Já todos conhecemos o caso em que o deputado Ricardo Rodrigues, ao abruptamente pôr término a uma entrevista que uns jornalistas lhe estavam a fazer, aproveitou para surripiar os gravadores que esses jornalistas lhe tinham colocado à frente.
Esse caso levanta-me um conjunto de dúvidas, que me sugerem tratar-se, de alguma forma, de uma história mal contada:
(1) Por que motivo estavam os jornalistas a gravar a entrevista com gravadores e, simultâneamente, a filmá-la em vídeo? Se o vídeo capta o som para que eram necessários os gravadores? E, sendo a entrevista destinada apenas a uma revista, para que fim era necessário filmá-la? Para quê esta duplicação de meios de gravação, e para quê as imagens?
(2) Os jornalistas dificilmente terão deixado de reparar, no próprio local, que o deputado lhes estava a roubar os gravadores. Por que motivo não se levantaram e logo ali lhe exigiram a devolução do seu material?
(3) O roubo só foi publicamente divulgado alguns dias depois de ter ocorrido, na edição impressa da revista para a qual os jornalistas trabalhavam. Por quê? Tratando-se de um caso de tal gravidade, por que motivos os jornalistas não o denunciaram publicamente no próprio dia?
Estas três questões fazem-me vagamente suspeitar que tudo aquilo não passou de uma encenação com o fim de "vender papel". A minha suspeita será possivelmente completamente infundada. Mas seria bom ver estas três perguntas respondidas.















