Era uma vez num planeta muito distante num tempo muito longínquo, num país que era conhecido pela sua forte ideologia capitalista um grupo de banqueiros muita malucos que decidiram criar um crédito para pessoal menos rico.

Esses banqueiros emprestavam dinheiro a toda a gente. Havia até quem achasse que eles eram muito boas pessoas porque ajudavam quem não tinha hipótese de comprar casa. Emprestavam a pessoas com maus empregos ou até no desemprego, famílias com todo o tipo de problemas financeiros e já sobre-endividadas.

De início as pessoas que recorriam a este crédito achavam maravilhoso haver quem lhes emprestasse dinheiro, mas viriam a descobrir a verdade da forma mais dura que não era assim tão maravilhoso.
Os banqueiros ao criarem este crédito partiram do princípio que o mercado de habitação existe em Eterna Valorização. Acho que o termo “Daaaaaa” se aplica aqui.

Naturalmente, por ser um crédito de alto risco, era também um crédito de altos juros. E porque tinha juros muito elevados dava também lucros muito elevados aos banqueiros. Ou pelo menos assim parecia. Não demorou muito até que vários bancos de outros grupos e nações investissem neste sistema.

Por esta altura, já os primeiros endividados começavam a perceber o problema destes créditos. A verdade é que apesar deste crédito eles não compravam casas melhores. Simplesmente pagavam mais pela mesma casa. O princípio básico da economia é que havendo mais poder de compra pelas mesmas casas estas sobem de preço e as mesmas pessoas compram a mesma casa por muito mais dinheiro.

Claro que quando chegou a altura de pagar, tinham de pagar o valor inflacionado das casas mais um nível de juro avassalador.

Em Outubro de 2007, surgiu uma crise que de inesperada não tinha nada. Muitas pessoas não conseguiam pagar as casas e por isso começaram a devolvê-las em massa. Rapidamente, os valores das casas começaram a cair a pique.
Quando tal aconteceu o número de devoluções aumentou exponencialmente. A falta de capital fez com que a taxa de juro subisse o que aumentou ainda mais o número de devoluções.

As pessoas que ao início tinham apreciado tanto aquela ajuda generosa passaram a destruir as casas que deixaram aos bancos, porque no fundo elas sentiam-se enganadas pelos mesmos.

Uma devolução massiva de casas que não cobria o valor em dívida, um excesso de endividamento, uma falta de poupança e investimento causou a maior crise de liquidez de que há memória. Um por um os bancos começaram a cair, a declarar bancarrota e a serem nacionalizados. Depois dos bancos caíram os países, começando por aqueles cuja economia rondava o sistema financeiro.

Há até quem diga que esta história ia acabar muito mal com o colapso de todas as grandes economias terminando com o mercado como nós o conhecemos.

Lições

Stran on Sexta, 31/10/2008 - 10:27

E que lições retirar desta história?

lições

Hugo Garcia on Domingo, 02/11/2008 - 19:40

A meu ver é óbvio que têm de existir restrições de responsabilidade ao crédito às famílias.

MAs aqui convém informar que estou em dissonância com o Movimento Liberal Social.

Concordo

Stran on Segunda, 03/11/2008 - 15:55

E então tenho que dizer que estou em concordância contigo. Qual o motivo para não se concordar com restrição?

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