Segurança

Comentários sobre as políticas de segurança e crime em Portugal.
Retrato de Luís Lavoura

Os recentes atentados terroristas na Europa, em que veículos automóveis são lançados contra peões, só reforçam a necessidade de as cidades protegerem os peões através da instalação de pinos (ou eventualmente mobiliário urbano, como por exemplo floreiras, ou árvores) a proteger e delimitar os passeios e as zonas pedonais. Havendo pinos, árvores, candeeiros, ecopontos, bancos de jardim, floreiras, ou seja o que fôr, não somente se evita o estacionamento desordenado e a invasão do espaço que é dos peões pelos automobilistas, como também se evita este tipo de ataques terroristas.

Nem se compreende, aliás, como é possível que na Rambla, uma grande avenida pedonal de Barcelona, o espaço dos peões pudesse ter sido tão facilmente invadido por um veículo automóvel. Oxalá as autoridades públicas de Barcelona aprendam a lição! É preciso proteger os peões dos automobilistas abusadores.

Retrato de Luís Lavoura

O New York Times fala-nos do caso de um homem de 77 anos de idade que vive com mais 11 pessoas, presumivelmente tão idosas quanto ele, numa aldeia de Portugal sujeita a frequentes incêndios. Diz-nos que esse homem já não tem capacidade física para roçar a vegetação que cresce em redor da aldeia, nem os habitantes da aldeia têm dinheiro para pagar a quem o faça (o homem em questão sobrevive com uma pensão de 200 euros mensais).

Eu digo: se esta aldeia não tem a capacidade, por falta de força física e de dinheiro, de assegurar a sua segurança face aos incêndios, não é obrigação da Câmara Municipal (neste caso, a de Oleiros) intervir, riscando esta aldeia do mapa - forçando os seus 12 habitantes a irem viver para outro sítio, provavelmente para a vila, oferecendo-lhes, se necessário fôr, habitações?

Que sentido tem continuarmos a gastar dinheiro a proteger esta aldeia de incêndios, quando os habitantes da própria aldeia não têm a capacidade (por falta de dinheiro e de força física) de tomarem as medidas de precaução mais simples, limpando os terrenos em redor da aldeia?

Será que os bombeiros terão que continuar a gastar as suas limitadas capacidades a proteger aldeias indefensáveis, enuanto deixam toda a floresta à volta arder, até que todos os seus habitantes morram?

Retrato de Luís Lavoura

Parece que Ponte de Sôr é uma espécie de Este Selvagem português, uma terra sem lei nem ordem, na qual jovens de 17 anos conduzem (naturalmente sem carta) pela vila e menores de 15 anos se embebedam em bares que permanecem abertos até às 3 da manhã.

Parece que a GNR sabe tudo, é chamada às duas da manhã para encontrar jovens alcoolizados à porta dos referidos bares, e nada faz.

É uma alegria. Até ao dia em que algo corre mal.

Talvez fosse tempo de começar a pôr um pouco de ordem naquilo. A começar pelos militares da GNR, que têm a obrigação e fazer cumprir a lei do país. E passando pela Câmara Municipal, que é quem licencia o funcionamento desses bares.

Retrato de Luís Lavoura

Parece que em França foi restaurada a pena de morte.

Ontem, dois indivíduos armados apenas de facas entraram numa igreja, mataram o padre e tentaram matar outra pessoa. À saída da igreja, foram abatidos pela polícia. Sem perguntas. Não podiam oferecer resistência, uma vez que estavam armados apenas de facas.

Parece que agora as ordens à polícia francesa são de atirar primeiro e fazer perguntas depois. Deve ser isto o estado de emergência. 

Retrato de Luís Lavoura

A polícia francesa cometeu um grave erro no recente morticínio em Nice: abateu, aparentemente sem qualquer necessidade, o assassino no local.

Segundo uma testemunha ocular que ouvi (em português) na rádio, o camião a certa altura parou (talvez por problemas mecânicos) e um popular abriu-lhe a porta, tentando retirar o motorista lá de dentro. O motorista reagiu e seguiu-se uma breve luta entre os dois; a luta foi corpo-a-corpo, o motorista aparentemente não tinha qualquer arma. Depois a polícia chegou e atirou sobre ambos, matando o motorista - e, segundo a testemunha, matando provavelmente também a pessoa que estava a lutar com ele.

É sintomático que ninguém fale disto. Em todas as reportagens sobre o caso, omite-se quase sempre o que aconteceu ao assassino. Ou, quando muito, diz-se que ele morreu. Ou, talvez até, que a polícia o abateu. Mas abateu-o porquê? Não se abate um homem, ainda que seja um assassino, que não oferece resistência às autoridades.

Este foi um grave erro da polícia francesa. Por causa dele, não se pode interrogar o assassino, a saber o que o motivou ou se teve cúmplices.

E ninguém fala disto nos mídia.

Retrato de Luís Lavoura

Incomoda-me a operação de ontem da polícia francesa que terminou com a morte do suspeito dos assassínios de Toulouse - e com ferimentos, alguns deles graves, em três polícias.

Incomoda-me porque essa operação - e todo o cerco à casa - foi efetuada com todos os jornalistas deliberadamente afastados do local, para um sítio onde não podiam filmar e só podiam ouvir de longe, de tal forma que só se sabe o que aconteceu através dos relatos da polícia - os quais podem ser, ou não ser, verdadeiros.

Incomoda-me porque ninguém imparcial ouviu do suspeito a confissão de que teria sido ele o autor dos crimes. Só a polícia disse que ele confessara os crimes.

Incomoda-me porque o suspeito foi abatido durante a operação. Incomoda-me porque nem sequer é claro de que forma é que ele foi abatido, nem por quê, nem em que circunstâncias. A polícia diz que ele foi abatido durante a fuga, quando saltava de uma janela - mas será verdade? Parece uma ocasião estranha para abater um homem.

Incomoda-me porque me parece inverosímil que a polícia não tivesse outra forma de expulsar o homem da casa, sem ser recorrendo a um assalto a tiro. Não há um corte do fornecimento de água? Não há gases lacrimogéneos?

Enfim, tudo isto me incomoda e me deixa a suspeita de que se quis apagar provas, ou que se quis exibir força para motivar ganhos políticos, ou qualquer outra coisa que eu não sei qual seja.

Sei que o Estado francês não é de confiança em geral, ainda menos com quem atualmente tem a encabeçá-lo.

Retrato de Luís Lavoura

Diversas pessoas andam a especular sobre as motivações do autor dos atentados terroristas na Noruega. Fala-se em particular sobre a sua filiação religiosa - cristão.

Mas em meu entender, daquilo que tenho ouvido noticiado, essas motivações e essa filiação não interessam nada. O indivíduo é, antes de tudo o mais e principalmente, um doente mental, sofrendo de paranóia em grave grau. E em relação a um doente mental não interessa muito se é cristão ou muçulmano.

Retrato de Miguel Duarte

Infelizmente a realidade retratada pela imprensa e políticos muito pouco tem a ver com a realidade. Para o ano de 2009, tirado do relatatório da Europol, eis o resumo das tantativas de ataques terroristas em 2009. Islamistas apenas 1 em 294!

Terrorismo na Europa em 2009

Retrato de Luís Lavoura

Aquilo que maior perplexidade causa na visita a Portugal do papa, que agora está a terminar, são as dimensões inusitadas da operação de segurança montada para, supostamente, proteger essa visita. Nunca qualquer anterior visita a Portugal de qualquer chefe de Estado, ou conjunto de chefes de Estado, levou, que eu me lembre, ao encerramento de ruas completas e a proibições generalizadas de estacionamento automóvel, incluindo até a proibição de utilização de uma garagem subterrânea que é pertença de privados.

O papa terá sem dúvida inimigos e pessoas que gostariam de o assassinar. Mas dificilmente se concebe que esses inimigos sejam mais determinados e mais organizados do que os inimigos de muitos outros chefes de Estado que já no passado visitaram Portugal. Dificilmente se concebe que haja grupos organizados de inimigos do papa dispostos a, suponhamos, colocar uma bomba debaixo de um automóvel estacionado algures no seu trajeto com o objetivo de o matar.

Isto deixa-me profundamente perplexo. A única explicação que encontro é que tudo isto não passou de um exercício (de coordenação, de comunicação, de intervenção) que as forças policiais decidiram fazer em tempo real. Ou seja, que a visita do papa e a segurança que a ela é, indubitavelmente, necessário fornecer, não passaram de um pretexto para a polícia levar a cabo um gigantesco exercício de teste à sua aptidão.

Retrato de Luís Lavoura

Precisa de ser muito bem investigada e explicada a história do músico que recentemente foi assassinado por um polícia no decorrer de uma perseguição automóvel.

Que eu saiba, quando um indivíduo de carro está a fugir da polícia não é, não pode ser prática normal disparar contra o automóvel. A polícia dispõe de diversos carros-patrulha espalhados pela cidade e pelo país, utilizando os quais pode progressivamente dar caça ao, e acabar por bloquear o, automóvel fugitivo. Disparar sobre o automóvel é perigoso, porque um pneu baleado pode ocasionar um desastre de viação grave.

(Lembro que ainda recentemente a polícia perseguiu uns indivíduos de automóvel desde a fronteira de Bemposta até Torre de Moncorvo (salvo erro), numa distância de uns bons 50 quilómetros, tendo acabado por capturar essas indivíduos sem ter tido necessidade, como devido, de disparar contra a viatura. Um bom modelo de como as coisas devem ser feitas.)

Isto é ainda mais verdade num meio urbano, com ruas às curvas, cruzamentos, etc. Balear o automóvel em fuga é algo que só deve ser feito no caso de este estar claramente a pôr em risco a vida de terceiros, através de desrespeitos às regras do tráfego. Não se deve balear um automóvel só porque ele está em fuga.

Mesmo que se admitisse que balear o automóvel é solução admissível, não se percebe que atirador é um polícia que atinge a cabina do automóvel quando deveria visar apenas os pneus. Será que o polícia não recebe lições de tiro, tem pontaria deficiente? Ou será que ele visou mesmo a cabina do automóvel, em vez de atirar aos pneus? Ambas as possibilidades são inadmissíveis.

Enfim, uma história muito triste e que tem que ser devidamente investigada e explicada. Não se pode tratar coisas destas, em que uma pessoa é assassinada, com paninhos quentes.