Política Externa

Artigos que apresentam o ponto de vista liberal sobre a política externa de Portugal.
Retrato de Luís Lavoura

Entretanto a NATO desceu ainda mais um degrau na minha já péssima consideração por ela, ao bombardear uma residência do dirigente líbio Kadhafi.

 

Que eu saiba a NATO tem mandato (das Nações Unidas) para procurar proteger o povo líbio de tentativas de massacre, seja lá o que isso fôr. Não tem, de forma nenhuma, mandato para tentar assassinar dirigentes políticos líbios, nem para destruir à bomba edifícios residenciais - e nem mesmo para destruir instalações de comando, isto é, não operacionais, do exército líbio.

 

Mas a NATO cada vez menos esconde que as suas reais intenções são uma mudança de regime na Líbia, ou seja, para todos os efeitos práticos, a transformação da Líbia numa colónia, ou num protetorado, do seu império - como o Kosovo ou o Afeganistão.

Retrato de Luís Lavoura

A Tunísia era (e é), de entre os países norte-africanos, o mais querido do "Ocidente". Tinha (e tem) uma política económica q.b. liberal e controlava o temido islamismo fundamentalista. O facto de ser uma ditadura não era (e continua a não ser) por demais incomodativo.

 

Há um inconveniente: o poder de compra dos tunisinos é hoje menor do que há trinta anos atrás. A Tunísia encontra-se em ebulição sob uma revolta popular.

 

O "Ocidente" raramente escolhe corretamente os seus amigos.

Retrato de Luís Lavoura

Muito bem falado:

 

"Sempre fui contra a intervenção da NATO do [sic] Kosovo porque, na prática, ela nada resolveu, apenas criou um estado pária e falhado que suga dinheiro aos contribuintes europeus e serve como plataforma do banditismo internacional."

 

Em http://superflumina.blogs.sapo.pt/362527.html

 

Dantes, o vespeiro estava nas mãos dos sérvios (coitados). Agora, temo-lo nós nas mãos.

Retrato de Luís Lavoura

O Ocidente atribui prémios aos "dissidentes" dos países cujo regime político vilifica - a China (Liu Xiaobo), Cuba (Guillermo Fariñas), o Irão (Shirin Ebadi). O Ocidente treme de raiva quando esses "dissidentes" são impedidos pelos seus países de vir ao Ocidente para receber os prémios.

 

Ocasionalmente, o Ocidente impõe também boicotes comerciais e financeiros a esses países - outrora à África do Sul e ao Iraque, hoje a Cuba e ao Irão. Quem viola esses boicotes é denunciado com repulsa.

 

Porém, que eu saiba, nunca nenhum regime político caiu por um seu "dissidente" ter recebido um prémio no estrangeiro. Também, nunca nenhum regime político caiu por o seu país ter sido submetido a um boicote comercial e financeiro. De facto, tais atitudes, as mais das vezes, apenas levam ao endurecimento e enquistamento do regime no poder.

 

O Ocidente deveria talvez abandonar esses gestos de elevada retitude moral e procurar dar, quem sabe, bons exemplos em vez de boas lições.

Retrato de Luís Lavoura

Algumas pessoas argumentam que a revelação pela Wikileaks de documentos diplomáticos dos EUA é um erro, porque põe em causa a política externa dos países, a qual necessariamente, procede o argumento, exige secretismo e confidencialidade.

 

Isto talvez seja verdade, mas levanta um problema: é difícil apartar a política externa da política interna.

 

Suponhamos por exemplo que Cavaco Silva, dirigindo-se a Hugo Chávez, o elogia como sendo um grande estadista latino-americano, sendo essa afirmação devidamente divulgada tanto pelos mídia portugueses como pelos venezuelanos. Como é evidente, a afirmação de Cavaco Silva merecerá acerbas críticas da parte de alguns portugueses, que o acusarão de estar a pactuar com uma ditadura e de ter tendências socialistas. Por outro lado, os venezuelanos, ao ler a afirmação de Cavaco Silva, convencer-se-ão de que o seu presidente tem muito crédito internacional, pelo que deve ser um bom presidente e eles devem continuar a votar nele.

 

Ou seja, a afirmação de Cavaco Silva, embora do âmbito da política externa portuguesa, tem repercussões nas políticas internas tanto de Portugal como da Venezuela.

 

Suponhamos de seguida que a Wikileaks revela uma conversa privada de Cavaco Silva com o embaixador dos EUA em Lisboa, na qual Cavaco Silva diz ao seu interlocutor que sabe bem que Hugo Chávez é maluco. Mais uma vez, esta conversa de Cavaco Silva com o embaixador dos EUA é um ato de política externa. Mas - é também um ato de política interna. Quando a afirmação de Cavaco Silva, de que Hugo Chávez é maluco, se torna pública, tanto o povo português como o povo venezuelano ficam a saber que, na verdade, Cavaco SIlva despreza Chávez. O povo venezuelano talvez perca a vontade de votar em Chávez. E muitos portugueses aplaudirão Cavaco Silva.

 

Retirar do segredo a política externa é também fazer um favor à transparência da política interna.