Contrariamente à generalidade dos outros comentadores, não considero que as acusações que impendem sobre Relvas, de ter de alguma forma obtido a sua licenciatura mediante favor da Universidade Lusófona, sejam muito graves e mereçam a sua demissão.
De facto, por um lado não atribuo grande valor a licenciaturas, muito menos a licenciaturas concedidas pela Universidade Lusófona, pelo que não me faz grande diferença que Relvas detenha ou não detenha uma. Por outro lado, considero que, para as funções que desempenhava, as habilitações académicas de Relvas eram largamente irrelevantes.
Congratulo-me, porém, fortemente com a demissão de Relvas, por um lado porque não vejo qual a necessidade ou conveniência de existir um ministro dos Assuntos Parlamentares, por outro lado porque não reconheço a Relvas quaisquer competências válidas para desempenhar tal cargo. De facto, o único mérito que se pode reconhecer a Relvas é o de ser amigo pessoal, e em larga medida mentor da carreira, do primeiro-ministro; ora, é ao primeiro-ministro, e não aos seus amigos pessoais e mentores de carreira, que compete desempenhar o cargo de coordenação política e de representação perante o parlamento do seu governo.
Em face disto, reitero que considero muito positiva a saída de Relvas do governo, e que considero que ele não deve ser substituído e que o cargo que ocupava deve ser pura e simplesmente extinto - a não ser que o primeiro-ministro encontre uma pessoa de indisputáveis méritos para o ocupar, o que não creio ser possível.