Sete cidadãos dinamarqueses que viajavam num iate algures no mar Arábico foram tomados como refens por piratas somalis, que agora pedem um elevado resgate para os deixarem seguir viagem.
O governo dinamarquês reagiu pedindo aos mídia dinamarqueses que falem o menos possível - tendencialmente, nada - sobre o assunto, com o fim de não colocar em perigo as negociações com os piratas, ou até uma eventual tentativa de resgate dos refens pela força.
Curiosamente, quando foi do célebre caso das caricaturas de Maomé, o governo dinamarquês rejeitou fazer pedidos similares aos mídia (isto é, evitou pedir-lhes que não publicassem as caricaturas), antes defendeu tenazmente a liberdade de os mídia dinamarqueses publicarem o que muito bem lhes apeteça.
Eu a mim isto parece-me, vagamente, um sistema de dois pesos e duas medidas. Quando se trata de os mídia dinamarqueses publicarem umas caricaturas, o governo dinamarquês defende intransigentemente a liberdade e recusa-se a desaconselhar a publicação. Já quando se trata de os mídia dinamarqueses publicarem algumas notícias - ainda por cima, verdadeiras! - sobre um determinado caso, o governo apressa-se a pedir contenção aos mídia.
Para que fique claro, eu penso que a atual atitude do governo dinamarquês é compreensível e adequada - mas penso que atitude similar, de pedir aos mídia que não publicassem coisas ofensivas para uma religião, teria sido similarmente compreensível e adequada há uns anos atrás.