Sociedade

Entradas que tenham a ver com questões de evolução social, tradições, etc.

When I think of my country and culture, the first thing comes to mind is the sense of belonging to nowhere. Having our origins in Central Asia, being descendants of a big empire followed by its terrible collapse and later on the foundation of Turkish Republic by Ataturk, the father of Turks, brought a lot of distinguished characteristics as well as unsolvable contradictions which exist even today in the core of Turkish culture.

Just as our rich history, our geographical location also shaped our culture significantly. Being situated between Asia and Europe, serving as a bridge between two distinct cultures reinforces the sense of belonging to nowhere. When our membership to European Union was first mentioned, people’s first thought was if Turkey was located in Europe, rather than what European Union stood for; common values. Most Turkish people believed in wholeheartedly Turkey’s future membership, for we share the same values. On the other hand, when the criterias for full membership increased each passing day, Turkish people faced their fate: We belong to nowhere. If we tried to join Islamic Middle- Eastern countries, we would not be regarded as Muslims as we are secular, do consume alcohol, do not prey fives times a day and the majority of Turkish women are veil-free. How can we ever situate ourselves somewhere? We are not European, neither Middle-Eastern nor Asian, so who are we? These questions will remain unanswered and exist in the core of Turkish culture forever.

A quick trip through various parts of Istanbul will demonstrate Turkish culture’s diversity. Not only people’s ideas or political developments, but also architecture and the landscape itself will reflect what one of the major characteristics of Turkish culture is: contradictions in its own richness. While some parts of the city, for instance, are extremely European, some other parts, however, such as old town, are quite oriental. And at most places West and East mingle neatly. One good example could be a mosque being located right next to famous bars street where people sip their alcoholic drinks with the view of the mosque. These contradictions do not only exist in exteriors but they rather exemplify and emphasize what Turkish culture is about. There is no doubt that what provides a lot of conflicts also contributes positively to Turkish culture and distinguishes it from other cultures and countries with its unique mixture between the West and the East.

In addition to the sense of belonging to nowhere and being a mixture of West and East, the other two characteristics which distinguish Turkish culture from others are hospitality and benevolence of people. Turkish people are always ready to welcome foreigners with open arms and try their best to accommodate hospitality. Perhaps this is a common distinction of Southern European countries, however in Turkey I strongly believe that it is experienced in the maximum level. If you live in Turkey, when you get sick, it is very likely that your neighbours will bring you food, medicine or whatever you might need. Or anywhere you need help, even if you need money, people will do their best to help.

People’s warmness and friendliness are other characteristics I would associate with Turkish culture. When you grab a taxi, it is very common to hear the taxi driver’s entire life story no matter how short the distance is. Having very close family ties is another characteristic of Turkish culture. Turkish people like to have large families and spend time together and usually are tied strongly to one another.

I hope this short text about Turkish culture will help some of you see the world from our eyes.

Retrato de Miguel Duarte

Para os adeptos de casa barata na periferia + automóvel, que trabalham em Lisboa, eis umas contas de merceeiro, que talvez lhes iluminem um pouco o caminho. Obviamente isto é um cenário simplificado, mas melhorem os vossos cenários e provem-me o contrário. Para ajudar, coloco o ficheiro Excel onde estão feitas as contas todas em anexo (assim podem verificá-las e melhorá-las).

Nestas questões, melhor que o senso comum, a alternativa é mesmo racionalizar. E por favor, não se esqueçam, que ao viverem em Lisboa, além de poupar dinheiro, ganham qualidade de vida. Género, menos horas no trânsito e maior proximidade de uma série de coisas. Além de que, como serão menos sedentários, não irão precisar de ir ao Health Club (outra poupança).

Os cenários foram feitos para o valor anual da casa + custos com o automóvel e para o valor global a 30 anos da coisa. Considerei que o valor da casa deve ser amortizado em 30 anos, que é um valor típico de um empréstimo. Ao longo de 30 anos, considerei que serão adquiridos 3 automóveis de 15.000 €, o que me parece um valor bastante conservador. Tal como penso que fui conservador no que toca ao combustível (aceito experiências reais para ser mais preciso nos valores).

Quando falo em 2 pessoas, estou a considerar que ambos têm carro, o que não é nada fora do normal em Portugal para os casais mais jovens da classe média. Os valores para duas pessoas são sempre por pessoa (logo o custo da casa é dividido por 2). Ou seja, um casal irá no seu conjunto poupar o dobro do indicado.

Valores anuais para os cenários:

Carro 1.500 € (15.000 € / amortizado em 10 anos)
Seguro Automóvel 350 € (o custo aproximado do meu seguro actual)
Selo de Carro 32 € (1.200 cm3)
Combustível + Estacionamento Massamá e Pragal 2.160 €
Combustível + Estacionamento Carnaxide 1.560 €
Oficina 400 € (ao princípio será menos, nos últimos anos mais)
Portagem Ponte 113 € (estou a contar com 70% de desconto, para quem passa todos os dias na ponte)
Metro+Carris 325 €

Custo da Habitação na Casa SAPO (tentei apanhar os mais baratos para cada caso):

T2 75 m2 Massamá - Sintra 100.000 €
T2 80 m2 Pragal - Margem Sul 80.000 €
T2 80 m2 Carnaxide - Oeiras 150.000 €
T2 85 m2 Lumiar - Lisboa 130.000 €

T2 em Massamá - Casa + Carro

1 Pessoa - 7.775 € (anual) 233.251 € (30 anos)
2 Pessoas (por pessoa) - 6.108 € (anual) 183.251 € (30 anos)

T2 no Pragal - Casa + Carro

1 Pessoa - 7.221 € (anual) 216.626 € (30 anos)
2 Pessoas (por pessoa) - 5.888 € (anual) 176.626 € (30 anos)

T2 em Carnaxide - Casa + Carro

1 Pessoa - 8.842 € (anual) 265.251 € (30 anos)
2 Pessoas (por pessoa) - 6.342 € (anual) 190.251 € (30 anos)

T2 no Lumiar - Casa + Metro + Carris

1 Pessoa - 4.658 € (anual) 139.738 € (30 anos)
2 Pessoas (por pessoa) - 2.491 € (anual) 74.738 € (30 anos)

Poupança de Viver em Lisboa

Poupança Anual de Residir em Lisboa
Massamá Pragal Carnaxide
1 Pessoa 3.117 € 2.563 € 4.184 €
2 Pessoas (por pessoa) 3.617 € 3.396 € 3.850 €
Poupança a 30 Anos de Residir em Lisboa
Massamá Pragal Carnaxide
1 Pessoa 93.513 € 76.888 € 125.513 €
2 Pessoas (por pessoa) 108.513 € 101.888 € 115.513 €

Nota: Se brincarem com os cenários, no Excel, irão ver que mesmo que comprem uma casa em Lisboa por valores acima dos 220.000 €, compensa, face a comprar uma casa em Massamá por 100.000 €. Aliás, se forem casados, podem ir bem mais longe. Para quem vive em Massamá, o custo de se ter um automóvel ao longo de 30 anos, irá rondar a preços actuais os 130.000 €! E não contei com a previsível subida do preço do crude nos próximos anos.

Nota2: De notar que também não contei com custos de condomínio e impostos, sendo que assumi que não irão ser muito diferentes de local para local para casas equivalentes.

Retrato de Igor Caldeira

Lido no sítio TreeHugger

Perhaps one reason that the environment is so unimportant to Americans is that they never see it, they are always working. According to Walter Kirn in the New York Times,
the USA is
"a nation of remarkably productive, often well-paid workers who are becoming increasingly reluctant to pause from their labors and refresh their souls — a nation whose cash-drenched corporate employers typically don’t pay for much time off (less than two weeks annually, on average), a nation whose globe-gripping federal government is the only one in the whole industrialized world not to legally require generous periods of paid kick-back-and-hang time — is a nation that’s socially screwed up, particularly in comparison with European countries like France, which orders its citizens outside to play for the entire month of August and a few other weeks spread through the year."

Nos comentários há uma discussão interessante que opõe a liberdade de cada um negociar com o empregador as férias que irá ter e a possibilidade de ter férias (ou seja, a ausência de poder negocial de determinadas fatias da população).

Argumento contra a definição legislativa das férias:

  1. I don't want my government telling me what I or my employer has to do with my time. That is between my employer and me. There may be many reasons for my work contract looking the way it does, and I might be able to get more pay if I am willing to take less vacation time. There are many other economic reasons I could use, but I don't want the government taking over my right to negotiate the terms of my employment more than they already do.
Argumentos a favor da intervenção governamental (há nuances entre as várias opiniões):
  1. I don't believe the author is saying anything about the use of our personal time or the ability to negotiate time off. It appears that they are just stating a limit, similar to minimum wage, should be set as a safeguard
  2. There is one huge advantage to mandatory leave - EVERYONE gets it! I have friends who work at low-paid jobs to support themselves and they get as much leave as some of the higher paid individuals in Oxford. This is not the case in the USA where many low-paid jobs come with **NO** paid leave.
  3. For many people, it's not just that they can't afford to miss one paycheck, it's that they'll lose their job if they take vacation.
Retrato de Miguel Duarte

Um documentário interessante sobre o que acaba por ser aquilo que podemos chamar de prostituição masculina no Japão.

Na semana passada, aconteceram, na Culturgest, as conferências sobre a Felicidade. Fui assistir a uma. O tema, à partida, não prometia muito, mas acabou por ser muito interessante. “Felicidade na Economia”.
O objectivo era explicar a ideia de felicidade na teoria dos modelos económicos e no mundo empresarial. Esquisito…. A economia é uma ciência de números e a felicidade é subjectiva. Então, como é que a afectividade e a felicidade se cruzam com o pensamento económico?

O mote começou por ser: “Se tivesse apenas mais dez minutos de vida, o que faria?”.

A resposta foi: “Ia para casa ver os meus filhos”. Bom, eu não, que não tenho. Mas era o que o professor Luís Santos Pinto, da Universidade Nova de Lisboa, faria. Ter um filho é uma motivação genética, no entanto, pode ser uma má experiência. Há bebés que choram muito, que não nos deixam dormir… Será que quero ter um filho? Será que quererei ter dois filhos? Nesta decisão pesam componentes afectivas, mas também económicas. Afecto pode não faltar, dinheiro para um poderei ter, mas para o segundo… É aqui que entra a economia. Da componente económica faz parte o rendimento e este dá para prever.

Mas o que é a felicidade?

Considerando que a felicidade é “bem-estar”, a ela está inerente subjectividade, pois países diferentes terão critérios diferentes. É por ser um conceito subjectivo, que, para a Economia, é difícil medi-la. Apesar disto, é possível partir de medidas individuais para um todo e encontrar métodos que permitam medi-la e construir rankings comparativos entre países. Os dois rankings mencionados foram o World Values Survey e o Eurobarómetro. Segundo este último, Portugal tem 17 por cento de pessoas muito felizes, abaixo da média da União Europeia, 26 por cento. A Dinamarca vem no topo, com 49 por cento.

E será que a felicidade se compra?

Contra todas as expectativas, empiricamente os dados indicam que sim. Num dado país as pessoas mais ricas são as mais felizes, porque o rendimento é importante. Afinal, até não parece estranho e é até consistente com a teoria económica mais básica. Fazemos escolhas com uma restrição económica orçamental. Portanto, quanto mais elevado for o nosso rendimento, mais escolhas poderemos fazer!
Mas será que este acréscimo de felicidade é sempre proporcional ao acréscimo de rendimento? Não. O incremento é cada vez menor. Se na compra do primeiro Porsche (!!) ficamos felicíssimos, na compra do terceiro, a felicidade já não é tão grande. Daqui resulta que faz sentido cobrar mais impostos às pessoas mais ricas.

Será mesmo verdade que é o aumento do rendimento que provoca um aumento de felicidade? Não será que é a felicidade que faz aumentar a produtividade e que um aumento na produtividade provoca um aumento no rendimento?
Não. Provou-se que a causalidade vai do rendimento para a felicidade. Claro que o inverso poderá ser verdadeiro em alguns casos, mas normalmente é um acréscimo no rendimento que provoca um “incremento de felicidade”.

Quer dizer que o dinheiro é aquilo que nos torna felizes?

Felizmente, não! Existem sete factores principais que nos tornam felizes e cuja ordem varia consoante o país e cada uma das pessoas. A ordem genérica para os países ricos é esta:
1.º Relações familiares.
2.º Rendimento.
3.º Trabalho.
4.º Comunidade e amigos.
5.º Saúde.
6.º Liberdade pessoal. Aqui verificou-se que a qualidade do governo conta muito. Um exemplo flagrante é o caso da Rússia, que no ranking surge como país altamente infeliz.
7.º Prática de religião, ligação ao transcendente, meditação.
Depois, existem para além destes, outros factores como comer, fazer exercício, fazer sexo, relaxar, …
Outro aspecto interessante é verificar-se que, ao longo da história, os níveis de felicidade também podem ser medidos. Em 1820, 80 por cento da população vivia com menos de um dólar (comparado ao valor de hoje); na Idade Média, vivia-se para sobreviver; e hoje somos mais felizes, embora os níveis de felicidade estejam “flat” desde os anos 50.

Por que é que somos mais ricos, mas não somos mais felizes?

Várias teorias têm sido apresentadas para explicar este fenómeno:
1.º Artifício estatístico
Quando medimos o rendimento per capita, ele pode ir até valores incalculáveis, mas a escala da felicidade é limitada. Vai de zero a quatro. Se calhar, era necessária uma escala maior e simétrica.

2.º Teoria do Setpoint
Cada indivíduo tem um nível predeterminado de felicidade, que é determinado geneticamente. O fundamento está, por exemplo, em pessoas que ganharam a lotaria ou em pessoas deficientes, que não ficaram estupidamente mais felizes, nem estupidamente mais infelizes. No entanto, esta teoria é discutível, porque as pessoas não se conseguem adaptar completamente.

3.º Teoria da Habituação
Todos aspiramos a ter certas coisas. Apesar de ficarmos mais ricos, as nossas aspirações também são maiores. Esta teoria também é criticável, porque parte do princípio de que as nossas preferências não são estáveis.

4.º Teoria dos “bens de status”.
Esta teoria, também conhecida pela do “relative income”, diz que nós nos comparamos com os outros. Temos inveja das pessoas mais acima de nós. E, diz-nos também, que somos um bocado cínicos. Quando estamos em baixo, preocupamo-nos com a igualdade, queremos políticas sociais, mas quando estamos em cima, já não nos importamos tanto. Entramos numa “escalada competitiva”. Se o meu vizinho tem um BMW, eu também tenho de ter, se ele compra depois um Porsche, eu também vou ter de ter um, … Mais uma vez, esta teoria, como quase todas, é criticável, porque dois terços do peso vai para o rendimento absoluto. A partir daí é difícil dizer o que é um bem de status. Será que a casa é? Depende.

5.º Teoria do Capital Social
Também conhecida por “bowling alone” (Robert Putnam – RP), diz-nos que estamos a tornar-nos mais individualistas e menos sociáveis. Temos mais rendimento, logo podemos ter mais saúde, logo somos mais felizes. No entanto, temos um capital social menor, logo os dois factores anulam-se e não nos tornamos mais felizes. A crítica a esta teoria está em saber o que é o capital social. O RP não deu uma boa definição, porque não levou em conta o facto de o tipo de comunicação ter mudado. Hoje utilizamos mais o telemóvel, mais a internet. Mas será que isto nos torna mais infelizes? Realmente, há fenómenos que nos criaram mais stress, por exemplo, o querermos estar melhor que os outros. John Nash, na sua Teoria dos Jogos, mostrou-nos que, em muitas situações, podem haver vários equilíbrios e que podemos cair num equilíbrio menos bom.

Por exemplo, na Holanda, para criar um melhor equilíbrio, os sindicatos negociaram empregos em part-time, para haver mais pessoas a sair às 4h30m e assim dedicarem mais tempo à sua vida social.
Será que estamos a ser irracionais ao ficar em casa, não socializando e, por isso, sendo mais infelizes? Não. Simplesmente fazemos as escolhas com base naquilo que conhecemos da sociedade. É mais difícil encontrar grupos, porque é mais fácil ficar em casa, logo ficando em casa, não se formam grupos e, por isso, somos menos motivados a sair de casa.

Será que os governos e os economistas deverão passar a utilizar a felicidade para medir os níveis de satisfação de um país, em vez do PIB?

É preciso ter em consideração três coisas:
1.º Os economistas analisam o PIB real e não o nominal;
2.º Os economistas analisam o PIB per capita;
3.º A longo prazo não consumimos mais do que o que produzimos.

É verdade que o PIB é uma medida com grandes problemas. Tudo o que não passa pelo mercado não é contabilizado pelo PIB. Se fizermos um belo jantar em casa, não passa. Mas, se contratarmos uma empregada para o fazer, passa. Qual nos faz mais felizes? Um idoso num lar passa pelo PIB, podendo associar-se maior felicidade a um lar mais caro, mas se estiver em casa com a família, não passa. Onde é que ele é mais feliz? Portanto, o PIB está enviesado quanto às interacções sociais. Por outro lado, o PIB não leva em conta a degradação ambiental e, por ser uma média, não leva em conta a distribuição do rendimento.

Então porquê continuar a utilizar o PIB?

Porque é uma medida objectiva. Na felicidade não há comparações objectivas possíveis, porque cada país valoriza coisas diferentes e, assim, teriam de ser criados rankings diferentes consoante os países. Por exemplo, parece que os europeus têm mais tempo livre e valorizam-no mais e são mais avessos à desigualdade. Já os americanos não valorizam tanto isto. Quem é mais feliz?
O PIB pode ser abandonado, mas têm de ser avaliadas outras medidas.

O “Economist” pegou em sete factores de qualidade de vida, mensuráveis, e com eles criou um ranking, o “World Quality of Life”.
1.º Liberdade Política (?): 26.2%
2.º Saúde (esperança de vida à nascença): 19%
3.º Bem-estar material (PIB per capita): 18.8%
4.º Vida em comunidade (taxas de ida à igreja e de participação em encontros): 12.2%
5.º Relações familiares (taxas de divórcio): 11.3%
6.º Segurança no trabalho (taxa de desemprego): 7.7%
7.º Igualdade dos sexos (rácio de rendimentos f vs m): 4.8%

Portugal encontra-se no 19º lugar em qualidade de vida (WQL) e em 31º no PIB.
Por exemplo, a Rússia encontra-se no 105º em WQL e em 55º no PIB.
Os Estados Unidos estão no 13º em WQL e em 2º no PIB.

No ranking do PIB per capita dos países mais ricos estamos abaixo dos vinte primeiros, sendo a nossa posição, em 2005, a 31ª; em 1990, no World Ranking of Hapiness, estávamos em 35º; e, em 2005, no World Ranking of Quality of Life estávamos, como já disse, em 19º.

Conclusão: Não somos muito felizes, não somos muito ricos, mas temos uma grande qualidade de vida.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Queria apresentar aqui um vídeo muito didático e ilustrativo daquilo que foram as praxes na entrada para a Universidade do Minho este ano para o curso de Engenharia e Gestão Industrial. A comissão de praxe e os seus organizadores ficaram muito orgulhosos da sua obra, e decidiram postar no YouTube. Assinaram no fim claro! Não deixo de fazer um comentário guiado ao vídeo! Ele merece! As citações dos veteranos a negrito e itálico:

Abrem os veteranos o documentário com a explicação: "Em 2004, eles sofreram as sagradas justiças da praxe". Ouve-se a marcha fúnebre como música de fundo, Imagens de estudantes no chão a fazer flexões. Marcha forçada do tipo Lockstep Walking. Pinturas faciais, com sorrisos dos "voluntários" para a câmara. Juramentos (é sempre preciso nestas coisas dar uma aparência de legitimidade à coisa, fazendo as vítimas aceitar o código moral segundo o qual vão sofrer as sevícias) O tradicional jogo do palito, em que é preciso fazer passar um pequeno palito de uma boca para a outra, agarrando-o com os dentes, ao colega do sexo oposto (ou não).

O Baptismo.
"Ingredientes da Poção: Tudo de nojento que se possa imaginar..."
Vê-se então os "voluntários" a mergulhar a cabeça num balde de "tudo de nojento que se possa imaginar", e a esfregar bem com as mãos, de seguida são confortados pelo veterano, nos seus lindos trajes pretos. São de seguida besuntados, e alinhados deitados de barriga para baixo. Vão acompanhados pelos veteranos, trajados de preto, e com um ar muito divertido "lavar" a cabeça cheia de tudo-de-nojento-que-se-possa-imaginar à fonte com a água toda badalhoca.

O documentário continua: "Chegado o tão desejado dia de cortejo, eles deixaram de ser caloiros e passaram a novilhos." Vão desfilar orgulhosamente para a rua com cartazes da LEGI. "Em 2006 eles vieram com toda a garra, e vão fazer valer as justiças da sagrada praxe. Bestas de 2006/2007, preparem-se porque não vão ter vida facilitada. Aos Caloiros, MISÉRIA E SANGUE!" (fotografia do antes e depois do banho na lama)

"De todas as possíveis faltas à praxe, a maior atrocidade que se pode ser cometida é a de ser caloiro. A justiça de tal ignomínia é à escolha do Praxante que a acusar; recomenda-se no entanto, que o energúmeno seja o mais duramente punido. Caso se verifique que a besta permanece ainda em tão refece posição, deverá ser repetidamente punido até que deixe de o ser. Apesar do caloiro não dispor de qualidades meritórias de um capítulo para si, as regras que regem o seu comportamento o merecem, sendo por isso o Capítulo VIII dedicado a tais regulamentos". (Fotografias de caloiros "voluntários" a arrastarem-se uns aos outros na lama, Rapazes travestidos com pinturas de mulheres, Corvo preto a marchar orgulhoso, junto dos caloiros cheios de lama, Saltos voluntários para a lama)

"Sendo o caloiro um ser inferior sem qualquer qualidades, e muitos defeitos, e sendo esta a mais baixa posição que pode um ser assumir, os direitos do caloiro resumem-se rápida, concisa e verdadeiramente a... nenhuns!" Veteranos vestidos de preto a gritarem palavras de ordem e outras boçalidades, enquanto os caloiros marcham. Veteranos vestidos de preto a espalhar a mistela no cabelo dos "voluntários". Puzzle humano constituído de caloiros "voluntários" para formar o nome do curso.

Ah! E no fim, claro as assinaturas:
Autores: C. Gomes, F. Ribeiro, P. Brito

A nossa lei é uma vergonha. À força de se quererem impor valores morais como a da estabilidade familiar destroem-se famílias. A nossa lei dificulta ao máximo a saída de um casamento. O processo de saída destrói relações que não sendo de amor podiam ser no futuro de amizade. Uma amizade importante para a família que fica. Porque os filhos continuam lá e vão continuar sempre.

Em Portugal há duas saídas. O divórcio litigioso e o divórcio por mútuo acordo. Por mútuo acordo os cônjuges têm que estar de acordo em divorciar-se, na atribuição de poder paternal e direitos de visita, direitos de alimentação, na atribuição da morada de família e na listagem de bens comuns. Não. Se estiverem de acordo que se querem divorciar sem estarem de acordo em 1 só que seja, não é possível fazer-se o divórcio por mútuo acordo. Qual é a alternativa? Tem que se ir pela opção divórcio litigioso.

O divórcio litigioso para ser pedido implica a apresentação de uma razão para o divórcio. Não é uma razão qualquer, tem que ser retirada da lista providenciada pelo legislador. Tudo coisas simpáticas. Não vão encontrar lá coisas como “incompatibilidade”. Qualquer coisa que se vá buscar é bastante ofensivo para a outra parte. Tem que ser, para justificar a quebra dos sagrados votos do matrimónio. Mas a coisa podia ficar por aqui. Uma mentirinha, que até podia ser explicada ao cônjuge como necessária para avançar com o processo, mas não. Primeiro porque os juízes têm o poder discricionário de aceitar ou não as razões, que é como quem diz, o peticionário tem que as provar. Óptimo para a relação que se deseja cordial no futuro dada a possível existência de filhos. Depois porque dependendo da razão, ou da “malfeitoria” feita pelo cônjuge alvo do processo o juiz agirá em relação aos outros processos, nomeadamente o da custódia e visitas.

Um sistema simpático não é?

Nota 1: Um grande aplauso para esta iniciativa do BE . Pode ser que seja um mote para uma discussão séria sobre o contracto casamento em Portugal.

Nota 2: Sim, escrevo este post com conhecimento de causa e com especial rancor para com o moralismo do código de família.

Nota 3: Sou um leigo em matéria de Direito e este artigo deve ser lido atendendo a isso

PS: Acabei de ler o texto de Daniel Oliveira publicado no Arrastão sobre este assunto. Subscrevo palavra por palavra. Dada a qualidade e a clareza desse texto a vontade que me dá é apagar o meu e pôr simplesmente um link.

Ouvi na TSF que um grupo foi manifestar-se junto à sede do PRN contra o Fascismo e a Globalização.

Se fosse só contra a Globalização os do PRN desciam e juntavam-se à manifestação. Uma das muitas bandeiras que une marxistas e fascistas...