Política Internacional

Retrato de Luís Lavoura

A velhice parece não afetar George Soros que, com 85 anos de idade, está tão clarividente como sempre. Veja-se este notável artigo.

Retrato de Luís Lavoura

O restabelecimento das relações diplomáticas com Cuba decretado pelo presidente dos EUA não me parece ser muito significativo. O que é necessário é acabar com o bloqueio económico, permitir a livre circulação de pessoas, mercadorias e serviços. Isso é que interessa - restabelecer as liberdades que os americanos devem ter de negociar com os cubanos e de viajar a Cuba. Relações diplomáticas entre os Estados são, na minha perspetiva, coisa de menor importância.

Já agora, a União Europeia impôs há dois dias um bloqueio económico à Crimeia: os cidadãos europeus passam a ficar proibidos de se deslocar àquela península e as empresas europeias de nela investir. Trata-se provavelmente de um bloqueio deveras ridículo e sem sentido; mas, ainda assim, deve ser criticado. A União Europeia não tem nada que estar a cercear as liberdades dos cidadãos e empresas europeus.

Retrato de Luís Lavoura

Sendo evidente que o auto-denominado Estado Islâmico não é flor que se cheire, não entendo, no entanto, por que raio deve o "Ocidente" gastar os seus recursos a combatê-lo.
O "Ocidente" não é nem deve ser o polícia do mundo, e não tem nada que estar a bombardear qualquer exército ou grupo de guerrilha, por malvado que ele seja, que surja em qualquer parte do mundo.
Estando em curso prolongadas guerras civis, de maior ou menor intensidade, na Síria e no Iraque, não vejo para que é que o "Ocidente" se vai imiscuir nelas, com que objetivo concreto, nem defendendo que visão do mundo.
A minha opinião é que se deve deixar os árabes resolver os seus assuntos, de forma mais ou menos violenta, sem interferir. Ou interferindo o menos possível (a venda de armas constitui sempre uma forma de interferência).

Retrato de Luís Lavoura

A solução para a Ucrânia dificilmente será federativa, dado que aquilo que divide os ucranianos não são questões culturais mas sim a orientação económica e política do país. Ou seja, o que se pretende é decidir se a Ucrânia deverá privilegiar relações económicas com a União Europeia ou com a Rússia; se deverá assinar um acordo de livre comércio com uma ou com a outra. Ora, questões dessa índole não podem ser resolvidas transformando o país numa federação: em nenhum país federal há alguns estados (ou províncias, ou cantões) que tenham um acordo de livre comércio com um parceiro e outros estados que tenham um acordo de livre comércio com um parceiro distinto.

A solução para a Ucrânia passa portanto pela divisão, pura e simples, do país em dois: uma parte, maior, que se orientaria para a União Europeia, a outra, menor, que se orientaria para a Rússia.

Mas será uma solução muito difícil, porque a parte russa, embora menor em dimensão, será industrialmente mais rica, porque incluirá a bacia do rio Don (Donbass), rica em carvão e sede tradicional de boa parte da indústria ucraniana. A parte ocidental da Ucrânia não quererá perder esse valor...

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A 1ª Guerra Mundial (mais precisamente, a 1ª Guerra Civil Europeia) foi, no fundo, o resultado da inconsciência, por parte dos políticos europeus, de como tecnologia militar se tinha modificado profundamente nos últimos poucos anos. De facto, nos decénios antes de 1914 fôra inventada a metralhadora, que em 1914 já equipava amplamente os exércitos europeus.  A metralhadora modificou dramaticamente a tecnologia bélica: uma só metralhadora pode, em poucos instantes de fogo, matar ou ferir imensos soldados. E não havia, em 1914, armas defensivas (nomeadamente, blindagens) capazes de resistir às metralhadoras. Os políticos europeus, inconscientes deste facto, julgavam que a guerra que se preparavam para iniciar se ganharia da mesma forma que no século 19 - com muitos soldados e com táticas de assalto brilhantes. E enganavam-se dramaticamente. No idade das metralhadoras, tinha-se tornado impossível ganhar rapidamente e de forma fulgurante uma guerra - da forma como Napoleão o fizera um século antes. Inconscientes deste facto, os políticos europeus foram para a guerra - e, contrariamente às suas expetativas, nunca mais conseguiram sair dela.

 

São estas, penso, as maiores lições do eclodir da 1ª Guerra: (1) É preciso estar atento às consequências das modificações da tecnologia bélica, e (2) Os políticos atuam frequentemente em função dos acontecimentos e dos problemas que conheceram na sua juventude, sem se aperceberem de que o mundo mudou.

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As baixas de soldados israelitas acumulam-se sem cessar desde que Israel invadiu a faixa de Gaza, sugerindo que a resistência palestiniana permanece e começando a fazer vagamente recordar a invasão do sul do Líbano por Israel em 2006. Recorde-se que, nessa ocasião, e apesar da imensa destruição infligida em território libanês, o exército israelita acabou por ter que retirar de forma inglória, por nunca ter conseguido ultrapassar eficazmente a resistência movida pela milícia xiita libanesa do Hizbullah. Será que algo de semelhante se está a passar em Gaza?

Retrato de Luís Lavoura

Na guerra em Gaza já morreram mais de vinte soldados israelitas. Muitos mais israelitas do que todos os mísseis lançados pelos palestinianos conseguem matar durante muitos anos. Assim se vê que o governo israelita não liga lá muito à vida dos seus cidadãos.

Tudo isto foi, alegadamente, causado por três israelitas que foram assassinados na Cisjordânia. As fotografias desses três israelitas, e dos seus funerais, e de pessoas a chorar por eles, foram muito divulgadas. Agora, porém, não se divulgarão as fotografias dos mais de vinte soldados israelitas já mortos nesta guerra sem sentido. São carne para canhão. Os seus pais chorarão em vão, as fotografias do seu choro não serão internacionalmente divulgadas.

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Os Estados Unidos decidiram impôr mais sanções económicas à Rússia. Essas sanções impendem diretamente sobre os setores vitais da economia russa, a produção de gás natural e de petróleo.

Não por acaso, no mesmo dia a União Europeia decidiu o mesmo - alargar as suas sanções económicas à Rússia.

Isto acontece a pretexto da crise na Ucrânia. Ora, acontece que, ultimamente, a Rússia não tem intervindo nessa crise. A única intervenção russa consiste, de facto, em acolher um número maciço de refugiados ucranianos que fogem para a Rússia. As tropas ucranianas têm efetuado (sem que no Ocidente praticamente se fale disso - não se pretende que se saiba) bombardeamentos crueis de cidades do leste do país, conquistaram Slaviansk com muito derramamento de sangue e preparam-se agora para atacar Donetsk. E a Rússia nada fez.

A minha interpretação disto é que as sanções à Rússia têm pouco ou nada a ver com a intervenção desse país na Ucrânia e muito ou tudo a ver com um desejo, por parte dos EUA, de enfraquecer a economia russa, nomeadamente a sua capacidade de exportar produtos energéticos. E isso provavelmente terá a ver com o desejo dos EUA de passarem a ser eles quem, cada vez mais, fornecerá gás e petróleo à Europa.

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O rei Juan Carlos abdicou. É uma boa notícia, embora bastante atrasada: deveria ter abdicado há já bastantes anos, por exemplo quando ultrapassou os setenta anos de idade. Teria poupado os espanhóis a uma data de figuras confrangedoras e constrangedoras. Agora abdica quando, apesar de todas as revistas cor-de-rosa, muitos espanhóis já prefeririam, e com boas razões para isso,  que Espanha fosse uma república em vez de uma monarquia. O príncipe Felipe não merecia isto.

Agora falta a rainha de Inglaterra abdicar também. Naquele posto como noutros, é mais que altura de dar lugar aos novos.

P.S. Concordo também com este post de Vital Moreira.

Retrato de Luís Lavoura

Uma coisa que me deixa perplexo em relação às diversas sanções que a União Europeia está a impôr à Rússia é a seguinte: qual é, precisamente, o objetivo delas? E sob que condições é que essas sanções poderão um dia vir a ser canceladas, isto é, terminadas?

De facto, pergunto: o que deverá a Rússia, concretamente, fazer ou deixar de fazer para que as sanções acabem?

A Rússia anexou a Crimeia. Será que a União Europeia vai terminar as sanções apenas quando a Rússia reverter essa anexação? Não creio ser esse o caso, uma vez que, mais ou menos, toda a gente hoje aceita que a anexação da Crimeia pela Rússia é irreversível. Portanto, se não é essa reversão que a União Europeia exige da parte da Rússia, o que é que exige?

Uma coisa é certa: as sanções constituem uma limitação imposta pela União Europeia à liberdade comercial de muitas empresas europeias. A liberdade é diminuída pelo poder de Estado. E, o que é mais perturbador, não parece haver quaisquer perspetivas de essas restrições à liberdade comercial terminarem. Pelo contrário, parece que elas progressivamente se agravarão, sem fim à vista. Uma vez que a União Europeia não diz à Rússia, concretamente, que condições exige para que as sanções terminem. Temos portanto em perspetiva um mundo de crescentes restrições à liberdade de comerciar entre russos e europeus. O que é mau para todos.