Autárquicas

Retrato de Luís Lavoura

A aproximação das eleições autárquicas propicia manobras populistas e demagógicas de alguns autarcas, às quais a comunicação social, atempadamente convocada pelos meios próprios da autarquia, dá a ambicionada cobertura.

Há umas semanas foi a Junta de Freguesia de Carnide, dominada pelo PCP, que efetuou com grande fanfarra uma ação contra a instalação de parquímetros na zona histórica dessa freguesia. É bem sabido que os parquímetros beneficiam invariavelmente a população local - que passa a ter disponíveis para estacionar lugares que antes eram continuamente ocupados por forasteiros.

Ontem foi a Câmara Municipal de Almeida, dominada pelo PSD, que realizou uma ação contra o encerramento do balcão da Caixa Geral de Depósitos na vila de Almeida. Apesar de Almeida ficar a mais de 500 quilómetros de Lisboa e apesar de o evento ter sido realizado por uns míseros 50 populares (devidamente capitaneados pelo presidente da Câmara), não faltou repetitiva cobertura noticiosa ao evento. A Caixa Geral de Depósitos continuará com balcão aberto em Vilar Formoso, que pertence ao concelho de Almeida e tem provavelmente maior população que a sede do concelho; mas isso não importa. Também não importa que haja pelo menos mais um banco (o Crédito Agrícola, mas provavelmente também o Banco CTT) com balcão em Almeida; para a Câmara, o banco que interessa é a CGD.

Retrato de João Cardiga

Infelizmente (ou felizmente para alguns) não tenho tido tempo para escrever artigos neste blogue, mas agora que terminou um ciclo eleitoral gostava de deixar duas notas breves sobre estas eleições:

- Julgo impressionante que as estruturas locais dos partidos do chamado “arco de poder” não encontrem pontos e bases comuns para criar uma união de forma a vencer as eleições nas autarquias de Oeiras e Gondomar. É que em ambas as Câmaras o PSD, CDS e PS têm mais votos que Isaltino ou Valentim. Seria interessante que estes partidos deixassem de palavras (de combate à corrupção) e passassem aos actos (neste caso o de retirar do poder quem abusa do mesmo. Relembro que me refiro a dois autarcas condenados de corrupção – julgo que no caso de Valentim é condenação efectiva e no caso de Isaltino o mesmo recorreu pelo que ainda não transitou em julgado). Era um enorme serviço público que prestavam ao país;

- Não entendo a organização territorial do país. Existem Câmaras que tiveram pouco mais de 2.000 pessoas a votar. Julgo que é altura de repensar a organização do país. Pessoalmente penso que câmaras com menos de 20.000 votantes deveria ser obrigadas a reorganizarem e que não se pode dar o mesmo peso a uma câmara de 3.000 e a uma de 300.000 votantes.

Bem, são temas para aprofundar posteriormente…