Política Externa

Artigos que apresentam o ponto de vista liberal sobre a política externa de Portugal.
Retrato de Luís Lavoura

Perante a morte de Hugo Chávez, tanto o secretário de Estado das Comunidades como o ministro dos Negócios Estrangeiros manifestaram a posição correta, a única que convem: Chávez era um grande amigo de Portugal e dos portugueses radicados na Venezuela.

É isso que a nós nos interessa. É isso que devemos lembrar.

É uma política externa assim, pragmática e não ideológica, que desejo e aplaudo.

Retrato de Luís Lavoura

O ministro das Finanças português foi de visita a Angola com o objetivo declarado de desenvolver "interesses estratégicos comuns", nomeadamente relacionados com as privatizações de empresas públicas portuguesas que se avizinham.

Só espero que isto não se traduza em novas negociatas similares à "privatização" do BPN...

Retrato de Luís Lavoura

A imagem que os mídia "ocidentais" nos dão da Síria é a de um povo mártir, civis inocentes a serem massacrados pelo poderoso exército do Estado.

De vez em quando, mas muito raramente, lá nos deixam entender que de facto há umas forças armadas insurretas, que até se intitulam de exército (Exército da Síria Livre, salvo erro).

Mas, se isto é assim, então não se trata de um exército a brutalizar civis inocentes, mas sim de dois exércitos a combaterem-se um ao outro, com os civis pelo meio.

Essa verdade raramente nos é transmitida pelos mídia - na Síria está em curso uma guerra civil, na qual duas fações armadas se degladiam.

Ontem a Human Rights Watch denunciou num relatório uma parte desta verdade, ao afirmar que os rebeldes sírios também têm cometido graves violações dos direitos humanos, nomeadamente através da tortura e execução de soldados do exército sírio capturados.

Retrato de Luís Lavoura

As coisas estão muito feias na Síria.

Depois de duas bombas em Damasco, ontem explodiu uma em Alepo. São bombas de grande potência, dirigidas contra edifícios dos serviços de segurança sírios mas que matam indiscriminadamente dezenas de civis.

Trata-se, a meu ver, de bombas com a marca da Al Qaeda, similares às que explodiram, e ocasionalmente ainda explodem, no Iraque. A Al Qaeda é sunita (o ramo maioritário, ortodoxo, do Islão), enquanto que o regime sírio é xiita. A Al Qaeda está interessada em derrubar o ditador sírio, xiita, para o substituir por um regime sunita (o que estaria, aliás, de acordo com a maioria sunita da população síria).

Temos assim uma interessante aliança implícita entre os terroristas da Al Qaeda e as potências "ocidentais", também elas interessadas (sobretudo os EUA, a Europa é mais prudente) no derrube do regime sírio.

Trata-se de uma aliança de mau agoiro. O "Ocidente" tem que ter mais cuidado com as alianças que escolhe, ou nas quais se mete.

Retrato de Luís Lavoura

A União Europeia prossegue a sua política externa (nos raros momentos em que tem uma!) totalmente asneirenta.

Agora decidiu impôr sanções aos dirigentes da Bielorrússia, incluindo ao seu presidente, com o argumento de que a Bielorrússia não é democrática.

A Bielorrússia, como seria de esperar, ripostou, e agora a União Europeia e a Bielorrússia estão quase de relações cortadas.

Eu não vejo que raio de vantagem extrai a União Europeia de estar de relações cortadas com a Bielorrússia. Nem que raio de vantagem extrairá a Bielorrússia desse facto. Nem que vantagens isso poderá ter para os cidadãos europeus, nem bielorrussos.

Ou seja, a única coisa que a União Europeia conseguiu com as suas sanções parvas, foi piorar a vida para os cidadãos europeus e para os bielorrussos, mas sem extrair vantagem absolutamente nenhuma.

Quando será que a União Europeia se mete na sua vida, em vez de andar a procurar dar lições de democracia aos outros?

A democracia não se ensina através de preceitos: exemplifica-se. E os exemplos que a União Europeia tem dado têm sido, nos últimos tempos, cada vez menos exemplares.

Retrato de Miguel Duarte

Segundo notícia da Lusa:

Portugal vai encerrar sete embaixadas, quatro vice-consulados e um escritório consular, estando prevista a abertura «muito proximamente» de uma representação diplomática no Qatar, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no parlamento.

Esta reforma vai permitir poupar 12 milhões de euros em 2012, afirmou.

As embaixadas portuguesas que vão ser desativadas são Andorra, Bósnia-Herzegovina, Estónia, Letónia, Lituânia, Malta e Quénia, disse Portas na apresentação do Orçamento do Estado 2012 para o ministério que tutela nas comissões de Orçamento e Finanças, Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus.

De onde se conclui que a embaixada de Portugal na Santa Sé é uma embaixada vital para o país, dados o enorme potencial de negócios com este estado, claramente à frente de países, membros da União Europeia como a Estónia, Letónia e Lituânia. Mais, a importância é de tal ordem, que a representação de Portugal na Santa Sé não poderia ser assegurada a partir de uma embaixada existente na mesma cidade (Roma).

Existem decisões que eu não compreendo, dado me parecerem completamente destituídas de racionalidade. Esta é uma delas. Curiosamente, os Irlandeses encerraram recentemente a sua embaixada no Vaticano.

Retrato de Luís Lavoura

A direita portuguesa fartou-se de criticar e de fazer chistes com a política comercial de José Sócrates vis a vis a Venezuela. Criticou-se o facto de Sócrates ter ido a uma cimeira ibero-americana fazer publicidade ao computador Magalhães, criticou-se a amizade de Sócrates com Hugo Chávez.

Pois hoje presenciamos o ministro Paulo Portas do CDS a dirigir-se à Venezuela à frente de uma embaixada comercial de dimensão nunca vista, para prosseguir e ampliar, gaba-se Portas, os acordos comerciais feitos por Sócrates.

E em Portugal a direita nem pia.

 

(A minha opinião sobre a matéria é coerente: Portugal deve comerciar com todos os países do mundo - sobretudo com os que têm dinheiro para nos pagar! Sócrates fez bem e Portas faz bem. A política externa portuguesa deve ser baseada na não-ingerência nos assuntos internos de outros países e no comércio amigável com todos.)

Retrato de Luís Lavoura

O presidente francês Sarkozy foi recebido em festa em Benghazi, por líbios que agradeceram o apoio militar que a França deu à sua revolução.

Eu sugiro ao presidente francês que, já que foi tão bem recebido em Benghazi, fique lá. Estabeleça lá residência, não volte a França, não continue a chatear os franceses nem, sobretudo, os outros europeus. Estou certo de que esse arranjo será do agrado, tanto dos líbios da Cirenaica (dos da Tripolitânia tenho dúvidas), quanto dos franceses. Estou certo de que a maioria dos franceses verá com bons olhos que Sarkozy desapareça da sua vista, tal como os habitantes de Benghazi ficaram tão satisfeitos com o seu aparecimento.

 

Entretanto, parece que o novo governo líbio anunciou que, em paga dos bons serviços da França no apoio à revolução, cerca de um terço do petróleo líbio passará a ser explorado por uma empresa francesa. Compreende-se assim que o dinheiro que os contribuintes franceses foram forçados a pagar para financiar a guerra contra Kadhafi não passou, afinal, de um subsídio dos contribuintes à indústria petrolífera francesa. Subsídio indireto e por vias tortuosas mas, apesar disso, claramente subsídio.

Retrato de Luís Lavoura

A conquista pelo "Ocidente" - financeiramente apoiado por alguns Estados árabes seus aliados, por exemplo o Qatar - do petróleo líbio está prestes a concretizar-se. Trata-se de uma excelente conquista, já que o petróleo líbio, embora relativamente escasso, é de ótima qualidade, leve e fino, excelente e barato para refinar e fazer funcionar motores de combustão interna (incluindo os próprios motores dos aviões de guerra do "Ocidente"). Nada que se compare ao remanescente (na margem) petróleo saudita, do campo subaquático de Safaniya, que é grosseiro, pesado, e difícil e caro de refinar.
Tal como há cinco séculos os nossos antepassados, os portugueses de quinhentos, brandiam numa mão a espada e noutra a Bíblia, na sua fera e santa conquista das terras aquém e além da Taprobana, hoje o "Ocidente" tem nos ares, por um lado os seus aviões de guerra, por outro as ondas hertzianas que propagam a Democracia, a nova Bíblia pela qual a conquista é efetuada e santificada.

Retrato de Luís Lavoura

A avaliar pelas notícias que nos últimos dias se têm sucedido nos nossos mídia - dominados, como se sabe, por contribuições de agências noticiosas / propagandísticas "ocidentais" - sobre massacres na Síria, notícias essas alegadamente provenientes de fontes oposicionistas sírias mas que nunca têm confirmação independente (pelo contrário, ainda há dias ouvi na rádio uma portuguesa residente na Síria a dizer que na cidade onde vive está tudo calmo e ordeiro), está-me a palpitar que a Síria será a próxima vítima dos instintos imperialistas e belicistas do "Ocidente".


Oxalá desta vez a Rùssia e a China sejam menos condescendentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas do que o foram no caso da Líbia.