Humor

Tudo o que faça rir um pouco.
Retrato de Miguel Duarte

Para o dia de amanhã, o PCP (via CGTP), marcou mais um dia de férias... greve geral. Os seus argumentos para esse dia são resumidamente:

- Querem mudar de rumo:

Eu diria que ainda bem. Vamos transformar a nossa economia, finalmente, numa economia próspera, com baixo desemprego e melhores salários? Será que finalmente chegaram à conclusão que Portugal tem que mudar de estratégia e os sindicatos até podem ser uma ferramenta importante nesse sentido?

- Contra a (falta) de precaridade:

Sim, os tipos que vão fazer greve têm todos empregos (nada) precários. A qualquer momento (não) podem ser despedidos, pelo seu patrão Estado. O batalhão de trabalhadores a recibo verde que existem em Portugal é que (não) se sentem seguros e (não) têm bons empregos.

- Contra a Flexisegurança:

Claro que sim. Viva a liberalização total dos despedimentos, sem qualquer segurança. Aliás, tudo a recibo verde daqui para a frente. Isto está certamente relacionado com o mudar de rumo. Nunca pensei que o PCP fosse tão ousado, mais liberal que eu.

- Contra o Desemprego:

Precisamente. Mudamos de rumo, flexibilizamos o mercado de trabalho e assim diminuímos o desemprego.

- Contra as Desigualdades:

Claro. Finalmente acordaram. Por isso, em vez de haver privilégios para os funcionários públicos, agora vão todos ser tratados da mesma forma. Até vamos despedir alguns, pois dado que o salário médio dos funcionários públicos é bastante elevado, face à generalidade dos portugueses, estes têm necessariamente que ter uma produtividade acima da média, que justifique os seus salários. Maior igualdade significa salários superiores = produtividade superior, não é?

São estas as razões da greve geral não são?

Retrato de Miguel Duarte

Tania Derveaux é a cabeça de lista de um novo partido (ou será a-partido?), na Bélgica. Além da promessa visível no seu cartaz de campanha, promete também que nenhum dos seus deputados ocupará um lugar no parlamento. Ou seja, quem votar no seu partido está efectivamente a votar para retirar financiamento público aos partidos existentes.

Porque são a evidência que a liberdade, além de ser um bem em si mesmo, dá resultados incomparáveis aos resultados de qualquer outro fim ideológico.

Caro João Rodrigues,

Tento responder a algumas da suas cândidas questões económicas

1. Qual é a relação entre os cortes nas despesas com o pessoal nos estados da UE e o fraco desempenho relativo da UE?
Simples. Os estados europeus estão a fazer demais e de forma pouco eficiente. Isso prejudica o motor do crescimento económico, a iniciativa privada, tendo o produto potencial europeu sofrido com isso. Apesar de pouco, o que algumas economias europeias têm feito é tentar reduzir os custos com pessoal. Logo a relação é de correlação. Ambas as coisas estão relacionadas com Estados que mais se parecem com gordos polvos.

2. Porque as empresas pagam tanto a alguns e tão pouco a outros?

Porque as empresas ao contrário de, por exemplo o estado português, podem pagar mais por recursos escassos, premiando o talento, não porque são benevolentes, mas porque entendem que é dinheiro bem empregue para atingirem os objectivos que têm. Porque no fundo, os decisores dessas empresas, não escolhem os gestores em função da cor do seu cartão. É reconhecido que a competência é mais cara que os cartões partidários.

3. Qual é que vai ser o impacto da flexibilização do mercado de trabalho?

Sim. No curtíssimo prazo diminuiria o salário médio. Diminuirá de qualquer maneira, mesmo sem flexibilização, mas com flexibilização o ajuste seria mais rápido. Tambem permitiria pagar a quem dá mais resultado e menos a quem dá menos, incentivando todos a produzir mais (a resposta às perguntas da produtividade ficam para outro dia). Eliminaria o incentivo perverso a nada fazer. Tornaria muitos projectos viáveis, aumentando o investimento privado, aumentando a procura de trabalhadores, aumentando o valor dos trabalhadores e no médio e longo prazo a sua remuneração média.

4. Qual é a relação entre o nível de endividamento agregado das empresas em relação ao produto e o crescimento económico?

Existem correlações sobre correlações. Tambem se pode identificar o mesmo tipo de relação entre a liberalização da economia checa e a diminuição do salário médio na Amadora. As empresas podem aumentar o seu endividamento por variadíssimas razões. Felizmente esse nível de endividamento não é feito centralmente, senão estariamos todos dependentes da capacidade de economistas amantes do planeamento central para responder a essa questão.

5. E entre o aumento da taxa de juro de referência do BCE e o impacto da dívida das empresas portuguesas no crescimento do PIB?

O aumento das taxas de juro reflectem a espectativa dos dirigentes do BCE de que no espaço económico europeu o crescimento do produto seja demasiado alto por comparação com o produto potencial. No fundo aumentam o preço do dinheiro tornando mais atractiva a poupança e menos atractiva a despesa suportada por crédito. As empresas portuguesas estão avisadas desta subida e não ficaram à espera dos planeadores centrais para tomarem decisões de acordo com essas expectativas. As decisões de investimento das empresas privadas baseia-se fundamentalmente das expectativas de rentabilidade do mesmo, que dependem das taxas de juros esperadas. Portanto as decisões de financiamento foram já tomadas considerando essa expectiva de subida. Portanto, assumindo que o BCE age exactamente como esperado terá um impacto nulo no crescimento do PIB português via dívida das empresas portuguesas. Tambem por isso a previsibilidade do comportamento do BCE é importante.

6. A desigualdade faz mal ao desenvolvimento?

Um medidor antigo e fiavel para medir a desigualdade em um país é o índice de concentração de gini. É muito simpes, diz em qual proporção da população está concentrada que proporção da riqueza total do país. Quanto maior proporção da riqueza estiver em menor proporção da população maior a desigualdade. Durante os últimos anos os países que mais se desenvolveram viram a riqueza a concentrar-se. Tambem viram um número imprecedente de indivíduos a saírem da pobreza extrema.

Não foi a desigualdade que provocou o crescimento ou que tirou as pessoas da pobreza extrema. Foi o aumento da liberdade económica. Existe de facto uma relação entre a igualdade e o crescimento económico. Os países cujos governadores autoritários promovem ideário marxista/comunista igualitário viram os seus países a empobrecerem, a terem desenvolvimento económico negativo.Para o efeito, tambem os governadores autoritários que não promovem ideário nenhum viram o seu país a empobrecer. É a falta de liberdade que atrasa o desenvolvimento e causa a pobreza, independentemente de quais as razões ou métodos de quem captura a liberdae.

Há factores externos que baralham isto tudo, como por exemplo a existência ou descoberta em abundancia de um recurso natural precioso em abundancia. Nestes casos pode existir mais ou menos crescimento, mais ou menos igualdade e mais ou menos pobreza resultante, pode não existir nenhum relação entre umas coisas e outras.

Parece que Chavez aprendeu bem as lições de outros grandes líderes que também devem, pelas mesmas razões, obter a mesma simpatia da malta intelectual da “esquerda moderna”.

Se não concordam cala-os. Se não os conseguires calar, manda-os para o Gulag. Se mesmo assim não se calarem mata-os. Et voilá…é só “happy campers”.

Nota1: É sempre útil que intelectuais da “esquerda moderna” nos lembrem de que há muito mais do que une do que divide os vários ultra-liberais, muito liberais, liberais, quase liberais, pouco liberais e etc….

Nota2: Pelo que li, sempre que quiser dar largas à minha veia beligerante já sei onde hei de ir.

Nota3: Bem sei que AINDA não há notícias de Gulags ou fuzilamentos na Venezuela.

PS: Estou com uma grande dificuldade. Cada post de João Rodrigues merece um post. Será que DO estava a falar a sério quando disse que esse blog é mesmo de economistas?

Retrato de Miguel Duarte

Um vídeo humorístico, com alguns anitos, made in Turkey. A música é do piorzinho que tenho ouvido, mas quanto ao resto... vejam até ao fim.

Nota: O uniforme da menina é o que é usado pelas jovens turcas que frequentam o liceu e é mesmo deste tamanho.

Nota 2: Eu sei que a imagem da Turquia que cá nos chega não tem nada a ver com isto, mas, o vídeo retrata bem alguma da Turquia cosmopolita que conheço e que não nos chega pela nossa comunicação social. Turquia essa bem mais aberta e "liberal" que o nosso Portugal.