Política Externa

Artigos que apresentam o ponto de vista liberal sobre a política externa de Portugal.
Retrato de Luís Lavoura

A política da União Europeia para com a Rússia é uma idiocia sem fim.

Agora a União Europeia decidiu castigar duas dezenas de indivíduos russos, impedindo-os de levantar o dinheiro que eventualmente detenham em bancos de países da União e impedindo-os de viajar à União. Pergunto:

(1) Com que critério foram escolhidas essas duas dezenas de russos, que aparentemente são todos eles indivíduos de "segunda linha", quando foi o poder russo como um todo, e não apenas essas duas dezenas de indivíduos, quem decidiu anexar a Crimeia?

(2) Como pode a União Europeia esperar ter bancos atraentes, nos quais os estrangeiros queiram depositar o seu dinheiro, quando esses estrangeiros sabem que, a qualquer momento, podem ser separados do seu dinheiro por caprichosas ações dos políticos da União?

(3) Qual o prejuízo que a proibição de viajar à União Europeia terá para países como Portugal, nos quais o turismo de russos é muito importante? Não se refletirão estas proibições em descidas do número de vindas de russos a Portugal?

As sanções da União Europeia à Rússia são uma tolice que prejudicará sem sentido diversas empresas da União, não se sabe bem com que fim. Espero que Portugal se oponha claramente e terminantemente a esta idiotice pegada.

Uma política externa liberal só pode ser uma política em que os Estados não interferem com as liberdades dos seus cidadãos e empresas, nomeadamente a liberdade de eles negociarem com quem muito bem lhes apeteça no estrangeiro.

Retrato de Luís Lavoura

A NATO afirmou ontem que pretende aumentar a sua cooperação com a Ucrânia.

É evidente que isto é como deitar gasolina no fogo. Tem que se ter em conta que aquilo que à Rússia mais desagrada é que o "Ocidente" ponha as suas mãos, militarmente, cada vez mais próximo dela. A Rússia não gostou nada que a NATO absorvesse os países bálticos, por exemplo. A Rússia também não gostará nada que a NATO se intrometa, de alguma forma, na Ucrânia.

Em vez de procurar um apaziguamento e uma via para a paz, o "Ocidente" parece continuamente empenhado numa escalada da via militar.

Retrato de Luís Lavoura

A Guiné Equatorial, um país muito rico em petróleo e governado por uma ditadura muito rica, quer fazer parte da Comunidade dos Países de Lingua Oficial Portuguesa (CPLP), estando para isso disposta a erigir o português em sua língua oficial. Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe parecem estar todos de acordo em admitir a Guiné Equatorial na CPLP, apenas Portugal se revolta. E eu pergunto, porquê?

É verdade que na Guiné Equatorial o português não é falado. Mas, e depois? Em Timor-Leste o português também quase não era falado (era-o apenas por uma minúscula elite) quando esse país decidiu, à revelia da imensa maioria da sua população, escolher o português como sua língua oficial e entrar na CPLP. Se Timor-Leste pôde entrar na CPLP, porque não pode a Guiné Equatorial? Se Timor-Leste tem o direito de impôr o português como sua língua oficial (e de começar de raiz a ensiná-lo ao seu povo), porque não tem a Guiné Equatorial o direito de fazer o mesmo?

Pergunto, não queremos nós que o português, a nossa língua, a sexta língua mais importante do mundo em termos de falantes, uma língua que no passado já foi língua franca em todos os portos da Ásia, se expanda? Porque haveremos de procurar impedir que a Guiné Equatorial adira à nossa maravilhosa língua? Não têm os cidadãos desse país o direito, e mesmo a obrigação, de começarem a aprender a nossa língua e a negociar nela?

Argumenta-se que nenhum outro país europeu faria tal coisa, mas isso é falso. Não tentou a França, durante muito tempo, que o francês se tornasse língua oficial da Guiné-Bissau e que esse país aderisse à comunidade de países africanos francófonos? Se os franceses querem expandir a sua língua para a Guiné-Bissau, porque não haverão os portugueses de expandir a sua para a Guiné Equatorial?

Argumenta-se ainda que a Guiné Equatorial é uma ditadura. Pois é, e depois? Alguma vez foi a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa uma associação de democracias? Angola e Moçambique são democracias perfeitas? A Guiné-Bissau é um Estado funcional? Não são, e no entanto ninguém questiona a pertença desses países à CPLP!

A língua portuguesa é a nossa pátria. Ela é a Verdade. Se a Guiné Equatorial deseja aderir à Verdade, que seja benvinda!

Retrato de Luís Lavoura

Como já por diversas vezes defendi neste blogue, eu sou totalmente contra as ingerências de Portugal ou da União Europeia na política interna de outros países. (Com a possível exceção de ingerências da União Europeia na política interna dos seus Estados-membros.)

Dentro desta lógica, acho que a União Europeia não tem nada que se estar a imiscuir nas manifestações que atualmente decorrem na capital da Ucrânia. Essas manifestações, que aliás estão a decorrer de forma ordeira e civilizada e dentro da melhor forma democrática, são um assunto de política interna da Ucrânia, na qual a União Europeia não tem nada que se imiscuir.

Retrato de Luís Lavoura

Cobarde, o ministério português dos Negócios Estrangeiros nem sequer foi capaz de admitir a asneira que tinha feito, e tentar emendá-la, pedindo ao menos desculpa à República da Bolívia, e em vez disso recorreu à mentira, alegando uns quaisquer "problemas técnicos" (não especificados, não detalhados) para impedir o abastecimento do avião presidencial boliviano em Portugal.
Cobardes e mentirosos. Mais uma vez se vê a verdadeira natureza das pessoas do CDS.

Retrato de Luís Lavoura

Paulo Portas, de cuja atuação enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros eu até fiquei com boa opinião, meteu o pé na argola antes de deixar o ministério: proibiu o avião presidencial de Evo Morales de aterrar em Portugal para abastecer combustível.

Eu pergunto, que raio de mosca terá mordido Paulo Portas para desta forma violar o direito internacional da aviação e hostilizar gratuitamente um outro país, que nenhum mal lhe fez? Que falta de decência é esta? Isto admite-se???

Qualquer avião tem o direito de se reabastecer seja onde fôr. Uma paragem para reabastecimento de combustível nem dá direito a que os passageiros saiam do avião. Permitir o reabastecimento de um avião é, em última análise, um dever humanitário, dado que sem combustível o avião não pode voar e, no limite, cai, matando todos os passageiros. Como pode Paulo Portas passar por cima de todas estas elementares realidades, só para lamber as botas a Barack Obama?

Retrato de Luís Lavoura

Enquanto os EUA e a Rússia se afadigam a tentar convocar uma conferência de paz para a Síria - conferência à qual o regime de Assad já se prontificou a comparecer, mas que é inútil, já que os variados grupos insurgentes não têm uma voz unificada que os represente - o Reino Unido, seja através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, seja através das suas correias de transmissão na revista The Economist, afadiga-se desesperadamente a tentar que a União Europeia e os EUA alterem a sua decisão de não fornecer (muitas) armas aos rebeldes. Desesperadamente, digo eu, porque está a ficar bem claro que, dentro em breve e se nada fôr feito, os rebeldes serão reduzidos a grupos jihadistas maioritariamente constituídos por estrangeiros instalados apenas em áreas menos relevantes do país. O Reino Unido e a França estão a perder a guerra que adotaram, coisa com que só me posso congratular (*). Assim mantenha a União Europeia e os EUA a sua decisão de não intervirem aonde não têm nada que ver.

 

(*) O atual regime sírio, embora ditatorial, respeita a liberdade e o pluralismo religiosos, coisa que é da maior importância naquela zona do planeta, como se pode ver, por contraste, no vizinho Iraque. O derrube do atual regime sírio corresponderia com toda a probabilidade a um retrocesso fantástico em matéria de direitos das mulheres e de direitos das minorias religiosas. Nada que preocupe o Reino Unido nem a França, está-se a ver.

Retrato de Luís Lavoura

Com a conquista nos últimos dias de Al Qunaytra, junto à fronteira libanesa, o regime sírio - com o valioso apoio de guerrilheiros libaneses (*) do Hizbullah - parece ter assegurado o controle da generalidade da parte ocidental - a mais habitada - do país, e das fronteiras com o Líbano e a Turquia por onde anteriormente os rebeldes eram abastecidos. Os rebeldes encontram-se agora firmemente acantonados apenas na região do rio Eufrates, no oriente, menos habitado, do país. Os rebeldes são, além disso, cada vez mais dominados por grupos fundamentalistas religiosos sunitas, sendo muitos dos combatentes estrangeiros (incluindo alguns muçulmanos europeus), que foram para a Síria praticar a "guerra santa".

Neste contexto, resta ver como é que as potências "ocidentais", nomeadamente o Reino Unido, a França e, em menor medida, os EUA e a União Europeia, vão (se é que vão) alterar a sua diplomacia incompetente e parva, deixar de exigir o afastamento do presidente Assad, e deixar de dar cobertura aos países (mais ou menos fundamentalistas) islâmicos da região que continuam a apoiar financeiramente e militarmente os rebeldes - a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia.

Espero que rapidamente o façam, com a maior destreza de que forem capazes - que não me parece ser muita.

 

(*) A distinção entre "Síria" e "Líbano" é artificial. Na geografia árabe, o atual Líbano é uma parte da Síria - tal como a Palestina e a parte ocidental (habitada) da Jordània o são. Para os árabes, toda aquela região é a (grande) Síria. O Líbano não passa de um país artificialmente extraído da Síria pela antiga potência colonial - a França - com o fim de fornecer um país à sua clientela local preferida, os cristãos sírios. Lamentavelmene para essa clientela, no decurso das décadas ela veio a ser ultrapassada em termos demográficos pelos muçulmanos, sobretudo xiitas, de tal forma que os cristãos são hoje uma minoria cada vez mais minoritária no Líbano.

Retrato de Luís Lavoura

É curiosa a indiferença da França perante o que se está a passar na República Centro-Africana, especialmente após ter sido tão voluntariosa a intervir no Mali. Será que os galhardos soldados franceses se cansaram de dar tiros? Será que o orçamento do Estado francês para intervenções libertadoras em África se esgotou? Será que, no entender do Estado francês, os novos senhores da RCA são uns tipos porreiros que devem ser deixados em paz, por mais que o povo sofra?

Eu, pelo menos, estou satisfeito: considero que devem ser os centro-africanos a resolverem, bem ou mal, depressa ou devagar, os seus problemas. Nenhum estrangeiro tem nada que ir lá interferir.

Retrato de Luís Lavoura

Hoje o Governo teve o cuidado de explicar bem o que está em causa na relação de Portugal com a Venezuela. No ano passado Portugal exportou para a Venezuela mercadorias no valor de 520 milhões de euros, podendo neste ano esperar aumentar as exportações para esse país em cerca de 20%. A Venezuela é o país da América Latina para onde Portugal mais exporta, a seguir ao Brasil. Para além das exportações, há uma empresa portuguesa a construir uma fábrica de celulose na Venezuela, e diversas empresas portuguesas ativas na construção civil nesse país, construindo um grande porto, autoestradas, e enormes bairros de habitação social.

Percebe-se assim por que é que Paulo Portas abandonou a meio a visita que estava a fazer à Índia para se deslocar para a Venezuela.

(Isto sem falar do enorme número de portugueses emigrantes na Venezuela, entre os quais diversos familiares, distantes, meus.)