Religião

Textos e vídeos sobre religião.
Retrato de Luís Lavoura

Um governo que elimina o feriado do primeiro de dezembro mas preserva o feriado do 8 de dezembro é um governo vende-pátrias.

Porque a nossa pátria é Portugal, não é a religião católica.

Retrato de Miguel Duarte

Segundo notícia da Lusa:

Portugal vai encerrar sete embaixadas, quatro vice-consulados e um escritório consular, estando prevista a abertura «muito proximamente» de uma representação diplomática no Qatar, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no parlamento.

Esta reforma vai permitir poupar 12 milhões de euros em 2012, afirmou.

As embaixadas portuguesas que vão ser desativadas são Andorra, Bósnia-Herzegovina, Estónia, Letónia, Lituânia, Malta e Quénia, disse Portas na apresentação do Orçamento do Estado 2012 para o ministério que tutela nas comissões de Orçamento e Finanças, Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus.

De onde se conclui que a embaixada de Portugal na Santa Sé é uma embaixada vital para o país, dados o enorme potencial de negócios com este estado, claramente à frente de países, membros da União Europeia como a Estónia, Letónia e Lituânia. Mais, a importância é de tal ordem, que a representação de Portugal na Santa Sé não poderia ser assegurada a partir de uma embaixada existente na mesma cidade (Roma).

Existem decisões que eu não compreendo, dado me parecerem completamente destituídas de racionalidade. Esta é uma delas. Curiosamente, os Irlandeses encerraram recentemente a sua embaixada no Vaticano.

Retrato de Luís Lavoura

Ouvi ontem à noite na televisão, diretamente da boca de um alto dignitário da Igreja Católica portuguesa, algo que me fez estremecer de indignação e vergonha.

A Igreja Católica aceita de facto, graciosamente como escrevi no meu post de ontem, que dois feriados católicos sejam eliminados, mas exige em troca, chutzpah chutzpah, que também sejam eliminados dois outros feriados, "civis". (*)

Ou seja, a Igreja Católica outorga-se o direito, não só de determinar quais os feriados católicos que há em Portugal, mas também qual o número de feriados civis.

É de mais!

O Estado português deve imediatamente, unilateralmente, denunciar a Concordata com o Vaticano. O Estado português não pode andar às ordens de uma religião organizada em Estado. Já bem nos basta a troica a dar-nos ordens!

 

(*) chutzpah (lê-se "rruts-páá") é uma palavra iídiche (a língua dos judeus asquenazim, os judeus da Polónia, Rússia e Alemanha) que significa ousadia, descaramento.

Retrato de Miguel Duarte

Publicado no dia dos ataques, o vídeo descreve o Islão como “a principal ideologia dos genocídios”. “Antes de começar a Cruzada, é nosso dever dizimarmos o marxismo cultural”, pode ainda ler-se neste vídeo.

Fonte: Público

A ironia destes atos é que os extremos acabam por ter exatamente o mesmo comportamento. Entre um cristão radical e um muçulmano radical, ou um radical de esquerda e um radical de direita, vai dar tudo ao mesmo, a intolerância para com o próximo.

Retrato de Luís Lavoura

Amanhã celebra-se o feriado nacional que tem o nome brejeiro, sanguinolento e auto-contraditório de "Corpo de Deus".
O novo primeiro-ministro já manifestou a intenção de rever o calendário de feriados nacionais, eventualmente eliminando alguns.

Pois bem, senhor primeiro-ministro: espero que amanhã seja o último Dia do Corpo de Deus que é feriado nacional.
(Pode-se, se se desejar, aumentar o número de dias feriados municipais, por forma a que alguns locais, como Vila do Conde, em que este dia é particularmente celebrado possam tê-lo como feriado municipal.)
Até porque não faz sentido nenhum que um Estado laico tenha dias religiosos como feriados nacionais.

Retrato de Luís Lavoura

É costume no Ocidente dizer mal da subalternização das mulheres no Islão, dos casamentos arranjados e forçados, etc. Mas a situação no mundo hindu - e deve-se notar que boa parte do Islão está no mundo hindu, os muçulmanos paquistaneses, indianos e bengalis perfazem um terço dos muçulmanos de todo o mundo - a situação é bem pior, e raramente é mencionada por cá. Neste post tem-se, indiretamente, uma visão de como as coisas são por lá (numa família, note-se, católica, mas inserida na tradição hindu).

Retrato de Luís Lavoura

O Estado português é laico. Embora haja diferentes versões daquilo que, exatamente, isto deva querer dizer, todos, penso eu, concordam que um Estado laico não deve favorecer uma qualquer religião em relação às restantes.

 

Em Portugal, no entanto, esta conclusão óbvia não abrange a televisão e a rádio públicas, isto é, a empresa RTP. De facto, o que se verifica é que a televisão e a rádio públicas dão em Portugal especial relevância ao catolicismo, incluindo em particular a transmissão regular de missas, procissões e outros espetáculos católicos, enquanto que não fazem nada de semelhante em relação a qualquer outra religião.

 

Isso ainda não é demasiado mau quando essas transmissões não vêem acompanhadas de comentários, da autoria dos próprios programadores da RTP, que salientam a verdade intrínseca da religião católica. Esse é em geral o caso. Este fim-de-semana, porém, a RTP passou das marcas, completamente, pois, não só transmitiu em grande profusão notícias, diretos, entrevistas e outro material vário relativo à canonização de João Paulo II, como ainda acompanhou todo esse material de comentários, perguntas, etc a sugerir, claramente, que a própria RTP são uma televisão e uma rádio católicas, feita por católicos e para católicos.

 

Eu considero isto vergonhoso. Não me repugna, evidentemente, que uma estação de rádio ou televisão privada seja marcadamente católica, ou de outra religião qualquer. Mas choca-me que a televisão e a rádio de um Estado laico se exibam, como neste fim-de-semana se exibiram, como claramente tendenciosas em matéria religiosa.

Retrato de Luís Lavoura

Passaram no telejornal imagens da homilia de Ano Novo oficiada pelo cardeal-patriarca de Lisboa. Bastantes imagens da assistência, edificantes: velhos e mais velhos. A assistir à homilia não se via uma única cara jovem ou, sequer, de adulto de meia idade. A assistência parecia integralmente constituída por pessoas de mais de 60 anos de idade, com uma fatia substancial de mais de 70 anos. É esta a imagem que a religião católica praticante hoje tem, em Portugal.

 

Comparável àquilo, em idade média (e em fé), só a assistência a um comício do Partido Comunista Português.

Retrato de Luís Lavoura

O governo autónomo galego gastou cerca de três milhões de euros para apoiar a peregrinação do papa a Santiago de Compostela. Espalhou-se a ideia de que iriam estar em Santiago cerca de 200.000 peregrinos para ver o papa.

 

A visita do papa a Santiago foi um fiasco horrível. Na Praça do Obradoiro estiveram uma escassas dez mil pessoas, a acrescentar a mais alguns milhares que estariam dentro da catedral. Parece que na Praça eram quase tantos os polícias, repórteres dos mídia, e pessoal de assistência médica, como os peregrinos.

 

Na Espanha ainda mais do que cá, o catolicismo já não é o que era. Mas os políticos ainda não assimilaram perfeitamente esse facto. Os políticos andam sempre umas dezenas de anos atrasados em relação à realidade social.

Retrato de Miguel Duarte

Um grupo de cidadãos de Lisboa está a organizar um protesto contra a lapidação e a pena de morte, apelando pela vida da iraniana Sakineh Ashtiani, inserido no movimento global "100 cidades contra a barbárie".

Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, viúva, dois filhos, condenada à morte na República Islâmica do Irão. Condenada à morte pela República Islâmica do Irão. Condenada à morte por viver numa República Islâmica, com base nisso a que se dá o nome de “lei islâmica” e que na declinação iraniana decreta que as mulheres acusadas de relações sexuais “fora do casamento” devem ser lapidadas. Mortas à pedrada. Com pedras do tamanho certo para que a morte seja lenta e atroz, para que a mulher enterrada até ao rosto possa sobreviver a dezenas de golpes enquanto à sua volta a turba faz pontaria e se congratula com “a vontade de deus”.

Mais de uma centena de pessoas foram assim executadas no Irão nos últimos anos, quase todas mulheres, quase todas por “adultério”. Há pelo menos 15 neste momento a aguardar execução. A outras foi à última hora comutada a pena, de lapidação para enforcamento. Houve alegações nesse sentido por parte das autoridades iranianas: esta mulher iria afinal ser enforcada. A morte, menos atroz, menos bárbara. Mas a morte.

Quarta-feira, 25, o tribunal reuniu mas parece não ter chegado a uma conclusão. Entretanto, as agências de direitos humanos denunciam que nos últimos meses houve centenas de enforcamentos no Irão e que estão milhares de pessoas no corredor da morte. Pelo menos 135 são menores. Os crimes em causa vão do homicídio à homossexualidade, mas também presos políticos têm sido executados. Em Dezembro de 2009, o Irão opôs-se a uma resolução da Assembleia da ONU que propunha a suspensão das execuções.

Sim, morre muita gente todos os dias. Morre muita gente executada, muita gente torturada, e não só no Irão. Gente condenada por regimes iníquos a nem sequer ter nome num túmulo. Gente cujo rosto nunca veremos, nunca fará cartazes, nunca povoará manifestações à volta do mundo. Sim, é assim. Tantas as tragédias, tantas as vidas à mercê, tanto o terror, a injustiça, a barbárie, tantas as celas escuras onde se tortura e mata, tantos os gritos e as lágrimas e as súplicas de que nunca saberemos e de que talvez não queiramos saber, tanto tanto por fazer, por acudir e nós sem sabermos como.

Sim, precisamos talvez de uma ocasião assim, de uma causa assim, de um nome e um rosto para nos sentirmos justos e capazes, para sentir que não somos indiferentes. Precisamos de Sakineh como ela de nós.

Precisamos de te dizer isto, Sakineh: que, dependa de nós, e a nossa voz, o nosso não, a nossa fúria, a nossa vontade e exigência moverão as montanhas que nos separam e os poderes que te condenaram, moverão até os deuses, se deuses houver para mover.  

Vamos fazer de Lisboa uma das 103 cidades que no sábado, 28 de Agosto, da Austrália à Finlândia, do Brasil ao Iraque, da Turquia à Índia, se unem em resposta ao apelo do International Committee Against Execution, num protesto global contra a lapidação e a pena de morte, e apelando pela vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani. É às 18 horas, no Largo Camões. Contamos todos.