O grupo de trabalho nomeado pelo governo para sugerir orientações para a política para o setor da comunicação social apresentou o seu relatório final. Creio que esse relatório deverá ser e de facto será, muito apropriadamente, imediatamente deitado para o lixo. (Mais uma delapidação de precioso dinheiro do Estado!)
O grupo de trabalho começou mal, com a má nomeação dos seus membros. É evidentemente errado formar um tal grupo de trabalho com pessoas com interesses profissionais, passados ou presentes, em empresas de comunicação social. Por exemplo Francisco Sarsfield Cabral, que foi (ou ainda é) diretor da Rádio Renascença, e José Manuel Fernandes, que esteve muitos anos à frente do jornal Público. É deveras evidente que essas pessoas têm contas a ajustar e interesses privados a defender, e não devem ser elas a (ajudar a) definir uma política governamental.
O grupo de trabalho defendeu, ridiculamente, retirar o mais possível da televisão pública conteúdos informativos e de debate político. A argumentação para defender tão estapafúrdia tese é que os jornalistas da televisão pública podem ser influenciados por eventuais orientações editoriais e políticas provindas do governo. Essa justificação é, sem dúvida, verdadeira. Há, porém, duas contestações:
(1) Será que a melhor forma de evitar uma informação potencialmente tendenciosa é eliminar de todo essa informação? Não me parece. A informação deve ser plural e deve ser o consumidor, isto é, o telespetador, a escolher qual a informação que prefere.
(2) Os jornalistas dos canais privados também podem ser influenciados por orientações políticas provindas dos patrões desses canais, e isso não é considerado motivo para restringir a informação nesses canais. Por que motivo hão-de as eventuais influências governamentais num canal televisivo ser consideradas mais perniciosas do que as influências de privados noutros canais?













