(Aviso prévio: este post pode ser considerado urticante por algumas pessoas, especialmente algarvios.)
Andam os autarcas algarvios furiosos com a possibilidade de serem introduzidas portagens na autoestrada Via do Infante. Já no passado fizeram a mesma "fita" por diversas vezes, quando o assunto foi ventilado de outras vezes, e sempre com sucesso. Parece que desta vez vão voltar a ter sucesso - o governo não introduzirá portagens na Via do Infante. Os algarvios estão a copiar a arte de Alberto João Jardim - fazer uma tal berraria e com tal determinação, que obtêm sempre o que pretendem.
Dizem os algarvios que não há alternativa à Via do Infante. Eu raramente vou ao Algarve mas, com base na minha experiência, não temo afirmar que isto é uma mentira. Eu uma vez, em Junho, fui de Albufeira a Silves pela Via do Infante, pela manhã, e a autoestrada estava praticamente sem tráfego - uma autoestrada que não tem alternativa dificilmente estará assim tão vazia. Pela tarde, regressei de Lagos a Albufeira pela Nacional 125, e fiz a viagem muito bem e sem quaisquer dificuldades nem congestionamentos. Também já circulei, no mesmo mês, pela Nacional 125 na região de Tavira, e mais uma vez posso afirmar que é uma estrada perfeitamente razoável, na qual se circula a velocidade aceitável - certamente circula-se bem melhor do que na antiga estrada Lisboa-Porto, por exemplo.
Eu admito que na região de Quarteira a Olhão (30 km) a Estrada Nacional 125 seja de facto uma rua, que não constitua alternativa válida nessa região. Mas será só nessa região, de forma nenhuma em todo o Algarve (150 km).
Este choradinho dos autarcas algarvios faz-me lembrar um outro favor injustificado que o governo central fez ao Algarve, que foi a construção da autoestrada A2 Lisboa-Algarve. Eu das poucas vezes que vou ao Algarve deparo-me sempre com o mesmo cenário: autoestrada A2 com pouco tráfego, estrada alternativa sem tráfego absolutamente nenhum. A autoestrada A2 apenas serve para as pessoas poderem circular a 140 à hora em vez de circularem a "apenas" 100 à hora, velocidade que é perfeitamente exequível na estrada alternativa durante a quase totalidade do ano. Ou seja, o país gastou uma enorme quantidade de dinheiro para construir uma autoestrada, não porque ela fosse necessária, mas para os (poucos) automobilistas que fazem o trajeto Algarve-Lisboa poderem andar 40 km/h mais depressa.
Estou farto deste choradinho algarvio. Ponham portagens na Via do Infante, já!!! Se quiserem isentar o troço Quarteira-Olhão façam-no, mas o resto da autoestrada deve ter portagens, porque tem uma alternativa que é tão boa ou tão má como o antiga Estrada Nacional 1 é alternativa à autoestrada Lisboa-Porto.