Política Internacional

Retrato de Miguel Duarte

Existe uma coisa surpreendente, ou talvez não, no Médio Oriente, que é o facto de apesar da enorme fonte de rendimento que é o petróleo, tal não se ter reflectivo numa melhoria significativa do nível de vida para a generalidade da população dos países árabes.

Este artigo, no Economist, é interessante porque levanta várias questões:

- O Petróleo é uma eventual solução ou é ele próprio a causa dos problemas nestes países?
- É possível a democracia num país muçulmano, sem o risco de tudo terminar numa teocracia religiosa?
- Se a democracia fosse implementada nestes países, traria esta democracia o desenvolvimento económico?
- Deve o Ocidente promover o seu modelo de governação, ou nem por isso?

Tudo isto são questões para as quais eu me sinto muito, muito dividido.

Retrato de João Mendes

Li no Guardian uma notícia que, de facto, não me surpreendeu minimamente. Um relatório dos Centers for Disease Control veio de novo mostrar fortes correlações entre políticas de educação sexual que se focam exclusivamente na abstinência (leia-se: as políticas dos anos Bush, das quais Sarah Palin e a filha se tornaram figuras de cartaz) com um aumento do número de adolescentes grávidas e com um aumento da incidência de doenças sexualmente transmissíveis. Claro que, como se lê no final do artigo, ainda há gente (ultra-religiosa, por sinal) que continua com grande fé nessas magníficas políticas. Mas para todos os outros, o que este relatório diz não é, de facto, nada de novo.

Retrato de Miguel Duarte

No Irão, em mais de 50 cidades a votação foi acima de 100%.

Retrato de Miguel Duarte

"Those who make peaceful revolution impossible will make violent revolution inevitable." - John F. Kennedy

Retrato de Luís Lavoura

O Ocidente finge grande angústia perante a carnificina que acompanhou o último estádio da guerra do exército do Ceilão contra a guerrilha tamil. É claro que o Ocidente não tem grande influência sobre o Ceilão, por isso mostrar indignação é fácil, porque inconsequente. Mas, ao mesmíssimo tempo, o Ocidente cala-se hipocritamente perante a carnificina, eventualmente muito maior, provocada pelo ataque do exército do Paquistão ao vale de Swat, atualmente sob domínio taliban. O vale de Swat é habitado por um milhão de pessoas (coisa pouca...) e dezenas ou centenas de milhares delas fogem perante o assalto da artilharia pesada paquistanesa. O Ocidente assiste em silêncio.

(É claro que os taliban não são flor que se cheire. Mas a guerrilha tamil também não o era, tratava-se de um movimento terrorista e, internamente, ditatorial do piorzinho. Eu certamente não choro a morte do sr. Prabhakaran. Alguém chora?)

Retrato de Miguel Duarte

Considero extremamente interessante o que está a suceder na Califórnia. É que estando o orçamento deste estado americano à beira do descalabro financeiro, são os eleitores que são chamados às urnas para tomar decisões sobre o tema.

Decisões difíceis sem dúvida e provavelmente não percebidas por muitos. No entanto, com uma grande virtude que é, fazer as pessoas compreender que o dinheiro não cai do céu.

Tenho pena que por cá o mesmo não seja feito por exemplo para os grandes projectos, de uma forma clara, onde se colocaria a referendo o projecto, com os seus custos e benefícios para os contribuintes e a população decidiria se o mesmo deveria ir para a frente ou não.

Seria muito benéfico colocar nas mãos dos contribuintes uma eventual redução ou aumento do número de funcionários públicos ou a possibilidade ou não da existência de limites ao endividamento do Estado.

Retrato de Luís Lavoura

Nos anos 80 do século passado previa-se que o Afeganistão se iria tornar no Vietname da União Soviética, e até certo ponto foi isso que aconteceu.

Há poucos dias a força aérea americana, num esforço para libertar alguns soldados americanos que estavam sob fogo taliban, bombardeou de forma descuidada uma zona do leste do Afeganistão, causando mais de uma centena de mortos civis.

Entretanto, no noroeste do Paquistão, sob pressão dos EUA o exército paquistanês está a tentar reconquistar aos talibans o vale de Swat, mediante bombardeamentos de artilharia pesada que estão a causar grande destruição e um fluxo de dezenas ou centenas de milhares de refugiados.

Esta evolução da guerra aos talibans - bombardeamentos atabalhoados com grandes baixas civis, expansão da guerra a países vizinhos - faz cada vez mais lembrar aquilo que ocorreu no Vietname e países vizinhos (Laos e Cambodja).

Há fortes probabilidades de que as populações da zona, tanto as nominalmente paquistanesas como as nominalmente afegãs, comecem cada vez mais a preferir o regime taliban, embora opressivo, à brutalidade indiscriminada dos exércitos americano e paquistanês.

Retrato de Miguel Duarte

E no seguimento da discussão anterior, eis que, nem de propósito, até em Nova Iorque decidem encerrar temporariamente ao trânsito a Times Square e a Broadway. Até ao fim do ano só serão autorizados peões e bicicletas.

Será mais fácil encerrar ao trânsito a Times Square que a Praça do Comércio?

Retrato de Luís Lavoura

Saúdo como extremamente positiva a inversão da política de longa data de boicote dos EUA a Cuba, com o aligeiramento das restrições às viagens e às transferências de dinheiro para Cuba de cubanos residentes nos EUA.

Não é com medidas restritivas ao comércio e, especialmente, restritivas das liberdades individuais, que se ajuda Cuba a sair da situação de ditadura em que persiste. Tais medidas apenas enquistam o regime cubano no poder, dando-lhe uma justificação e uma desculpa para a sua existência. Além do mais, são um péssimo exemplo que os EUA dão a Cuba: como se pode propagandear a "democracia liberal" ao mesmo tempo que se viola quotidianamente as liberdades dos próprios cidadãos, de ajudarem com dinheiro os seus familiares e de os visitarem?

Esperemos que Obama prossiga nesta senda, eliminando de vez as restrições a todo o tipo de comércio com Cuba. A serem mantidas restrições, elas devem afetar apenas os dirigentes do regime cubano e nunca o povo cubano em geral (muito menos ainda os cidadãos americanos).