Política Internacional

Retrato de Miguel Duarte

Temos a honra de ser considerados perigosos pelo Partido Comunista Chinês... ;)

Retrato de Filipe Melo Sousa

E tudo muda no panorama político francês. Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy vêm agora as suas hipóteses pulverizadas pelo candidato liberal da UDF: François Bayrou.

Sarkozy 26%
Royal 25%
Bayrou 24%

O obstáculo de Bayrou é conseguir passar à 2ª volta, pois todas as sondagens mostram que em todos os cenários, Bayrou é imbatível em qualquer duelo de 2. Tanto contra Nicolas Sarkozy como contra Ségolène Royal. E Falta 1% dos votos para Bayrou conseguir passar à 2ª volta.

Isto é uma grande surpresa para um pequeno partido como a UDF que não dispõe dos meios financeiros que têm o PS e a UMP para fazer campanha. Bayrou tem tido sérias dificuldades em organizar comícios em espaços adequados aos espectadores que têm surgido em número muito maior do que aquilo que era esperado. No próximo dia 21 de Março no Zénith em Paris o problema vai ser ainda maior, pois aguarda-se uma subida de Bayrou nas sondagens, e uma grande afluência na capital. Os eleitores franceses estão cansados dos dois candidatos dados como garantidos à segunda volta. E como vemos: nada está garantido.

O staff da campanha da Bayrou também tem tido grandes dificuldades para dar entrevistas e comunicados de imprensa em tempo útil, pois o pequeno staff original tem de contar com solicitações da imprensa internacional com as quais não se estava à espera. Mesma dificuldade em dar resposta aos mails dos leitores no site oficial da campanha bayrou.fr.

http://www.lemonde.fr/web/vi/0,[email protected],54-848463,0.html

Retrato de Filipe Melo Sousa

As presidenciais francesas são o palco de um habitual desfile de personagens diversas e de correntes políticas totalmente opostas. Toda a panóplia de ideologias encontra-se aqui representada. Assiste-se neste momento à manifestação de todas as ideologias e correntes políticas. Pretendo fazer uma análise ABC dos candidatos. De acordo com a última sondagem TNS-Sofres para os órgãos de informação Le Figaro-RTL-LCI de 4 de Março, a distribuição das intenções de voto distribui-se da seguinte maneira:

Classe A:
Os dois eternos rivais que se defrontam desde o início da campanha, e favoritos para chegar à segunda volta. A sua chegada à segunda volta é muito provável, mas não certa. De um lado o líder do UMP, actual partido de governo, por outro lado, Ségolène Royal a encabeçar a oposição socialista como alternativa ao projecto conservador. Sarkozy é a única lufada de ar fresco num panorama francês dominado pela velha guarda do partido gaulista que foi mudando de nome RPR, UMP, etc. Mas ficou tudo na mesma. Para desespero dos franceses fartos de ver as mesmas caras, chegou-se a tentar uma 3ª candidatura de Chirac aos 75 anos. Sarkozy é desprezado e criticado pela esquerda pelas suas simpatias americanas e pelas suas políticas demasiado repressivas, odiado pela extrema-direita pelas suas simpatias americanas e pelas suas políticas internas demasiado permissivas. Ségolène Royal apresenta-se como a nova geração de mulheres dispostas a tomar o poder, e a primeira mulher a ser presidente da república. É neste momento presidente Regional de Poitou-Charentes, e mulher do presidente do PS francês, François Hollande. Lança charme a torto e a direito, fazendo afirmações vagas, comprometendo-se com tudo e com todos e com nada. É capaz de num dia apertar a mão ao ministro dos negócios estrangeiros de Israel, quando na véspera esteve em amena cavaqueira no Líbano com um deputado do Hezbollah que apelidou o vizinho do sul de “entidade sionista”, complacente com as últimas afirmações continua a conversa. Pretende Ségolène não ter entendido as palavras quando confrontada no dia seguinte. Um sorriso para a câmara e a campanha continua na sua tournée no médio oriente, agindo como se já fosse chefe de estado. Quanto menos esta senhora falar, melhor lhe correrá a campanha. Já perdeu 10% das intenções de voto tanto na primeira como na segunda volta. Ségolène promete aumentar os impostos e deixá-los na mesma. Promete lutar contra a obtenção da tecnologia de enriquecimento de urânio do Irão, inclusive para uso civil, e defende que essa solução seja negociada pacificamente. E volta a sorrir para as câmaras e a pedir o voto dos franceses.

Nicolas Sarkozy (UMP) 31 %.
Ségolène Royal (PS) 25,5 %.

Classe B:
François Bayrou, líder da UDF (formação recém-convertida à ELDR liberal), e saída do grupo conservador do PPE tem sido a mais recente estrela da campanha eleitoral. Iniciou as presidenciais com uns modestos 5%. Tem tido o melhor desempenho nesta campanha, ganhando mais de 13% dos votos desde o seu início. Ameaça destronar Sarkozy ou Royal na segunda volta, e anula cada vez mais as hipóteses de Jean-Marie Le Pen. Ou talvez não: porque afinal Bayrou contribui para dispersar os votos dos candidatos favoritos, roubando votos tanto à esquerda como à direita. Já Le Pen, este mantém a fidelidade do seu eleitorado habitual. E pode voltar a haver surpresas como em 2002. Le Pen dispensa apresentações. É a sua 6ª candidatura à presidência francesa, e continua em forma apesar da idade.

François Bayrou (UDF) 18,5 %
Jean-Marie Le Pen (FN) 12 %

Classe C:
São os candidatos da palhaçada. Juntos têm 13% dos votos. Acho graça que Arlette Laguiller já anda nisto há mais de 30 anos. Desde 1974 que concorre e obtém sempre entre 2% e 5% de votos. Continua na mesma tranche, agora no limite inferior. Defende soluções trotskistas, com o seu discurso macarrónico já esgotado. A cassete. Temos candidatos de listas tradicionalistas de caça e pesca. Temos o José Bové, que ganhou fama por destruir um McDonald’s à luz do dia com o seu tractor, acção que este classifica de pacífica, em protesto contra a globalização e os métodos agrícolas modernos. Temos o “barão” Philippe de Villiers, a advogar o fascismo “soft” ultra-conservador (família, tradições, religião..). O principal objectivo de cada um é chegar aos 5% de modo a obter financiamento do estado para a campanha. Vejo estes 13% como votos de protesto e descontentamento com a política em geral.

Olivier Besancenot (LCR) 3 %
Marie-George Buffet (PCF) 2,5 %
José Bové 2 %
Arlette Laguiller (LO) 2 %.
Dominique Voynet (Verts) 1 %,
Philippe de Villiers (MPF) 1 %.
Corinne Lepage (Cap 21) 0,5%
Nicolas Dupont-Aignan (ex-UMP) 0,5%
Frédéric Nihous (CPNT) 0,5 %

Por fim, aqui vai um balanço das forças políticas representadas:

Extrema-direita (FN): 12%
Conservadores (UMP+ex-UMP+MPF+CPNT): 33%
Liberais (UDF): 18,5%
Esquerda (PS+Cap 21+Verdes): 27%
Extrema-esquerda (LCR + PCF + Jose Bove + LO): 9,5%

Retrato de Miguel Duarte

Interessante esta notícia do Dinheiro Digital.

Principalmente isto:

A burocracia, o excesso de trâmites e os atrasos na concessão de moeda estrangeira são algumas das razões avançadas pela Toyota para paralisar temporariamente a montagem de veículos na Venezuela.

isto:

A situação afecta ainda as montadoras de marcas como a Ford, Chrysler, General Motors, Mack, Hyundai, Mitsubishi e Fuso, que reduziram as operações e registam atrasos na entrega de veículos.

Em causa está a Resolução 195 do Ministério de Indústrias Ligeiras e Comércio (Milco), de Janeiro de 2007, que excluiu o kit de montagem de veículos dos sistemas automatizados de concessão de divisas.

e isto:

O crescente interesse pela aquisição de veículos e a falta de produtos finais originou listas de espera de clientes que esperam em média mais de oito meses por um carro novo.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Tenho dado com a campanha de marketing que a Macedónia anda a divulgar em várias frentes. Foi uma página inteira da revista The Economist, é na versão online do jornal Le Monde, e presumo que um pouco por toda a parte. A Macedónia publicida descomplexadamente:

- Os seus baixos salários brutos
- Os seus baixos impostos
- A sua vocação europeia
- A sua vontade de ser membro da NATO

Será que o ministro da economia da Macedónia também levou tareia dos sindicatos e da comunicação social por chamar investimento para o seu país?

Retrato de Filipe Melo Sousa

Já a União Europeia subsidia a inoperacionalidade das áreas agrículas. Portanto, os maiores latifundiários recebem os maiores subsídios (indexado à área dos seus terrenos) para se dignarem a não produzir nada.

É assim que a Duquesa de Alba e a Rainha de Inglaterra recebem fortunas dos fundos europeus para deixarem as suas terras improdutivas. De modo a que o mercado não esteja inundado de produtos agrícolas em demasia. Afinal, tudo isto porque a mesma União Europeia atribuiu fundos em larga escala para os mesmos produtores se modernizarem. Agora constataram os efeitos nefastos da interferência no mercado.

Agora algo ainda mais inovador: Durante a administração Clinton, o intermediário Jimmy Carter fechou um acordo segundo o qual iria dar apoio financeiro à Coreia do Norte para modernizar os seus reactores, mas que tivesse apenas o uso civil como fim. O Regime norte-coreano aproveitou os subsídios, e muito bem. Bem demais.

Depois de subsidiar a produção, subsidie-se a ociosidade. Num gesto apaziguador.

Bom, queria deixar aqui bem claro, que ao contrário do que se tem comentado neste blog, eu não sou um admirador da política externa norte-americana. Como poderia?

Retrato de Filipe Melo Sousa

Segundo este artigo do jornal Le Monde, cuja fonte é um relatório a publicar hoje pela comissão europeia, as actuais sanções económicas ao Irão poderão no melhor dos casos atrasara produção da arma atómica.

O chefe da diplomacia europeia, Javier Solana, emite o seguinte comunicado:

"Le problème iranien ne pourra pas être résolu uniquement avec des sanctions économiques.(...) les tentatives d'engager l'administration iranienne dans un processus de négociation ont échoué jusqu'ici".

Em suma: a negociação não serve de nada, e apenas dá ao Irão o precioso tempo de que ele necessita.

O Irão domina neste momento as principais etapas de um programa nuclear:
(1) Extracção Mineral
(2) Purificação para obter o yellow cake com 75% de Urânio
(3) Conversão em UF6

Supõe-se também:
(4) Enriquecimento por centrifugação

E com capacidade iminente de:
(5a) Utilização civil com material combustível enriquecido a mais de 3%

E num curto espaço de tempo pode chegar a:
(5b) Produção de plutónio ou isótopo de urânio U-235>90%
(6) Programa nuclear em larga escala

Retrato de Luís Lavoura

Parece que os Estados Unidos desejam atacar o Irão em breve. Já mandaram um segundo porta-aviões para o Golfo Pérsico. E andam agora, dia sim dia não, a acusar o Irão de apoiar os ataques de guerrilheiros iraquianos contra as tropas dos EUA no seu país. (Claramente, ninguém tem o direito de apoiar guerrilheiros que atacam tropas estrangeiras que invadiram o seu país.) Ontem repetiram mais uma vez essas acusações. As ilustrações gráficas das mortíferas munições que o malvado Irão terá fornecido aos guerilheiros iraquianos fizeram-me lembrar Colin Powell, na ONU, a ilustrar graficamente as armas de destruição maciça que o regime de Saddam Hussein possuiria - camiões transportando fábricas de armas químicas e coisas assim, lembram-se?

A arma está quase a postos, e os pretextos acumulam-se. Salve-se quem puder.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Em resposta às alegadas agressões aos direitos humanos, constato, que afinal George Bush é mais um praticante do pragmatismo diplomático.

Sanções ao Irão pelo seu programa nuclear? Nada à vista

Retaliação pela contribuição pela escalada de violência no Iraque? Nada à vista

Bush dirige-se aos muçulmanos nos EUA dizendo que estes devem sentir-se à vontade com os seus credos, convida dirigentes islâmicos à casa branca na semana que se segue ao 11 de Setembro, de maneira a não ferir susceptibilidades. Usa as sua força aérea para largar bens humanitários sobre as populações do Afeganistão. Gasta milhões de dólares dos contribuintes, cortando na Educação e na Saúde, de modo a gastar em tropas que irão garantir a segurança dos países que ocupa. Em vez de impor uma constituição aos países que ocupa, oferece-lhes a democracia, de modo a que estes ponham no poder um regime que inevitavelmente lhe será hostil. Pede desculpa sempre que os civis sofrem, leva os seus soldados a tribunais marciais quando existem abusos disciplinares.

À luz da administração americana apenas uma "proportional response" será admissível. Pois a guerra terá de ser justa. Não pode ter por fim eliminar o perigo islâmico causado pela intolerância e inveja de um povo bem-sucedido. Terá apenas como fim o bem estar e a democracia de um povo cujos dirigentes estão em guerra com o ocidente. Que o inimigo não tenha os mesmos nobres princípios é perfeitamente irrelevante.

A diplomacia americana é uma série de trapalhadas!

Ditada pelo pragmatismo, compra-se um ditador ali, apazigua-se outro ali que já os ajudou a lutar contra os comunistas, e agora está revoltado porque lhe tiraram o tapete. As acções são apenas válidas no momento e os princípios adaptáveis às circustâncias. Afinal o uso da força apenas iria criar uma geração de insurgentes rebeldes. Como podemos ver hoje que é o caso da juventude alemã, japonesa ou italiana, não é verdade? Bem, parece que o plano da "freedom for them" não trouxe os resultados esperados. Americanos burros! Não lêm história. Já ouviram falar de um senhor chamado Chamberlain?

Retrato de Filipe Melo Sousa

Chirac em declarações à imprensa ontem sobre o programa nuclear do Irão:

"Je dirais que ce n'est pas tellement dangereux par le fait d'avoir une bombe nucléaire - peut-être une deuxième un peu plus tard, bon... ça n'est pas très dangereux. Mais ce qui est dangereux, c'est la prolifération. Ça veut dire que si l'Iran poursuit son chemin et maîtrise totalement la technique électronucléaire, le danger n'est pas dans la bombe qu'il va avoir, et qui ne lui servira à rien... Il va l'envoyer où, cette bombe ? Sur Israël ? Elle n'aura pas fait 200 mètres dans l'atmosphère que Téhéran sera rasée."

Convocando a imprensa hoje para voltar a corrigir:

"J'ai eu un mot rapide, et je retire naturellement, quand j'ai dit : "on va raser Téhéran". C'est évidemment une boutade dans mon esprit... mais bon. Je n'imagine pas que l'on puisse raser Téhéran ! (...)Il est évident que si un acte agressif indiscutable, c'est-à-dire l'envoi d'une bombe par une fusée porteuse, avait lieu (et cette bombe serait, je le répète, automatiquement détruite avant même d'avoir quitté le sol iranien ou en tout cas le ciel iranien), il est évident qu'il y aurait sans aucun doute des mesures de coercition, de mesures de rétorsion forcément. Ça fait partie de la dissuasion nucléaire."

Editorial do jornal "Le Monde" hoje: "a ideia segundo a qual o Irão vai possuir a arma nuclear, e que isso não representaria um perigo imediato é um ponto de viragem radical na política externa francesa, e vinda no momento errado. Precisamente agora que a comunidade internacional se vai reunir em Nova Iorque e voltar a ameaçar o Irão, onde fica a credibilidade que a posição francesa ainda poderá ter?"

E já agora sondagem online lol
http://www.lemonde.fr/web/sondage/0,[email protected],15-863030,0.html