Política Portuguesa

Todos os posts que tenham de alguma forma a ver com política em Portugal.
Retrato de Luís Lavoura

A questão no título deste post deveria ser, mais completa: "Portugal é viável num quadro de mercado internacional aberto e livre?"

 

O facto é que o país sofre de uma abjeta falta de competitividade económica e de um apetite tremendo por consumo e importação.

 

Os liberais pretendem resolver estes problemas através de (1) um Estado mais leve, com menor peso na economia, (2) um sistema de justiça mais eficiente, e (3) um mercado de trabalho liberalizado. Porém, eu, embora concordando com a necessidade de todos os três pontos acima referidos, tenho as maiores dúvidas de que eles vão resolver o problema português.

 

Ou seja, considero que as reformas mencionadas no parágrafo anterior são o melhor que a classe política pode e deve fazer ao país mas que, no entanto, elas não serão capazes de o endireitar.

 

A génese da falta de competitividade portuguesa não radica em más políticas mas sim, efetivamente, num povo pouco produtivo e pouco inventivo. E isso é um mal que a boa política não é capaz de corrigir.

 

Temos um povo que, atavicamente, despreza o valor da educação (deseja, quando muito, obter um "canudo") e que é terrivelmente conformista, estilo "Maria vai com as outras", pouco dado à invenção, à originalidade, à iniciativa.
 

Retrato de Igor Caldeira

Quem pudesse pensar que Passos Coelho iria possibilitar uma mudança profunda na política portuguesa (como eu) desilude-se agora. A proposta de revisão constitucional é fútil, em primeiro lugar e inútil, em segundo.

 

Fútil, porque ninguém está à espera que o PS aprove qualquer das propostas. Se assim é, a menos que haja uma gradiosa estratégia de estilo CGTP (pedir 80 para ter 8) não se percebe o porquê das propostas.

 

Inútil porque nós não precisamos de mudar leis. Precisamos de mudar o país. Não é mudando uns artigos na constituição que vamos resolver a falta de produtividade, o desemprego, o défice crónico, a dívida galopante, pública e privada. A maior parte do que pode ser feito, pode ser feito no seio mesmo deste quadro legal.

 

O pensamento revolucionário é que crê que com um estalo de dedos um Homem Novo nascerá. E eu pensava que Passos Coelho era um reformista. Enganei-me.

Retrato de Igor Caldeira
What these people fail to realize is that the various measures they suggest are not capable of bringing about the beneficial results aimed at. On the contrary they produce a state of affairs which from the point of view of their advocates is worse than the previous state which they were designed to alter. If the government, faced with this failure of its first intervention, is not prepared to undo its interference with the market and to return to a free economy, it must add to its first measure more and more regulations and restrictions. Proceeding step by step on this way it finally reaches a point in which all economic freedom of individuals has disappeared. Then socialism of the German pattern, the Zwangswirtschaft of the Nazis, emerges.
Ludwig von Mises, Planned Chaos
Ferro Rodrigues afirma que não é preciso ser bruxo para saber que haverá eleições antecipadas. O segundo Governo Sócrates vai cair - e, posso acrescentar, vai cair quase tão mal quanto caiu o segundo Governo Guterres.

O final do primeiro Governo Sócrates já nos fazia adivinhar o descontrolo que se seguiria. Muitos disseram que a crise foi uma bênção para os socialistas. A um ano das eleições poderiam, a coberto de estímulos à economia, começar a esbanjar dinheiro em eleitoralismos.
Honestamente nunca percebi como poderia isso ser benéfico para os socialistas. O que levou Sócrates à ribalta não foi o populismo. Foi uma capa de seriedade. Depois do circo em que se tinha tornado a coligação conservadora, o país queria (ou pelo menos aparentava querer) consistência, estabilidade, reformas. E o défice tinha de baixar. Poucas pessoas se opuseram seriamente, nos primeiros dois anos, às medidas de contenção orçamental.

Claro que o país aparentava querer seriedade, porque as corporações (médicos, advogados, juízes, professores) sabem que é com meias tintas que os privilégios se mantêm incólumes. Mas alguma coisa estava a ser feita e os índices de popularidade do primeiro ministro, do governo, do PS, eram altos.
A segunda metade do governo (2007-2009) foi um desastre. O défice disparou para níveis inauditos. E Sócrates continuava crente que era com investimento público que o país entrava nos eixos. Mas não entrou, e continua a não entrar.

Não fosse o Euro e a UE, o país já teria entrado em bancarrota. Felizmente, o chicote alemão está a obrigar o governo a fazer marcha atrás. A tentação de governos irresponsáveis é somar, a um erro inicial, um erro mais para corrigir esse erro e assim sucessivamente.
Não quero dizer que, conscientemente, os portugueses puniram o PS em 2009 e punirão ainda mais em 2011 pela sua irresponsabilidade orçamental e pela sua má política económica. Mas há uma conjunção de factores arrasadores para o governo:
- O investimento público não cria riqueza mas aumenta a despesa;
- Mais impostos e menos riqueza é uma dupla carga que ninguém pode apreciar;
- E os europeus não estão dispostos a suportar todas as imbecilidades da Europa do Sul - pelo que exigiram medidas drásticas para solucionar o problema do desequilíbrio orçamental.

Em vez do caminho alternativo de contenção orçamental e corte de impostos (sobretudo IRC) no início da crise, o governo preferiu gastar todo o dinheiro num espaço de um a dois anos.
Deviam saber que o mal se faz de uma só vez e o bem pouco a pouco. Com as opções tomadas, Sócrates dedica-se agora a contas de merceeiro, vendo onde pode cortar. O mal vai arrastar-se por muitos anos, quando Sócrates já só for um fantasma do passado.

Retrato de Luís Lavoura

Pedro Passos Coelho falou bem ao explicar, ontem, por que motivos é que a nossa Constituição necessita mesmo de ser (fortemente) revista e (radicalmente) alterada. Ao contrário daquilo que alguns socialistas dizem, a atual Constituição é um sério obstáculo político, ao impedir a adoção de uma política verdadeiramente liberal. Conforme Passos Coelho disse, a Constituição "ainda prevê a planificação e planeamento da economia", o que está de acordo com a conceção socialista do Estado mas vai contra a conceção liberal. Mas isso ainda seria o menos, porque essa planificação poderia ser (atualmente já é) puramente perfunctória. A Constituição tem, no entanto,  pior. Segundo Passos Coelho, "a Constituição [diz] que a educação e a saúde têm de ser tendencialmente gratuitas. O problema é o irrealismo destas propostas. Sabemos que a educação e a saúde não são tendencialmente gratuitas", e isto tem que ser dito frontalmente.

 

O problema é que a Constituição foi elaborada num tempo pretérito, muito antigo, há mais de 30 anos atrás, em que os conceitos de educação e de saúde eram muito mais restritos do que agora são. Naquele tempo a educação era basicamente a primária e secundária, e a saúde pouco além ia de tratar das doenças infecciosas e dos acidentes (de trabalho, de tráfego, etc). Hoje em dia a educação abrange em larga medida uma educação universitária, de pós-graduação, e especializada, e a saúde abrange coisas altamente peculiares e de imprescindibilidade cada vez mais questionável. A saúde já não é, em grande parte, uma questão de "ou se faz isto ou o paciente morre", mas sim uma questão de "pode fazer-se isto para o paciente se sentir melhor".

 

É pois necessário redefinir que saúde e que educação se pretende que sejam tendencialmente (ou até mesmo totalmente) gratuitas, porque a saúde e a educação em geral não o podem ser, ao contrário daquilo que a Constituição sugere. Todos nós sabemos hoje, como Passos Coelho bem disse, que "a educação e a saúde não são tendencialmente gratuitas". Não são nem podem ser.

 

A Constituição tem que ser revista, para que deixe de conter nela um projeto socialista, de um Estado que é um prestador de serviços e um planificador da economia, para passar a ser compatível com um projeto liberal, em que o Estdo apenas garante uma proteção considerada imprescindível. A Constituição tem que ser compatível com diversos projetos políticos, e não apenas com o projeto socialista.

Retrato de Luís Lavoura

Portugal vive atualmente sob a ditadura dos mercados financeiros. Só isso justifica que o atual governo não seja imediatamente exonerado pelo Presidente da República, a Assembleia da República dissolvida e novas eleições legislativas convocadas.

Retrato de Luís Lavoura

Enquanto o país se apresta a entrar em bancarrota de um dia para o outro, os deputados, com a prestimosa colaboração dos jornalistas, continuam na Assembleia da República a discutir se o primeiro-ministro sabia ou não sabia que a PT desejava comprar a TVI.

E enchem-nos todos os dias os noticiários com esse folhetim de péssimo enredo e nulo interesse, do qual já estamos fartos até à exaustão.

Tais são as consequências dramáticas de o principal partido da oposição ter tido à sua frente a odiosa camarilha Manuela Ferreira Leite - José Pacheco Pereira.

Retrato de Miguel Duarte

A Praça do Aeroporto, as Avenida Gago Coutinho e dos EUA, Entrecampos, Avenida da República, Praça de Saladanha, Avenida Fontes Pereira de Melo, Rua Latino Coelho e Avenida Luís Bívar, em Lisboa, serão percorridas a uma velocidade 30 quilómetros/hora, mas só pelas viaturas do Papa e seus acompanhantes. Para a população em geral o trânsito estará fechado nos dois sentidos entre as 10h15 e as 12h15.

À passagem do Papa irão encerrar momentâneamente alguns trechos do metropolitano. No primeiro dia da visita a linha azul do metropolitano lisboeta não terá qualquer circulação, até às 21h30, entre as estações Baixa/Chiado e Santa Apolópnia.

Fonte: Público

Retrato de Miguel Duarte

O MLS declarou o seu apoio à petição "Petição Cidadãos pela Laicidade", que pode ser assinada aqui.

Retrato de Luís Lavoura

O discurso de Aguiar Branco em representação do PSD, ontem na Assembleia da República, e a presença no mesmo local de Pedro Passos Coelho (que não é deputado) com um cravo vermelho na lapela, parecem marcar uma viragem ideológica distinta do PSD, afastando-se do conservadorismo e aproximando-se marcadamente do liberalismo.

Oxalá assim seja de facto.

Retrato de Luís Lavoura

A manifestação de 25 de Abril de ontem, Avenida da Liberdade abaixo, foi pindérica. Passei por lá para ver os Toc'à Rufar, que os miúdos gostam (e eu também). Se não fossem eles aquilo não valeria mesmo nada. Pouquíssimos manifestantes, basicamente à razão de meia-dúzia por cada faixa, porque por entre as faixas nada havia, e todos eles, ao que me pareceu, oriundos da Margem Sul, a saudosa Cintura Industrial de Lisboa. De entusiasmo popular, nada. Uns vendedores de gelados, e uma de umas farturas ranhosas e requentadas (na feira de Águeda compram-se bem melhores, mais frescas e mais baratas). Fiquei com a clara sensação de que as manifestações comemorativas do 25 de Abril estão pela hora da morte - daqui a poucos anos assemelhar-se-ão lamentavelmente às comemorativas do 5 de Outubro.

Para aquela tristeza não valia a pena fecharem a Avenida da Liberdade. Causam transtorno a mais gente do que àquela que vai na manif.