Defesa

Tópicos que discutem questões ligadas à Defesa Nacional.
Retrato de Luís Lavoura

Na década de 1980 a URSS enfiou as suas tropas no atoleiro do Afeganistão. Perdeu lá dinheiro e homens e, ao cabo de oito anos, teve que de lá retirar sem glória.

Hoje a NATO está a cometer o mesmo erro, mas há mais tempo do que a URSS. Já há 16 anos que a NATO está a combater, ingloriamente, no Afeganistão. Agora os EUA decidiram enviar para lá mais 4000 soldados e o secretário-geral da NATO aplaudiu.

Cabe perguntar quando é que a NATO aprenderá a mesma lição que a URSS (e outros antes dela) teve que aprender, e se retira de vez daquele atoleiro.

Retrato de Luís Lavoura

O Chefe do Estado-Maior do Exército demitiu cinco oficiais dos cargos de chefia que ocupavam. Menos de um mês depois, voltou a empossar esses mesmos cinco oficiais em exatamente os mesmos postos de chefia (que durante o interregno tinham permanceido vagos).

Isto é uma anedota. É um disparate. É uma loucura. Demite-se pessoas para um mês depois se voltar a pô-las no lugar. Então, para que foram demitidas?

O Chefe do Estado-Maior do Exército deve estar louco. Só pode.

Retrato de Luís Lavoura

A história do abate de um avião da Malaysian Airlines sobre o leste da Ucrânia, há dois anos, é contada de forma muito incompleta e parcial no Ocidente.

É verdade que o avião foi abatido. É até bem possível que tenha sido abatido pelos rebeldes do leste da Ucrânia.

Mas, questiona-se: que estava lá a fazer o avião em primeiro lugar? E a resposta é simples: estava a servir de escudo humano para os aviões militares ucranianos.

O facto é que os aviões ucranianos andavam a fazer guerra contra os separatistas. E os separatistas tinham mísseis anti-aéreos para se defenderem deles. E já tinham avisado que os iriam usar.

Que fez a Ucrânia então? Mandou os aviões comerciais continuarem a passar por sobre a zona em guerra. Com que objetivo? Para poupar gasolina aos aviões? Não - para que os aviões comerciais servissem de proteção aos aviões militares. Para que os separatistas não se atrevessem a disparar sobre um avião de transporte de tropas, por medo de se tratar de um avião comercial.

Tão condenável é a atitude dos separatistas que dispararam o míssil (se é que dispararam), como a das autoridades ucranianas que ordenaram aos aviões comerciais que voassem no meio dos aviões militares por uma zona em guerra.

Quando o Ocidente se põe a travar amizade com alguns políticos ucranianos, deveria saber que os ucranianos, tal e qual como os russos, estiveram na antiga União Soviética e aprenderam nela algumas coisas. Não é somente o Estado russo que é herdeiro do antigo Estado soviético.

Retrato de Luís Lavoura

Há quem ache que foi um erro não ter deixado a Turquia entrar na União Europeia.

Eu acho, não somente que isso foi correto, como também que é um grave erro manter a Turquia na NATO.

O problema é que a Turquia não é somente Istambul e Esmirna. A Turquia é também o Curdistão - terra de costumes bárbaros e na qual a Turquia protagoniza uma guerra muito feia.

Agora a Turquia começou a bombardear território sírio que a milícia curda ameaçava conquistar. A posição da Turquia é clara: combater as milícias curdas, inclusive em territórios iraquiano ou sírio.

E ninguém põe a Turquia na ordem, por ela ser membro da NATO.

A Turquia abriga-se no seu estatuto de membro da NATO para levar a cabo uma guerra ofensiva, não somente contra parte do seu próprio povo, como também contra o povo de países estrangeiros.

Retrato de Luís Lavoura

Após a Revolução Francesa, o exército da França passou a ser o exército do seu povo. Ele passou a ser formado por jovens recrutados por entre todo o povo francês. Lutar pelo país e pelo seu povo passou a ser uma obrigação patriótica de todos. Progressivamente, no futuro, as Forças Armadas de todos os países seguiram o mesmo modelo nacionalista e democrático.

Hoje em dia entende-se que as Forças Armadas devem ser profissionais. Já só está nelas quem quer. Vai-se para as Forças Armadas não por dever patriótico, mas para arranjar um emprego, fazer uma formação profissional útil, e ganhar algum dinheiro.

Mas mesmo assim é difícil, nalguns países (por exemplo, nos Estados Unidos), arranjar quem queira ser militar.

Agora a Ucrânia deu o passo seguinte na profissionalização das suas Forças Armadas: passou a permitir que estrangeiros sirvam (ou antes: trabalhem) nelas. A partir de agora, por uma nova lei ucraniana, qualquer cidadão estrangeiro pode ir lutar nas Forças Armadas ucranianas.

Assim se retorna ao ponto inicial da Idade Média: exércitos formados por mercenários. Combater pelo país e pelo seu povo deixou de ser uma obrigação de todos para passar a ser uma profissão de qualquer um. Até de imigrantes.

Retrato de Luís Lavoura

Parece que a União Europeia quer utilizar as suas forças armadas para destruir embarcações líbias, pertencentes a alegados "traficantes", que as utilizam para transportar pessoas desde a costa africana para a Europa.

Eu acho isto completamente chocante, para além de contraproducente. Aqui não há traficantes nenhuns. Há pessoas que pretendem transporte para a Europa e que estão dispostas a pagar por esse transporte, e outras pessoas que fornecem esse transporte. Não há tráfico nenhum, não há objeto nenhum que esteja a ser traficado. Tráfico é comércio ilegal; transportar pessoas de um lado para o outro não é, que eu saiba, ilegal (e também não é comércio). As embarcações, também, são instrumentos de trabalho dos alegados "traficantes", e é totalmente ilegal destruí-las.

Além de ilegal, é contraproducente. A destruição de embarcações apenas fará com que comecem a ser utilizadas para o transporte dos refugiados outras embarcações de pior qualidade e ainda mais inseguras. Ao destruir embarcações de qualidade razoável a União Europeia apenas estará a incentivar que se comecem a utilizar embarcações de má qualidade, com mais naufrágios como consequência.

Espero sinceramente que o governo português não aceite utilizar as Forças Armadas portuguesas numa tal operação, claramente ilegal e criminosa.

Retrato de Luís Lavoura

Levantam-se agora vozes que protestam contra o facto de cidadãos de países europeus poderem viajar até à Síria ou o Iraque, países onde militam no exército do Estado Islâmico, regressando depois livremente aos países europeus dos quais são cidadãos.

É preciso recordar que as pessoas nascidas e criadas num determinado país devem ter o direito de ser cidadãs desse país, mesmo que sejam filhas de pais estrangeiros e mesmo que professem a religião islâmica. E os cidadãos de um Estado livre devem ter o direito de viajar para um outro qualquer país e de, após essa viagem, regressar livremente ao Estado do qual são cidadãs. Não se pode pôr em causa esses direitos. Qualquer cidadão europeu deve, portanto, ter o direito de viajar à Síria, ao Iraque, ou seja aonde fôr, para lá fazer seja o que fôr (que não seja considerado crime), e de após essa viagem regressar livremente à Europa.

Acontece, porém, que a Europa tem, neste como na generalidade dos outros aspetos, muito a aprender com um pequeno país que se encontra no centro dela: a Suíça. O Estado suíço proíbe aos seus cidadãos militarem nas Forças Armadas de um qualquer outro país exceto a própria Suíça. (A única exceção é para os cidadãos suíços que tenham dupla nacionalidade de um qualquer outro país, caso em que são autorizados a militar nas Forças Armadas desse outro país.)

Uma lei semelhante poderia ser introduzida nos outros países europeus, proibindo os cidadãos desses países de militar numa qualquer força armada ou militarizada, estatal ou privada, exceto o próprio exército do país do qual são cidadãs. Sob uma tal lei, um cidadão europeu seria considerado criminoso se tivesse feito parte do exército do Estado Islâmico.

Retrato de Luís Lavoura

A Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar permanece furiosa porque, no futuro, o seu adorado colégio passará a ser misto e a ter internato de raparigas e rapazes.

Essa Associação mostra ter um conceito antiquado da vida militar. A tropa moderna está aberta a voluntários de ambos os sexos e, em qualquer quartel (e também em navios em serviço no alto mar), há hoje em dia soldados e oficiais de ambos os sexos a habitarem em, chamemos-lhe assim, "internato". Pelo que, se aquilo que o Colégio Militar pretende é dar aos seus alunos uma educação que imite a vida militar e instrua nas virtudes militares, também terá necessariamente que incluir o internato de ambos os sexos. Os futuros soldados e oficiais têm que, desde a mais tenra idade, se habituar a viver num local onde habitam - em camaratas separadas - pessoas de ambos os sexos. Porque é assim que a moderna vida militar é. Uma das virtudes dos militares modernos é serem capazes de viver em estreita companhia com múltiplas pessoas do outro sexo.

Retrato de Luís Lavoura

... que, por detrás de toda a preocupação com as mortes na Líbia, estaria um pouco disfarçável desejo de pôr a pata sobre esse país.

 

Lembremos: também o selvagem bombardeamento da Sérvia foi precedido de notícias aterrorizadoras - que mais tarde se viriam a revelar ser em boa parte falsas - sobre pretensos massacres cometidos pelo exército sérvio sobre a população albanesa do Kosovo. Nomeadamente falou-se muito sobre o "massacre de Racak", que depois da guerra se comprovou não ter passado de uma invenção.

 

Segundo notícia desta manhã na Antena 1, os estrategas da NATO, tanto na Europa como nos Estados Unidos, já estão a considerar ou a advogar a possibilidade de uma "intervenção" militar da NATO na Líbia. Como é evidente, "intervenção" é um eufemismo para designar a invasão do país e a sua submissão a um novo regime colonial, mais ou menos similar àquele a que atualmente o Iraque e o Afeganistão estão submetidos. Não nos esqueçamos que o petróleo líbio, embora não seja muito, é de excelente qualidade e muito apetecido para transformar em gasóleo, um carburante que - fruto da manipulação fiscal - é muito popular na Europa.

 

Eu rejeito totalmente esta visão. Os líbios que resolvam os seus problemas - o Ocidente não deve intervir! Jamais! Mais guerras, não!

Retrato de Luís Lavoura

A NATO vai depois de amanhã estar reunida em Lisboa em busca de um novo objetivo estratégico, diz-se.

 

Mas, na verdade, o objetivo estratégico da NATO já há muitos decénios existe e está bem definido: estimular a produção de lixo armamentista. O objetivo estratégico da NATO é forçar (sob pretexto da "compatibilidade" entre o armamento dos diferentes países e da participação em exercícios ou intervenções militares conjuntos) os seus países membros a gastar mais e mais dinheiro em armamento mais e mais sofisticado, mas com uma utilidade prática cada vez menor e com um tempo de obsolescência cada vez mais reduzido, com o fim de permitir a sobrevivência de algumas indústrias que, num pequeno punhado de países (os EUA e poucos mais), vivem à custa desse subsídio público, do dinheiro dos contribuintes assim delapidado.

 

Esse é o objetivo estratégico da NATO. O resto são mentiras com que os Estados nos pretendem encher os olhos de areia.