Sociedade

Entradas que tenham a ver com questões de evolução social, tradições, etc.
Retrato de Luís Lavoura

O primeiro-ministro anunciou que haverá uma redução no número de feriados.

A Igreja Católica já veio dizer, muito razoavelmente, que está disposta a discutir e, de facto, que aceita a eliminação de alguns feriados religiosos.

Ainda bem que estamos todos de acordo para dar este passo, fundamental para a laicidade do país.

Devem acabar os feriados do Corpo de Deus (uma quinta-feira na primavera que não serve para mais nada se não para uma boa ponte), da Assunção de Nossa Senhora (o 15 de agosto no qual boa parte dos portugueses está, de qualquer forma, de férias), e de Nossa Senhora da Conceição (o 8 de dezembro no qual, de qualquer forma, o comércio está todo aberto).

Se quiserem acabar também com feriados nacionais, opto pelo 10 de junho (que não tem qualquer tradição e foi uma invenção oportunista da Primeira República, e que dá azo a pontes inconvenientes com o 13 de junho) e pelo primeiro de dezembro (que se refere a um facto muito antigo e que também nunca é respeitado pelo comércio).

Retrato de Luís Lavoura

... enche a galinha o papo. E o governo teria duas formas fáceis de poupar alguns tostões, embora poucos, ao orçamento do Estado. Uma, seria denunciar o acordo com a Igreja Católica e deixar de pagar uma disciplina de Educação Moral e Religiosa (quase sempre católica) nas escolas, incluindo o pagamento àqueles que a lecionam. De caminho, poderia também deixar de pagar os capelães hospitalares. Outra forma de poupar seria alterar a lei por forma a que os abortos, embora livres, deixassem de ser pagos pelo erário público. É que, 20.000 abortos a 400 euros por aborto, faz 8 milhões de euros por ano - não é muito, mas sempre é alguma coisinha.

Retrato de João Cardiga

Participei, enquanto cidadão e membro do Movimento Liberal Social, na Manifestação de 12 de Março. Foi com orgulho que o fiz, mais orgulho tive em ver tantas pessoas, tão diversas na rua. Tive um gosto especial ao tomar conhecimento que alguns [email protected], que normalmente não participam, saíram à rua e protestaram. Tenho de felicitar a Paula Gil, Alexandre de Sousa Carvalho, António Frazão e João Labrincha. Apesar de o evento os ultrapassarem, sem a ideia original nada teria sido feito.

Mais tarde participei em algumas Assembleias do Rossio. Não cheguei a acampar. No início, dava prazer acompanhar o espírito da mesma. Não concordava com muito das posições tomadas, mas era de salutar a vontade de integrar e o gosto em debater que algumas pessoas tinham. Conheci diversas que de outra forma nunca se teriam cruzado na vida. Foi bom saber que existem tantas pessoas interessadas e interessantes.

Agora a 15 de Outubro convocou-se uma nova manifestação e desta vez eu NÃO VOU! E esta minha vontade nasce da irracionalidade desta convocatória, e, principalmente por tudo o que aconteceu depois destes eventos.

Comecemos pela irracionalidade. Diz-se que é contra o “orçamento dos cortes” mas ainda nem se sabe que cortes são (e muito menos qual o orçamento). Ou seja, é uma apologia da ignorância. A mensagem é “Eu nem quero saber o que será feito, eu sou contra! Porquê? Porque sim!”. Neste sentido, não existe nenhum motivo para se convocar uma manifestação agora.

Portugal teve uma mudança democrática no início deste Verão. Nas eleições legislativas, os eleitores demonstraram claramente que rumo pretendiam seguir (e qual o que não queriam). Para quem exige mais democracia deveria aprender a respeitar as instituições democráticas. Isto não implica não protestarem, mas sim fazerem-no de forma consciente e fundamentada. Este não é o caso.

Mas se o motivo anterior era já suficiente para eu não ir, tal não me motivaria a escrever este artigo. O que me motiva é o que foi feito depois. Do 12 de Março nasceu um movimento, que do espírito do protesto apenas guarda o nome. E ao escolher “12 de Março” para designar tal associação, deveriam ter respeitado e compreendido o que aquele evento foi.

Afirmam-se apartidários, que não são “de esquerda ou de direita” e no entanto apenas promovem eventos e acções ligados à esquerda radical. Dizem querer promover a transparência e nem sequer se percebe o que formalmente são. Parecem um híbrido indefinido, entre grupo de amigos e movimento político.

Não são diferentes do que existe actualmente. São mais do mesmo. Vejo propostas sem nenhuma sustentação.

Não seria necessário muito debate para rebater muito delas. Tomemos por exemplo a “auditoria cidadã”. Nome bonito e pomposo. Mas será que alguém já ouviu falar do Tribunal de Contas? Este organismo faz auditorias às contas e publica os seus relatórios. Conseguem encontrar aqui grande parte da informação que pretendem – senão mesmo toda – com uma auditoria cidadã. Não se entende porque é que querem replicar informação. E menos se entende porque é que não promovem eles próprios essa auditoria. Não faz qualquer sentido exigir-se uma “auditoria cidadã” quando se tem a informação e os instrumentos. Claro que fazer exige trabalho, enquanto exigir se consegue com um simples protesto.

No fundo são mais uma “associação”, que aproveitou para surfar uma onda que não era a sua.

Mas o que aconteceu ao M12M é algo que, infelizmente, é normal por cá. Já o Rossio só tem uma palavra: deprimente! Fui-me informar do que tinha acontecido desde que resolvi abandonar as Assembleias. E eis que chego à acta da de 24 de Julho onde me deparo com:

“Se nos interessa neste momento incluir todas as pessoas? possivelmente não…”

Mas quem é que sequer se questiona neste sentido? Mais, o debate focou-se, entre outras coisas, em:

“preferimos chegar a um público que não se inclua em nada do que a públicos já inseridos em grupos organizados em formatos arcaicos”

Desculpem? Eu li bem? A grande “assembleia popular”, espelho da indignação e representante da voz popular agora deixou de ser inclusivo?

“Arcaicos”? Ah?!? Realmente não existe qualquer tipo de arcaísmo numa forma deliberativa que tem longas décadas desde que foi criada. É a pura ignorância a reinar por aquelas bandas.

Ok… Eu até dava o benefício da dúvida, caso não tivesse ido a algumas, mas isto é o continuar do espírito que levou à desmobilização da assembleia. Um conjunto de pessoas fechadas sobre si mesmo. Brincam um jogo de RPG “vamos re-inventar a roda democrática”. Nem se apercebem que falam para eles próprios e não representam nada.

Alguns dos episódios que aconteceram por lá roçaram o ridículo. Desde o choradinho pela carga policial, que foi um mero arrufo policial (apesar de considerar à mesma o episódio lamentável e grave), à tentativa de imposição de horários e regras aos acampados (quando quem votava não acampava) ou ao episódio “montypythiano” de se levar à votação se se levava à votação determinada posição, existiu um pouco de tudo.

Neste momento o Rossio e outros movimentos são representantes auto-indigitados de um enorme nada. Apenas aumentam a descrença na acção política e uma desmobilização de quem não tem por hábito participar activamente na política. Ao tratarem assuntos sérios de forma tão infantil resumem-se agora a um mero espelho de tudo o que está mal na política portuguesa.

Tenho alguma tristeza por escrever estas palavras. Senti a esperança destes momentos, e tentei estar o máximo que pude, mesmo quando tudo dizia para fazer o contrário. Existem nestes meios pessoas muito competentes e valorosas. Pessoas empenhadas. Mas enquanto se deixarem guiar por este rumo, as suas acções só servirão para demonstrar porque é que hoje estamos onde estamos. Por vezes alguns é quanto baste para que algo corra muito mal.

Retrato de Miguel Duarte

Infelizmente a realidade retratada pela imprensa e políticos muito pouco tem a ver com a realidade. Para o ano de 2009, tirado do relatatório da Europol, eis o resumo das tantativas de ataques terroristas em 2009. Islamistas apenas 1 em 294!

Terrorismo na Europa em 2009

Retrato de Miguel Duarte

Publicado no dia dos ataques, o vídeo descreve o Islão como “a principal ideologia dos genocídios”. “Antes de começar a Cruzada, é nosso dever dizimarmos o marxismo cultural”, pode ainda ler-se neste vídeo.

Fonte: Público

A ironia destes atos é que os extremos acabam por ter exatamente o mesmo comportamento. Entre um cristão radical e um muçulmano radical, ou um radical de esquerda e um radical de direita, vai dar tudo ao mesmo, a intolerância para com o próximo.

Retrato de Luís Lavoura

É triste, grosseiro tanta gente a regozijar-se com a morte de um homem.

Parece que estão todos embrutecidos.

Quando pessoas decentes se alegram com a morte de um homem, envergonham-se dessa alegria e têm o pudor de a calar.

Retrato de Luís Lavoura

Um problema com o capitalismo e com a economia de mercado livre em Portugal é que os portugueses não têm uma cultura capitalista, de livre concorrência económica. A cultura portuguesa é uma cultura de tradição e costume, conservadora, na qual os empresários, tal como todas as pessoas em geral, são encorajados a submeter-se a certas normas corporativas do seu ramo de atividade, em vez de procurarem "nichos de mercado" ou formas distintas de concorrerem uns com os outros.

 

Um exemplo básico onde isto se observa é às quartas-feiras nos restaurantes populares. Os restaurantes têm a tradição de servir cozido à portuguesa à quarta-feira. Mas não servem esse prato em qualquer outro dia da semana, apesar de ele ser muito apreciado! E servem-no à quarta-feira, apesar de nesse dia ele também poder ser encontrado em todos os outros restaurantes do bairro!

 

Se os empresários portugueses da restauração tivessem um espírito competitivo, de concorrência, então haveria alguns restaurantes que serviriam cozido à portuguesa em todos os dias da semana, haveria outros restaurantes que o serviriam em todos os dias menos à quarta-feira, e haveria ainda outros restaurantes que nunca o serviriam. Mas em Portugal verifica-se este paradoxo: todos os restaurantes que servem cozido à portuguesa fazem-no à quarta-feira e em mais nenhum dia.

 

O cozido à portuguesa à quarta-feira é uma tradição portuguesa. Os empresários da restauração estão mais interessados em respeitar as tradições do que em concorrer uns contra os outros. A concorrência entre restaurantes populares em Portugal não é verdadeiramente livre, ela está submetida às normas corporativas da tradição.

 

Como pode um país que está inserido num ambiente capitalista sobreviver, quando os seus empresários se regem por normas pré-capitalistas?

Retrato de Luís Lavoura

Repare-se nesta interessante notícia do DN. Merece-me os seguintes dois comentários:

(1) O PCP deseja saber se o Ministério da Saúde entende "que existem 'trabalhadores do sexo' e que a prostituição é profissão", mas não diz aquilo que ele próprio, PCP, entende sobre o assunto. Ou seja: o PCP acha que a prostituição é uma profissão e que as prostitutas são trabalhadoras? Tem posição clara sobre o assunto? Ou apenas pretende utilizá-lo, de forma ad hoc,  para atacar o governo?

(2) O PCP entende que a linguagem apropriada para descrever a prostituição é "a mulher está à venda". Esta é uma linguagem herdeira de uma conceção machista da mulher, que eu não posso deixar de lamentar num partido que, supostamente, deveria ser feminista. Com efeito, numa sociedade machista é que um homem descreve uma relação sexual com uma mulher como "comi-a". Nesta expressão está contida a conceção de que, depois da relação sexual, a mulher passou a pertencer ao homem, passou a estar no seu palmarés, ou na sua posse. Se a relação sexual foi paga, pode então dizer-se, apropriadamente, que o homem comprou a mulher e que a mulher se vendeu ao homem.

Porém, numa conceção não-machista da sexualidade, uma mulher não é "comida" pelo homem, nem passa a pertencer-lhe, ou a pertencer à sua coleção de "troféus" ou "conquistas", lá porque teve uma relação sexual com ele. Numa conceção não-machista (que é a minha), a mulher que se prostitui não se vende: apenas vende um serviço. A prostituta é de facto, numa conceção não-machista da sexualidade, uma trabalhadora: tal como um operário vende um serviço que efetua com a força dos seus braços, mas não se vende a si mesmo, assim a prostituta vende um serviço que efetua com o seu sexo, mas não se vende a si mesma

Pelos vistos, o PCP, quando chega a estes assuntos, continua a perfilhar um entendimento machista da relação sexual como significando a posse da mulher pelo homem.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem, no final do jogo Benfica-F.C.Porto, quando ainda diversos jogadores estavam no estádio e milhares de espetadores ainda estavam nas bancadas, alguém decidiu apagar os holofotes que iluminavam o estádio e, além disso, ligar o sistema de rega do relvado do estádio.

 

Uma tal atitude, para além de, no mínimo, deselegante para com os jogadores que se encontravam no estádio, colocou em perigo estes, os espetadores, e os polícias que se encontravam a assegurar a segurança do encontro.

 

Tudo isto já foi dito e repetido. Só há uma coisa que ainda não vi dita nem escrita: quem é que foi a pessoa que ordenou que se apagasse os holofotes e que se ligasse o sistema de rega.

 

É essencial que essa pessoa confesse o que fez. É essencial que o Benfica descubra quem foi essa pessoa e que a apresente ao público.

 

Não deve ser o Benfica a arcar com as críticas de um erro cometido por alguém, aparentemente com poder sobre aquilo que se faz no seu estádio. Essa pessoa deve ser descoberta, para que se saiba que não foi o Benfica enquanto instituição, mas apenas uma pessoa, quem cometeu aquela asneira.

Retrato de Luís Lavoura

Ouvi ontem na televisão falar Ruby, a rapariga a quem o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi terá pagado dinheiro em troca de alguns "favores" sexuais quando ela ainda era "menor" (na verdade era uma adolescente já bem avançadinha) de idade. (Na idade que ela à época tinha já a maior parte das raparigas hoje em dia têm relações sexuais regulares com os seus namorados, e ninguém se preocupa com isso.) Ruby afirmou que na altura estava com grandes dificuldades na vida e que Berlusconi, gentilmente, a ajudou. Pela sua expressão, Ruby está, claramente, muito grata a Berlusconi.

 

Temos portanto que o crime que Belusconi terá, alegadamente, praticado, não tem vítima. Pelo contrário - tem uma beneficiária, que até está grata por o crime ter sido praticado.

 

Isto diz muito sobre as taras que a pedofilia e a prostituição atualmente são na sociedade. E diz muito sobre as taras da esquerda e da justiça italianas.