Repare-se nesta interessante notícia do DN. Merece-me os seguintes dois comentários:
(1) O PCP deseja saber se o Ministério da Saúde entende "que existem 'trabalhadores do sexo' e que a prostituição é profissão", mas não diz aquilo que ele próprio, PCP, entende sobre o assunto. Ou seja: o PCP acha que a prostituição é uma profissão e que as prostitutas são trabalhadoras? Tem posição clara sobre o assunto? Ou apenas pretende utilizá-lo, de forma ad hoc, para atacar o governo?
(2) O PCP entende que a linguagem apropriada para descrever a prostituição é "a mulher está à venda". Esta é uma linguagem herdeira de uma conceção machista da mulher, que eu não posso deixar de lamentar num partido que, supostamente, deveria ser feminista. Com efeito, numa sociedade machista é que um homem descreve uma relação sexual com uma mulher como "comi-a". Nesta expressão está contida a conceção de que, depois da relação sexual, a mulher passou a pertencer ao homem, passou a estar no seu palmarés, ou na sua posse. Se a relação sexual foi paga, pode então dizer-se, apropriadamente, que o homem comprou a mulher e que a mulher se vendeu ao homem.
Porém, numa conceção não-machista da sexualidade, uma mulher não é "comida" pelo homem, nem passa a pertencer-lhe, ou a pertencer à sua coleção de "troféus" ou "conquistas", lá porque teve uma relação sexual com ele. Numa conceção não-machista (que é a minha), a mulher que se prostitui não se vende: apenas vende um serviço. A prostituta é de facto, numa conceção não-machista da sexualidade, uma trabalhadora: tal como um operário vende um serviço que efetua com a força dos seus braços, mas não se vende a si mesmo, assim a prostituta vende um serviço que efetua com o seu sexo, mas não se vende a si mesma
Pelos vistos, o PCP, quando chega a estes assuntos, continua a perfilhar um entendimento machista da relação sexual como significando a posse da mulher pelo homem.













