Parece que o Álvaro, na sua aparição de ontem na RTP 1 (da qual eu vi apenas o princípio, de que até gostei bastante) afirmou que a energia nuclear em Portugal "é uma possibilidade".
Eu aprecio deveras o Álvaro, que me parece uma pessoa competente, dinâmica, eficiente e bem intencionada. Mas esta calinada, infelizmente, mostra que "no melhor pano cai a nódoa".
O Álvaro deveria informar-se sobre a energia nuclear (existente no mundo real) antes de vir fazer afirmações destas. Nomeadamente e principalmente, deveria saber que uma central nuclear demora, na melhor das hipóteses, dez anos a ser construída. E que, uma vez construída, só se paga a si mesma se funcionar (produzir eletricidade) durante uns vinte anos, caso contrário não é rentável. Portanto, a energia nuclear é um projeto a trinta - ou, provavelmente, mais - anos de prazo. A energia nuclear não é uma coisa que produza eletricidade amanhã - é uma coisa que só vale a pena se fôr para produzir eletricidade daqui a vinte e trinta anos.
Ora, as projeções mais realistas indicam que, mesmo somente com as centrais nucleares que já hoje estão em funcionamento, daqui a uma dúzia de anos, no máximo, haverá uma séria escassez de urânio para as abastecer. Com a consequente carestia desse urânio.
Por isso o Álvaro, que é uma pessoa jovem, nascida nos anos 70, não deve pensar na energia nuclear como se pensava nos tempos em que ele nasceu. (É que a energia nuclear, como na canção dos Beatles, was a hit before your mother was born.) Deve pensar nela com os parâmetros atuais. E, atualmente, sabe-se claramente que o urânio é um recurso finito. E que vai escassear ainda antes do gás natural.