Energia

A visão liberal relativamente ao tema da Energia e soluções energéticas para o futuro.
Retrato de Filipe Melo Sousa

O governo Espanhol acabou de cortar 1.200.000.000 € destinados a subsídios em energias renováveis. Para muita pena das empresas que despejavam lixo energético caro na rede eléctrica a preço desvirtuado. Naturalmente nenhum consumidor estaria interessado em consumir energia a tais preços. Dando um mero exemplo: um consumidor português que recebe uma conta de electricidade de 100€ pagaria 600€ se a sua energia fosse produzida na central solar de Moura. Quem está interessado neste incremento marginal de 500% no custo da sua factura?

Retrato de Miguel Duarte

Energia NuclearA Finlândia decidiu no passado dia 21 avançar com a construção de mais dois reactores nucleares.  Os dois grandes objectivos desta decisão foram eliminar por completo as importações de energia eléctrica pelo país (a partir da Rússia) e transformar a produção energética em energia livre de emissões de carbono. O grande ponto negativo, apontado pelos ambientalistas, é que a Finlândia passará a ser o maior produtor mundial, per capita, de lixo nuclear. Contudo, a par destes investimentos no nuclear, a Finlândia também vai continuar a investir nas energias renováveis, tendo como objectivo obter uma quota dmínima de 38% para as energias renováveis.

Pergunto-me novamente, como já aqui questionei no passado, se este não será o caminho, pelo menos até ao ponto em que as renováveis forem verdadeiramente competitivas económicamente e conseguirem assegurar estabilidade no fornecimento de energia eléctrica.

Retrato de Miguel Duarte

Ainda onde falei em como a solução para os problemas energéticos do mundo poderia ser a Energia Atómica. Pois, enquanto dizia isto, os nossos amigos do Texas arranjaram uma solução para se tornarem ecologistas, por preocupação com os seus bolsos. Parece que, para se extrair o crude até à última gota, é necessário injectar carbono nos poços de petróleo, ora, tal significa que estas empresas vão injectar mais 50% de carbono nos poços do que aquele que é extraído sobre a forma de crude. Estão até disponíveis para pagar cerca de 10 dólares por tonelada de carbono. Uma vez injectado nos poços, o carbono fica preso a kilómetros de profundidade, pelo que não regressará à superfície tão cedo.

Na prática, tal significa que, se esta tecnologia vingar e for útil, a extracção de crude será mais ecológica que a utilização de renováveis no que toca ao CO2, pois será negativa em termos de emissões.

Retrato de Miguel Duarte

Tirando as questões económicas, que como o Luís Lavoura afirmou, são uma questão que compete aos operadores energéticos decidir, e não aos governos, o nuclear era uma solução que me colocava grandes dúvidas devido em primeiro lugar ao problemas dos resíduos e num segundo lugar (por estar mais descansado), aos problemas de segurança.

A questão dos resíduos felizmente parece estar em vias de resolução graças aos desenvolvimentos tecnológicos, ao nível da capacidade de perfuração, da indústria do petróleo. Os Estados Unidos estão neste momento a analisar a hipótese de enterrar os resíduos entre os 3 e 5 kilómetros de profundidade, uma profundidade tal que segundo os especialistas é suficiente para efectivamente resolver o problema, dado que existe uma grande quantidade de locais com estabilidade geológica suficiente para termos a certeza que os resíduos aí irão permanecer durante os milhões de anos necessários para perder a sua perigosidade. Desde que um operador privado garanta um fundo para dar esta solução final aos resíduos, penso que a questão ficará encerrada, não passando as gerações presentes custos para as gerações futuras, que não têm culpa nenhuma das nossas necessidades energéticas (e tecnologia arcaica).

Quanto à questão da segurança, aquilo que me tem sido dado a entender, é que uma central nuclear dos dias de hoje (3ª geração) é muito mais segura que a generalidade dos reactores em funcionamento que nos foram deixados pelos nossos pais. O risco está lá sempre, mas a realidade é que os combustíveis fósseis matam pessoas todos os dias (por exemplo com problemas respiratórios nas cidades) e com um grau de certeza bem maior que a incerteza da Energia Nuclear.

Gerações de Reactores Nucleares

Face a estas evidências e tendo em conta que os próprios ecologistas embirram muitas vezes com as chamadas alternativas, por motivos como a matança de aves dos geradores eólicos até à destruição de ecosistemas pelas barragens. Passando pelas questões económicas (o nosso país necessita de ter acesso a energia barata), estratégicas (a Europa não deve estar dependente de países terceiros para a produção de energia) e ambientais (é necessário efectivamente, para bem do planeta, emitir-se menos carbono), a energia nuclear parece-me cada vez mais uma opção a ser tido em consideração no nosso país e na Europa.

Retrato de Luís Lavoura

Recorrentemente volta-se em Portugal à discussão sobre a energia nuclear. Partidários dessa forma de energia voltam, de forma direta ou encapotada, a propôr que em Portugal se construa uma ou mais centrais nucleares. A mim parece-me que essas pessoas ainda vivem presas numa lógica antiga, de há vinte anos atrás, quando Portugal ainda era suposto ser uma autarcia energética, a GALP e a EDP eram empresas nacionalizadas, e não havia mercado ibérico da energia (elétrica). Agora vivemos, felizmente, num mundo diferente. A GALP e a EDP são empresas que produzem e que vendem energia em variados países do mundo, não apenas em Portugal. Há também empresas "estrangeiras" que produzem e que vendem energia em Portugal. A eletricidade que se consome em Portugal é parcialmente importada de Espanha e, até, de França. (De facto, já hoje se consome eletricidade de origem nuclear em Portugal.) A eletricidade produzida em Portugal também pode ser - e, no caso da construção de uma central nuclear, teria mesmo de ser - exportada. A questão de construir uma central nuclear em Portugal não é hoje, parece-me a mim, um assunto de Estado, um assunto político. É, felizmente, um assunto empresarial. Se qualquer empresa privada quiser produzir eletricidade de origem nuclear em território português, pode e deve fazer tal proposta. Não tem que ser, não deve ser, o Estado a tomar tal iniciativa. Devem ser as empresas privadas que, se consideram que a energia nuclear é competitiva e rentável, proponham a construção de centrais nucleares em Portugal. A energia nuclear coloca sérios problemas técnicos, como por exemplo (1) o re-desenho das redes de distribuição de eletricidade para que elas se adaptem à produção de uma grande quantidade de eletricidade numa só central, (2) a necessidade de encontrar mercados que consumam a quantidade maciça de energia produzida pela central nuclear durante as horas de vazio, isto é, durante a noite, ou (3) a necessidade de dispôr de fontes alternativas de energia que permitam suprir a eletricidade necessária que faltará quando a central nuclear, regularmente, encerrar para manutenção ou para substituição do combustível. Tudo isto são problemas técnicos que devem ser resolvidos pelas empresas privadas que produzem, distribuem e vendem a eletricidade, como sejam a EDP, a REN, a Endesa, a Iberdrola, e quaisquer outras. Devem ser elas, e não o Estado, a resolver entre elas esses problemas técnicos. Felizmente, vivemos hoje numa economia de empresas privadas em concorrência, e não numa economia autárcica, de "campeões nacionais", e de monopólios estatais.