Política Portuguesa

Todos os posts que tenham de alguma forma a ver com política em Portugal.
Retrato de Luís Lavoura

A oposição e os jornalistas querem "sangue", demissões no governo. Agora gostariam que a ministra da Administração Interna se demitisse.

Devemos lembrar-nos que, há poucos meses, a oposição e os jornalistas estavam ávidos da, em seu entender inevitável, demissão do ministro das Finanças. Hoje em dia já ninguém pede a demissão desse ministro que, pelo contrário, é amplamente considerado como um dos melhores do governo.

Porque é que a ministra da Administração Interna se deveria demitir? Em minha opinião, ela nada fez de mal. Houve um grande incêndio, mais ou menos idêntico a muitos outros grandes incêndios que ao longo das anos tem havido. (No ano passado houve um incêndio maior na serra do Caramulo.) Este grande incêndio era previsível, tal e qual como a generalidade dos outros também o eram. Houve muitos mortos neste incêndio, o que não é felizmente costume, mas isso não é culpa da ministra.

Retrato de Luís Lavoura

Anda muita gente muito entretida com o escândalo político do momento, que são os entendimentos que o ministro Centeno terá feito com o gestor Domingues a propósito da sua contratação para gerir a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Completamente perdida de vista anda a política real que o governo seguiu para a CGD. Aparentemente, sobre essa a oposição nada tem a dizer. A oposição nada tem a dizer sobre a CGD permanecer um banco público ou ser privatizada, sobre ela ser gerida como um banco privado ou receber orientações do seu acionista Estado, sobre a política de remuneração dos seus gestores, etc. Sobre todas essas coisas, aparentemente, a oposição nada tem a dizer.

A única coisa que parece interessar à oposição, na CGD, são os entendimentos secretos relacionados com a contratação do seu gestor.

Com uma oposição deste calibre, é evidente que não se pode fazer política a sério em Portugal.

Retrato de Luís Lavoura

Nos EUA os políticos são considerados inaptos para o cargo quando no passado tiveram aventuras extra-conjugais.
Em Portugal são considerados inaptos para o cargo se tiverem feito declarações falsas sobre serem licenciados.
Em ambos os casos a asneira é a mesma. Não é por se ter tido aventuras extra-conjugais nem por se declarar ser-se licenciado quando não se é que se passa a ser mau político. Estas manias parvas apenas dizem muito sobre as obsessões de cada país. Nos EUA há uma obsessão com o sexo; em Portugal, com as licenciaturas.

Retrato de Luís Lavoura

É sabido que em Portugal há a mania de distinguir os licenciados do comum dos mortais. Um licenciado tem o direito de ser tratado por "doutor" ou "engenheiro" ou "arquiteto". Um licenciado pode fazer alarde de uma profissão que não exerce nem nunca exerceu; por exemplo, um licenciado em biologia afirma-se "biólogo" ainda que nunca tenha feito investigação científica em biologia, e um licenciado em engenharia diz-se "engenheiro" mesmo quando não aplica nem nunca aplicou a engenharia que aprendeu.

Tudo isto é, evidentemente, ridículo. E, tal como é ridícula esta obsessão de chamar "doutor" a quem é licenciado, também é ridículo o escândalo que se faz quando alguém pede para ser tratado por "doutor" quando não é licenciado. E o cúmulo do ridículo é atingido quando um político é obrigado a demitir-se porque fingiu ser licenciado quando na verdade não o é. Como se, para fazer aquilo que faz - se é que faz alguma coisa -, a licenciatura lhe fosse servir para alguma coisa.

Retrato de Luís Lavoura

Tenho a impressão de que, tal como as escolas privadas com contrato de associação cedo perceberam que não valia a pena continuarem com manifestações, porque a sua guerra política contra o governo já estava perdida, também os taxistas já terão percebido que, mais manifestação menos manifestação, a sua guerra política contra o governo já está perdida.

As guerras foram perdidas porque a opinião pública está contra eles. Tal como as escolas privadas com contrato de associação se aperceberam de que a opinião pública não entende o privilégio de que elas gozam em relação às restantes escolas privadas, também os taxistas se estão a aperceber de que a opinião pública não aprova os privilégios de que eles gozam ao ter uma profissão protegida por alvarás e limitações no acesso.

Por isso, mais uma ou duas manifestações e eles irão desistir dessa via, tal como as escolas desistiram. Não vale a pena manifestarmo-nos quando a generalidade da opinião pública está contra nós.

Retrato de Luís Lavoura

A deputada Mariana Mortágua, uma estrela que irrompeu refulgente na política portuguesa com a comissão de inquérito ao BES, anda agora a fazer asneiras de uma forma que faz dó.

Talvez seja compreensível que a deputada esteja mais interessada em ganhar votos para o seu partido do que em manter em funcionamento o governo que ele ajuda a sustentar.

Mas a deputada deveria saber que "quem tudo quer, tudo perde" e que a sua desastrada atuação corre o risco de, a prazo, ter efeitos contraproducentes - exibir aos eleitores o partido da deputada como pouco sério e pouco fiável. E não há eleições no prazo imediato, pelo que a deputada escusa de estar muito preocupada em ganhar votos.

A deputada deveria agora manter-se calada durante uns mesitos. Evitando, por exemplo, fazer a figura que ontem fez em Ponta Delgada, exigindo, de forma demagógica e com populismo rasteiro, que o banco Santander venha resolver a porcaria que o BANIF fez.

É caso para dizer à deputada: "Porque não te calas?"

Retrato de Luís Lavoura

A direita portuguesa centra grande parte da sua tática política atual na esperança de que Portugal tenha um défice excessivo.

Mas essa é uma tática profundamente estúpida. A direita, se quer defender (representar) aqueles que nela votam, deveria, pelo contrário, fazer tudo o possível para que Portugal tivesse um défice o mais pequeno possível.

Por quê? Porque, se Portugal tiver um défice excessivo, é mais que certo que o governo, de esquerda, irá introduzir novos impostos. E é mais que certo que esses impostos irão afetar sobremaneira os mais ricos portugueses - aqueles que a direita supostamente defende e representa.

E que impostos serão esses? Já se sabe: imposto sucessório, e IMI agravado para segundas e terceiras habitações. São impostos que afetarão sobremaneira os mais ricos e aos quais o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista nada terão a opôr. Nem a Comissão Europeia - grande parte dos países europeus têm estes impostos, e não se compreende que um país em dificuldades orçamentais como Portugal não os tenha também.

A direita, se quisesse minimamente defender aqueles que nela votam, deveria estar a fazer figas para que tais impostos não tivessem que ser introduzidos. Mas a direita portuguesa é estúpida e, pelos vstos, não se preocupa de todo em representar quem nela vota.

Retrato de Luís Lavoura

Foi ontem noticiada a contratação do ex-ministro Paulo Portas como consultor da empresa de construção civil Mota-Engil. Recorde-se que, já há muitos anos, um outro ex-ministro, Jorge Coelho, fôra contratado pela mesma empresa, na qual ainda hoje, segundo julgo, trabalha. Como é usual nestes casos - não somente em Portugal, mas também noutros países, por exemplo na Alemanha, onde a contratação do ex-primeiro-ministro Gerhard Schroeder pela empresa russa Gazprom foi muito criticada - levantaram-se vozes críticas.

Eu neste ponto tenho a seguinte opinião: os políticos são pessoas como as outras. Tal como as outras pessoas, têm o direito de arranjar um emprego no qual façam valer as capacidades e os contactos que adquiriram com a sua formação e, sobretudo, com a sua experiência de vida. Os políticos não podem e não devem, quando abandonam a política, ser condenados a ficar no desemprego o resto da vida. Ademais, não duvido de que tanto Paulo Portas como Jorge Coelho fazem bom trabalho para a Mota-Engil; não creio que a sua contratação seja uma forma de lhes pagar favores passados, acredito, sim, que o seu trabalho valerá bem à Mota-Engil o dinheiro que lhe custa o seu salário.

Não podemos esperar atrair pessoas válidas para a política se pretendemos que, após a carreira política, lhes seja vedada a contratação em bons empregos; e não é benéfico para ninguém que pessoas com talentos e experiência adquiridos os desperdicem por serem proibidos de trabalhar.

Felicito portanto a Mota-Engil pela sua nova contratação e espero que a experiência e o talento de Paulo Portas abram à Mota-Engil as portas para muitos e bons negócios.

 

Declaração de interesses: sou detentor de algumas, embora muito poucas, obrigações da Mota-Engil.

Retrato de Luís Lavoura

Dizem que pretendem ajudar a compatibilizar o trabalho com a família. O que é sobretudo importante para as mulheres, ainda mais para as mulheres que têm filhos.
 Mas é tudo hipocrisia. Ontem interrogaram a Maria Luís Albuquerque, uma mulher com filhos, até à meia-noite. E fizeram de propósito: começaram o interrogatório às seis e meia da tarde, a hora em que a generalidade das mulheres com filhos vai para casa ter com eles. Começaram o interrogatório tarde e acabaram-no a uma hora que só à PIDE, nos tempos da tortura do sono, lembraria.

São uns hipócritas pulhas.

Retrato de Luís Lavoura

Saber que feriados temos não é apenas uma questão laboral, é principalmente uma questão política. Infelizmente, assim não o entendem PS, BE, PCP e PAN, que acharam por bem restaurar como feriado o dia do "Corpo de Deus" (uma designação que só por si mete nojo), um dia que nada diz a grande parte dos portugueses e diz alguma coisa mas não é celebrado pela grande maioria dos restantes. Infelizmente, nesta matéria os deputados concordam com a maioria dos portugueses: qualquer ocasião é boa como desculpa para não se trabalhar, e quantos mais feriados, melhor. E assim os feriados ficaram reduzidos a uma questão meramente laboral, e o catolicismo continua sendo a religião oficial do regime de trabalho português.