Política Portuguesa

Todos os posts que tenham de alguma forma a ver com política em Portugal.
Retrato de Luís Lavoura

Anda muita gente muito entretida com o escândalo político do momento, que são os entendimentos que o ministro Centeno terá feito com o gestor Domingues a propósito da sua contratação para gerir a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Completamente perdida de vista anda a política real que o governo seguiu para a CGD. Aparentemente, sobre essa a oposição nada tem a dizer. A oposição nada tem a dizer sobre a CGD permanecer um banco público ou ser privatizada, sobre ela ser gerida como um banco privado ou receber orientações do seu acionista Estado, sobre a política de remuneração dos seus gestores, etc. Sobre todas essas coisas, aparentemente, a oposição nada tem a dizer.

A única coisa que parece interessar à oposição, na CGD, são os entendimentos secretos relacionados com a contratação do seu gestor.

Com uma oposição deste calibre, é evidente que não se pode fazer política a sério em Portugal.

Retrato de Luís Lavoura

Nos EUA os políticos são considerados inaptos para o cargo quando no passado tiveram aventuras extra-conjugais.
Em Portugal são considerados inaptos para o cargo se tiverem feito declarações falsas sobre serem licenciados.
Em ambos os casos a asneira é a mesma. Não é por se ter tido aventuras extra-conjugais nem por se declarar ser-se licenciado quando não se é que se passa a ser mau político. Estas manias parvas apenas dizem muito sobre as obsessões de cada país. Nos EUA há uma obsessão com o sexo; em Portugal, com as licenciaturas.

Retrato de Luís Lavoura

É sabido que em Portugal há a mania de distinguir os licenciados do comum dos mortais. Um licenciado tem o direito de ser tratado por "doutor" ou "engenheiro" ou "arquiteto". Um licenciado pode fazer alarde de uma profissão que não exerce nem nunca exerceu; por exemplo, um licenciado em biologia afirma-se "biólogo" ainda que nunca tenha feito investigação científica em biologia, e um licenciado em engenharia diz-se "engenheiro" mesmo quando não aplica nem nunca aplicou a engenharia que aprendeu.

Tudo isto é, evidentemente, ridículo. E, tal como é ridícula esta obsessão de chamar "doutor" a quem é licenciado, também é ridículo o escândalo que se faz quando alguém pede para ser tratado por "doutor" quando não é licenciado. E o cúmulo do ridículo é atingido quando um político é obrigado a demitir-se porque fingiu ser licenciado quando na verdade não o é. Como se, para fazer aquilo que faz - se é que faz alguma coisa -, a licenciatura lhe fosse servir para alguma coisa.

Retrato de Luís Lavoura

Tenho a impressão de que, tal como as escolas privadas com contrato de associação cedo perceberam que não valia a pena continuarem com manifestações, porque a sua guerra política contra o governo já estava perdida, também os taxistas já terão percebido que, mais manifestação menos manifestação, a sua guerra política contra o governo já está perdida.

As guerras foram perdidas porque a opinião pública está contra eles. Tal como as escolas privadas com contrato de associação se aperceberam de que a opinião pública não entende o privilégio de que elas gozam em relação às restantes escolas privadas, também os taxistas se estão a aperceber de que a opinião pública não aprova os privilégios de que eles gozam ao ter uma profissão protegida por alvarás e limitações no acesso.

Por isso, mais uma ou duas manifestações e eles irão desistir dessa via, tal como as escolas desistiram. Não vale a pena manifestarmo-nos quando a generalidade da opinião pública está contra nós.

Retrato de Luís Lavoura

A deputada Mariana Mortágua, uma estrela que irrompeu refulgente na política portuguesa com a comissão de inquérito ao BES, anda agora a fazer asneiras de uma forma que faz dó.

Talvez seja compreensível que a deputada esteja mais interessada em ganhar votos para o seu partido do que em manter em funcionamento o governo que ele ajuda a sustentar.

Mas a deputada deveria saber que "quem tudo quer, tudo perde" e que a sua desastrada atuação corre o risco de, a prazo, ter efeitos contraproducentes - exibir aos eleitores o partido da deputada como pouco sério e pouco fiável. E não há eleições no prazo imediato, pelo que a deputada escusa de estar muito preocupada em ganhar votos.

A deputada deveria agora manter-se calada durante uns mesitos. Evitando, por exemplo, fazer a figura que ontem fez em Ponta Delgada, exigindo, de forma demagógica e com populismo rasteiro, que o banco Santander venha resolver a porcaria que o BANIF fez.

É caso para dizer à deputada: "Porque não te calas?"

Retrato de Luís Lavoura

A direita portuguesa centra grande parte da sua tática política atual na esperança de que Portugal tenha um défice excessivo.

Mas essa é uma tática profundamente estúpida. A direita, se quer defender (representar) aqueles que nela votam, deveria, pelo contrário, fazer tudo o possível para que Portugal tivesse um défice o mais pequeno possível.

Por quê? Porque, se Portugal tiver um défice excessivo, é mais que certo que o governo, de esquerda, irá introduzir novos impostos. E é mais que certo que esses impostos irão afetar sobremaneira os mais ricos portugueses - aqueles que a direita supostamente defende e representa.

E que impostos serão esses? Já se sabe: imposto sucessório, e IMI agravado para segundas e terceiras habitações. São impostos que afetarão sobremaneira os mais ricos e aos quais o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista nada terão a opôr. Nem a Comissão Europeia - grande parte dos países europeus têm estes impostos, e não se compreende que um país em dificuldades orçamentais como Portugal não os tenha também.

A direita, se quisesse minimamente defender aqueles que nela votam, deveria estar a fazer figas para que tais impostos não tivessem que ser introduzidos. Mas a direita portuguesa é estúpida e, pelos vstos, não se preocupa de todo em representar quem nela vota.

Retrato de Luís Lavoura

Foi ontem noticiada a contratação do ex-ministro Paulo Portas como consultor da empresa de construção civil Mota-Engil. Recorde-se que, já há muitos anos, um outro ex-ministro, Jorge Coelho, fôra contratado pela mesma empresa, na qual ainda hoje, segundo julgo, trabalha. Como é usual nestes casos - não somente em Portugal, mas também noutros países, por exemplo na Alemanha, onde a contratação do ex-primeiro-ministro Gerhard Schroeder pela empresa russa Gazprom foi muito criticada - levantaram-se vozes críticas.

Eu neste ponto tenho a seguinte opinião: os políticos são pessoas como as outras. Tal como as outras pessoas, têm o direito de arranjar um emprego no qual façam valer as capacidades e os contactos que adquiriram com a sua formação e, sobretudo, com a sua experiência de vida. Os políticos não podem e não devem, quando abandonam a política, ser condenados a ficar no desemprego o resto da vida. Ademais, não duvido de que tanto Paulo Portas como Jorge Coelho fazem bom trabalho para a Mota-Engil; não creio que a sua contratação seja uma forma de lhes pagar favores passados, acredito, sim, que o seu trabalho valerá bem à Mota-Engil o dinheiro que lhe custa o seu salário.

Não podemos esperar atrair pessoas válidas para a política se pretendemos que, após a carreira política, lhes seja vedada a contratação em bons empregos; e não é benéfico para ninguém que pessoas com talentos e experiência adquiridos os desperdicem por serem proibidos de trabalhar.

Felicito portanto a Mota-Engil pela sua nova contratação e espero que a experiência e o talento de Paulo Portas abram à Mota-Engil as portas para muitos e bons negócios.

 

Declaração de interesses: sou detentor de algumas, embora muito poucas, obrigações da Mota-Engil.

Retrato de Luís Lavoura

Dizem que pretendem ajudar a compatibilizar o trabalho com a família. O que é sobretudo importante para as mulheres, ainda mais para as mulheres que têm filhos.
 Mas é tudo hipocrisia. Ontem interrogaram a Maria Luís Albuquerque, uma mulher com filhos, até à meia-noite. E fizeram de propósito: começaram o interrogatório às seis e meia da tarde, a hora em que a generalidade das mulheres com filhos vai para casa ter com eles. Começaram o interrogatório tarde e acabaram-no a uma hora que só à PIDE, nos tempos da tortura do sono, lembraria.

São uns hipócritas pulhas.

Retrato de Luís Lavoura

Saber que feriados temos não é apenas uma questão laboral, é principalmente uma questão política. Infelizmente, assim não o entendem PS, BE, PCP e PAN, que acharam por bem restaurar como feriado o dia do "Corpo de Deus" (uma designação que só por si mete nojo), um dia que nada diz a grande parte dos portugueses e diz alguma coisa mas não é celebrado pela grande maioria dos restantes. Infelizmente, nesta matéria os deputados concordam com a maioria dos portugueses: qualquer ocasião é boa como desculpa para não se trabalhar, e quantos mais feriados, melhor. E assim os feriados ficaram reduzidos a uma questão meramente laboral, e o catolicismo continua sendo a religião oficial do regime de trabalho português.

Retrato de Luís Lavoura

Parece que o Presidente da República pediu a António Costa garantias adicionais, nomedamente de que o orçamento de 2016 será aprovado, antes de o nomear como primeiro-ministro.

Eu gostaria de saber que tem o Presidente da República em mente fazer caso António Costa não lhe dê tais garantias. Deixar o atual governo em gestão durante mais de seis meses, contra a sua vontade e também sem orçamento? É que, parece que já se tornou para todos evidente que não há mesmo outra hipótese se não nomear António Costa, quer se goste disso quer não. Pelo que, questiono que fará Cavaco Silva se Costa não lhe apresentar as desejadas garantias.

Outra coisa que questiono, é como poderão o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda comprometer-se a aprovar o orçamento para 2016, quando este não se encontra ainda elaborado. O Presidente da República está de facto a exigir que esses dois partidos passem a António Costa um cheque em branco. Coisa que, evidentemente, eles não poderão fazer. E que nem o Presidente da República nem ninguém tem o direito de exigir que alguém faça.