Este post (e os que se seguirem) é uma resposta às reacções de algumas pessoas(ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui) ) a esta notícia do CM.
O CM hoje noticia que “Sócrates foi apoiado por blogues alimentados em informação e argumentários feitos por assessores.” A notícia em papel é um pouco mais contundente argumentando que não apenas foi utilizados assessores do governo, como meios do estado.
Existe efectivamente uma grande imprecisão nesta notícia, é que não foi Sócrates que foi apoiado mas sim o PS, dado que a campanha é do partido e não de uma pessoa. Mas, adiante. Entretanto a reacção foi rápida e contudente como poderão verificar nos links que disponibilizei e para mim foi também algo assustadora.
Por exemplo o deputado Miguel Vale de Almeida diz:
“Já agora: eu fiz parte desse blog, o Simplex, fui candidato do PS e se precisasse naturalmente recorreria a informações do PS ou do governo ou dos seus assessores para argumentar melhor alguma ideia que quisesse expandir. O contrário é que seria absurdo. Pelo menos em democracia e com liberdade de expressão. Simplex.”
E isso é grave, pá! Este tem sido um dos argumentos utilizados por todos os bloggers, e neste caso tem uma gravidade acrescida pois estamos a falar de um deputado. Eu vou tentar explicar o mais simples e básico possível para ver se todos entendem:
- o governo, o Estado e o partido não são, na nossa democracia liberal, a mesma coisa. Têm natureza significativamente diferente (aliás julgo que basta ir à constituição para se perceber isso)!
E ao contrário do que querem transmitir, e principalmente nos tempos que correm, não é nada normal que assessores pagos pelo erário público utilizem e forneçam informações apenas a um blogue de apoio ao PS. Ou bem que davam esses elementos a todos os partidos ou então não poderiam utiliza-los. É o grande problema de se ir para o governo para quem exerça ou queira exercer uma vida partidária activa. Assim que passa a governante, ou funções similares, todo o conhecimento que detém tem de ser dado a todo os partidos e de preferência a todos os cidadãos ou então não poderá ser utilizado por nenhum.
Existe um exemplo perfeito disso levado a um extremo: a Madeira. E se bem me recordo, todos os que acham normal, indignaram-se pelo caso da Ferreira Leite, e bem. E isto não é uma questão de metros, ou de qualquer outra medida quantitativa, é pura e simplesmente uma questão de princípio. Julgo que foi na Dinamarca que uma presidente de câmara se demitiu quando foi tornado público que a mesma tinha dado um ramo de flores com dinheiro público a um amigo que estava doente. Não sei se é necessário chegar a este extremo, no entanto julgo que por cá estamos a chegar ao extremo contrário. Aqui tudo é permitido a quem é governante. E o pior é que ao agirem dessa forma minam mais do que ninguém os valores que dizem defender.
P.S. Existe efectivamente uma visão que não distingue estes três elementos e os torna uno e indivisíveis: a visão fascista da sociedade. Com isto não quero dizer que uma pessoa é fascista, mas somente que tem uma visão fascista do poder político. Aliás esta dificuldade em distinguir estes conceitos deriva muito do nosso (fraco) passado liberal.