Política Internacional

Retrato de Miguel Duarte

Um pequeno vídeo que é elucidativo sobre a forma como se criam imagens para a imprensa em Hezbollywood.

Retrato de Miguel Duarte

Terá o recente evento em Qana sido criado pelo Hezbollah (isto é mesmo uma pergunta, não uma insinuação)?

Alguns dados:

- O edifício só foi evacuado após a chegada dos jornalistas;
- Não foi permitido aos jornalistas ver o local em detalhe;
- As pessoas foram todas retiradas de uma pequena abertura;
- Os corpos aparentavam já estar mortos há vários dias;
- As bombas israelitas não atingiram directamente o edifício, o telhado do edifício estava intacto;
- Houve não um, mas três ataques ao edifício, espaços entre si por algumas horas. Porque continuaram as pessoas num edifício que sabiam ser um possível alvo de um próximo ataque?
- O edifício abateu horas após o ataque ao mesmo pelos Israelitas;
- Os mortos não residiam na zona;
- Existem indícios de o Hezbollah anteriormente ter criado eventos falsos semelhantes;
- Afirma-se que os Libaneses não conseguem fugir, mas curiosamente, os jornalistas e equipas de salvamento conseguem chegar rapidamente ao local do ataque;
- Não foi retirado ninguém vivo do edifício;
- Existem relatórios de armazenamento de corpos de ataques anteriores em camiões frigoríficos numa cidade próxima (Tyre);
- Os números da Cruz Vermelha não batem certo com os relatados pela imprensa;
- Existe uma pessoa que misteriosamente aparecem ao longo de vários anos nas equipas de salvamento no Líbano, aparece em muitas fotografias e coloca-se em poses que são propícias a "boas fotos".

Existem também alguns factos que me preocupam (não serão crimes de guerra?):

- O Hezbollah, em total desrespeito pela vida humana dos cidadãos que afirma proteger, insiste em colocar os seus militares e os seus lança mísseis entre edifícios civis;
- O Hezbollah armazena armas em habitações civis, incluindo indícios recentes de ter armazenado armas no edifício agora destruido até há cerca de dois dias;

A minha opinião:

Raramente a razão está toda de um lado. Israel ataca porque se quer defender dos ataques que tem sofrido. Israel ataca civis porque o Hezbollah propositadamente mistura-se entre os mesmos. Numa guerra sem uniformes e sem instalações militares claramente diferenciadas, as baixas civis serão necessáriamente maiores. Mas Israel é também culpado por empregar a força bruta para resolver problemas que têm que ser resolvidos no terreno, numa luta homem a homem. As baixas seriam maiores, mas os erros em grande escala seriam certamente menores.

Considero também que o terrorismo é uma guerra, mais do que militar, psicológica. Temos por isso que estar atentos e desconfiar, numa guerra psicológica vale todo o tipo de mentiras e a maior parte do que ouvimos não é verdade. Até os factos que coloquei acima podem não ser verdade (certamente que Israel também tentará fazer a sua guerra psicológica e a sua guerra de desinformação).

Acima de tudo, não nos podemos deixar ir na onda. Infelizmente as coisas geralmente não são simples e no Médio Oriente ainda menos.

Fontes:

http://web.israelinsider.com/Articles/Diplomacy/8997.htm
http://eureferendum.blogspot.com/2006/07/who-is-this-man.html
http://www.riehlworldview.com/carnivorous_conservative/2006/07/a_tyre_for_qana.html

Retrato de Miguel Duarte

Nos últimos 110 anos os Estados Unidos foram responsáveis pelo derrube de 14 governos de outros países, alguns dos quais democráticos e que ainda hoje pagamos o preço. Vejamos:

1893, Hawai

1953, Irão - Foi derrubado Mossadegh, líder democrático do Irão, com a colaboração dos serviços secretos Britânicos e Americanos, devido a ter nacionalizado a produção de petróleo no seu país. Ver Mossadegh. O seu derrube levou a um desencadear de acontecimentos que conduziram à revolução Islâmica de 1979;

1954, Guatemala - Foi derrubado o governo democrático de Jacobo Arbenz, depois de ter expropriado os terrenos de um produtor de bananas americano, a United Fruit Company. Ver Guatemala. Este derrube conduziu a 30 anos de guerra civil e a 200.000 mortes;

1963, Vietname - Após ter conduzido o ditador Diem ao poder, Kennedy deixou que o mesmo fosse assassinado (aparentemente não estavam muito contentes com a sua performance). Alguns consideram que o assassinato de Diem e o posterior aumento da intervenção americana no Vietname foi o que conduziu à posterior derrota americana do Vietname (devido ao ódio criado pela intervenção). Ver Ngo Dinh Diem;

1972, Chile -

http://www.texasobserver.org/article.php?aid=2255

Retrato de Luís Lavoura

O terrorismo é como uma epidemia de, digamos, cólera.

Em todas as sociedades existem pessoas descontentes e raivosas, prontas a matar sem olhar a quem, prontas a espalhar a destruição e o terror.

Mas essas pessoas, quais bactérias de cólera isoladas, raramente fazem mal.

O terorismo só surge, qual epidemia de cólera, quando essas pessoas raivosas são muitas em relação ao total da sociedade.

Tal como não podemos esperar extirpar completamente a bactéria da cólera, também não podemos esperar extirpar completamente os potenciais terroristas.

Temos é que procurar controlar a epidemia. Assegurarmo-nos de que não há condições ecológicas favoráveis para a multiplicação das bactérias da cólera. Se as condições ecológicas forem desfavoráveis, as bactérias, embora presentes, não se multiplicam desmesuradamente, e não surge uma epidemia.

O nosso objetivo não é matar todas as bactérias da cólera - esse objetivo seria irrealista, impraticável - é, sim, evitar a sua multiplicação descontrolada.

O mesmo se passa com o terrorismo. O nosso objetivo não pode ser a eliminação total de todos os potenciais terroristas, mas sim assegurarmo-nos de que esses potenciais terroristas não encontram condições favoráveis para a sua multiplicação. Que eles permanecem sempre uma ínfima minoria da sociedade.

A política de Israel em relação ao Líbano é contraproducente, se encarada como uma guerra ao terrorismo. Israel diz que procura eliminar os terroristas que há no Líbano. Mas esse objetivo é irrealista e inalcançável. Ao massacrar a sociedade civil libanesa, Israel está, de facto, a criar as condições favoráveis para uma multiplicação global de potenciais terroristas.

(Este post deve-se a uma influência de Hans Magnus Enzensberger, que escreveu um livro sobre este tema.)

Retrato de Miguel Duarte

O MLS - Movimento Liberal Social em conjunto com jovens de outras organizações liberais internacionais, irá realizar uma acção de consciencialização de portugueses e turistas estrangeiros, na zona da grande Lisboa, durante o próximo dia 21 de Julho.

Durante a acção, cerca de 25 jovens de 13 países, irão em várias zonas turísticas da grande Lisboa divulgar informação sobre a necessidade de clarificação do que de facto aconteceu relativamente aos voos da CIA na Europa e abordando os cidadãos, explicar a importância do respeito pelas várias convenções internacionais e regras habituais dos nossos sistemas judiciais, para a manutenção dos nossos Estados de Direito, mesmo em situações de combate ao terrorismo.

Durante a acção irão também ser divulgadas junto dos cidadãos as posições liberais relativamente a esta questão, nomeadamente:

  • A inaceitabilidade de qualquer forma tortura, ou de detenções ilegais, mesmo no combate ao terrorismo;
  • A necessidade de investigação detalhada da questão dos voos da CIA sobre a Europa e da responsabilização de todos aqueles que violaram deliberadamente as leis ao aceitarem estes voos sobre a Europa;
  • O grave erro que se está a cometer ao violar os direitos humanos mais básicos, facilitando desta forma o recrutamento de ainda mais terroristas;
  • A necessidade urgente de um maior controlo democrático sobre os serviços de informação na Europa e nos Estados Unidos.
Retrato de Luís Lavoura

O Líbano continua a ser diariamente massacrado por Israel, numa orgia de destruição de infra-estruturas (estradas, portos, aeroportos) e, crescentemente também, de vidas humanas civis. A comunidade internacional não faz nada. O único patrão reconhecido por Israel é, como se sabe, os EUA, e estes continuam decididos a dar-lhe a sua total cobertura. Logo, Israel tem mãos livres para desfazer o seu vizinho à vontade. Tudo o resto é pia conversa. Ninguém pode pôr Israel na ordem, porque ninguém pode pôr os EUA na ordem.

Convem perguntarmos porque faz Israel isto. Se é verdade que o Hezbolah chateia Israel, e ocasionalmente mata ou rapta soldados israelitas, também é evidente que este ataque israelita ao Líbano apenas marginalmente atinge o Hezbolah, e faz sofrer a população civil do país de forma totalmente desproporcionada. É claro que o objetivo do ataque israelita é mais o Líbano como um todo, do que propriamente o Hezbolah.

A minha teoria é que o verdadeiro objetivo de Israel é a destruição económica do Líbano, o qual ameaçava tornar-se um caso de sucesso capaz de ensombrar Israel na região. O Líbano é um país de misturas étnicas e religiosas, um país genericamente tolerante, com muita gente muito apta a fazer dinheiro - foi em tempos conhecido como a Suíça do Médio Oriente. O Líbano é um país que estava a liberalizar com sucesso a sua economia, e a conhecer um crescimento muito interessante. O Líbano tem importantes comunidades emigradas em muitos países, capazes de ajudar a terra mãe. Em suma, a economia libanesa estava a prometer um crescimento rápido, com muita gente (tanto libaneses como estrangeiros) a investir no país.

Creio que Israel não estava a gostar de tal perspetiva. De ter ao seu lado um vizinho árabe economicamente pujante e cheio de sucesso, que desviasse investimentos e mercados da economia israelita.

Por isso Israel destrói as infra-estruturas libanesas. Por forma a que ninguém, nos tempos mais pŕoximos, decida investir em tal país.

Retrato de Miguel Duarte

O Presidente da República do Congo, Denis Sassou-Nguesso, estará presente na Cimeira do G-8 em São Petersburgo, na Rússia, que irá decorrer no final desta semana. Sassou-Nguesso enfrenta actualmente várias acusações de corrupção, nomeadamente o desvio de fundos do petróleo para seu proveito pessoal. Os auditores internacionais têm recusado sistematicamente dar o seu aval às contas da companhia de petróleo do Estado durante os últimos três anos e o Fundo Monetário internacional (FMI) declarou que "os lucros do petróleo do Congo continuam a ser desviados para outros fins e não chegam nunca ao tesouro nacional".

As políticas levadas a cabo por Sassou- Nguesso prejudicam os mais pobres dos pobres no Congo, ao mesmo tempo que as elites corruptas do país continuam a encher os bolsos. A Federação Internacional de Juventude Liberal (IFLRY - International Federation of Liberal Youth) e a Juventude Liberal Europeia (LYMEC - European Liberal Youth) estão muito preocupadas com a decisão do G-8 de convidar Sassou-Nguesso para representar o continente africano e apelar a uma alargada amortização da dívida internacional. Para além da organização Transparency International classificar o Congo como uma das mais corruptas nações do mundo, o recorde de violações dos direitos humanos de Sassou-Nguesso é absolutamente incrível.

Desde o golpe de estado que o levou ao poder em 1979, o governo de Sassou-Nguesso é responsável por:

* 20,000 mortos e 800,000 refugiados;
* Ele foi acusado de crimes contra a Humanidade, desaparecimentos forçados, tortura e genocídio em 1999;
* O seu regime desviou mais de 300 milhões de dólares em dividendos provenientes do petróleo, só nos últimos dois anos;
* Gastou mais de 200 mil dólares em hotéis numa viagem recente aos Estados Unidos, enquanto o cidadão médio do Congo vive com menos de 700 dólares por ano.

Embora a IFLRY e a LYMEC acreditem que acabar com a pobreza deve ser um objectivo global comum, o que é verdadeiramente necessário é menos conversa sobre ajudas financeiras e a amortização da dívida internacional e um maior ênfase em como acabar com as causas reais da pobreza. A verdadeira causa da pobreza não é a escassez de recursos locais, ou a falta de assistência oficial nem sequer uma deficiência de um painel de quadros de alto nível para auxiliar ditadores de primeira linha como Sassou-Nguesso: a raiz do problema é pura e simplesmente maus governos. Assim, dar mais dinheiro para construir pipelines é um dos problemas, e não uma possível solução.

Segundo um relatório recente da União Africana, a corrupção custa a África 148 biliões de dólares todos os anos, o que é bem mais do que a verba prometida pelo G-8 para a amortização da dívida durante a próxima década. Se não forem tomadas medidas fortes contra os regimes corruptos, como o de Sassou-Nguesso, a capacidade para os países africanos utilizarem a assistência internacional, seja ela na forma de ajudas ou de amortização da dívida, ficará seriamente comprometida.

A IFLRY e a LYMEC exigem uma posição clara do G-8 contra a amortização da dívida de países como o Congo. Apelamos sim à implementação de procedimentos criminais contra o regime de Sassou-Nguesso.

O que o Congo necessita não é uma amortização da dívida, que só irá beneficiar a cleptocracia do governo, mas de um regime de direito, de direitos de propriedade e um bom governo para tirar o pais da miséria.

Nota: Comunicado conjunto da LYMEC/IFLRY, emitido no contexto da Cimeira do G-8.

Retrato de Luís Lavoura

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) decidiu ontem agir em conjunto na Organização das Nações Unidas (ONU) no sentido de rejeitar a ideia, ultimamente muito difundida, de que Timor-Leste seria um "Estado falhado".

Trata-se de uma ótima decisão da CPLP. A ideia de que um determinado país tem um "Estado falhado" não passa de uma desculpa para tornar esse país num protetorado de outros países. No caso vertente, a Austrália está interessada em tornar Timor-Leste num protetorado seu, com o objetivo indisfarçável de espoliar Timor-Leste do seu petróleo. A Austrália difunde a ideia de que Timor-Leste é um Estado falhado, um país pessimamente governado, com o objetivo de lhe pôr a pata em cima.

A CPLP decidiu defender um Timor-Leste independente da Austrália e, portanto, com direito a governar-se a si mesmo, e ao seu petróleo. Fez muito bem.

Holanda: deputada Hirsi Ali demite-se e abandona o país

A deputada liberal de origem somali Ayaan Hirsi Ali, dura crítica do Islão, anunciou hoje a demissão imediata do seu mandato parlamentar e o abandono da Holanda, após uma polémica em torno das suas mentiras para obter asilo político.
«Hoje, deixo o meu mandato no parlamento. Abandono a Holanda. Vou fazer as malas, triste e aliviada», declarou Hirsi Ali, numa conferência de imprensa, em Haia.

O anúncio surge depois de a ministra da Imigração holandesa ter informado o parlamento de que a deputada poderia ser privada da nacionalidade holandesa por ter mentido quando solicitou asilo político, em 1992.

Ayaan Hirsi Ali, ameaçada de morte por fundamentalistas muçulmanos, vive sob protecção reforçada do Governo holandês 24 horas por dia.

Declarou que a verdadeira razão da sua partida para os Estados Unidos era o facto de ter que abandonar a sua casa, após uma queixa apresentada à justiça pelos seus vizinhos, devida à vigilância.

Acrescentou que a sua partida estava também relacionada com a discussão em torno da revogação da sua nacionalidade, mas acrescentou:

«Eu não me sinto expulsa«.

Segundo a comunicação social holandesa, Ayaan Hirsi Ali conseguiu um emprego no American Enterprise Institute, um centro de investigação ideologicamente próximo dos neo-conservadores.

De acordo com a imprensa de Haia, a deputada teria obtido um acordo com as autoridades norte-americanas quanto à sua segurança.

Amiga do realizador assassinado Theo Van Gogh, a deputada é argumentista do filme «Submissão», realizado por este e extremamente crítico do Islão.

O nome da deputada veio à baila na passada semana, depois de um documentário da televisão pública ter reconstituído o seu percurso de exilada política.

O filme mencionava o que Ayaan Hirsi Ali já evocara, ela própria, várias vezes: quando chegou à Holanda, em 1992, a futura deputada mentiu ao preencher o documento de pedido de asilo.

O Supremo Tribunal de Justiça da Holanda já retirou a nacionalidade a pessoas em situações semelhantes.

A deputada admitiu ter dado um nome e uma data de nascimento falsos, tendo também indicado que vinha directamente fugida da guerra na Somália, quando chegara do Quénia, onde vivia com a sua família e beneficiava de um estatuto de refugiada.

A deputada indicou ao New York Times que fugiu para escapar a um casamento forçado.

«Agora, sou criticada por ter mentido, mas há anos que o admiti», acrescentou ao diário norte-americano.

Definiu-se como uma «dissidente do Islão» que critica os ensinamentos islâmicos sobre as mulheres, os homossexuais, os apóstatas e os adúlteros.

Após o assassínio de Van Gogh, a deputada refugiou-se nos Estados Unidos.

Ao regressar, mudou-se para um apartamento do Estado holandês, em Haia, sob alta segurança.

Contudo, os seus vizinhos, inquietos com a sua própria segurança, conseguiram que a Justiça holandesa determinasse na passada semana a sua mudança.

Diário Digital / Lusa

Retrato de Luís Lavoura

O presidente do Irão escreveu uma carta ao presidente dos Estados Unidos da América, remetendo-a pelos adequados canais diplomáticos.

A carta deve ser vista como uma tentativa de conciliação ou diálogo entre os dois países. Inclusivé, o presidente do Irão refere-se na carta à crença do presidente dos EUA em Deus - um Deus que, no fundo, é o mesmo para os dois presidentes, é um traço de união entre os dois.

Mas o presidente dos EUA não parece interessado em responder à delicada missiva. Lá foi fazendo saber que a carta não contem nenhuma proposta nova - sem reconhecer que a carta é, em si mesma, algo de novo.

O presidente dos EUA não está interessado em dialogar. O diálogo não é o ponto forte dos EUA. Os EUA preferem levar o jogo para outro terreno, aquele onde sabem ser os mais fortes.

É pena.