Política Internacional

Retrato de Luís Lavoura

Estou 11% de acordo com esta opinião de Ron Paul: "my goal has always been to have cooperation and diplomacy rather than antagonism and talking back at each other, and sanctions; they don’t do any good at all! So, I’ve always been more on the optimistic side since the Cold War ended, because we were trading more, and talking more, and traveling more with Russia and China and different places in the world. So, to me, if you trade with people, you do better. So any time you suspend anything like that, it’s negative."

Retrato de Luís Lavoura

Eu gosto de referendos sobre a independência de territórios e acho que os votos emanados de tais referendos - desde que eles sejam feitos de forma limpa e sem excluir indevidamente alguns dos reais habitantes desses territórios - devem ser respeitados. Isto é, se uma região vota pela sua independência, então essa independência deve realizar-se. Realizar-se a bem, de forma correta e cordata, assim como a Eslováquia e a República Checa no passado decidiram separar-se - de forma suave, sem recriminações nem ressentimentos.

Por isso acho bem que se realize um referendo sobre a independência da Crimeia, ou sobre a sua adesão à Federação Russa. E acho que, se o voto fôr a favor dessa solução, ela deverá ser implementada. Tal como acho bem que se vote sobre a independência da Escócia, da Catalunha ou, eventualmente, da Madeira.

Retrato de Luís Lavoura

Toda a gente sabe que "quem dá e torna a tirar, ao inferno vai parar".

Apesar disso, é comum que, quando dois namorados se separam, um ou ambos eles exijam do outro que lhes devolva as prendas que lhe tinham oferecido durante o namoro.

Possivelmente, o(a) leitor(a) deste blogue terá ele(a) próprio(a) feito isso alguma vez na vida.

Com a Rússia e a Ucrânia passa-se atualmente a mesma coisa. A Rússia e a Ucrânia foram no passado boas amigas. Tão boas, que a Rússia resolveu oferecer à Ucrânia um pedaço de território, a península da Crimeia, que é habitado na sua maioria por russos e apenas por muito poucos ucranianos. Como a Rússia e a Ucrânia eram boas amigas, não importava, ao fim e ao cabo, a qual delas pertencesse a Crimeia. Porém, agora a Ucrânia decidiu, sabe-se lá porquê, separar-se da Rússia. Acabou o namoro. E então a Rússia exige que a Ucrânia lhe devolva esse presente, a Crimeia, que no passado lhe oferecera.

A atitude da Rússia é feia? É. Mas quem quer que tenha tido um namoro e, no fim dele, tenha exigido do(a) ex a devolução dos presentes que lhe oferecera, deverá compreender a atitude da Rússia.

Retrato de Luís Lavoura

Segundo um mapa na edição desta semana da Economist (uma revista insuspeita de russofilismo), cerca de dois terços da população da Crimeia é russa. O restante terço da população pertence a diversas minorias étnicas (creio que principalmente tártaros). A população etnicamente ucraniana é residual.

Em face destes factos, não faz qualquer sentido que a Crimeia faça parte da Ucrânia. Muito mais sentido fará que ela constitua um país independente, ou então que faça parte da Rússia.

Os países "ocidentais", que instigaram e reconheceram a independência do Kosovo sob o argumento de que a maioria da sua população é etnicamente albanesa, não podem deixar de reconhecer este facto.

A hipocrisia e a duplicidade dos Estados devem ter limites.

Retrato de Luís Lavoura

A União Europeia (UE) e os Estados Unidos da América (EUA) estão todos contentes com a evolução política na Ucrânia.
Porém, que não tenham ilusões: nem uma nem os outros têm dinheiro para lhe pagar. É que a Ucrânia é muito cara: está crivada de dívidas e precisa sempre de mais dinheiro. E tanto a UE como os EUA vivem - ao contrário do que sucede com a Rússia - à custa de empréstimos.
A Ucrânia em breve descobrirá que os seus novos parceiros não têm dinheiro para lhe dar (têm, na melhor das hipóteses, para lhe emprestar). Caiu da sertã no fogo.
E o dinheiro que a União Europeia emprestar à Ucrânia, será dinheiro que não nos emprestará a nós.

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Teve alguma razão o ministro angolano dos Negócios Estrangeiros quando anteontem, em entrevista à RTP, afirmou que as pessoas não estranham quando vêem um árabe rico e, da mesma forma, não deveriam estranhar quando vêem um angolano rico.

É um facto: a cleptocracia angolana é muito criticada enquanto que às cleptocracias árabes se fecha os olhos.

Retrato de Luís Lavoura

É deveras impressionante e revoltante que na Ucrânia, mais de vinte anos após o fim da União Soviética, ainda houvesse estátuas de Lenine em pé.

Agora deitaram uma abaixo, fizeram muito bem, a estátua era incompreensível e inaceitável.

Por essa mesma ordem de ideias, o facto de a terem deitado abaixo não tem significado nenhum. Tratou-se apenas de fazer o que já há muito tempo deveria ter sido feito mas, incompreensivelmente, ainda não o tinha sido.

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Parece que cada vez mais gente nas chancelarias ocidentais pensa como no título deste post: o presidente sírio Bashar al-Assad pode ser mau, mas os jihadistas que contra ele combatem são muito piores. E cada vez mais torcem para que o poder volte para Assad.

Diz-se que, de facto, até alguns dos rebeldes sírios originais já assim pensam. Entre a ditadura, mas respeitadora dos direitos das minorias e das mulheres, de Assad, e o fundamentalismo islâmico daqueles que mais o combatem, é preferível a primeira.

A democracia é uma coisa muito bonita. Mas antes dela, e mais fundamental, vêem os direitos das pessoas, o respeito pelos direitos de todos os seres humanos - incluindo as mulheres - e das minorias - nomeadamente religiosas.

Nos países árabes, o "Ocidente" pensou muito em promover a democracia, esquecendo que, ao fazê-lo, estaria a promover o desrespeito pelas liberdades fundamentais, que eram asseguradas pelos regimes ditatoriais existentes. Nomeadamente, as liberdades das mulheres e das minorias religiosas.

Agora olham para a porcaria que fizeram e arrependem-se.

Mais valia não terem metido o nariz aonde não eram chamados.

Retrato de Luís Lavoura

É uma excelente notícia que finalmente os países do "Ocidente" tenham abandonado a sua obsessão anti-iraniana e se preparem para levantar as sanções económicas ao Irão.

Isso é não apenas bom para o povo iraniano, mas também para todo o mundo, dado que o Irão é um país muito avançado do ponto de vista científico e tecnológico, e tem uma economia em rápido crescimento, que o mundo poderá agora aproveitar.

Estou aliás convencido de que, em última análise, foram estes os fatores que induziram os EUA a abandonar a sua postura radical. Tal como no caso do Vietname há duas décadas, também agora os EUA perceberam que "se não os podes vencer, junta-te a eles".

Retrato de Luís Lavoura

Os frutos da intervenção militar do "Ocidente" no mundo árabe, intervenção sempre feita em nome da eliminação de ditaduras, são sistematicamente os mesmos: países desfeitos, em guerra civil, vidas destroçadas.

Primeiro foi no Iraque, depois foi na Síria. Agora é na Líbia.

Em todo o lado (com uma honrosa exceção, o Curdistão iraquiano), a intervenção do "Ocidente" é um desastre humanitário e geopolítico em toda a linha.