Energia

A visão liberal relativamente ao tema da Energia e soluções energéticas para o futuro.
Retrato de Luís Lavoura

É claro que o mundo está cheio de boas intenções, e eu tenho sérias dúvidas que esta se materialize: numa entrevista, o novo ministro francês do Ambiente diz que a França fará uma reforma profunda dos seus impostos no sentido de que o preço ao público do gasóleo passe a ser idêntico ao da gasolina (tal como é à saída da refinaria).

Oxalá houvesse na Europa mais ministros do Ambiente que fossem capazes de, ao menos, ter tão boas intenções.

Retrato de Luís Lavoura

Cada vez se vêem mais artigos nos jornais sobre o advento dos carros movidos a eletricidade.

Diz-se que o grande problema desses carros são as baterias, mas que esse problema estará prestes a ser superado pela tecnologia.

No meu entender, porém, o grande problema dos carros elétricos é: como produzir a eletricidade de que eles necessitarão?

Segundo os meus conhecimentos, de toda a energia primária que um país desenvolvido, como Portugal, consome, 40% da energia serve para movimentar os meios de transporte, e 20% da energia serve para produzir eletricidade. Ou seja, muito aproximadamente, os carros e camiões gastam o dobro da energia primária daquela que é consumida sob a forma de eletricidade. Isto quer dizer que, se todos os carros e camiões passassem a mover-se a eletricidade, o consumo de eletricidade no país triplicaria. E eu pergunto: como será produzida tanta eletricidade?

Poder-se-á dizer que ela virá de fontes renováveis. Mas, de toda a eletricidade que hoje consumimos, apenas cerca de metade provem de tais fontes - e a maior dela são as barragens, que não podem ser indefinidamente multiplicadas. O que isto quer dizer, é que ainda será necessário imenso investimento para que toda a eletricidade que hoje consumimos possa provir de fontes renováveis. Quantas fontes renováveis serão então necessárias para que produzamos o triplo da eletricidade atual?

A mim parece-me que não há forma de as contas baterem certo - não há eletricidade suficiente para fazer movimentar os carros, a não ser que essa eletricidade seja produzida pela queima de carvão ou gás natural. Ora, se é para queimar carvão ou gás natural, mais vale queimar diretamente petróleo nos carros...

Retrato de Luís Lavoura

Os painéis fotovoltaicos têm o grande inconveniente de que ensombram o solo, tornando-o estéril. Nada cresce sem a luz do sol e, portanto, a captação da energia solar é incompatível com a agricultura. É por isso com gosto que leio que a EDP vai experimentar, embora apenas numa escala minúscula, na sua barragem do Alto Rabagão, cobrir uma parte da albufeira com painéis solares. Isso é bom porque toda aquela superfície de água é espaço desaproveitado, inútil, estéril, pelo que me parece um sítio ideal para colocar painéis solares. Espero que a EDP tenha muito sucesso e que, no futuro, a albufeira do Alqueva não sirva somente, nem sequer principalmente, para nela andarem barcos cheios de turistas a navegar, e sirva sim para que painéis solares sobre boa parte dela produzam energia.

Retrato de Luís Lavoura

O governo prepara-se para fazer entrar em vigor um sistema de "preços de referência" para os carburantes (gasóleo e gasolina).

Este sistema tem para mim um desagradável odor ao sistema de preços máximos - que na prática constituíam preços universais - que vigorava até 2000. Espero que o país não vá agora andar para trás, como o caranguejo. Os preços dos carburantes, tal como o preço do arroz e do esparguete, devem ser livres. Não há qualquer espécie de razão para que os preços de produtos essenciais como os cereais sejam livres mas o preço de produtos que em boa parte dos seus usos não são essenciais, como os carburantes, sofram uma supervisão política.

Entretanto, eu questiono: porquê preços de referência apenas para o gasóleo e a gasolina, e não para outros derivados do petróleo também? Então o gás de botija, com o qual tantos portugueses cozinham as suas refeições, não mereceria também ser tabelado? Por que perversos motivos políticos liga o governo português tanta atenção ao preço do gasóleo e da gasolina, que servem em grande parte para entretenimento da classe média, e tão pouca atenção ao gás de botija, um produto essencial para muitos portugueses pobres?

Retrato de Luís Lavoura

Na passada semana, em Penamacor, pela primeira vez (que eu tenha dado conta) um político português de relevo referiu-se a um grande problema para muitos portugueses, sobretudo portugueses pobres: o preço muito elevado do gás butano/propano engarrafado. Eu já ouvira múltiplos políticos portugueses a falarem, em termos irados e indignados, dos preços excessivos da gasolina, do gasóleo, da eletricidade e do gás natural. Mas nunca ouvira nenhum a falar do preço do gás de botija. Talvez por esse ser um produto que (quase) não é consumido pelos cidadãos urbanos e ricos mas sim (quase) somente por portugueses rurais e pobres, os quais se encontram fora do "radar" dos políticos. Louvo António José Seguro por, pela primeira vez, ter chamado a atenção para esse problema de muito boa gente.

Retrato de Luís Lavoura

Um excelente artigo no Jornal de Negócios sobre o défice tarifário no setor da eletricidade.

Retrato de Luís Lavoura

Uma ideia genial é como Luís Menezes Leitão descreve, muito apropriadamente, o novo tiro no pé que a União Europeia decidiu dar em si mesma - ou que alguns Estados da União Europeia decidiram dar naqueles que já estão bem massacrados.
Cada vez mais penso que a atual União Europeia é um sítio pouquíssimo recomendável, do qual Portugal faria bem em sair o quanto antes.

Retrato de Luís Lavoura

Mais um post notável de Jeff Rubin, que vale a pena transcrever extensamente (peço desculpa por não ter tido paciência para traduzir): "Can we still expect to see sustained economic recoveries when oil, the world’s principal source of energy, is trading in triple digit range? [...] triple digit oil prices will redefine our notion of an economic recovery because as soon as the global economy picks up, oil prices will quickly soar to levels that challenge growth. Last year was a case in point. In the second full year of recovery from as deep a trough as any seen in the post-war period, oil prices once again rose swiftly to levels that, in the past, torpedoed economic growth. Brent Crude, the world oil benchmark, averaged $111 per barrel. This cracked the previous record of an annual average high of $100 in 2008 – a peak subsequently followed by a huge global recession. [...] Of course, there are always special factors to explain these price levels: the Libyan revolution, Iran’s threat to close the Strait of Hormuz, or an increasingly destabilized Iraq. While all these events certainly pose credible threats to world oil production, they are, at the same time, background noise even if they dominate the front page. The real story behind triple digit oil prices is not the threat of supply shocks, but the sheer, unrelenting rise in world oil demand. Already closing in on 90 million barrels a day, the quick rebound in world oil consumption to new record highs demonstrates the global economy can’t grow without burning greater amounts of oil. No matter how many rabbits the oil industry can pull out of its hat, be it tar sands from Alberta or shale oil from the Bakkens, supply just can’t seem to keep pace – at least not at the prices most consumers can afford to pay. That is the message that triple digit prices keeps telling us. If the global economic expansion, troubled as it may be, continues, we will see even higher oil prices in 2012. But what does that say about the sustainability of growth? And even if there is growth, what is the pace?

Retrato de Luís Lavoura

Parece que o Álvaro, na sua aparição de ontem na RTP 1 (da qual eu vi apenas o princípio, de que até gostei bastante) afirmou que a energia nuclear em Portugal "é uma possibilidade".

Eu aprecio deveras o Álvaro, que me parece uma pessoa competente, dinâmica, eficiente e bem intencionada. Mas esta calinada, infelizmente, mostra que "no melhor pano cai a nódoa".

O Álvaro deveria informar-se sobre a energia nuclear (existente no mundo real) antes de vir fazer afirmações destas. Nomeadamente e principalmente, deveria saber que uma central nuclear demora, na melhor das hipóteses, dez anos a ser construída. E que, uma vez construída, só se paga a si mesma se funcionar (produzir eletricidade) durante uns vinte anos, caso contrário não é rentável. Portanto, a energia nuclear é um projeto a trinta - ou, provavelmente, mais - anos de prazo. A energia nuclear não é uma coisa que produza eletricidade amanhã - é uma coisa que só vale a pena se fôr para produzir eletricidade daqui a vinte e trinta anos.

Ora, as projeções mais realistas indicam que, mesmo somente com as centrais nucleares que já hoje estão em funcionamento, daqui a uma dúzia de anos, no máximo, haverá uma séria escassez de urânio para as abastecer. Com a consequente carestia desse urânio.

Por isso o Álvaro, que é uma pessoa jovem, nascida nos anos 70, não deve pensar na energia nuclear como se pensava nos tempos em que ele nasceu. (É que a energia nuclear, como na canção dos Beatles, was a hit before your mother was born.) Deve pensar nela com os parâmetros atuais. E, atualmente, sabe-se claramente que o urânio é um recurso finito. E que vai escassear ainda antes do gás natural.

Retrato de Luís Lavoura

Como seria de esperar, o aumento do preço do petróleo acima dos 100 dólares por barril já está a ter repercussões na eliminação do fraco crescimento económico pós-crise. Os EUA e o Reino Unido estão a recair na depressão, e, temo bem, a Europa não tardará a seguir-lhes o caminho.

O jogo atual é este: se a economia cresce o preço do petróleo aumenta e trava-lhe o crescimento. Com a escassez de petróleo, os tempos de crescimento sustentado acabaram, de vez, para as economias ocidentais.

E, sem crescimento (*), nenhum Estado poderá, alguma vez, pagar os balúrdios que deve aos mercados financeiros.

 

(*) Ou inflação.