Política Externa

Artigos que apresentam o ponto de vista liberal sobre a política externa de Portugal.
Retrato de Luís Lavoura

Espero que, agora que Mark Rutte ganhou as eleições na Holanda e já não precisa de se afirmar perante o povo como adequadamente xenófobo, deixe de atiçar um conflito estúpido e potencialmente muito prejudicial com a Turquia.

Não gostei da vitória de Rutte: para mim, é um indivíduo que, ou não tem ideias, ou as abandona na primeira oportunidade. Um "liberal" que se põe a arremedar as atitudes xenófobas que sabe serem populares entre grande parte da população, não é um liberal.

Retrato de Luís Lavoura

A União Europeia fez um acordo com a Turquia para que esta já não deixe de passar refugiados  para as ilhas gregas.

O fluxo de refugiados para as ilhas gregas cessou, como desejado. Mas, correspondentemente, há cada vez mais refugiados a virem da costa líbia para a Itália.

Fechou-se uma torneira, outra de igual débito está-se a abrir. De facto, o fluxo diário de refugiados a atravessarem da Líbia para a Itália aproxima-se hoje do fluxo que no ano passado passava da Turquia para a Grécia.

Com a diferença de que a travessia marítima da Líbia para Itália é muito mais longa e, portanto, perigosa do que a curta travessia da Turquia para as ilhas gregas (algumas das quais estão a apenas uma dezena de quilómetros da costa turca). São de esperar muitos mais naufrágios, com forte impacto mediático.

A União Europeia reflete agora o que fazer. Há de deixar cair o acordo com a Turquia, por exemplo negando a concessão de vistos de entrada a cidadãos turcos? Há de invadir a Líbia, a pretexto de combater o Estado Islâmico mas também para impedir a partida de refugiados das costas líbias?

Não parece haver boas soluções.

Mas algumas pistas permanecem. Porque é que os refugiados partem para a costa italiana mas quase nenhuns chegam à ilha de Malta, que fica muito mais perto da costa líbia do que Lampedusa? Porque é que não há refugiados a tentar atravessar o estreito de Gibraltar, que é pouco mais largo do que a distância entre Lesbos e a costa turca? Porque é que deixou de haver fluxos de refugiados da Mauritânia e do Senegal para as ilhas Canárias?

Retrato de Luís Lavoura

Somos informados de que "[um]A plataforma que presta serviços de transporte concorrente da Uber anunciou a vinda para Lisboa no Facebook. Chama-se Cabify e é uma empresa espanhola que já actua em 14 cidades de vários países. Entre eles, estão Espanha, Brasil, México, Peru e Chile."

Temos assim uma empresa que opera em Espanha e em quatro países da América Latina que se vem instalar em Portugal. Acho bem. Isto é uma imagem da nova União Económica que é preciso construir, para servir de alternativa à União Europeia - um campeonato à altura do qual Portugal não está: a União Económica dos Países de Língua Oficial Ibérica. A Europa já deu o que tinha a dar. Viremo-nos para a América Latina.

Retrato de Luís Lavoura

Contrariamente à generalidade dos comentadores, considero que a posição assumida pelo PSD e pelo CDS na Assembleia da República, ao votarem contra o texto proposto pelo PS a lamentar a condenação dos ativistas angolanos, foi correta. Não cabe ao Estado português, em particular à Assembleia da República, imiscuir-se nos assuntos internos de Angola. O Estado português não tem nada que ver com Angola ter ou deixar de ter presos políticos. O Estado português deve defender os interesses dos portugueses, não os interesses dos angolanos. O Estado português não tem por missão andar a fazer-se de missionário da democracia e/ou dos direitos humanos. Os missionários dessas coisas (ou de outras) são os cidadãos privados, não é o Estado. Os cidadãos portugueses, enquanto privados, têm todo o direito de pregar a Angola o respeito pelos direitos humanos e pela liberdade de expressão; o Estado português, pelo contrário, não tem nada que andar a fazer tal coisa. O Estado português deve manter-se caladinho em relação aos assuntos internos de Angola, não deve substituir-se aos cidadãos nessas coisas.

Retrato de Luís Lavoura

Eu sou a favor de que a Europa não se intrometa na política interna de outros países. Por isso, tal como sou contra a Europa pretender derrubar Bachar al-Assad por ele ser um ditador que bombardeia e mata o povo sírio, também sou contra a Europa tratar mal Recep Erdogan por ele ser um proto-ditador que bombardeia o Curdistão turco.

A política externa europeia deve orientar-se pelos interesses da Europa. Os graves problemas das políticas internas turca e síria devem ser deixados para os povos desses países.

Retrato de Luís Lavoura

O músico indiano Amjad Ali Khan intitulou um dos seus discos A tribute to Germany, isto é, "Uma homenagem à Alemanha". Não sei por que o fez. Mas neste momento cabe homenagear a Alemanha pelo papel de liderança que tem tido no acolhimento pela Europa aos refugiados da guerra na Síria. Oxalá todos os países europeus - incluindo Portugal - seguissem o exemplo alemão.

(A Alemanha, ao acolher esses refugiados, defende também os seus interesses como país. A natalidade alemã está estagnada, pelo que a Alemanha necessta de um constante influxo de imigrantes para manter a sua população e a sua economia estáveis. E, de entre todos os potenciais imigrantes, sem dúvida que os sírios - um povo genericamente inteligente e culto  - devem merecer algum favorecimento.)

Retrato de Luís Lavoura

Daqui:

"one should not meddle in other countries’ affairs. I think there is no country in the world that is perfect, every country has problems. It’s enough for each country in the world to take care of its own problems. When you start meddling in other countries’ problems you cause problems for that country and for your own country as well."

"don’t meddle in other countries’ business, respect international law, and respect other countries and other people"

Retrato de Luís Lavoura

É, em minha opinião, benvindo que o novo governo grego tenha um ministro dos Negócios Estrangeiros pró-russo e que se tenha demarcado das ridículas (porque infundadas e sem provas) acusações da União Europeia de que o recente bombardeamento com morteiros em Mariupol é da responsabilidade dos russos.

É bom pôr um bocado de água na fervura que a União Europeia tem atiçado na sua relação com a Rússia, a qual já custou a vida a mais de 5000 ucranianos, e a miséria a muitas mais dezenas de milhares. Esperemos que esta nova inclinação da Grécia tenha esse efeito. A Europa está cheia de "falcões", especialmente na Polónia, Lituânia e Reino Unido, e é bom que as "pombas" também façam ouvir a sua voz.

Retrato de Luís Lavoura

A política da União Europeia para com a Rússia é uma idiocia sem fim.

Agora a União Europeia decidiu castigar duas dezenas de indivíduos russos, impedindo-os de levantar o dinheiro que eventualmente detenham em bancos de países da União e impedindo-os de viajar à União. Pergunto:

(1) Com que critério foram escolhidas essas duas dezenas de russos, que aparentemente são todos eles indivíduos de "segunda linha", quando foi o poder russo como um todo, e não apenas essas duas dezenas de indivíduos, quem decidiu anexar a Crimeia?

(2) Como pode a União Europeia esperar ter bancos atraentes, nos quais os estrangeiros queiram depositar o seu dinheiro, quando esses estrangeiros sabem que, a qualquer momento, podem ser separados do seu dinheiro por caprichosas ações dos políticos da União?

(3) Qual o prejuízo que a proibição de viajar à União Europeia terá para países como Portugal, nos quais o turismo de russos é muito importante? Não se refletirão estas proibições em descidas do número de vindas de russos a Portugal?

As sanções da União Europeia à Rússia são uma tolice que prejudicará sem sentido diversas empresas da União, não se sabe bem com que fim. Espero que Portugal se oponha claramente e terminantemente a esta idiotice pegada.

Uma política externa liberal só pode ser uma política em que os Estados não interferem com as liberdades dos seus cidadãos e empresas, nomeadamente a liberdade de eles negociarem com quem muito bem lhes apeteça no estrangeiro.

Retrato de Luís Lavoura

A NATO afirmou ontem que pretende aumentar a sua cooperação com a Ucrânia.

É evidente que isto é como deitar gasolina no fogo. Tem que se ter em conta que aquilo que à Rússia mais desagrada é que o "Ocidente" ponha as suas mãos, militarmente, cada vez mais próximo dela. A Rússia não gostou nada que a NATO absorvesse os países bálticos, por exemplo. A Rússia também não gostará nada que a NATO se intrometa, de alguma forma, na Ucrânia.

Em vez de procurar um apaziguamento e uma via para a paz, o "Ocidente" parece continuamente empenhado numa escalada da via militar.