Energia

A visão liberal relativamente ao tema da Energia e soluções energéticas para o futuro.
Retrato de Luís Lavoura

Um excelente artigo no Jornal de Negócios sobre o défice tarifário no setor da eletricidade.

Retrato de Luís Lavoura

Uma ideia genial é como Luís Menezes Leitão descreve, muito apropriadamente, o novo tiro no pé que a União Europeia decidiu dar em si mesma - ou que alguns Estados da União Europeia decidiram dar naqueles que já estão bem massacrados.
Cada vez mais penso que a atual União Europeia é um sítio pouquíssimo recomendável, do qual Portugal faria bem em sair o quanto antes.

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Mais um post notável de Jeff Rubin, que vale a pena transcrever extensamente (peço desculpa por não ter tido paciência para traduzir): "Can we still expect to see sustained economic recoveries when oil, the world’s principal source of energy, is trading in triple digit range? [...] triple digit oil prices will redefine our notion of an economic recovery because as soon as the global economy picks up, oil prices will quickly soar to levels that challenge growth. Last year was a case in point. In the second full year of recovery from as deep a trough as any seen in the post-war period, oil prices once again rose swiftly to levels that, in the past, torpedoed economic growth. Brent Crude, the world oil benchmark, averaged $111 per barrel. This cracked the previous record of an annual average high of $100 in 2008 – a peak subsequently followed by a huge global recession. [...] Of course, there are always special factors to explain these price levels: the Libyan revolution, Iran’s threat to close the Strait of Hormuz, or an increasingly destabilized Iraq. While all these events certainly pose credible threats to world oil production, they are, at the same time, background noise even if they dominate the front page. The real story behind triple digit oil prices is not the threat of supply shocks, but the sheer, unrelenting rise in world oil demand. Already closing in on 90 million barrels a day, the quick rebound in world oil consumption to new record highs demonstrates the global economy can’t grow without burning greater amounts of oil. No matter how many rabbits the oil industry can pull out of its hat, be it tar sands from Alberta or shale oil from the Bakkens, supply just can’t seem to keep pace – at least not at the prices most consumers can afford to pay. That is the message that triple digit prices keeps telling us. If the global economic expansion, troubled as it may be, continues, we will see even higher oil prices in 2012. But what does that say about the sustainability of growth? And even if there is growth, what is the pace?

Retrato de Luís Lavoura

Parece que o Álvaro, na sua aparição de ontem na RTP 1 (da qual eu vi apenas o princípio, de que até gostei bastante) afirmou que a energia nuclear em Portugal "é uma possibilidade".

Eu aprecio deveras o Álvaro, que me parece uma pessoa competente, dinâmica, eficiente e bem intencionada. Mas esta calinada, infelizmente, mostra que "no melhor pano cai a nódoa".

O Álvaro deveria informar-se sobre a energia nuclear (existente no mundo real) antes de vir fazer afirmações destas. Nomeadamente e principalmente, deveria saber que uma central nuclear demora, na melhor das hipóteses, dez anos a ser construída. E que, uma vez construída, só se paga a si mesma se funcionar (produzir eletricidade) durante uns vinte anos, caso contrário não é rentável. Portanto, a energia nuclear é um projeto a trinta - ou, provavelmente, mais - anos de prazo. A energia nuclear não é uma coisa que produza eletricidade amanhã - é uma coisa que só vale a pena se fôr para produzir eletricidade daqui a vinte e trinta anos.

Ora, as projeções mais realistas indicam que, mesmo somente com as centrais nucleares que já hoje estão em funcionamento, daqui a uma dúzia de anos, no máximo, haverá uma séria escassez de urânio para as abastecer. Com a consequente carestia desse urânio.

Por isso o Álvaro, que é uma pessoa jovem, nascida nos anos 70, não deve pensar na energia nuclear como se pensava nos tempos em que ele nasceu. (É que a energia nuclear, como na canção dos Beatles, was a hit before your mother was born.) Deve pensar nela com os parâmetros atuais. E, atualmente, sabe-se claramente que o urânio é um recurso finito. E que vai escassear ainda antes do gás natural.

Retrato de Luís Lavoura

Como seria de esperar, o aumento do preço do petróleo acima dos 100 dólares por barril já está a ter repercussões na eliminação do fraco crescimento económico pós-crise. Os EUA e o Reino Unido estão a recair na depressão, e, temo bem, a Europa não tardará a seguir-lhes o caminho.

O jogo atual é este: se a economia cresce o preço do petróleo aumenta e trava-lhe o crescimento. Com a escassez de petróleo, os tempos de crescimento sustentado acabaram, de vez, para as economias ocidentais.

E, sem crescimento (*), nenhum Estado poderá, alguma vez, pagar os balúrdios que deve aos mercados financeiros.

 

(*) Ou inflação.

Retrato de Luís Lavoura

O ministro da Economia disse que o governo tenciona criar um sistema de preços subsidiados para a energia - eletricidade e gás - consumida pelas famílias mais pobres.

Espero que o ministro se lembre que grande parte das famílias mais pobres em Portugal vive nas aldeias e não consome gás natural - consome gás propano e butano engarrafado, que é bem mais caro do que o gás natural - a começar pelo facto de que paga IVA a 23% e não a 6% como o gás natural paga. Se quer ajudar os consumidores de gás mais pobres, o ministro não se deve fixar apenas nos consumidores de gás natural.

Retrato de Luís Lavoura

Confesso que não percebo os múltiplos comentários críticos e/ou jocosos a que tem levado a decisão da ministra do Ambiente de subir a temperatura dos termostatos dos ares condicionados do ministério durante o Verão.

A ministra atuou bem, aliás atuou de acordo com sugestões que repetidamente são feitas neste sentido por todos aqueles que se preocupam com a poupança de energia. (No Japão faz-se o mesmo.)
O ministério que a ministra tutela tem múltiplos edifícios, muitos deles fora de Lisboa, e milhares de funcionários. A ministra pode e deve ordenar que se subam as temperaturas dos termostatos. Mas tem o direito e o dever de explicar aos funcionários por que motivos o faz, e tem o direito de lhes sugerir (não ordenar!) que, para suportarem a temperatura mais alta, aligeirem o seu vestuário. (No Japão faz-se o mesmo.)

Portanto a ministra agiu corretamente, e oxalá todos os outros departamentos do Estado lhe seguissem o exemplo, moderando o consumo de energia em ares condionados inúteis e sugerindo aos funcionários que utilizassem no trabalho um vestuário mais de acordo com a estação do ano.

Retrato de Luís Lavoura

A Agência Internacional de Energia advertiu, em Junho, que, a menos que os países da OPEP consigam aumentar a produção - coisa que parece muito difícil, a menos que a guerra civil na Líbia termine -, na segunda metade deste ano se gerará um défice substacial na produção mundial de petróleo, isto é, a produção será inferior em aproximadamente 1,5% ao consumo.

Isto quer dizer que nos devemos preparar para aumentos substanciais do preço dos carburantes ao longo dos próximos meses.

(Fonte: o blogue de Jeff Rubin.)

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Como em Portugal continua a haver maluquinhos que gostariam de cá construir uma central nuclear - a qual só estaria pronta daqui a uma dezena de anos, dado o enorme tempo que um desses projetos leva invariavelmente a concluir - vale a pena transcrever o resumo de um artigo - escrito por um cientista - que hoje mesmo apareceu e cujo título este post copia:

Historic data from many countries demonstrate that on average no more than 50-70% of the uranium in a deposit could be mined. An analysis of more recent data from Canada and Australia leads to a mining model with an average deposit extraction lifetime of 10+- 2 years. This simple model provides an accurate description of the extractable amount of uranium for the recent mining operations.
Using this model for all larger existing and planned uranium mines up to 2030, a global uranium mining peak of at most 58 +- 4 ktons around the year 2015 is obtained. Thereafter we predict that uranium mine production will decline to at most 54 +- 5 ktons by 2025 and, with the decline steepening, to at most 41 +- 5 ktons around 2030. This amount will not be sufficient to fuel the existing and planned nuclear power plants during the next 10-20 years. In fact, we find that it will be difficult to avoid supply shortages even under a slow 1%/year worldwide nuclear energy phase-out scenario up to 2025. We thus suggest that a worldwide nuclear energy phase-out is in order.
If such a slow global phase-out is not voluntarily effected, the end of the present cheap uranium supply situation will be unavoidable. The result will be that some countries will simply be unable to afford sufficient uranium fuel at that point, which implies involuntary and perhaps chaotic nuclear phase-outs in those countries involving brownouts, blackouts, and worse.

O artigo completo, cujo autor é Michael Dittmar, um físico de partículas experimental que trabalha na experiência CMS no CERN, pode ser obtido em

http://xxx.lanl.gov/pdf/1106.3617

Retrato de Luís Lavoura

A edição do The Economist desta semana exibe-se (na sua capa) pesarosa por, logo quando a economia mundial estava a começar a recuperar tão bem, o preço do petróleo subir sem parar.

 

Mas isto nada tem de surpreendente. De facto, este comportamento do preço do petróleo (o qual já estava a subir mesmo antes das recentes turbulências em países árabes) é totalmente previsível: o estado da economia mundial e o preço do petróleo encontram-se atualmente acoplados. Se a economia mundial começa a acelerar, logo a procura de petróleo aumenta para níveis insustentáveis, e o preço do petróleo aumenta até fazer a procura de petróleo e, com ela, o dinamismo económico, decrescerem.

 

Trata-se de uma aplicação prática da Lei da Oferta e da Procura, nada mais.

 

Há que compreender que a produção mundial de petróleo está nos limites - estamos no peak oil, o estado de produção máxima de petróleo a nível mundial, se é que (hipótese mais provável) não o ultrapassámos mesmo já. A partir daqui, qualquer crescimento económico que exija maior consumo de petróleo vai imediatamente esbarrar na finitude desse recurso. A única maneira de fazer o preço do petróleo baixar é, hoje em dia, diminuir o seu consumo. O que, numa economia viciada em transportes como a atual, implica diminuir a mobilidade de pessoas e bens.

 

É duro, mas inelutável.