!!

Foi hoje anunciado que os exércitos sírio e iraquiano conquistaram as últimas cidades controladas pelo Estado Islâmico, precisamente junto à fronteira sírio-iraquiana, no vale do rio Eufrates. Assim, acaba a guerra contra o Estado Islâmico e, com ela, termina a guerra na Síria, uma vez que já há algum tempo que a guerra entre o exército sírio e os chamados "rebeldes" está em situação de cessar-fogo.

É uma excelente notícia para a Síria e para a Europa. Que, provavelmente, tem alguma coisa a ver com o facto de agora estar Trump, e não Obama, na Casa Branca.

Retrato de Luís Lavoura

Há poucos meses, quando as tropas sírias atacaram e reconquistaram Alepo, com a ajuda dos seus aliados russos, houve na Europa enorme escarcéu sobre as alegadas atrocidades que estariam a ser cometidas sobre a população civil da cidade e sobre o horrível sofrimento desta.

Agora que as tropas iraquianas atacaram e reconquistaram Mossul, com a ajuda dos seus aliados americanos, ninguém na Europa parece interessado nas atrocidades que foram cometidas sobre a população civil da cidade e com o horrível sofrimento desta. Somente agora, que a reconquista já terminou e que já nada se pode fazer, se diz algo sobre as consequências. Um general americano (citado no The Economist) diz que Mossul ficou "como Dresden [após o bombardeamento no final da Segunda Guerra Mundial]". Um médico português (ontem, no telejornal) diz que em toda a sua longa experiência humanitária nunca viu nada tão horrível como Mossul.

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Não entendo por que razão diversos países europeus se estão a expôr, desnecessariamente, a (no meu entender) justas acusações de falta de democraticidade, por parte da Turquia, ao impedir a entrada no seu território de políticos turcos que querem participar em comícios.

Naturalmente que esses países europeus têm todo o direito de fazer isto - a Turquia não faz parte do Espaço Schengen e portanto os cidadãos turcos podem ser impedidos de entrar num qualquer país europeu.

Mas, não havia necessidade. Desde sempre que políticos de diversos países (inclusivé Portugal) realizam em países europeus comícios destinados aos seus emigrantes. Há em diversos países europeus associações políticas de cidadãos turcos, que promovem os seus interesses e têm a liberdade de promover comícios. Por que raio se há de impedir políticos turcos de participar nesses comícios?

A Europa está a fazer má figura desnecessariamente.

Retrato de Luís Lavoura

Concordo com boa parte das coisas que Donald Trump disse no seu discurso inaugural. Mas concordo sobretudo, veementemente, quando ele diz que os EUA não irão pretender forçar nenhum outro país a seguir este ou aquele modelo político, mas que irão antes dar aos outros países o exemplo do modelo político dos EUA. Eu acho muitíssimo bem, e espero que ele possa fazer isso mesmo: em vez de invadir e brutalizar países estrangeiros, dar-lhes antes um bom exemplo que eles se possam sentir tentados a seguir.

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Segundo o Washigton Examiner, Donald Trump afirmou num comício: "We will destroy ISIS. At the same time, we will pursue a new foreign policy that finally learns from the mistakes of the past. We will stop looking to topple regimes and overthrow governments, folks."

Falou muitíssimo bem. Oxalá siga de facto uma tal política.

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Eu sou um português e, não vivendo no continente americano, a política interna dos EUA pouco ou nada me importa. O que me importa é a política externa, nomeadamente as guerras que os EUA fomentam, diretamente ou através dos seus aliados, na Europa (Jugoslávia, Ucrânia) e no mundo árabe (Líbia, Síria).

E, nesta matéria de política externa, a administração Obama foi um desastre completo. E a sua primeira "secretária de Estado" (= ministra dos Negócios Estrangeiros), a sra. Clinton, é muito culpada disso.

Por isso, acho muito bem que ela tenha perdido.

Dizem que Trump tem boas relações com Putin. Talvez isso ajude a acabar algumas das guerras que herdará de Obama (na Ucrânia e na Síria). Mas não tenho muitas esperanças. Todos os presidentes americanos acabam, uma vez eleitos, por seguir a mesma política externa. Como Obama seguiu, ele a quem os europeus atribuíram o Prémio Nobel da Paz quando ainda estava a aquecer a cadeira.

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O Partido Democrata perdeu a presidência (a qual, aliás, de pouco lhe serviria para a política interna, dada a maioria republicana nas câmaras de deputados) por sua culpa, porque escolheu Clinton em vez de Sanders como candidata. Desde sempre que as sondagens indicavam que Sanders seria um adversário muito mais difícil para Trump do que Clinton. Mas o Partido Democrata preferiu Clinton, e perdeu. É bem feita. Da próxima vez, escolham o candidato que o povo quer.

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Clinton teve mais votos do que Trump. Mas perdeu. Uma consequência curiosa do sistema eleitoral americano, em que alguns estados têm muitos mais representantes do que outros e em que impera a regra do winner takes it all.

Retrato de Luís Lavoura

Ao receber ontem o "desencorajamento" de oito dos quinze membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a senhora Kristalina Georgieva foi, pura e simplesmente, enxovalhada. Sofreu uma vergonha irrecuperável.

Ela e quem lançou a sua candidatura, em particular Angela Merkel e a Comissão Europeia. Oxalá isto lhes sirva de lição. Tomar um bocadinho de humildade é coisa que nunca fez mal a um alemão.

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O "Ocidente" faz-se agora muito preocupado com o destino da cidade síria de Alepo, sujeita a fortes bombardeamentos pela aviação russa.

Mas há já vários meses que a cidade iemenita de Saná é sujeita a fortes bombardeamentos pela aviação saudita. Esses bombardeamentos, e o sofrimento humano deles resultante, não parecem preocupar nada o "Ocidente". Bem pelo contrário: é sabido que o "Ocidente" colabora ativamente nesses bombardeamentos, tanto em termos de fornecimento direto e continuado de material militar (em particular, peças sobressalentes) as sauditas, como em termos de "intelligence" militar na identificação dos alvos dos bombardeamentos.

Em termos morais, o "Ocidente" deveria preocupar-se muito mais com uma tragédia humana que pode diretamente contribuir para parar, do que com uma tragédia humana que dificulmente pode influenciar. O "Ocidente" deveria preocupar-se mais com a moralidade das suas ações do que com a moralidade das ações dos outros. O "Ocidente" deveria exibir bons atos em vez de exibir palavras piedosas.