Humor

Tudo o que faça rir um pouco.
Retrato de João Mendes

Em Portugal, resolve-se o problema adiando a decisão, e toma-se a decisão adiando o problema.

Em Portugal, o maior partido da oposição neste momento não é carnívoro, herbívoro ou omnívoro - é autofágico.

Em Portugal, o comunismo consiste na defesa intransigente dos interesses da pequena burguesia e do proletariado de colarinho branco.

Em Portugal, o Bloco de Esquerda não tem líder, tem o Francisco Louçã e o PSD não tem Manuela Ferreira Leite, tem vários "líderes" em potência e o Santana Lopes.

Em Portugal, o Governo de minoria é um exame clínico que serve para se descobrir de que maleitas sofre a disciplina de voto parlamentar. Do último exame resultou que sofre de intolerância à lactose.

Em Portugal, o Governo pretende seguir uma política de desenvolvimento económico reminiscente de marajás indianos, consistindo no investimento consistente em vários elefantes brancos. Em termos de política de transportes, no entanto, há uma diferença: os automóveis é que são sagrados e têm de poder ir para todo o lado, não as vacas.

Em Portugal, exercer a liberdade de expressão e de pensamento em relação à religião é, para pelo menos um elemento do maior partido da Oposição, justa causa para a perda da cidadania portuguesa.

Em Portugal, a política compensa, principalmente quando as faces estão ocultas.

A Malta precisa é de polémicas.

E como os nossos problemas estão todos resolvidos e o meu presidente de Câmara não é um corrupto condenado à prisão, então a Malta arranja umas polémicas importantes.

A mais interessante é sem dúvida a do Pingo Doce. É fascinante discutir se aquele anúncio é bom ou não. Alterou-se ligeiramente o público-alvo e reforçou-se um valor que antes estava mais discreto e ficou instalada a polémica.

A outra polémica foi criada por Saramago. Preocupado com as vendas do seu novo livro, o autor viu-se obrigado a investir contra o seu inimigo histórico - a Igreja.

Nesta guerra de liderança tudo indicava que o Pingo Doce estava na liderança com t-shirts sob o tema e vários artigos de imprensa enquanto saramago sofria reduzido à blogosfera uns pequenos aparecimentos num jornal.

Eis senão quando, sai do anonimato um euro-deputado disparado a dizer a Saramago "Ai queres deixar de ser Português? Então Vai-te lá embora que a gente deixa."

A pergunta fica: Deixamos ficar o Pingo Doce que gosta de Portugal e mandamos o Saramago embora?
Ou obrigamos o SAramago a ficar contra a sua vontade e expulsamos o anúncio patriota que foi feito por um publicitário brasileiro de quem os portugueses não gostam?

O pseudo-intelectualismo regojiza-se em glória neste momento de vitória.

Retrato de João Mendes

1. O maior inimigo do BE não é o PCP ou o PS, é o PPR.

2. Francisco Louçã, não satisfeito com investir todas as suas poupanças naquilo que ele próprio diz ser um mau investimento, quer decidir onde se deve investir o dinheiro dos nossos impostos.

3. Jerónimo de Sousa, tendo uma conta bancária normal, quer gerir as contas bancárias de todos os portugueses.

4. Um princípio orientador de uma Política de Verdade deve ser que a credibilidade da política não está na ética. Está, isso sim, em aparecer no Gato Fedorento.

5. O PSD admite que quando estiver no poder, o Ministério da Agricultura estará "ao serviço dos agricultores", e não de todos os portugueses. Aqui há, de facto, uma "Política de Verdade".

6. Quanto mais branco for o elefante, mais Avança Portugal.

7. Se cada vez mais gente pensa como o CDS-PP, então não basta andar, é preciso correr daqui p'ra fora.

8. Garcia Pereira e Carmelinda Pereira são partidos políticos unipessoais por quotas.

9. Manuela Ferreira Leite roeu-se de inveja quando viu o programa de uma página, por pontos, do PTP.

Retrato de João Mendes

Este ofício, que diz que os lugares cativos em jogos de futebol estão isentos de IVA, ainda está em vigor? Pelo que vi dos preços lugares cativos em estádios de futebol, parece-me que sim, que está.

Diria que é inacreditável mas, neste momento, já nada me parece inacreditável. (E sim, vai para a categoria de humor. Humor negro, mas humor, sem qualquer dúvida.)

Retrato de João Mendes

Respostas ao João Cardiga, que faz a pergunta neste post.

PSD: "Não sabemos a situação actual do Estado porque não temos acesso a números fidedignos. Mas assim que chegarmos ao poder, vamos comprar menos clips, e essa é a verdade, dado que se compram demasiados clips de acordo com estimativas feitas por mim anteontem na sala de estar."

PS: "O que importa é saber quem esses clips vão ajudar, porque nós já pusémos as contas públicas em ordem, e isso também afectou a aquisição de clips. Os clips ajudam milhões de portugueses. A nossa política passa, portanto, por incentivar o consumo privado de clips e investir publicamente em clips também, para a economia crescer."

BE: "Isto é uma falsa questão extramemente reaccionária. O investimento público é fundamental para o funcionamente da economia mas, de facto, é preciso ter cuidado com os custos, e portanto pretendemos nacionalizar a indústria de clips para comprarmos os clips todos a preço tabelado. E o PCP é mau e a Europa não."

PCP: "Isso é uma pergunta típica da Direita retrógrada. O PCP considera que a verdadeira questão está em saber que o investimento público é o verdadeiro motor da economia. Sendo necessário curtar custos, a solução passa por nacionalizar a indústria de clips, para obtermos clips a preço tabelado. E o BE é mau e a Europa também."

CDS-PP: "Gasta-se muito mais em clips do que se devia, e isso é uma verdade que dói mas que tem de ser apreendida, e cada vez mais gente pensa como nós. Por isso, defendemos um corte imediato nos impostos e o mercado livre, além de menos clips, acompanhado de um estímulo da economia real através da Caixa Geral de Depósitos, sendo que o Estado deve ter um papel menor na economia. E dizemos não à cultura despesista da compra de clips, mesmo tendo o Bagão Félix necessidade de clips para manter a cabeça em cima dos ombros."

Eu não li, mas o Marcelo Rebelo de Sousa também não.
Pode parecer improvável visto que estamos a falar da pessoa do PSD que lê tudo o que há para ler, mas tudo indica que o professor nem teve acesso ao documento.

Quando lhe pediram para falar sobre o programa ele disse que o programa era inteligente e eficaz. Ora aqui estão dois adjectivos que não nos dizem absolutamente nada e que podiam ser utilizados para descrever o guião do “Noddy”.

Mas Marcelo justifica os seus adjectivos através de três características.

A primeira é que é global. Vai aos principais pontos das questões políticas.
A meu ver isto não é uma qualidade, mas sim um requisito para se chamar um programa político.

A segunda vantagem enumerada é igualzinha à primeira: aborda a maioria dos grupos em Portugal. Ora bem, se já abordava a globalidade dos problemas é natural que também aborde a globalidade dos grupos e dos portugueses.

A terceira vantagem conforme enumerada pelo professor é o verdadeiro ex-libris: é um programa feito para duas legislaturas. Uau. Isto significa que todas as asneiras feitas nos próximos 5 anos estarão justificadas à partida, porque era suposto serem resolvidas no segundo mandato.

Ora bem. Eu também não li o programa do PSD e mesmo assim conseguia fazer um discurso bastante melhor e também em 3 pontos. Ora vejam:

“1 - O programa do PSD é uma solução. Apresenta resposta a todas as grandes discussões que ficaram por resolver durante o governo de Sócrates.

2 – O programa do PSD é uma solução global. Não vê o trabalho de cada ministério isolado, mas antes analisa os desafios de Portugal como um todo.

3 – O programa do PSD é uma solução global para o futuro, pois tem uma visão que vai muito além do presente e do seu mandato. O trabalho que será feito neste mandato será sentido ao longo de várias décadas.”

Caro Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Confesse. Nunca leu o programa, pois não?

E nem sequer teve tempo para preparar um discurso decente. Enfim, desenrascou-se

Alguns comentários do Almirante Pinheiro de Azevedo, primeiro ministro VI Governo Provisório, em 1975.