Sociedade

Entradas que tenham a ver com questões de evolução social, tradições, etc.
Retrato de Luís Lavoura

Em tempos, derrubar aviões era um dos principais objetivos de grupos terroristas. Mas pôr uma bomba num avião é muito complicado. Hoje em dia há uma forma mais fácil e barata de derrubar aviões: fazer um drone entrar pelo motor do avião adentro em pleno vôo.

As autoridades portuguesas continuam a prestar muita atenção à possibilidade de alguém levar uma bomba para dentro de um avião. Mas desconsideram a possibilidade do drone. Um dia destes um avião cai quando vai aterrar em Portugal. O dano que isso fará ao turismo português será maior do que o de um qualquer atentado terrorista na Tunísia ou na Turquia.

Retrato de Luís Lavoura

É mais que sabido que um dos grandes problemas com os incêndios florestais em Portugal é a existência desordenada de aldeias e, mesmo, de casas isoladas no meio da floresta. Invariavelmente, os bombeiros desistem de combater os fogos no meio da floresta, postam-se junto às aldeias ou casas isoladas e procuram protegê-las apenas a elas. A floresta é deixada arder.

Perante esta realidade, seria desejável que o Estado tivesse algumas políticas, tímidas que fossem, no sentido de incentivar as pessoas a abandonar as aldeias e irem viver para as vilas.

O fogo que recentemente queimou o "pinhal interior", e que destruiu bastantes casas e aldeias, poderia constituir uma oportunidade para implementar tal política. O Estado poderia decidir ajudar as pessoas a reconstruírem a sua casa, mas com a condição de só o fazer se a casa fosse construída na vila. (Quem dá dinheiro tem o direito de impôr condições.)

Mas tudo se encaminha no sentido de que assim não será. O Estado vai ajudar as pessoas a reconstruírem a sua casa na sua aldeia. Aldeias com 10, 20 ou 30 habitantes vão portanto ser restauradas. Continuará a haver segundas habitações no meio do eucaliptal, segundas habitações essas que os bombeiros tentarão a todo o custo proteger, em detrimento da floresta. Pessoas continuarão a viver isoladas no meio das árvores, com todos os custos que isso implica, porque não prescindem de estar perto das suas hortas.

O erro vai-se repetir. O Estado não deveria continuar a ajudar as pessoas a morar onde muito bem lhes apeteça.

Retrato de Luís Lavoura

Lemos que durante os recentes incêndios as autoridades evacuaram dezenas de aldeias, e ficamos impressionados com o imenso trabalho que as autoridades tiveram a evacuar tantas aldeias.

Mas, na verdade, cada uma dessas "aldeias" consiste hoje em meia-dúzia de casas habitadas, em média. É pouca gente.

A minha questão, porém, é: já agora, que se teve tanto trabalho em evacuar essas aldeias todas, não seria boa ideia tentar impedir que os habitantes a elas regressem? É que esta coisa de ter milhentas povoações de minúsculo tamanho é altamente prejudicial para um combate eficaz aos incêndios (os bombeiros gastam imenso tempo e esforço a procurar defender pequenos aglomerados dispersos de casas, em vez de estarem efetivamente a combater o fogo em geral) e constitui um grave risco para as próprias populações das aldeias.

Eu bem sei que se trata em grande parte de velhos casmurros, que não querem nem por nada abandonar a terreola onde sempre viveram. Mas é preciso alguém que tenha a coragem de meter juízo na cabeça dessa gente!

Retrato de Luís Lavoura

Portugal teve em tempos muito baixo prestígio junto dos franceses - era o país pobre e atrasado que fornecia as porteiras aos prédios parisienses, Mas hoje o prestígio de Portugal em França está muito em alta, como se vê pelo crescimento exponencial do número de turistas franceses em Portugal. E como se vê pelo facto de, no próximo ano, os dois clubes de futebol primeiros classificados no campeonato francês irem ambos ser treinados por portugueses - Leonardo Jardim no Mónaco, Jorge Jesus em Paris.

Retrato de Luís Lavoura

Volta e meia nos EUA há um indivíduo que decide fazer uma chacina, baleando indiscriminadamente uma série de pessoas antes de ser ele próprio abatido pela polícia, ou então de se suicidar. O caso não é classificado como terrorismo mas sim como o resultado de uma forma de desequilíbrio mental, conjugado com a fácil disponibilidade de armas de fogo nos EUA. Como não é terrorismo, o ato tresloucado merece atenção moderada e rapidamente desaparece da atenção pública.

Há dois dias um caso similar aconteceu em Londres. Em vez de se usar uma arma de fogo utilizou-se um carro, que demonstrou ser um instrumento de morte bastante menos eficaz. O caso foi classificado como terrorismo, o que lhe deu uma repercussão muito maior. Mas, no fundo, não passou do mesmo tipo de ato que regularmente ocorre nos EUA: um desequilibrado mental que decide fazer uma mortandade antes de ser ele mesmo morto.

É naturalmente lamentável que ocorram estas coisas. Mas não me parece que classificá-las como "terrorismo" ajude em nada a eliminá-las. Só aumenta a repercussão delas, e contribui para dar ao Estado o poder para nos submeter a cada vez mais medidas securitárias.

Retrato de Luís Lavoura

Várias pessoas dizem que é preciso resolver o problema das grandes migrações internacionais eliminando as suas causas, nomeadamente, promovendo o desenvolvimento dos países mais pobres.

Mas isto é falso. A migração internacional custa muito dinheiro e raramente são os mais pobres quem emigra. As pessoas só começam a emigrar maciçamente quando saem da miséria. (Por exemplo, em Portugal emigrou-se mais na década de 1960, precisamente quando o país estava a enriquecer de forma acelerada.) Se há hoje muitos chineses e muitos bengalis em Portugal, isso deve-se em grande parte a a China e o Bangladeche serem hoje muito menos pobres do que eram há algumas décadas.

As grandes migrações internacionais são sinal de alguma riqueza, não de miséria absoluta. Eliminar a miséria só trará mais migrações, não menos.

Retrato de Luís Lavoura

O Estado pretende resolver o problema das rendas baixas nas cidades permitindo que as rendas subam, mas atribuindo aos inquilinos pobres subsídios que lhes permitam pagar a renda.

Em minha opinião, esta ideia não tem pernas para andar. Uma renda baixa nas cidades de Lisboa ou Porto é de, tipicamente, 100 euros. A renda de mercado numa dessas cidades é de, tipicamente, 500 euros. Seria portanto necessário fornecer ao inquilino um subsídio mensal de 400 euros para lhe permitir habitar a sua casa com uma renda de mercado. É evidente que o Estado não tem possibilidades de subsidiar algumas dezenas de milhares de famílias ao ritmo de 400 euros mensais!

Eu penso que a ideia do subsídio está correta, mas tem que se lhe colocar um teto máximo: 100 euros por mês. Permite-se que as rendas todas sejam liberalizadas - isto é, que aumentem para o seu valor de mercado - mas fornece-se aos inquilinos pobres um subsídio que não pode ultrapassar os 100 euros mensais.

Qual será o efeito prático disto? Uma vez que uma renda em Lisboa ou Porto é de 500 euros mensais, os inquilinos pobres não poderão continuar a viver nessas cidades. Porém, fora das cidades, em aldeias, facilmente se arranja um apartamento por 150 euros mensais. Os inquilinos idosos e que já não têm razão de trabalho para residir em Lisboa ou Porto serão portanto, na prática, forçados a "sair da sua zona de conforto", na expressão de Pedro Passos Coelho, e a ir viver para a província. O que não será uma coisa assim tão dramática pois, de facto, no passado muitos desses inquilinos pobres viveram na província - na sua juventude, antes de migrarem para Lisboa ou Porto.

Irão falecer lá onde nasceram.

Retrato de Luís Lavoura

No blogue A Destreza das Dúvidas (blogue que não me permite deixar comentários), Luís Gaspar argumenta que faz sentido um condomínio proibir um dos seus condóminos de arrendar a sua fração por curtos períodos a turistas, dado que existe o risco de alguns turistas se portarem mal, perturbando a vida aos restantes moradores do condomínio.

Isto é, em princípio, verdade. Mas, pela mesma bitola, faria sentido um condomínio proibir o arrendamento a não-turistas, porque também há o risco de não-turistas se portarem mal. E, de facto, também há o risco de um qualquer morador do prédio, incluindo um condómino, se portar mal. Levado às últimas consequências, o argumento de Luís Gaspar é um argumento contra a existência de condomínios. Num condomínio, há sempre o risco de um qualquer condómino ter atividades que perturbam os restantes. (Por exemplo, uma condómina pode prostituir-se na sua fração, o que pode perturbar os restantes condóminos.) A única forma de eliminar este tipo de conflitos de vizinhança é eliminar os condomínios: cada prédio ter um proprietário único, o qual arrenda as diversas frações a diversas pessoas, tendo o cuidado de selecionar pessoas que não se perturbem umas às outras. (É como se faz na Alemanha, em que praticamente todos os prédios têm proprietários únicos e praticamente todas as pessoas vivem em casas arrendadas.) Os condomínios são uma contínua fonte de problemas de vizinhança.

Retrato de Luís Lavoura

... a violação da lei que eu esperava (e que no ano passado ocorreu). Os altifalantes da festa do Benfica foram desligados algures entre as onze e a meia-noite e os moradores das redondezas puderam portanto dormir em paz. Ainda bem.

Retrato de Luís Lavoura

Hoje em dia as pessoas em Portugal cada vez têm menos filhos. Os filhos geralmente ocupam um lugar primordial, central e essencial nos afetos dos pais. Quando as pessoas não têm filhos, esse lugar fica vazio e as pessoas ressentem-se. Então, arranjam um animal de estimação (geralmente um cão) e projetam nele todo o afeto que usualmente dariam a um filho. De facto, os animais de estimação são os filhos que essas pessoas nunca tiveram. Nesta evolução (em minha opinião) doentia, os animais de estimação são, de facto, elevados à categoria de seres humanos. Na ótica dessas pessoas, os animais de estimação têm os mesmos direitos que seres humanos porque, de facto, o seu cão ocupa no coração delas o lugar que normalmente estaria reservado a um filho.

É por isso que, na política atual, os partidos defensores dos "direitos dos animais" tomam tanta força. É que há muitas pessoas para quem os animais se confundem, de facto, com pessoas. Nos seus afetos, os seus cães são como se foram os filhos que elas nunca tiveram.