Sociedade

Entradas que tenham a ver com questões de evolução social, tradições, etc.
Retrato de Luís Lavoura

Repare-se nesta interessante notícia do DN. Merece-me os seguintes dois comentários:

(1) O PCP deseja saber se o Ministério da Saúde entende "que existem 'trabalhadores do sexo' e que a prostituição é profissão", mas não diz aquilo que ele próprio, PCP, entende sobre o assunto. Ou seja: o PCP acha que a prostituição é uma profissão e que as prostitutas são trabalhadoras? Tem posição clara sobre o assunto? Ou apenas pretende utilizá-lo, de forma ad hoc,  para atacar o governo?

(2) O PCP entende que a linguagem apropriada para descrever a prostituição é "a mulher está à venda". Esta é uma linguagem herdeira de uma conceção machista da mulher, que eu não posso deixar de lamentar num partido que, supostamente, deveria ser feminista. Com efeito, numa sociedade machista é que um homem descreve uma relação sexual com uma mulher como "comi-a". Nesta expressão está contida a conceção de que, depois da relação sexual, a mulher passou a pertencer ao homem, passou a estar no seu palmarés, ou na sua posse. Se a relação sexual foi paga, pode então dizer-se, apropriadamente, que o homem comprou a mulher e que a mulher se vendeu ao homem.

Porém, numa conceção não-machista da sexualidade, uma mulher não é "comida" pelo homem, nem passa a pertencer-lhe, ou a pertencer à sua coleção de "troféus" ou "conquistas", lá porque teve uma relação sexual com ele. Numa conceção não-machista (que é a minha), a mulher que se prostitui não se vende: apenas vende um serviço. A prostituta é de facto, numa conceção não-machista da sexualidade, uma trabalhadora: tal como um operário vende um serviço que efetua com a força dos seus braços, mas não se vende a si mesmo, assim a prostituta vende um serviço que efetua com o seu sexo, mas não se vende a si mesma

Pelos vistos, o PCP, quando chega a estes assuntos, continua a perfilhar um entendimento machista da relação sexual como significando a posse da mulher pelo homem.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem, no final do jogo Benfica-F.C.Porto, quando ainda diversos jogadores estavam no estádio e milhares de espetadores ainda estavam nas bancadas, alguém decidiu apagar os holofotes que iluminavam o estádio e, além disso, ligar o sistema de rega do relvado do estádio.

 

Uma tal atitude, para além de, no mínimo, deselegante para com os jogadores que se encontravam no estádio, colocou em perigo estes, os espetadores, e os polícias que se encontravam a assegurar a segurança do encontro.

 

Tudo isto já foi dito e repetido. Só há uma coisa que ainda não vi dita nem escrita: quem é que foi a pessoa que ordenou que se apagasse os holofotes e que se ligasse o sistema de rega.

 

É essencial que essa pessoa confesse o que fez. É essencial que o Benfica descubra quem foi essa pessoa e que a apresente ao público.

 

Não deve ser o Benfica a arcar com as críticas de um erro cometido por alguém, aparentemente com poder sobre aquilo que se faz no seu estádio. Essa pessoa deve ser descoberta, para que se saiba que não foi o Benfica enquanto instituição, mas apenas uma pessoa, quem cometeu aquela asneira.

Retrato de Luís Lavoura

Ouvi ontem na televisão falar Ruby, a rapariga a quem o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi terá pagado dinheiro em troca de alguns "favores" sexuais quando ela ainda era "menor" (na verdade era uma adolescente já bem avançadinha) de idade. (Na idade que ela à época tinha já a maior parte das raparigas hoje em dia têm relações sexuais regulares com os seus namorados, e ninguém se preocupa com isso.) Ruby afirmou que na altura estava com grandes dificuldades na vida e que Berlusconi, gentilmente, a ajudou. Pela sua expressão, Ruby está, claramente, muito grata a Berlusconi.

 

Temos portanto que o crime que Belusconi terá, alegadamente, praticado, não tem vítima. Pelo contrário - tem uma beneficiária, que até está grata por o crime ter sido praticado.

 

Isto diz muito sobre as taras que a pedofilia e a prostituição atualmente são na sociedade. E diz muito sobre as taras da esquerda e da justiça italianas.

Retrato de Luís Lavoura

Manifesta-se atualmente no nosso país uma estranha obsessão com a necessária igualdade de todos os funcionários públicos perante os cortes salariais que têm que enfrentar.

 

Primeiro foram os funcionários públicos açorianos. Quando o Governo Regional dos Açores anunciou que os seus salários não seriam diminuídos, foi uma revolta generalizada: todos os funcionários públicos deveriam ser tratados por igual! É inadmissível que os funcionários nos Açores não vejam os seus salários reduzidos na mesmíssima proporção que os seus colegas no Continente!

 

Agora são os magistrados do Ministério Público. Os partidos da oposição exigem que os salários dos magistrados sejam cortados em proporção igual à de todos os restantes funcionários, mas que nenhuma das regalias extra-salariais que só os magistrados auferem lhes seja retirada.

 

Eu não compreendo esta obsessão com a igualdade. Os funcionários públicos não são todos iguais - eles são todos diferentes. Há diferentes categorias de funcionários públicos, que gozam atualmente de diferentes regalias (ou de regalias nenhumas), as quais conquistaram, por vias frequentemente tortuosas e mal explicadas, ao longo dos decénios. Não vejo por que motivo os salários de todos esses diferentes funcionários públicos tenham que ser cortados por igual. Não se deve tratar de igual forma aquilo que é, efetivamente, diferente.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem no telejornal da RTP2 mostraram uma pequena reportagem sobre um bordel na Suíça (cantão de Genebra) que foi adaptado por forma a poder servir deficientes. Entrevistaram a proprietária (que é também uma das profissionais) do bordel, que explicou perante a câmara como os homens deficientes (inclusivé paraplégicos, etc) também têm necessidades sexuais e como ela tinha decidido explorar esse "nicho de mercado", educando as restantes trabalhadoras do bordel para também o fazerem.

 

Isto passa-se na Suíça francesa (romande) num ambiente humanista, democrata e liberal, e eu fiquei a sonhar, quando poderemos cá em Portugal encarar a prostituição da mesma forma, simples e humana, de cara de frente para a câmara e de forma totalmente legal. Com patrões e empregados, como em qualquer outra profissão. Quando será o proxenetismo liberalizado em Portugal?

Retrato de Luís Lavoura

Nos últimos dias voltou-se a falar dos feriados portugueses e das consequentes "pontes", a propósito das muitas "pontes" e fins-de-semana prolongados que haverá no próximo ano.

 

Em vez de falarem em abstrato sobre o próximo ano, poderiam talvez descer ao concreto e a este ano e a este mês. Temos neste mês dois feriados que, para piorar a situação, calham sempre a um mesmo dia da semana, prejudicando todas as atividades que têm uma programação semanal (exemplo: aulas). Não seria possível, de uma forma muito simples, começar por acabar com estes dois feriados (ou, pelo menos, com um deles)?

 

1 de Dezembro não é uma data necessária para comemorar a independência de Portugal; o 5 de Outubro (data do tratado de Zamora) serve perfeitamente para esse fim. E a Nossa Senhora da Conceição, quem se rala com ela? Portugal é hoje em dia um país maioritariamente laico.

 

Deixem-se de considerações em abstrato sobre o excesso de feriados em Portugal e comecem a desenredar o novelo por uma ponta: acabem com os feriados de 1 e 8 de Dezembro.

 

E, se estão (legitimamente) preocupados com o número excessivo de "pontes", talvez fosse conveniente começarem por acabar com um feriado que, por vício, dá sistematicamente azo a uma "ponte": o Corpo de Deus, que é (por definição) numa quinta-feira.

Retrato de Luís Lavoura

Sobre os ciganos na Europa e nos Estados Unidos, vale a pena ler este artigo da edição de hoje do Economist.

Retrato de Luís Lavoura

Acabo de almoçar num restaurante (sala pequena) em que, com 40 graus de temperatura exterior, o ar condicionado estava ligado mas a porta da rua permanecia aberta.

 

Tenho dificuldade em explicar estes comportamentos - comuns em Portugal - à luz de uma teoria que postula que os empresários atuam racionalmente no sentido de fornecer o melhor produto, ao mais baixo custo, aos clientes, sendo que, caso não o façam, outros empresários mais racionais surgirão que o farão e os suplantarão.

 

A eletricidade é assim tão barata? Não creio.

 

Os clientes não afluiriam ao restaurante caso a porta estivesse fechada mas com um letreiro a dizer "Aberto"? Duvido.

 

Tenho para mim que estes casos demonstram que a teoria acima identificada é, de facto - apesar de perfeitamente lógica -, falsa. Pelo menos, em Portugal não se aplica. Talvez se aplique alhures.

Retrato de Luís Lavoura

... enriquecem um país. Veja-se o caso da seleção alemã de futebol, onde fazem grande figura Mesut Oezil (filho de pais turcos, nascido e criado na região do Ruhr), Sami Khedira (filho de pai tunisino e mãe alemã, nascido e criado em Estugarda), ou Jerôme Boateng (filho de pai ganês e mãe alemã, nascido e criado em Berlim). Isto sem contar com vedetas polacas mas nacionalizadas alemãs por terem avôs alemães, como Miroslav Klose.

Retrato de Luís Lavoura

Diz a polícia que ontem à tarde houve dois incidentes graves na praia do Tamariz, Estoril. Houve uns indivíduos que se enfrentaram à facada e, mais tarde, um assalto a alguns banhistas que se encontravam no areal.

 

Longe de mim acreditar que a polícia mente, claro. Mas a minha mulher e os meus filhos passaram ontem o dia todo nessa praia e não notaram absolutamente nada. A praia é larguinha e pode ser que tudo se tenha passado sem que eles, do sítio onde estavam, notassem. Mas permito-me ter dúvidas.