Retrato de Luís Lavoura

Falando ontem sobre os estímulos governamentais à economia, Ernâni Lopes aconselhou o governo a pensar sete vezes antes de embarcar numa qualquer grande obra - do tipo autoestrada, TGV ou aeroporto - mas elogiou a execução de pequenas obras, espalhadas pelo país, nomeadamente a renovação de escolas. A mim parece-me claro que Ernâni Lopes tem 100% de razão. Todas as grandes obras - novo aeroporto de Lisboa, TGV (seja lá o que isso fôr), novas estradas e autoestradas - devem, no momento atual, ser congeladas. Obras como a renovação de escolas e hospitais, pelo contrário, podem avançar.

Para além dos motivos financeiros, no entanto, eu gostaria de chamar à atenção também os motivos energéticos e ambientais. Não podemos ter ilusões - o preço da energia vai subir, inexoravelmente, ao longo dos próximos anos. Subir, e subir muito. O petróleo escasseia (já teremos provavelmente atingido o pico da sua produção, estaremos já eventualmente na fase descendente) e os povos asiáticos entram, poderosamente, na competição pelo existente. Portugal é um país altamente dependente do exterior em matéria energética. A energia vai-nos custar os olhos da cara - já custa, aliás. Não tenhamos ilusões. Ora, as grandes obras têm uma coisa em comum - servem para meios de transporte que gastam muita energia. E que, portanto, vão ser cada vez mais difíceis e caros de utilizar. Tendencialmente, haverá cada vez menos gente a andar de avião e de automóvel, porque o carburante para esses veículos será cada vez mais proibitivamente caro. Esta tendência, aliás, já hoje se vai observando. Portanto, a prazo, as grandes obras - as novas autoestradas, aeroporto, linhas férreas - correm o sério risco - eu diria mesmo que é uma certeza - de não servirem para nada. De se transformarem, todas elas, em elefantes brancos. (Os quais o país, aliás, não terá dinheiro para manter em funcionamento.)

Nos edifícios temos o problema contrário. Portugal gasta brutalidades de energia devido à má conceção dos seus edifícios. Isso é observável, em particular, em escolas e hospitais. Edifícios pessimamente isolados, mal orientados, com vidraças em excesso, etc. O Estado, tal como os particulares, tem que investir para combater este problema - para renovar os edifícios de tal forma a que estes se tornem mais confortáveis gastando menos energia. O investimento em escolas, se fôr bem feito, pode ser um bom investimento - ou seja, pode ser gastar dinheiro hoje para o poupar amanhã.

É tudo questão de o investimento ser bem feito, em edifícios bem concebidos. Será?

TGV

Anónimo (não verificado) on Segunda, 25/01/2010 - 10:50

Pergunto-me se o TGV, como usa a energia eléctrica, não será uma parte importante da mobilidade do futuro. Num mundo pós combustíveis fósseis, e assumindo que a preocupação das emissões se mantém, terá que ser a electricidade a alimentar o transporte terrestre, seja nos caminhos-de-ferro ou nas estradas.

Retrato de João Cardiga

A questão é, e se o

João Cardiga on Segunda, 25/01/2010 - 18:31

A questão é, e se o automóvel e o avião não ficar obsoleto será que o TGV ainda fará sentido?

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