O PS quer manter o IVA que recai sobre os serviços de restauração na taxa média, 13%, em vez de permitir a sua subida para a taxa máxima, 23%, como o governo pretende.
Ora bem, eu conheço basicamente dois tipos de restaurantes. Há os restaurantes populares, baratuchos, nos quais a generalidade da população, incluindo pessoas da classe média-baixa, come, tipicamente, um almoço rápido. E há os restaurantes finos (nos EUA designados por fancy restaurants), caros ou medianamente caros, nos quais só comem a classe média-alta e a classe alta.
O aumento do preço das refeições nos restaurantes populares afetaria a classe média e média-baixa, que neles come, e levaria eventualmente à falência alguns desses restaurantes. Mas, na generalidade desses restaurantes não se passa fatura (a não ser nos raros casos em que o cliente o pede) nem se paga IVA, pelo que um aumento do IVA não terá, de facto, se não uma influência residual.
Os restaurantes finos, pelo contrário, passam em geral fatura, pois as pessoas que neles comem fazem-no, em grande parte, a coberto de empresas. Só que, para essas pessoas, o aumento de 10% no preço da refeição, resultante do aumento do IVA, terá consequências negligíveis, dado que se trata de pessoas abastadas. A clientela desses restaurantes não diminuirá por tão pouco.
Conclusão: a pretensão do PS é descabida num partido que se diz socialista. O PS pretende manter uma taxa de IVA reduzida sobre um serviço que, no mundo real, só paga IVA quando é prestado a pessoas abastadas (ou a empresas).













