Religião

Textos e vídeos sobre religião.
Retrato de Luís Lavoura

(1) Começou por cumprimentar "boa noite" quando chegou ao palanque.

(2) Teve a humildade e decência de começar liderando uma oração pelo seu predecessor.

(3) Teve a muito maior humildade de prosseguir pedindo que, ali mesmo, rezassem por ele.

(4) É jesuíta, ordem dos homens mais cultos e cientificamente produtivos da Igreja.

(5) Escolheu um nome único no papado, ainda por cima de dois dos maiores santos da Igreja (um dos quais português).

(6) Em Buenos Aires deslocava-se de transportes coletivos, coisa que os governantes portugueses ainda não aprenderam a fazer (e que teriam legítimo medo de ser insultados ou mesmo agredidos se fizessem).

Infelizmente tem 76 anos e, se calhar, vai acabar mais cedo do que esperaria quem o elegeu.

Retrato de Luís Lavoura

O bispo das Forças Armadas, tal como qualquer cidadão, tem o direito de criticar o governo. Pode fazê-lo em termos adequados ou desadequados e a crítica pode ser justa ou injusta, mas ele tem sempre o direito de a fazer. Eu discordo da crítica que ele anteontem fez, mas não o critico por a ter feito, pois ele tem o direito de expressar a sua opinião.

O que critico, muito fortemente, é o ministro da Defesa pela forma como ele reagiu à crítica. O ministro deve saber que o Estado português é laico e que a Igreja portuguesa é, desde 1911, independente do Estado. Um ministro não tem nada que se imiscuir em coisas da Igreja. Um ministro deve considerar um bispo como quem considera qualquer outro cidadão: não é por ser dignitário da Igreja que ele tem mais, nem menos, direitos e deveres do que qualquer outro.

Se o ministro da Defesa não concorda com a crítica feita por Januário Torgal Ferreira (como eu não concordo), pode criticá-la. Não tem nada é que se imiscuir na vida interna da Igreja nem que dar lições ao bispo sobre o que ele deve ou não deve fazer enquanto dignitário da Igreja.

Retrato de Luís Lavoura

O antigo mordomo do papa foi preso sob a acusação de ter roubado, e facilitado a divulgação pública, de documentos do seu amo.

Isto levanta-me diversas interrogações e perplexidades.

Se a contabilidade de uma empresa, ou as cartas de amor recebidas por uma pessoa, forem roubados e depois aparecerem divulgados, isso é crime? O Estado dedicará meios policiais à investigação de quem é que roubou esses documentos e os divulgou? As pessoas que roubaram esses documentos serão postas na prisão? Eu creio que não (mas posso estar enganado). O crime de roubo reporta-se a bens com valor material, monetário, não a documentos. A divulgação pública de documentos pode ser considerada imoral ou anti-deontológica, mas penso que tambem não é crime.

Então, a que propósito é que o roubo de documentos ao papa dá lugar a prisão?

Pergunto tambem, quem aplica que lei? O Estado do Vaticano dispõe de leis? E de prisões? Ou valem as leis de Itália e serve-se o Vaticano de prisões italianas? O mordomo foi detido e posto na prisão com base nas leis do Vaticano, ou nas da Itália? Com base em que arranjo?

É pena que os mídia não nos esclareçam sobre estes pontos.

Retrato de Luís Lavoura

No domingo entre as 8 e as 9 da manhã liguei a rádio, Antena 1 (a estação que quase sempre ouço). Estavam a transmitir a missa, desliguei.

Virei-me para a televisão. Na RTP 2 estavam a transmitir o programa Eclesia sobre atividades da Igreja Católica. Mudei de canal, na RTP 1 estavam a transmitir também a missa.

Concluo que ao domingo entre as 8 e as 9 da manhã as principais estações emissoras do Estado estão todas entregues à difusão católica.

Eu aceito que essas estações transmitam programas dedicados às religiões en geral, à católica em particular. Até aceito que transmitam a missa - se bem que, num país onde, anormalmente, a Igreja dispõe de uma estação de rádio só para si, pudesse ser muito bem ser essa estação, e só ela, a transmiti-la. Mas não aceito este enfeudamento simultâneo de todos os canais públicos de mídia à religião católica.

Dá ideia que, no entendimento dos governantes portugueses, e dos gestores desses canais em particular, Portugal continua a ser um país oficialmente católico e o povo português continua a ser maioritariamente devotamente católico. Quando é sabido que hoje em dia não mais do que metade dos portugueses põe os pés na missa.

Retrato de Luís Lavoura

Num programa da RTP 2 ontem à noite, um padre e um ateu "espiritual" (como ele próprio se classificou) concordaram na conveniência de introduzir no programa escolar o ensino das religiões num sentido global (isto é, não no sentido de procurar converter as crianças a uma qualquer religião específica). Segundo eles, sendo as religiões um importante produto do espírito humano, convem que as pessoas as conheçam e percebam, para que, por exemplo, possam entender o sentido da Pietà de Miguel Ângelo ou do Magnificat de Mozart.

Trata-se, sem dúvida, de um argumento poderoso e verdadeiro. Porém, não posso concordar com a tese. Há imensos produtos do espírito humano, de grande importância, beleza e profundidade, que hoje em dia já não se ensina nas escolas. Pura e simplesmente, o saber ocupa lugar e não há cabeça humana que possa abarcar tudo que o espírito humano já produziu. Perante tais limitações, é importante escolher aquilo que se vai ensinar, ou deixar de ensinar, às crianças e jovens. Não dá para ensinar tudo. E, na hora de escolher, mais vale escolher matérias consensualmente verdadeiras do que mitos, tradições e historietas que hoje em dia, no nosso mundo científico, já pouco ou nenhum sentido fazem.

 

P.S. Para além deste argumento, há um outro: que professores teriam uma visão tão abrangente e desapaixonada das religiões que estivessem disponíveis para as ensinar, de uma forma não apostólica, aos jovens? A maioria das pessoas que se interessam por religião professa uma. Não acredito que haja em Portugal suficientes pessoas que consigam ensinar, de forma mínima, os princípios que sejam apenas do judaismo, cristianismo e islamismo - para não falar do budismo e do hinduismo.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem na televisão, numa curta interevenção de um minuto, o Álvaro, com ar cansado e acabrunhado, usou por três vezes a expressão "Santa Sé" - ele que, temo bem, até deve ser ateu. No certeiro post de Luís Menezes Leitão (no blogue Delito de Opinião, linque na barra ao lado), o Álvaro bem nos podia poupar este espetáculo deprimente e humilhante, e abandonar de vez a ideia parva e inútil da extinção de feriados:

"[...] nesta história dos feriados, uma iniciativa absolutamente ridícula e que só demonstra uma falta de consideração pelos símbolos nacionais como não há memória em Portugal, acabou por transformar a extinção dos feriados religiosos numa suspensão por cinco anos porque "é a vontade da Santa Sé". Pelo vistos, para o Governo, se é a vontade da Santa Sé, [...] amen. Mas como [...] a Santa Sé [não se importa] com os feriados que comemoram a independência do país ou o regime republicano, esses serão definitivamente extintos. Se o ministro da Economia tivesse um pingo, já não digo de sentido de Estado, mas de vergonha na cara, voltava atrás com esta absurda proposta de extinção de feriados e poupava-nos a este triste espectáculo da humilhação do Estado Português e dos seus símbolos nacionais, a que todos os dias somos forçados a assistir."

Retrato de Luís Lavoura

Um governo que elimina o feriado do primeiro de dezembro mas preserva o feriado do 8 de dezembro é um governo vende-pátrias.

Porque a nossa pátria é Portugal, não é a religião católica.

Retrato de Miguel Duarte

Segundo notícia da Lusa:

Portugal vai encerrar sete embaixadas, quatro vice-consulados e um escritório consular, estando prevista a abertura «muito proximamente» de uma representação diplomática no Qatar, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no parlamento.

Esta reforma vai permitir poupar 12 milhões de euros em 2012, afirmou.

As embaixadas portuguesas que vão ser desativadas são Andorra, Bósnia-Herzegovina, Estónia, Letónia, Lituânia, Malta e Quénia, disse Portas na apresentação do Orçamento do Estado 2012 para o ministério que tutela nas comissões de Orçamento e Finanças, Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus.

De onde se conclui que a embaixada de Portugal na Santa Sé é uma embaixada vital para o país, dados o enorme potencial de negócios com este estado, claramente à frente de países, membros da União Europeia como a Estónia, Letónia e Lituânia. Mais, a importância é de tal ordem, que a representação de Portugal na Santa Sé não poderia ser assegurada a partir de uma embaixada existente na mesma cidade (Roma).

Existem decisões que eu não compreendo, dado me parecerem completamente destituídas de racionalidade. Esta é uma delas. Curiosamente, os Irlandeses encerraram recentemente a sua embaixada no Vaticano.

Retrato de Luís Lavoura

Ouvi ontem à noite na televisão, diretamente da boca de um alto dignitário da Igreja Católica portuguesa, algo que me fez estremecer de indignação e vergonha.

A Igreja Católica aceita de facto, graciosamente como escrevi no meu post de ontem, que dois feriados católicos sejam eliminados, mas exige em troca, chutzpah chutzpah, que também sejam eliminados dois outros feriados, "civis". (*)

Ou seja, a Igreja Católica outorga-se o direito, não só de determinar quais os feriados católicos que há em Portugal, mas também qual o número de feriados civis.

É de mais!

O Estado português deve imediatamente, unilateralmente, denunciar a Concordata com o Vaticano. O Estado português não pode andar às ordens de uma religião organizada em Estado. Já bem nos basta a troica a dar-nos ordens!

 

(*) chutzpah (lê-se "rruts-páá") é uma palavra iídiche (a língua dos judeus asquenazim, os judeus da Polónia, Rússia e Alemanha) que significa ousadia, descaramento.

Retrato de Miguel Duarte

Publicado no dia dos ataques, o vídeo descreve o Islão como “a principal ideologia dos genocídios”. “Antes de começar a Cruzada, é nosso dever dizimarmos o marxismo cultural”, pode ainda ler-se neste vídeo.

Fonte: Público

A ironia destes atos é que os extremos acabam por ter exatamente o mesmo comportamento. Entre um cristão radical e um muçulmano radical, ou um radical de esquerda e um radical de direita, vai dar tudo ao mesmo, a intolerância para com o próximo.