Ética

Tópicos que discutem questões éticas.
Retrato de Miguel Duarte

Gostei do artigo que li no Delito de Opinião sobre a questão da desobediência civil, no contexto das revelações do SOL. Com destaque para a seguinte citação que penso resumir tudo:

A desobediência civil, como nos ensinaram Gandhi e Martin Luther King, pode ser um imperativo cívico.

Efectivamente, mesmo em democracia existem alturas em que o valor da verdade e a sua importância para a continuação da própria democracia é superior ao respeito estrito da lei. Lei que inclusivamente muitas vezes é criada precisamente para que a verdade inconveniente não venha ao de cima.

Mal estava a nossa democracia se uma simples lei fosse suficiente para calar os jornalistas relativamente a temas graves que implicam o Primeiro Ministro e outros membros do governo.

A manutenção da liberdade de expressão, mesmo em democracia, tem os seus custos. E as próprias democracias oferecem diversos graus de liberdade de expressão. Cabe-nos a nós como cidadãos, diáriamente, lutar para que não existam recuos na nossa liberdade. Caso tal não fosse feito, o resvalar para o autoritarismo não demoraria muito tempo.

Retrato de João Cardiga

A propósito do lançamento das celebrações do centenário da república, o Carlos Santos levanta aqui uma questão que acho de extrema importância: a super-actividade do nosso muy reputado deputado João Galamba.

Num país em que tanto se discute produtividade é sem dúvida pertinente que este deputado nos esclareça qual a fonte de tamanha produtividade. Julgo mesmo que metade da capacidade que o muy reputado deputado apresenta seria suficiente para resolver todos os problemas económicos dos país, e ainda julgo que sobraria alguma coisa para ajudar a nossa amiga Espanha!

Ora pegando no seu CV de muy reputado deputado , contata-se que o mesmo é um zeloso deputado, apenas faltando à primeira reunião ordinária do plenário. Além disso pertence a 4 comissões parlamentares (Comissão de Orçamento e Finanças, Comissão de Assuntos Económicos, Inovação e Energia, Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar à actuação do Governo em relação à Fundação para as Comunicações Móveis) e ao Grupo de Trabalho - Energia e Eficiência Energética!!!

Ok, já seria suficiente para um ser humano, no entanto olhando para a sua declaração de interesses constato que o muy reputado deputado João Galamba ainda consegue ter tempo para:

1) Prestação de serviços Ministério dos Negócios Estrangeiros (Presidência Portuguesa da UE);

2) Prestação de serviços ABC Saude Prestação de serviços na UMCCI (Unidade Missão Cuidados Continuados Integrados);

3) Prestação de serviços na Rádio Televisão Portuguesa;

E quando estava tão cansado de encontrar actividades que este muy reputado deputado executa ainda vejo que o seu curriculum faz parte do conselho coordenador no Forum Novas Fronteiras.

Raios, era capaz de lhe erguer uma estátua com tanto trabalho que executa. Claro que o que o Carlos Guimaraes Pinto levanta e o próprio Carlos Santos desenvolve acerca dos ajustes directos deixa-me com um bocadinho menos de vontade de erguer tal estatua. Muito honestamente eu nem sabia que uma pessoa a nível individual poderia estar contemplado com um ajuste directo, chamem-lhe ignorância mas sempre pensei que tal era dirigido para empresas. É que a "prestação" do muy reputado deputado João Galamba deveria no minimo ter sido lançado em concurso público, pois não vejo onde é que o mesmo muy reputado deputado é único para justificar tal ajuste...

Não sei porquê mas no meio disto tudo tenho a ligeira sensação que me estão a ir ao bolso? Será que alguém me consegue explicar essa sensação?

Retrato de João Mendes

Vai aparecer uma ONG anti-corrupção em Portugal.

Num país em que a sociedade civil mexe muito pouco, são boas notícias. É importante que a sociedade civil, independente do Estado, comece a acordar em Portugal, e neste tema, principalmente, é fundamental em democracia.

Retrato de João Mendes

Václav Klaus de repente lembrou-se de acrescentar uma "nota de rodapé", que ninguém sabe bem o que seja, ao Tratado de Lisboa, mais concretamente uma nota relativa à Carta de Direitos Fundamentais. David Cameron, de quem até poderia ter sido a ideia para esta gracinha, esfrega as mãos de contente.

Tanto temos um candidato a Primeiro Ministro no Reino Unido a dizer que o seu país poderá dar o dito por não dito em relação à ratificação caso ganhe as eleições, como temos um Presidente da República checa que ignora que todos os outros Estados Membros ratificaram o tratado e que este já foi aprovado por ambas as câmaras do Parlamento checo. Ambos estes senhores são conservadores, e gostam de falar de moral e bons costumes. Alguém me dirá alguma dia que moral existe em fazer um país voltar atrás com a palavra dada, no primeiro caso, e que bons costumes ditam que se faça descarrilar um tratado já ratificado em 25 dos 27 (e a Polónia já disse que ia ratificar em breve) com base numa repentinamente descoberta necessidade de incluir uma "nota de rodapé".

Retrato de João Mendes

A ler este artigo, sobre a Universidade Lusíada de Famalicão ter sido condenada a pagar 90.000 euros à família de aluno morto em praxes. Infelizmente, o processo crime foi arquivado, dado que não se conseguiu descobrir quem é que matou, de facto, o aluno em questão. Mas pelo menos a universidade, que tentou lavar as mãos do assunto, acabou condenada.

Retrato de Igor Caldeira

Consta que Sócrates quer adoptar uma estratégia próxima da de Obama para as próximas legislativas. Mesmo que consiga adoptar os mesmos mecanismos, Sócrates e entourage não perceberam nada de Obama.
O que faz alguém vencer só num povo de perfeitos imbecis (e há-os e muitos) pode ser o meio, o veículo, o espalhafato. Nos outros, os meios são apenas isso: meios de comunicação. /Meios/ de /Comunicação/. Ou seja, há algo a comunicar, e para tal se usam determinados meios. Ora, a primeira coisa que temos de saber é se há algo a comunicar.

Obama não tinha nada de concreto para comunicar. Obama era um sentimento, não era um argumento. Um sentimento de tão grande intensidade que em política só se tem pelo desconhecido.

E Sócrates não nos é desconhecido.

Desde logo, as vazas do PS ficam por aqui cortadas. Tão extraordinário movimento de base, possível pela internet, só se pôde iniciar porque havia uma Paixão.

Mas admitamos que pela Razão se pode originar um movimento semelhante. Aqui, a ideia de que se tem de /comunicar/ /algo/ torna-se premente. Um conjunto articulado, coerente de motivações para os cidadãos agirem por algo exige uma ideia de fundo e um plano ordenado.

Pergunto se alguém vê isso. E alargo a questão para o PSD.
Alguém vê um projecto?
Alguém vê algo de novo?
Alguém que não seja um eleitor fiel de qualquer partido consegue sequer dizer que vai votar com toda a confiança num dos partidos?

Não, não, não - é preciso ser um cretino para não ver a cretinice que temos pela frente. Como é que se vai lançar um movimento "grassroots" (usar um anglicismo é, a par do deslumbramento tecnológico e normalmente em conjunto com ele, uma das marcas da imbecilidade que grassa por aí) se não há nada de novo, se não há sentimento que não seja o desespero, e um desespero, permitam-me o pleonasmo, sem esperança (porque os americanos tinham um desespero que encontrou em algo de novo uma promessa de fim), se não sabemos nada do que os partidos querem excepto que eles querem o poder para aquilo que nós sabemos que eles querem e quanto ao mais nem eles sabem o que querem?

Antes do fogo de artifício, escolhessem ao menos para onde querem apontá-lo. O Norte não se encontra na internet, encontra-se nos ideais; e, se não houver ideais (já sabemos que não os há) ao menos que tenham ideias.
Vá lá, ideia.
Uma.
Uma que seja.

Retrato de Miguel Duarte

Muito interessante este artigo da New Scientist. A questão basicamente é: Neste momento já é possível, via testes genéticos aos pais, decidir se é necessário, via fertilização artificial e selecção dos embriões, evitar que futuras crianças nasçam com uma série de doenças genéticas (herdadas de um dos pais). Qual a ética de por questões "éticas" não estarmos já a fazê-lo? Porque razão estamos a trazer ao mundo crianças com deficiências e doenças que poderiam facilmente ser evitadas?