Política Internacional

Retrato de Miguel Duarte

E depois ainda me vêm falar da Europa. ;)

Nos Estados Unidos, o Senador Bill Frist (um republicano), propôs que se aumentassem os impostos sobre as petrolíferas, por forma a distribuir-se 100 Dólares por todos os motoristas do seu estado. Esta medida foi proposta em resposta à proposta dos Democratas, que consistia em criar durante 60 dias umas "férias de imposto" sobre a gasolina.

Certo é, que o nosso governo por cá, consegue fazer ainda pior. Está a pensar aumentar ainda mais os já elevadíssimos impostos sobre combustíveis.

Inspiração: CNN

Retrato de Luís Lavoura

Sobre a recente medida do novo governo boliviano, de "nacionalizar" a extração de petróleo e (sobretudo) de gás natural no seu território, ouvi duas versões. Por um lado, que o governo boliviano terá mandado o exército ocupar os campos de extração, o que denota, de facto, uma versão "forte" da nacionalização. Por outro lado, que aquilo que o governo boliviano exige é "apenas" que a percentagem dos lucros paga pelas companhias extratoras ao Estado boliviano suba de 50%, como até aqui era o caso, para 82%.

Ora, se tivermos em conta que, com as recentes subidas do preço do petróleo e - concomitantemente, pois um preço está em geral indexado ao outro - do gás natural, os lucros das companhias extratoras subiram fortemente, conclui-se que, provavelmente, os acionistas e os gestores das companhias extratoras não ficam a perder assim tanto com esta medida do governo boliviano. Provavelmente, vai continuar a ser apetecível para essas companhias investir na Bolívia, e vão continuar a receber lucros compensadores de tais investimentos.

Retrato de Miguel Duarte

Aconselho a leitura deste artigo da BBC.

De facto a França está muito próxima de ser um país Comunista (embora eu questione a parte do bem sucedido):

  • Os jovens preferem ficar no desemprego a trabalhar sob o risco de despedimento (25% da população com menos de 26 anos está desempregada);
  • Apenas um terço dos franceses considera ser o capitalismo o melhor sistema económico;
  • Os sindicatos ainda conseguem fazer parar o país (atenção que não tenho nada contra sindicatos, mas tenho contra aqueles que ainda ficam agarrados a ideias já ultrapassadas);
  • Cultura de subsídios um pouco por toda a parte (veja-se a cultura);
  • Mesmo os governos de direita têm tomado muitas medidas proteccionistas que vão contra o próprio mercado comum.

Quanto a ser bem sucedido:

  • Fraco crescimento económico;
  • Como vimos, altos níveis de desemprego;
  • Perda de prestígio e influêcia a nível mundial;
  • Exclusão social.
Retrato de Luís Lavoura

Segundo notícia no PÚBLICO de anteontem, o Departamento de Energia (DE) norte-americano re-calculou as reservas mundiais de petróleo (mais precisamente, de bio-carbonetos) tendo em conta os altos preços que este atingiu. Esses altos preços fazem com que depósitos de petróleo que anteriormente não era económico explorar sejam agora de exploração viável. Notoriamente, os depósitos de areias betuminosas na província canadiana do Alberta e na bacia do rio Orenoco, na Venezuela. Essas areias betuminosas contêm quantidades impressionantes de bio-carbonetos, embora a sua extração seja tecnicamente muito difícil, e muito cara. As areias betuminosas do Alberta já estão a ser exploradas, as do rio Orenoco ainda não. Segundo o DE, quando se tem em conta essas areias betuminosas, a Venezuela passa a ser o país do mundo com maiores reservas de bio-carbonetos.

A importância da Venezuela no xadrez político mundial cresce, desta forma, enormemente. Hugo Chávez terá alguma razão para temer uma invasão norte-americana.

Retrato de Miguel Duarte

Mais uma prova da efectividade da acção dos EUA no Afeganistão (para aqueles que não perceberem estou a ser irónico).

Abdul Rahman is charged with rejecting Islam and could be executed under Sharia law unless he reconverts.

The US made a subdued appeal for him to be allowed to practise his faith - but stressed it did not want to interfere.

Germany, Italy and Canada, which all have troops in Afghanistan, also voiced concern over Mr Rahman's plight.

Mr Rahman, 41, converted 16 years ago as an aid worker helping refugees in Pakistan. His estranged family denounced him in a custody dispute over his two children.

Fonte: BBC

Ou seja, no Afeganistão ainda se considera que alguém, uma vez Muçulmano, sempre Muçulmano até à morte (no verdadeiro sentido da palavra). Infelizmente estes são problemas que não se resolvem claramente com a força das armas.

Pessoalmente, gostava de ver alguns protestos (umas declarações públicas e umas cartitas aos grupos religiosos no Afeganistão bastavam, não precisam de ir para a rua) das comunidades muçulmanas espalhadas pelo mundo relativamente a esta questão (ao jeito do que faz a Amnistia Internacional). Acho que é uma oportunidade excelente de marcar a diferença e de mostrar que prezam a tolerância, a democracia e a liberdade. Eu pelo menos ficaria claramente indignado (aliás, horrificado), se algum ateu ou agnóstico fosse condenado à morte por outros ateus ou agnósticos como eu por se ter convertido a uma qualquer religião.

Aliás, outra atitude interessante seria também começar a existir uma rejeição pública por parte das organizações Muçulmanas relativamente à lei Sharia, defendendo claramente estados laicos (e também aconselhando os seus equivalentes em países muçulmanos como o Iraque, o Irão, Afeganistão, Arábia Saudita, etc., relativamente a este assunto). É que mais do que quaisquer outros países, os países do Médio Oriente, no momento histórico em que vivemos, estão a necessitar dos valores da laicidade e é fácil perceber que a mesma tem conduzido a claros abusos.

Retrato de Miguel Duarte

Eu fui contra a invasão do Iraque, uma estupidez com que o nosso "amigo" Bushe os seus amigos neoconservadores nos presentearam.

Mas, e agora?

Agora, infelizmente, considero que só resta ao Ocidente lá continuar e remediar da melhor forma possível o mal que foi feito. Infelizmente tenho que dar razão (e não me agrada nada) a Rumsfeld. Deixar o Iraque na situação actual era entregá-lo aos extremistas e conduziria o mundo a uma situação terrível. Tenho a certeza que tal como aqueles que no passado defenderam a invasão do Iraque devem estar no momento profundamente arrependidos, aqueles que defendem a saída do Iraque, se esta viesse a acontecer, iriam também dentro de alguns anos arrepender-se profundamente do que defenderam.

Infelizmente raramente existem saídas fáceis para problemas desta dimensão, tal como raramente existem guerras fáceis e rápidas.

Retrato de Miguel Duarte

Montante total anual de ajudas concedido ao anterior governo da autoridade palestiniana (da Fatah):

1.000.000.000 dólares, ou seja, 0,42% do custo até ao momento da Guerra no Iraque, ou um bombardeiro B2 por ano.

Os EUA, deste valor, não comparticipavam sequer 40%, sendo que 60% do valor corresponde a ofertas da União Europeia.

Ou seja, o Ocidente não apoiou como deve ser um governo relativamente moderado de uma nação que está no centro de muitos dos conflitos do Médio Oriente e que por isso mesmo deveria ser muito apoiada. Agora queixa-se que um grupo terrorista e radical, o Hamas, ganhou as eleições na Palestina (em parte devido ao apoio que dava à população, em parte devido à corrupção que existia no governo da Fatah).

É claro que contra a corrupção e o mau uso de dinheiros não podemos fazer muito. E também não se pode fazer muito contra as infraestruturas que Israel destrui sistemáticamente e que eram financiadas com dinheiro da União Europeia (admitidamente, é chato estar a pagar algo para ser destruído de seguida). Mas as escalas de valores deixam-me pasmado.

Retrato de Miguel Duarte

Interessante este artigo da BBC sobre o Afeganistão.

Principais conclusões:

  • 60% a 70% dos "Taliban" que combatem, fazem-no a troco de dinheiro (cerca de 150 dólares por mês);
  • Apenas 10% são verdadeiros crentes na causa;
  • Os restantes fazem-no por vingança devido aos maus tratos a que foram submetidos pela polícia ou americanos;
  • A população que apoia os Taliban fá-lo porque está farta da corrupção e abusos do poder "eleito".

Moral da história: Se vais invadir um país, não bastam armas sofisticadas. Tens que alimentar e vestir a população local e até dar-lhes educação e saúde. Além disso, não deixes que subam ao poder políticos corruptos e controla a polícia local (e o teu exército), por forma a que não cometam abusos.

Será assim tão complicado?

Vamos fazer umas contas. Por exemplo um Helicópetro Apache custa cerca de 50 milhões de dólares, o que a 150 dólares por mês, dava para sustentar quase 28.000 Afegãos durante um ano. E já não estou a falar do famoso B2, que dava para sustentar 560.000 Afegãos durante um ano (a 150 dólares por mês)!

Também a título de exemplo, o custo da guerra no Iraque é já neste momento superior a 240.000.000.000 dólares, o que tinha dado para pagar 150 dólares mês à totalidade da população Afegã durante cinco anos! :)

Uma primeira questão, é que a população do Afeganistão não precisa de ganhar 150 dólares por mês/pessoa. O entrevistado que indicou este valor trabalhava por 60 dólares mês numa mina de carvão onde também arriscava a vida. Além disso, quando se coloca dinheiro numa economia (particularmente numa sub-desenvolvida como o Afeganistão), este funciona em cascata, pois quem ganha o dinheiro vai gastá-lo em produtos e serviços locais e obviamente quem produz e fornece estes serviços também o vai gastar, sustentando-se assim muita gente. De uma forma conservadora, posso dizer com alguma segurança, que este efeito multiplicador vale por dois, ou seja, se investirmos 30 dólares na economia, vamos gerar os 60 dólares ganhos pelo "militar" Talibã na dita mina de carvão.

Dos 30 milhões de habitantes do Afeganistão, segundo o CIA World FactBook, apenas 55% tem uma idade superior a 14 anos, o que esquecendo que num país como o Afeganistão a grande maioria das mulheres não trabalha (quero ser generoso e espalhar os nossos valores ocidentais de igualdade entre os sexos pelo mundo), dava cerca de 16,5 milhões de pessoas a terem que receber 60 dólares por mês (30 para efeitos das minhas contas que seriam multiplicados por dois na economia). Ou seja, fazendo as contas, 6 aviões B2 por ano ou 2,5% dos custos estimados até ao momento da guerra no Iraque.

E não contei para estas contas, com o facto de que as mulheres no Afeganistão não contam praticamente para o rendimento familiar e que as pessoas iriam continuar a poder trabalhar e por isso ter os seus rendimentos. Se isto fosse feito, quem iria entrar em guerra com os americanos ou apoiar os Talibã? Quem iria demonizar os americanos e o Ocidente, acusando-os de tudo e mais alguma coisa?

PS: O Iraque, por sua vez, tem uma população de "apenas" 26 milhões de pessoas. Tirem as conclusões que quiserem tirar. ;)

Retrato de Miguel Duarte

Al Qaeda on Saturday vowed more attacks on Saudi oil facilities a day after a foiled attempt to bomb the world's biggest oil-processing complex showed the group still can strike inside the kingdom.

Quanto os terroristas se viram contra o seu próprio povo, como acontece no Iraque ou atacam as suas próprias fontes de financiamento e a razão da riqueza de alguns dos países a que pertencem, dão sinais claros de fraqueza.

O petróleo é cada vez mais a fonte de todos os problemas, não houvesse petróleo, não tínhamos efeito de estufa, não tínhamos terrorismo extremista islâmico e não tínhamos uma série de conflitos que têm perturbado o mundo. No momento em que os grupos terrorista atacam a fonte que directa ou indirectamente financia as suas actividades, estão estupidamente a precipitar o seu fim.

Com declarações como aquelas que fez no Sábado passado, a Al Qaeda vai fazer subir ainda mais o preço do petróleo e impulsionar o desenvolvimento e investimento em energias alternativas ao petróleo. Se continuarem a insistir muito na coisa, tarda nada e até a energia solar se torna mais barata que a energia obtida a partir do petróleo.

O mundo será então provavelmente um sítio melhor para se viver. O ocidente deixará de financiar a economia de países que basicamente vivem à custa do outro negro e que depois (muitos deles), o atacam pelas costas e financiam grupos terroristas e radicalismos e o meio-ambiente ficará a ganhar.

Retrato de Miguel Duarte

A Internet está aos poucos a mudar a China, fazendo alguns heróis pelo meio, que espero um dia venham a ser reconhecidos como lutadores da liberdade.

Leiam a história de Li Datong no Washington Post. O poder da escrita, da Internet e do desejo de liberdade podem fazer milagres.