Transportes

Comentários de membros do MLS sobre a política de transportes em Portugal.
Retrato de Luís Lavoura

Diversas pessoas perguntam, se as autoridades fecharam à circulação o IC8 durante os recentes incêndios, porque não fecharam também a "estrada da morte" EN 236-1?

Parece-me simples de explicar. O IC8, como qualquer IC, tem uma entrada de cinco em cinco quilómetros, mais ou menos. Não se entra num IC onde se quer; trata-se de uma estrada rodeada de vedações de arame farpado e que só tem alguns, poucos acessos. Bloqueando esses poucos acessos, a estrada está cortada.
 A EN 236-1, pelo contrário, é uma estrada de acesso livre. Múltiplas estradas, estradinhas e caminhos vão desembocar nela. Não é, pura e simplesmente, possível bloqueá-la.

Retrato de Luís Lavoura

Dizem que as privatizações são boas porque as empresas privadas funcionam melhor e são mais eficientes.

Acontece que a ANA foi privatizada há um par de anos e ontem o aeroporto de Lisboa teve um grave problema que o semi-paralisou durante 12 horas. Será isto uma amostra da eficiência da nova gestão privada da ANA?

Retrato de Luís Lavoura

O Governo informou ontem que o metropolitano de Lisboa vai ser ampliado por duas novas estações, através da ligação Cais do Sodré - Santos - Estrela - Rato.

Eu não sou especialista em transportes, mas custa-me acreditar em tamanha asneira. É que, já há uma ligação ferroviária, e muitíssimos autocarros, do Cais do Sodré para Santos! Qual é a utilidade de se duplicar a linha de caminho-de-ferro do Cais do Sodré a Santos?

Parece-me razoável que se prolongue a linha amarela até à Estrela, e daí para Santos ou, alternativamente, para Campo de Ourique. Agora, contruir o troço entre Cais do Sodré e Santos parece-me um total disparate.

Retrato de Luís Lavoura

Não compreendo a demora de sucessivos governos em fazer o que deveria ser feito, eliminar a base aérea do Montijo com vista a libertar espaço, tanto nos ares para os aviões civis manobrarem, como em terra para fazer um aeroporto civil.

Não vejo razão nenhuma que justifique que, havendo tanto espaço por esse país fora para construir uma base aérea militar, se esteja a sobrecarregar a zona urbana de Lisboa com uma. Os quartéis militares devem estar - e, em Portugal, geralmente estão - longe das cidades, não a ocupar o precioso solo urbano.

Já é tempo e mais que tempo de o governo fazer o que tem a fazer e mandar a base aérea do Montijo para outro sítio qualquer. Quiçá para Beja, onde, ao que consta, há um grande aeroporto que está muito pouco aproveitado.

A TAP é uma empresa muito importante para o país e o seu desenvolvimento não deve continuar a ser impedido por uma base militar que não necessita de estar onde está.

Retrato de Luís Lavoura

Marcelo Rebelo de Sousa aplicou mais uma vez bem o seu direito de veto, ao enviar de volta para a Assembleia da República uma lei que pretendia bloquear estatutariamente a entrada de privados no capital dos transportes coletivos do Porto. É claro que é legítima a opção da atual maioria governativa de rejeitar tal entrada, mas não há qualquer razão para que tal rejeição assuma a forma de um bloqueio estatutário. Infelizmente, creio que dificilmente os comunistas na Assembleia (incluindo o Bloco de Esquerda) terão a sensatez de se vergarem ao veto presidencial; pretendem aparentemente tornar irreversíveis as suas conquistas. Mas talvez o PS possa ser chamado à razão.

Retrato de Luís Lavoura

É de uma incrível imbecilidade a discussão política a que nos últimos dias temos vindo a assistir sobre a decisão da TAP de deixar de voar do aeroporto do Porto para importantes cidades europeias como Bruxelas, Milão e Barcelona.

Parece-me evidente que a TAP, tal como qualquer empresa capitalista, deve guiar o seu planeamento por critérios de rentabilidade e lucro e não por critérios políticos.

A rentabilidade da TAP no mercado interno europeu está muito limitada pelo facto de ela estar em competição com as companhias aéreas low cost. Devido a isso, a TAP não pode subir muito as suas tarifas, sob pena de perder grande parte dos seus passageiros. Vê-se pois condenada a ter tarifas tão baixas que perde dinheiro com certos vôos - que é o que acontece com estes vôos que a TAP pretende descontinuar.

É pois normal que a TAP se concentre nos vôos transatlânticos, nos quais não tem a concorrência das low cost, e se limite, no espaço europeu, aos vôos menos prescindíveis para alimentar os vôos transatlânticos.

Isto é simplicíssimo de explicar, e é lamentável que se esteja a discutir a estratégia comercial de uma companhia aérea, que todos devemos desejar ser rentável (porque ela emprega muitos portugueses e paga muitos impostos em Portugal), em termos políticos.

Deixem a TAP a quem percebe do negócio aéreo! Não queiram que a TAP funcione em termos políticos, como funcionavam as empresas soviéticas, com os tristes resultados que se conhecem. A TAP deve ser uma empresa capitalista, que dá lucro, e não uma empresa socialista, que funciona para cumprir um plano político!

Retrato de Luís Lavoura

Faz-se agora muito barulho porque alguns dos maiores armadores de navios do mundo decidiram deixar de utilizar o porto de Lisboa. Ora, eu não entendo este ruído, porque o que esses armadores disseram foi que iriam substituir a utilização do porto de Lisboa pela utilização dos portos de Leixões (principalmente) e Sines. Ou seja, trata-se de substituir um porto português por outros portos portugueses, e eu não vejo que mal tenha isso para Portugal.

É que, Portugal não é só Lisboa!

Retrato de Luís Lavoura

O PCP já começou a cobrar ao PS a fatura do seu acordo com ele, apresentando na Assembleia da República projetos de lei no sentido de reverter todas as privatizações e concessões a privados que o governo anterior (e o atual) fizeram no setor dos transportes públicos, a começar pela ontem consumada privatização da TAP.

Para o PCP isto é muito importante, por um lado por uma questão ideológica (os comunistas são a favor de se ter os meios de produção na posse do Estado), por outro por uma razão prática - os sindicatos comunistas são especialmente fortes no setor dos transportes, e a sua atuação nesse setor tem uma especial repercussão pública.

Espero que o PS tenha a sanidade mental de não se curvar perante a pressão do PCP. As privatizações e concessões neste setor são essenciais para que ele comece a funcionar bem e para que deixe de constituir uma arma política dos comunistas. E uma coisa é ter-se o PS comprometido a não fazer mais concessões e privatizações, outra muito diferente é aceitar reverter as privatizações e concessões já consumadas.

Retrato de Luís Lavoura

Os sindicatos dos transportes coletivos promovem repetidas greves no Metropolitano de Lisboa - mas poucas greves nos autocarros tanto de Lisboa como do Porto, e também poucas greves no Metro do Porto - porque as greves no Metro de Lisboa são particularmente eficazes do ponto de vista dos grevistas: basta relativamente poucos trabalhadores fazerem greve para que o Metro tenha que encerrar por falta de condições de segurança. Enquanto que numa greve de autocarros se nota perfeitamente bem se houver muitos trabalhadores a não aderir, numa greve do Metro é irrelevante que haja muitos trabalhadores a não aderir - o Metro encerra na mesma.

Desta forma, os sindicatos obtêm o máximo efeito mediático com um mínimo de custos para os grevistas.

Retrato de Luís Lavoura

É muito bom que, após todas as vicissitudes (greves, etc) pelas quais a TAP passou durante o último ano, se verifique que ainda assim há três candidatos a ficar com ela. Isso só mostra que a TAP é, afinal e apesar de tudo, uma boa empresa, apetecível.

É ótimo que o governo pretenda privatizá-la muito em breve. O governo existe para resolver os problemas do país de acordo com o seu programa político, não para adiar esses problemas para governos posteriores. E um problema claro do país é possuir uma companhia de aviação que está na corda bamba, descapitalizada e permanentemente dependente de novos empréstimos bancários, quando nem sequer se sabe bem para que é que, hoje em dia, os contribuintes necessitam de andar a arriscar o seu dinheiro num negócio tão volátil quanto o transporte aéreo. Urge pois vender a TAP e, se isso urge, deve ser feito rapidamente e não adiado para governos posteriores. E parece evidente que tanto o judeu Efromovitch como o mórmon Neeleman (as etnias não são irrelevantes - tanto os judeus como os mórmons são danadinhos para os negócios!) percebem deste negócio e são capazes de desenvolver a TAP, tal como já desenvolveram outras companhias aéreas, de acordo com a sua vocação de servir de ponte entre a Europa e a América.

Espero pois que o negócio seja concluído em breve para que eu, como contribuinte português que sou, deixe de ter que me preocupar com essa empresa.