Política Internacional

Retrato de Miguel Duarte

Segundo este filme da BBC, os terroristas aprenderam a esconder bombas dentro do próprio corpo, tornando-as indetectáveis às actuais medidas de segurança nos aeroportos.

A mim parece-me que a não ser que façam endoscopias a todos os passageiros, não há mesmo nada a fazer. Finalmente chegámos a uma situação em que não há medida louca que chegue para evitar um potencial bombista.

Será que finalmente vão ver o ridículo do exagero das actuais medidas de segurança e dedicar-se a melhorar os serviços secretos e apanhar potenciais terroristas desta forma?

Retrato de Luís Lavoura

Como é natural, eu não sou um apreciador, muito pelo contrário, do estilo, nem da forma nem do conteúdo, do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi.

Mas ontem ele teve uma atitude que me merece um fervoroso aplauso: declarou que a Itália retirará as (poucas) tropas que tem no Afeganistão o mais cedo possível; que tenciona acelerar o processo de formação que essas tropas estão a fornecer a soldados afegãos, com o fim de as poder trazer de volta para Itália o quanto antes.

Foi muito corajoso Silvio Berlusconi, e tem toda a razão do seu lado. Ele quebrou o consenso podre, dentro da NATO, de que é preciso a todo o custo vencer a guerra no Afeganistão, e de que não se pode pensar em retirada. Ele quebrou a barreira e vai (provavelmente) ter que enfrentar duras críticas dos seus colegas da Aliança Atlântica. Assim tenha a coragem para vencer essa batalha e ir àvante com a sua decisão.

(É verdade que Berlusconi só tomou esta decisão após seis soldados italianos terem sido mortos num ataque à bomba realizado pelos patriotas afegãos. Mas mais vale tomar uma decisão correta sob a perspetiva dos mortos e da derrota, do que não a tomar nunca.)

Retrato de João Mendes

Já tinha escrito anteriormente sobre Lubna Hussein. Aconteceu, entretanto, isto. O sindicato pagou a multa, contra a vontade de Lubna Hussein, que foi então libertada, também contra a sua vontade. Antes disso, já o tribunal tinha adiado a decisão de forma razoavelmente espúria, aparentemente só para perder tempo.

Não houve chicotadas na praça pública, e portanto não houve tanto embaraço para o governo sudanês. O facto de ter havido intervenções para impedir a condenação denota uma preocupação com a reacção àquela pena. Isto é bom sinal. E é também bom saber que há pessoas como Lubna Hussein, dispostas a lutar pelos direitos humanos, dispostas a dizer que não vão aceitar ser tratadas como coisas.

Retrato de Miguel Duarte

Mas detalhes aqui.

Parece-me que assim vai ser difícil ganhar a guerra. Pergunto-me se não seria mais produtivo usar o dinheiro para contratar os locais que trabalham para os Taliban (sim, porque tal como no Iraque, no Afeganistão não se combate na sua esmagadora maioria por ideologia, mas sim por dinheiro), em tarefas úteis para a comunidade.

Retrato de Luís Lavoura

O The Economist da semana passada contem um artigo de fundo sobre o Afeganistão, no qual é afirmado que o governo desse país, o qual é sustentado essencialmente apenas pelas forças da NATO presentes no país, é cada vez mais impopular, e que a insurgência taliban se está a transformar numa verdadeira insurreição popular. As forças da NATO, em número claramente insuficiente, já perderam completamente (se é que alguma vez o tiveram!) o controle do terreno em largas extensões do Sul e Leste do país, onde, sobretudo nas regiões rurais, a insurgência taliban detem, para todos os efeitos práticos, o poder.

O editorial da mesma revista é esclarecedor. Segundo esse editorial, é essencial que a NATO permaneça e vença no Afeganistão - não porque os talibans constituam qualquer grande perigo para os países da NATO, mas tão-somente para evitar que a insurgência taliban alastre (ainda mais) ao Paquistão, país esse sim importante, até porque detem armas nucleares, ao contrário do Afeganistão.

A mim esta argumentação e estas constatações revoltam-me. Eu nunca percebi o que é que a NATO foi fazer para o Afeganistão. Para mim, a NATO, em particular Portugal, devem retirar os seus soldados do Afeganistão o mais depressa possível. Os afegãos e os paquistaneses devem-se governar ou desgovernar a si próprios, sem interferência dos países "ocidentais", os quais pouco ou nada têm a ver com aqueles povos, com as suas tradições e costumes (frequentemente bárbaros e repugnantes aos nossos olhos, diga-se). Se os taliban tomarem o poder, pois bem, seja - que os povos desses países os combatam e eliminem se assim o desejarem. A NATO é que não tem nada que se meter naquilo. Não tem hoje, como nunca o teve.

Retrato de João Mendes

The Onion faz um resumo (satírico) brilhante do que tem sido o debate sobre a reforma do sistema de saúde nos Estados Unidos.

Retrato de João Mendes

Lubna Hussein marcou posição no Sudão, demitindo-se da ONU (a sua posição dar-lhe-ia imunidade) e rejeitando um perdão presidencial para que o seu caso vá a tribunal. A acusação? Usar calças, um crime por violar as restrições ao que as mulheres podem vestir no Sudão. Possível pena? Chicotadas em público.

Li recentemente um artigo de Inês Pedrosa (intitulado "O massacre das utopias", e que pode ser encontrado aqui) que tem uma frase que se relaciona com este tema, e que passo a citar:

"Enquanto a esquerda ocidental insistir em tratar a intolerância religiosa, a discriminação das mulheres e o ódio aos homossexuais como "variantes culturais" que devem respeitar-se, não há utopia que nos valha."

E eu acrescento que enquanto certa direita ocidental continuar a tratar tudo isto como irrelevante numa lógica de Realpolitik, também vai ser difícil avançar. (E já nem falo das doutrinas do ex-Presidente dos EUA George W. Bush e seus amigos...)

A nossa política de estrangeiros deve reger-se pela promoção dos direitos humanos (sendo que a nossa política interna também o deve fazer). As pessoas no mundo devem ter a possibilidade de viver as suas vidas de acordo com os seus interesses, os seus sonhos e os seus desejos, e devem ser tratadas como indíviduos, não apenas como parte integrante de uma cultura específica. Até porque podem discordar de muitos preceitos dessa mesma cultura e, num contexto em que nem sequer o direito a usar calças estar garantido, sujeitarem-se a apanhar chicotadas em público.

Não podemos ser neutros em relação a isto. Lubna Hussein é um indíviduo que quer usar poder usar calças, que quer poder viver a sua vida sem ser considerada um ser inferior aos homens. Nitidamente, não concorda com a "alternativa cultural" vigente no Sudão. Tomar partido por Lubna Hussein é não discriminar com base no facto de ela ter nascido no Sudão (algo não foi escolha dela) em vez de em Portugal, e dizer a outros como Lubna Hussein que se quiserem viver a sua vida ao seu modo, estaremos lá para os apoiar.

Retrato de João Mendes

Uma coisa é ver alguma coisa sobre pobreza na televisão, outra é ser pobre e viver com as dificuldades que daí decorrem. Mesmo sabendo que as pessoas mais pobres sofrem, é impossível para alguém que não esteja nas mesmas condições saber exactamente o que essa pessoa sente e o quão difícil pode ser a vida.

O jogo Aity: The Cost of Life foi criado por uma editora de jogos em conjunto com alunos do secundário que participam no programa Global Kids (para mais informação sobre o programa, clicar no link). O objectivo do jogo é, pura e simplesmente, sobreviver e tentar triunfar na vida começando praticamente do zero, sendo que o jogador controla uma família pobre no Haiti, constituída pela mãe, pelo pai, por uma filha e por dois filhos.

Jogar a este jogo dá que pensar na importância de ter um par de sapatos confortáveis e uma bicicleta, por exemplo, ou de ter acesso a livros e a água potável. Tudo coisas que damos por adquiridas, mas muitos ainda não adquiriram.