Esta manhã no noticiário da TSF falaram da supostamente necessária reabilitação de casas em Portugal, especialmente nos centros das cidades. Falaram autarcas como Helena Roseta e Fernando Ruas, ambos pedindo dinheiro "do governo" para ajudar a resolver esse problema, uma vez que as autarquias não têm dinheiro que dê para isso (e o governo, terá? Não tem). Entretanto, Fernando Ruas referiu também que os centros das cidades são frequentemente exíguos e as pessoas querem, naturalmente, habitar em sítios mais arejados, pelo que não há muitas pessoas a querer ir morar para os centros históricos. Eu diria, então se não há pessoas a querer ir para lá habitar, para que é que se há-de estar a reabilitar e reconstruir prédios nos quais ninguém quer morar? Para que há-de o Estado, seja central seja autárquico, estar a gastar (eu diria delapidar) dinheiro a reabilitar prédios que as pessoas não desejam habitar? Fica por explicar.
Disseram também que a freguesia na qual tenho a honra de morar (e na qual moram também celebridades como José Sócrates, Francisco Louçã e Carlos Amaral Dias) é aquela que tem maior percentagem de prédios degradados em Lisboa (o meu não é um deles, felizmente). Entrevistaram um idoso que vive num desses prédios, numa casa com 14 divisões cheia de infiltrações e em perigo iminente, segundo diz o senhor, de ruir. Paga 250 euros de renda por ela. Deu-me vontade de perguntar, mas se o senhor tem mesmo medo de que a casa lhe caia em cima, por que não usa esses 250 euros para arrendar um simples quarto, que custa menos do que isso e onde viveria, se não confortavelmente, pelo menos em segurança física? Fica por explicar. A verdade é que o senhor deverá estar à espera de que o senhorio lhe ofereça uma choruda indemnização para ele libertar as 14 divisões que ocupa.
No meio desta conversa toda, ninguém aventou sequer aquela que considero ser a forma mais racional de tratar o problema dos prédios degradados - demoli-los imediatamente. Se há prédios nos quais ninguém quer morar, se esses prédios se situam em locais onde não convem de qualquer forma alguém morar devido a serem muito ruidosos e poluídos, se nas ruas onde esses prédios se situam não há estacionamento suficiente - então a melhor solução será provavelmente demolir imediatamente esses prédios, antes que eles vão tombar em cima da cabeça de alguém, e substituí-los talvez por algo útil como um espaço de estacionamento. O país tem hoje um sério problema: não tem dinheiro - nem público nem privado - para manter tudo aquilo que tem construído. E se não tem dinheiro para manter, o melhor será rapidamente demolir.
O que é preciso é, em minha opinião, liberalizar a demolição de prédios, a qual deve deixar de requerer autorização camarária.















