Andam para aí a acusar o primeiro-ministro de ter elaborado um complot com o fim de tomar o contrôle da comunicação social, especificamente de um canal de televisão. Esquecem-se do óbvio - que o governo já hoje controla um canal de televisão (*). E que, aparentemente, ninguém contesta esse contròle, ou se atreve a pedir aquilo que deveria ser óbvio - a privatização desse canal, o qual não tem razão nenhuma para permanecer nas mãos do Estado. E que, já agora, esse canal controlado pelo Estado até é aquele que tem as preferências dos portugueses, em particular aqueles cujos serviços noticiosos são mais apreciados pelos telespetadores. Que Estado peculiar é este que, não contente por controlar um canal de televisão, quererá controlar um segundo, e que, detendo o contròle de um canal, não o usa para fornecer um serviço noticioso tão grosseiramente manipulador que todos os telespetadores o rejeitem?
Eu gostaria que estes queixosos fossem ousados e que propusessem o essencial - que o Estado deixe de ter uma golden share na PT, que o Estado privatize o primeiro canal da RTP e, já agora, que o Estado privatize também a Caixa Geral de Depósitos, através da qual controla muitas mais empresas - em vez de se debruçarem apenas sobre detalhes acessórios. É que, quer-me parecer que os queixosos estão de facto de acordo com o atual governo no essencial - e que, se estivessem no lugar dele, levariam a cabo exatamente as mesmas políticas.
(*) Controla aliás dois mas o segundo não conta, porque apenas é visto por uma pequena minoria de portugueses.
















